Vasco Núñez de Balboa

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Vasco Núñez de Balboa
Estátua de Vasco Núñez de Balboa em Madri (E. Pérez, 1954)
Nascimento 1475
Jerez de los Caballeros, Coroa de Castela
Morte 21 de janeiro de 1519 (44 anos)
Acla, no Panamá
Nacionalidade Castelhana[1]
Ocupação Navegador e explorador
Religião Católica

Vasco Núñez de Balboa (Jerez de los Caballeros, 1475Acla, no Panamá, 21 de janeiro de 1519) foi um explorador e fidalgo espanhol que teria nascido em Jerez de los Caballeros (na atual província de Badajoz), na Espanha e que faleceu em Acla, no atual Panamá.[2] [1] De origem galega e de linhagem incerta, é provável que tenha sido filho do fidalgo Nuño Arias de Balboa e de uma dama de Badajoz. Orientado por Rodrigo de Bastidas em uma de suas viagens às Américas, tornou-se célebre por ter sido o primeiro europeu a avistar o Oceano Pacífico.[3]

Em seus últimos anos de vida, Vasco Núñez de Balboa viveu em exílio devido a altas dívidas com a coroa de Aragão. Vasco Núñez de Balboa foi em preso em 1517 e condenado à morte por decapitação, sendo executado a mando de Francisco Pizarro em 21 de janeiro de 1519, numa pequena cidade no Panamá. Balboa teria sido acusado de alta traição por Pedro Arias Dávila.[4]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Balboa pertencia a uma família nobre empobrecida. Quando tinha 26 anos, se alistou na expedição de Rodrigo de Bastidas para a América, cruzando a costa da Colômbia moderna. No Novo Mundo, foi criado e assumiu uma fazenda, mas falhou a ponto de ter de fugir, perseguido por credores. Junto com Martín Fernández de Enciso, foi para a Nova Andaluzia, onde fundaram San Sebastián de Urabá e Santa Maria de la Antigua del Dairen, a primeira cidade de origem europeia fundada nas Américas.[2]

Início das viagens[editar | editar código-fonte]

Viagem de Balboa em 1513.

Fugindo aos credores, foi um dos primeiros colonos em Hispaniola. Em 1501, empreendeu sua primeira viagem com a expedição de Rodrigo de Bastidas, que explorou o litoral caribenho do Cabo de la Vela na Península Guajira até o Golfo de Darien, através das ilhas do Caribe que pertencem à atual Colômbia (Santa Marta, Cartagena e golfo de Urabá ou "Darién"). Em seu retorno em 1502, passou pela Jamaica e se estabeleceu em na ilha de Hispaniola (onde, hoje, se localizam a República Dominicana e o Haiti), na aldeia de Salvatierra, onde viveu vários anos sem qualquer sucesso financeiro, se vendo finalmente obrigado a abandoná-la.[3] [5]

Em 1508, Alonso de Ojeda e Diego de Nicuesa criaram duas novas "governações" nas terras entre os cabos "de La Vela" (hoje na Venezuela) e de "Graças a Dios". Denominou "Nova Andaluzia" à oriental e "Castela de Ouro" à situada a oeste do Golfo de Urabá.

Um ano mais tarde, fugiu de seus credores de Santo Domingo e embarcou na expedição comandada por Enciso que saía ao encontro de Alonso de Ojeda, que havia fundado o estabelecimento de San Sebastián de Urabá, na Nova Andaluzia, deixando, nele, um grupo de homens ao comando de Francisco Pizarro.[5]

Gravura de Theodor de Bry de 1594 retratando Vasco Núñez de Balboa mandando seus cães de guerra atacarem homossexuais panamenhos

Pouco depois de sua chegada, Núñez de Balboa adquiriu popularidade entre seus companheiros graças ao carisma e conhecimento da terra. Mais tarde, o regimento se transferiu para Darién, onde Núñez de Balboa fundou, em 1510, o primeiro estabelecimento europeu permanente em terras continentais americanas, denominado Santa María la Antiga del Darién.

