Tapada das Necessidades

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Tapada das Necessidades
Tapada das Necessidades
Localização Largo das Necessidades, Lisboa
País Portugal Portugal
Tipo Público
Administração Câmara Municipal de Lisboa

A Tapada das Necessidades evoluiu de recinto fechado para a prática da arte venatória pelos monarcas de Portugal para local privilegiado para a realização de piqueniques.

Piqueniques na Tapada[editar | editar código-fonte]

Origens remotas[editar | editar código-fonte]

Diz-se que já D.João V era adepto dos piqueniques na Tapada, ainda quando esta era somente o grande jardim do Convento das Necessidades. Nestas excursões gastronómicas o rei fazia-se acompanhar por religiosas que o ajudavam nos exercícios espirituais.

John V of Portugal Pompeo Batoni.jpg

A Gazeta de Lisboa noticiava, a 12 de Abril de 1707, que "S.M. gabava hontem, em audiênssia ao marquez de la Conchita, embaixador de Carlos III, Rei de Castela, as penitênssias que faz nas Necessidades, e do quam edificantes sam os colóquios com as hirmãs, uns autênticos espelhos de virtudes. A Gazeta de Lisboa açossia-se a S.M. no louvor ao genuíno refrigério das almas e das tribulações da vida em nossos tempos que sam as religiosas das Necessidades."

A Monarquia Liberal[editar | editar código-fonte]

Já palácio, as Necessidades continuaram a ser palco de agradáveis repastos em ambiente campestre. D.Maria II e seu filho D. Pedro V eram grandes amigos dos piqueniques na Tapada, ao passo que o irmão e sucessor deste último, D.Luís, fez questão de se mudar para o Palácio da Ajuda para se afastar das memórias que tinha das tardes em família nesse mesmo lugar.

Manet e os Piqueniques na Tapada[editar | editar código-fonte]

Édouard Manet, pintor de génio, deixou nas suas Memórias a confissão de que a sua obra-prima Le déjeuner sur l'herbe deve tudo, ou quase tudo, a uma sua curta estadia no Palácio das Necessidades, em 1859, por motivos que o pintor deixa por esclarecer.

Estudiosos da obra do mestre aventuram interpretações de alguns sinais através dos quais Manet quis passar uma mensagem críptica.

Segundo Jean-Jacques Dupond, da escola dita de Denhaut, o artista ensaiou uma declaração política de aproximação ao bonapartismo (reinava em França Napoleão III), sobretudo através do jogo de cores figura feminina/roupa caída; segundo Jean-Michel Dupont, este da escola Denbat, há antes um código que conduz a conclusões surpreendentes sobre a origem do planeta Terra e sobre a verdadeira descendência de Jean-Pierre Dupons, alguém que Manet não conhecia, e que, curiosamente, não aparece representado no quadro.

Le Déjeuner sur l'herbe

A República[editar | editar código-fonte]

Com o advento da República a Tapada deixou de receber monarcas adeptos da folia em moldura rural e passou a assistir apenas ao deambular de funcionários cinzentões da máquina burocrática da Secretaria de Estado.

Cabe, aliás, referir que D. Manuel II planeava um grande piquenique para o dia 6 de Outubro de 1910, como se pôde comprovar através do diário do malogrado soberano. No seu exílio em Inglaterra o rei muitas vezes se referia com saudade à Tapada, segundo o testemunho do Marquês de Soveral.

Mais recentemente, algumas pessoas esforçam-se por recuperar os piqueniques na Tapada.