Vladimir Safatle

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Vladimir Pinheiro Safatle
Vladimir Safatle
Nascimento 03 de junho de 1973 (43 anos)
Santiago, Chile
Nacionalidade  brasileiro
Ocupação Filósofo e professor
Influências
Principais trabalhos A paixão do negativo: Lacan e a Dialética

Vladimir Pinheiro Safatle (Santiago do Chile, 03 de junho de 1973) é um filósofo e professor livre-docente da Universidade de São Paulo. Notabilizou-se ao grande público sobretudo por sua atividade como colunista no jornal Folha de S. Paulo.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho dos ex-guerrilheiros Fernando Safatle e Ilmeide Tavares Pinheiro, então participantes da luta armada pela Aliança Libertadora Nacional, Vladimir Safatle nasceu em Santiago do Chile, em 1973.[2] Comprometida com a construção do socialismo chileno, sua família se mudou para o Brasil em virtude da ascensão de Augusto Pinochet ao poder, quando Vladimir tinha poucos meses de vida. No Brasil, instalaram-se primeiramente em Brasília e, a partir de 1987, em Goiânia, quando seu pai assumiu o cargo de Secretário do Planejamento no governo de Goiás.[2]

Vladimir nasceu no Chile, mas se considera goiano, pois passou a infância em terras de Goiás.

Em 1991, mudou-se para São Paulo, onde iniciou seus estudos universitários.[2] Cursou simultaneamente a graduação em publicidade na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e a graduação em filosofia na Universidade de São Paulo (USP). Em 1997, concluiu o mestrado em filosofia na Universidade de São Paulo sob a orientação de Bento Prado Júnior, com o título "O amor pela superfície: Jacques Lacan e o aparecimento do sujeito descentrado". Em 2002, concluiu o doutorado em "Espaços e transformações da filosofia" na Universidade Paris VIII, sob a orientação de Alain Badiou. Sua tese de doutorado, intitulada "A paixão do negativo: modos de subjetivação e dialética na clínica lacaniana", foi publicada em 2006 pela Editora UNESP.

Desde 2003, Vladimir Safatle é professor no Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo, além de professor convidado em outras universidades e instituições europeias.

Desde 2011, é colunista semanal do jornal Folha de S. Paulo.[3]

Em 30 de setembro de 2013, após um longo período de aproximação, filiou-se ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL),[4] onde foi convidado pelo diretório estadual do partido para tornar-se candidato ao Governo do Estado de São Paulo. Pretendia montar uma Frente Única de Esquerda com outros partidos de semelhantes direcionamentos ideológicos; não se contentava com a meta estabelecida pelo PSOL, aparentemente satisfeito em ser pequeno e não governar, de apenas 2% dos votos; e esperava contar com uma verba mínima para financiar a campanha, a fim de estabelecer perspectivas mais reais de um futuro próspero para aquela caminhada que se iniciaria - por tudo isso, no dia 18 de maio de 2014, foi comunicado pelo partido de que a vaga havia sido preenchida por outro candidato, Gilberto Maringoni.[5][6]

Trajetória intelectual[editar | editar código-fonte]

Em suas obras, propõe uma releitura da tradição dialética por meio da teoria psicanalítica de Jacques Lacan, além da reformulação de categorias clássicas do pensamento marxista, como fetichismo, crítica e reconhecimento.[7] É um dos responsáveis pela publicação de um importante estudo sobre a ditadura militar e suas ramificações no presente, intitulado: O que resta da ditadura: a exceção brasileira (Boitempo, 2010). Publicou também contribuições à filosofia da música, à crítica da cultura e à teoria psicanalítica. Assinou ainda a introdução à tradução brasileira da obra Bem-vindo ao deserto do real! (Boitempo, 2003), do filósofo esloveno Slavoj Žižek.

Vladimir Safatle apresenta-se constantemente como comentarista em telejornais ou como convidado do programa Roda Viva, e ministrou aulas públicas em eventos como "Ocupa Sampa" e "OcupaSalvador".[8]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • 2003 - Um limite tenso: Lacan entre a filosofia e a psicanálise. São Paulo: Editora Unesp.
  • 2004 - O tempo, o objeto e o avesso: ensaios de filosofia e psicanálise. Belo Horizonte: Autêntica.
  • 2006 - Sobre arte e psicanálise. São Paulo: Editora Escuta.
  • 2006 - A paixão do negativo: Lacan e a dialética. São Paulo: Unesp.
  • 2007 - Lacan. São Paulo: Publifolha.
  • 2007 - Ensaios sobre música e filosofia. São Paulo: Editora Humanitas.
  • 2008 - A filosofia após Freud. São Paulo: Humanitas.
  • 2008 - Cinismo e falência da crítica. São Paulo: Boitempo.
  • 2010 - La passion du négatif : Lacan et la dialectique. Hildesheim: Georg Olms Verlag.
  • 2010 - Fetichismo : colonizar o Outro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
  • 2010 - O que resta da ditadura: a exceção brasileira. São Paulo: Boitempo.
  • 2012 - A esquerda que não teme dizer seu nome. São Paulo: Três Estrelas.
  • 2012 - Grande hotel abismo: por uma reconstrução da teoria do reconhecimento. São Paulo: WMF Martins Fontes.
  • 2015 - Circuito dos afetos: corpos políticos, desamparo e o fim do indivíduo. São Paulo: Cosac Naify.[9]

Referências

  1. Buarque, Daniel (15 de março de 2015). «A Nova República acabou, diz filósofo Vladimir Safatle». UOL Notícias. UOL. Consultado em 14 de maio de 2016 
  2. a b c Gabriela Sá Pessoa e Tiago Mota (14 de dezembro de 2011). «Sociedade "pós-sushi"». Cásper Líbero. Consultado em 12 de março de 2014 
  3. «Vladimir Safatle - Colunistas - Folha de S.Paulo». Consultado em 12 de março de 2014 
  4. «Filósofo Vladimir Safatle se filia ao PSOL». Folha de S.Paulo. 7 de outubro de 2013. Consultado em 16 de março de 2017 
  5. Truffi, Renan (29 de maio de 2014). «O inimigo é a velha direita e não o PT, diz candidato do PSOL em SP». Carta Capital. Consultado em 16 de março de 2017 
  6. de Araujo, Pedro Zambarda (14 de janeiro de 2014). «"O PT é frouxo com a velha direita": Gilberto Maringoni, candidato ao governo de SP pelo PSOL, fala ao DCM». Diário do Centro do Mundo. Consultado em 16 de março de 2017 
  7. Silvio Carneiro. «Breve biografia comentada de Vladimir Safatle». Consultado em 12 de março de 2014 
  8. «Vladimir Safatle palestra sobre política dos afetos, na Reitoria da UFBA». Universidade Federal da Bahia. 29 de abril de 2016. Consultado em 16 de março de 2017 
  9. «Cosac Naify | O circuito dos afetos». editora.cosacnaify.com.br. Consultado em 21 de janeiro de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]