Eleito alcaide, enviou emissários a Nicuesa convidando-o a estabelecer-se como governador em "la Antigua", mas este considerou o gesto uma intromissão e encabeçou uma missão punitiva contra Núñez de Balboa, que acabou vencendo a Nicuesa. Este foi abandonado à sua sorte em um barco que se perdeu no mar.[1]

Manteve, tanto quanto possível, tratados informais com os chefes indígenas, contrariando a imagem sanguinária que hoje prevalece sobre os conquistadores espanhóis.[5]

Descobrimento do Mar del Sur[editar | editar código-fonte]

Em 1511, Núñez de Balboa obteve o cargo de governador. Movido pelo propósito de descobrir o mar de que falavam os indígenas, se internou continente adentro em 25 de setembro de 1513 num périplo de mais de 30 dias que culminou em uma das maiores façanhas da conquista espanhola da América: o descobrimento do Mar del Sur, nome que deram ao atual Oceano Pacífico.[4] Reza a lenda que terá subido a um monte indicado pelos índios apenas na companhia do seu cão Leoncito, tornando-se no primeiro europeu a avistar o maior Oceano da Terra.[1]

Chegada ao Pacífico[editar | editar código-fonte]

Balboa reivindicando a posse do Mar do Sul

Em suas campanhas de conquista de novas terras e alianças ou subjugação dos índios, Balboa soube da existência ao sul de um grande mar e de uma grande terra, onde havia abundância de ouro (talvez o Império Inca do Peru). Após esta notícia, Balboa organizou uma expedição com 190 espanhóis (incluindo Francisco Pizarro) e 800 índios que, primeiro, atravessou o istmo do Panamá. O rei espanhol nomeou-o governador em exercício de Darien, uma posição que ocupou até a chegada de Pedrarias em 1514.[2] [5] Em Darien, Balboa ganhou a lealdade e respeito dos indígenas de Santa Maria. Como resultado, conseguiu descobrir o Mar do Sul. Em 25 de setembro de 1513, avistou o mar cobiçado, que ele chamou de Mar del Sur por causa da direção seguida pela expedição do ponto de partida, mas foi mais tarde chamado o Oceano Pacífico por Fernão de Magalhães (1520) por causa dos suaves ventos alísios que sopram na região. Depois de tomar posse do mar em nome da Espanha, Balboa e seus homens retornaram para Darien em janeiro de 1514.[3] [4]

Acusações e morte[editar | editar código-fonte]

Enquanto isso, o bacharel Enciso tinha chegado ao Tribunal, onde se dedicou a denunciar Balboa diante do rei. Até a chegada do novo governador Pedro Arias Dávila, Balboa conservou os cargos de Adelantado de la Mar del Sur e Gobernador de Panamá y Coiba, e empreendeu a exploração da costa do Pacífico.[1] Ao ter notícia de que seu sogro ia ser substituído, regressou a Acla para apresentar seu apoio, mas Pedro Arias Dávila o acusou de conspirar contra a Coroa e o descobridor foi julgado e condenado à morte, tendo sido executado por decapitação em Acla, em 1519, provavelmente a mando de Francisco Pizarro. A sentença foi cumprida entre 14 e 21 de Janeiro de 1517, terminando com as aspirações de conquista de uma das mais importantes figuras da conquista espanhola das Américas.[2] [4]

Referências

  1. a b c d e «VASCO NUÑEZ DE BALBOA» (em espanhol). critica.com.pa. Consultado em 30 de abril de 2012. 
  2. a b c d «Personaje - Núñez de Balboa» (em espanhol). artehistoria. Consultado em 30 de abril de 2012. 
  3. a b c «Vasco Núñez de Balboa (1475-1519):» (em espanhol). mgar.net. Consultado em 30 de abril de 2012. 
  4. a b c d «Vasco Núñez de Balboa» (em espanhol). members.tripod. Consultado em 30 de abril de 2012. 
  5. a b c d «Vasco Nunez de Balboa» (em espanhol). All About Explorers. Consultado em 2 de junho de 2012. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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