TRAPPIST-1

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Coordenadas: Sky map 23h 06m 29.383s, −05° 02′ 28.59″

TRAPPIST-1
Impressão artística de TRAPPIST-1 e seu sistema planetário.
Dados observacionais (J2000)
Constelação Aquarius
Asc. reta 23h 06m 29,36s[1]
Declinação -05° 02′ 29,2″[1]
Magnitude aparente 18,798[1]
Características
Tipo espectral M8V [2]
Astrometria
Velocidade radial -56,3 km/s[1]
Mov. próprio (AR) 922,1 mas/a[1]
Mov. próprio (DEC) -471,9 mas/a[1]
Paralaxe 82,58 ± 2,58 mas[1]
Distância 39 ± 1 anos-luz
12,1 ± 0,4 pc
Magnitude absoluta 18,4
Detalhes
Massa 0,080 ± 0,009[3] M
Raio 0,117 ± 0,004[3] R
Luminosidade 0,000525 ± 0,000036[3] L
Temperatura 2 550 ± 55[3] K
Metalicidade [Fe/H] = +0,04 ± 0,08[3]
Rotação 1,40 ± 0,05 dias[3]
Idade >500 milhões[3] de anos
Outras denominações
2MASS J23062928-0502285[1]
TRAPPIST-1
Aquarius constellation map.png

TRAPPIST-1, também conhecida como 2MASS J23062928-0502285, é uma estrela anã vermelha fria, também conhecida como estrela anã superfria,[4] localizada a 39 anos-luz do Sol na constelação Aquário.[5]

A estrela TRAPPIST-1 ganhou este nome pelo telescópio que a descobriu, localizado no deserto do Atacama e chamado Transiting Planets and Planetesimals Small Telescope (TRAPPIST).[6]

Em 22 de fevereiro de 2017 astrônomos anunciaram que TRAPPIST-1 tem o maior número de planetas de dimensões semelhantes aos da Terra já encontrados e o maior número de mundos com condições favoráveis à existência de água. Ao todo são sete exoplanetas, todos com condições de possuir água líquida.[7][8] O sistema foi revelado através de observações do telescópio espacial Spitzer da NASA e do telescópio TRAPPIST, no Chile.[9]

Todos os planetas da TRAPPIST-1 orbitam muito mais perto que o planeta Mercúrio em relação ao Sol. A distância entre as órbitas do TRAPPIST-1b e TRAPPIST-1c é somente 1.6 vezes a distância entre a Terra e a Lua.

História e nomenclatura[editar | editar código-fonte]

A estrela atualmente conhecida como TRAPPIST-1 foi inicialmente observada no fim da década de 1990 pela pesquisa astronômica 2MASS, tendo sido identificada em 2000 como uma anã superfria próxima da Terra,[10] e entrou no catálogo principal da pesquisa, publicado em 2003, com o nome 2MASS J23062928-0502285.[11] Nos anos seguintes a estrela foi melhor caracterizada em uma série de estudos que determinaram suas propriedades.[3]

O sistema foi mais tarde observado por uma equipe da Universidade de Lieja, na Bélgica, que monitorou a estrela de setembro a dezembro de 2015 usando o telescópio TRAPPIST (Transiting Planets and Planetesimals Small Telescope) e publicou sua pesquisa na edição de maio de 2016 do jornal Nature, anunciando a descoberta de três planetas no sistema.[3] A mesma equipe continuou estudando a estrela, com vários telescópios em terra e com o Telescópio Espacial Spitzer, o que levou à detecção de outros cinco planetas. Um dos planetas detectados inicialmente teve sua existência descartada, totalizando sete planetas conhecidos no sistema. Os resultados desse estudo foram publicados em fevereiro de 2017, no jornal Nature.[12]

O nome da estrela, TRAPPIST-1, reflete que foi a primeira estrela com planetas descobertos pelo telescópio TRAPPIST. O acrônimo homenageia a ordem católica dos Trappists e a cerveja que produz, primariamente na Bélgica.

Planetas extrassolares são designados na ordem de sua descoberta, começando com b para o primeiro, c para o segundo e assim em diante. Os três planetas descobertos primeiramente em volta do TRAPPIST-1 foram designados de b, c e d na ordem dos períodos orbitais, e o segundo lote de descobrimentos foi similarmente chamado de e até h.

Características estelares[editar | editar código-fonte]

Com base em medições de paralaxe, TRAPPIST-1 está localizada a uma distância de 39 anos-luz (12 parsecs) da Terra.[13] Apesar da relativa proximidade, não é visível a olho nu, devido a seu brilho intrínseco extremamente baixo, tendo uma magnitude aparente visual de 18,8.[1] Seu tipo espectral de M8V (M8.0 ± 0.5) indica que é uma anã vermelha, o menor e menos luminoso tipo de estrelas na sequência principal. Possui uma massa de 8% da massa solar, raio de 11,7% do raio solar e está brilhando com apenas 0,05% da luminosidade solar. Sua temperatura efetiva de 2 550 K a coloca em uma classe de estrelas conhecidas como anãs superfrias, que são estrelas de baixa massa e objetos sub-estelares (incluindo anãs marrons) com temperatura efetiva menor que 2 700 K. Esse grupo representa cerca de 15% dos objetos na vizinhança do Sol.[3]

TRAPPIST-1 tem uma idade de mais de 500 milhões de anos; o valor preciso é desconhecido.[3] Por serem totalmente convectivas, anãs vermelhas têm um tempo de vida muito maior que o Sol. Uma estrela com 8% da massa solar, como TRAPPIST-1, permanece na sequência principal por 12 trilhões de anos, e então evolui para uma anã azul, ao contrário de estrelas mais massivas que se tornam gigantes vermelhas.[13] TRAPPIST-1 tem uma metalicidade, a abundância de elementos que não são hidrogênio e hélio, parecida com a solar, com uma abundância de ferro de 109% do valor solar.[3]

Sistema planetário[editar | editar código-fonte]

O sistema TRAPPIST-1 [12]
Planeta Massa Raio Semieixo maior
(UA)
Período orbital
(dias)
Excentricidade Inclinação
b 0,85 ± 0,72 M 1,086 ± 0,035 R 0,01111 ± 0,00034 1,51087081 ± 0,00000060 <0,081 89,65 +0,22
−0,27
°
c 1,38 ± 0,61 M 1,056 ± 0,035 R 0,01521 ± 0,00047 2,4218233 ± 0,0000017 <0,083 89,67 ± 0,17°
d 0,41 ± 0,27 M 0,772 ± 0,030R 0,02144 +0,00066
−0,00063
4,049610 ± 0,000063 <0,070 89,75 ± 0,16°
e 0,62 ± 0,58 M 0,918 ± 0,039 R 0,02817 +0,00083
−0,00087
6,099615 ± 0,000011 <0,085 89,86 +0,10
−0,12
°
f 0,68 ± 0,18 M 1,045 ± 0,038 R 0,0371 ± 0,0011 9,206690 ± 0,000015 <0,063 89,680 ± 0,034°
g 1,34 ± 0,88 M 1,127 ± 0,041 R 0,0451 ± 0,0014 12,35294 ± 0,00012 <0,061 89,710 ± 0,025°
h - M 0,755 ± 0,034 R 0,063 +0,027
−0,013
20 +15
−6
- 89,80 +0,10
−0,05
°

Galeria[editar | editar código-fonte]

Vídeos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i «SIMBAD query result - 2MASS J23062928-0502285». SIMBAD. Centre de Données astronomiques de Strasbourg. Consultado em 22 de fevereiro de 2017 
  2. Costa, Edgardo; et al. (setembro de 2006). «The Solar Neighborhood. XVI. Parallaxes from CTIOPI: Final Results from the 1.5 m Telescope Program». The Astronomical Journal. 132 (3): pp. 1234-1247. Bibcode:2006AJ....132.1234C. doi:10.1086/505706 
  3. a b c d e f g h i j k l Gillon, Michaël; et al. (maio de 2016). «Temperate Earth-sized planets transiting a nearby ultracool dwarf star». Nature. 533 (7602): pp. 221-224. Bibcode:2016Natur.533..221G. doi:10.1038/nature17448 
  4. a b «A Anã Superfria e os Sete Planetas». Eso.org. 22 de fevereiro de 2017. Consultado em 3 de março de 2017 
  5. «Cientistas descobrem planetas com tamanhos parecidos ao da Terra em sistema a 40 anos-luz». G1. Globo.com. 22 de fevereiro de 2017. Consultado em 22 de fevereiro de 2017 
  6. Rita Loiola (22 de fevereiro de 2017). «Sete "irmãs" da Terra são descobertas por cientistas». Veja. Abril. Consultado em 22 de fevereiro de 2017 
  7. «Astrônomos anunciam descoberta de novo sistema solar que pode conter água - e vida». BBC. 22 de fevereiro de 2017. Consultado em 22 de fevereiro de 2017 
  8. Teresa Firmino (22 de fevereiro de 2017). «Sete irmãs da Terra descobertas na nossa vizinhança cósmica». Publico.pt. Consultado em 22 de fevereiro de 2017 
  9. «Abstract Concept of TRAPPIST-1 System» (em inglês). NASA. 22 de fevereiro de 2017. Consultado em 22 de fevereiro de 2017 
  10. Gizis, John E.; et al. (agosto de 2000). «New Neighbors from 2MASS: Activity and Kinematics at the Bottom of the Main Sequence». The Astronomical Journal. 120 (2): pp. 1085-1099. Bibcode:2000AJ....120.1085G. doi:10.1086/301456 
  11. Cutri, R. M.; et al. (junho de 2003). «VizieR Online Data Catalog: 2MASS All-Sky Catalog of Point Sources (Cutri+ 2003)». VizieR On-line Data Catalog: II/246. Bibcode:2003yCat.2246....0C 
  12. a b Michaël Gillon; et al. (2017). «Seven temperate terrestrial planets around the nearby ultracool dwarf star TRAPPIST-1» (PDF). Nature. 542 (7642): pp. 456–460. doi:10.1038/nature21360 
  13. a b Adams, F. C.; Graves, G. J. M.; Laughlin, G (dezembro de 2004). «Red Dwarfs and the End of the Main Sequence». Revista Mexicana de Astronomía y Astrofísica. 22: pp. 46-49. Bibcode:2004RMxAC..22...46A