MV Wilhelm Gustloff

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MV Wilhelm Gustloff
O Wilhelm Gustloff ancorado no porto da Cidade Livre de Danzig.
Carreira   Bandeira da marinha que serviu Bandeira da marinha que serviu
Proprietário Deutsche Arbeitsfron
Operador Hamburg-South America Line
Fabricante Blohm & Voss
Lançamento 5 de maio de 1937
Estado Torpedeado e afundado
Fatalidade 30 de janeiro de 1945
Características gerais
Deslocamento 25 484 t
Comprimento 208 m
Boca 23,6 m
Propulsão 2 Turbinas Díesel MAN, 2 hélices
Velocidade 15,5 nós (velocidade de cruzeiro); 20 nós (máxima)
Autonomia 20 000 km a 15 nós
Tripulação 590 tripulantes

MV Wilhelm Gustloff foi um navio de cruzeiro alemão[1], torpedeado em 30 de janeiro de 1945 pelo submarino soviético S-13, no Mar Báltico, durante a Operação Hannibal. Foi o o primeiro navio a ser construído com o propósito de servir como cruzeiro.

No momento do naufrágio carregava a bordo o total de 10582 passageiros[2] (passageiros e tripulação, total estimado), vitimando 9343 vidas[2] (número estimado). Representa, até hoje, o maior desastre naval, resultante do naufrágio de uma única embarcação, de todos os tempos[3].

História[editar | editar código-fonte]

Foi construído nos estaleiros Blohm & Voss, de Hamburgo, para a Kraft durch Freude (KdF) (Força pela Alegria), uma organização civil que promovia atividades culturais e recreativas, incluindo concertos e outras festividades para os trabalhadores alemães de todas as classes. Batizado em homenagem a Wilhelm Gustloff, líder do braço Suíço do NSDAP.

Os trabalhos iniciaram-se em 1 de Maio de 1936 e o lançamento ao mar ocorreu em 5 de Maio de 1937, seguindo-se as operações de apetrechamento e finalmente a entrega à KdF, o que aconteceu em 15 de Março de 1938, sendo Carl Lubbe o seu primeiro comandante. Conforme o projeto original, o navio deslocava 25 484 toneladas à velocidade de 15 nós e tinha capacidade para 1 463 passageiros e 417 tripulantes, ou seja, havia capacidade para 1 880 passageiros no total.

Em 4 de Abril de 1938, em uma de suas primeiras viagens, efetuou, sob péssimas condições de mar, o salvamento da tripulação de um cargueiro britânico o SS Pegaway com grande repercussão na imprensa britânica. Em 20 de Abril de 1938, partiu, junto com outros navios da frota KdF para a viagem inaugural como navio de cruzeiro rumo ao Arquipélago da Madeira, com escala em Lisboa. O tamanho do navio, o luxo sóbrio e o fato de permitir viagens em classe única para todos, impressionou à época.

Os fiordes noruegueses, tal como Lisboa e o Funchal, na Madeira, tornaram-se destinos de eleição. O navio efetuou cerca de cinqüenta viagens em tempo de paz, transportando cerca de 70 000 passageiros, sempre com grande sucesso. Em 25 de Maio de 1939, colaborou, junto com outras unidades da KdF, no repatriamento da Legião Condor após o fim da Guerra Civil Espanhola.

Com o início da Segunda Guerra Mundial foi transformado em navio hospital, colaborando na evacuação de feridos da Polónia e mais tarde, após a invasão da Dinamarca e Noruega pelas tropas alemãs, de Oslo. A 17 de Novembro de 1940 foi transferido para Gotenhafen (hoje, Gdynia) e colocado fora de serviço como navio hospital, passando a navio alojamento em 20 de Novembro de 1940.

O naufrágio[editar | editar código-fonte]

A 12 de Janeiro de 1945, Adolf Hitler e Karl Dönitz reconhecendo a situação militar insustentável na Prússia Oriental, elaboraram um plano de evacuação por mar Operação Hannibal na qual o Wilhelm Gustloff partindo de Gotenhafen evacuaria muitos milhares de refugiados que se acumulavam na cidade. Comandado por Friederich Petersen e Wilhelm Zahn e com uma tripulação de recurso, apesar de imobilizado no porto há quatro anos, servindo como quartel, este recebeu a bordo cerca de nove mil e seiscentos refugiados, que se juntaram a cerca de mil tripulantes, saindo do porto de Gotenhafen a 30 de Janeiro de 1945.

Após sair da Baia de Gdansk e contornar o cabo, seguia em uma rota limpa pela Kriegsmarine, na qual estava também o cruzador de batalha Almirante Hipper, além de uma flotilha de z-boots e caça minas, quando caiu a noite, foi avistada da ponte de comando do Wilhelm Gustloff uma flotilha de caça minas que navegava em sentido contrário, sendo então dada a ordem para que fossem acesas as luzes de navegação e, este foi o erro fatal, já que o submarino soviético S13 comandado pelo capitão Alexander Marinesko, avistou também a luzes quando patrulhava a costa polonesa.

Alexander Marinesko estava sob investigação do NKVD por ter cometido faltas e erros crassos por sua dependência química em alcóol e, quando foi avisado pelo operador de periscópio de que uma grande belonave inimiga havia sido avistada, viu ali a sua esperança de um grande feito.

Determinou então que quatro torpedos fossem preparados e lançados, no primeiro escreveram "Para a Pátria", no segundo, "Para Stálin", no terceiro, "Para o povo soviético" e no quarto, "Para Leningrado".

Ironicamente, somente o torpedo para Stálin perdeu seu rumo, tendo os demais atingido o Wilhelm Gustloff na proa, abaixo da piscina e a meia nau, em pleno Báltico.

Em pouco tempo, o navio começou a virar rapidamente para bombordo, dificultando o preenchimento e a arriação dos botes. Enquanto isso, no convés,os tripulantes estavam fazendo o sinal de código morse por faróis e lançando foguetes sinalizadores para os navios próximos. No pânico que se seguiu, alguns refugiados acabaram pisoteados quando todos corriam para os botes salva-vidas.

Pouco tempo depois,o navio estaria completamente virado,com as pessoas tentando se salvarem,ficando na lateral do navio, somente os navios caça minas e o z-boot acudiu ao sinistro, o Admiral Hipper afastou-se, com medo do S-13.

O Wilhelm Gustloff afundou uma hora e dois minutos depois de atingido, às 22h18 do dia 30 de janeiro de 1945.

Segundo pesquisas mais recentes, havia no navio 10 582 pessoas, sendo que foram resgatadas apenas 964 delas, muitas das quais morreram mais tarde. Sabe-se que, das vítimas, cerca de 4 000 eram crianças e adolescentes, além de muitos soldados feridos e refugiados de guerra[4].

O número exato de mortos é difícil de ser estabelecido, mas estima-se que morreram entre 8 500 e 9 600 pessoas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Cathryn Prince: Death in the Baltic: The World War II Sinking of the Wilhelm Gustloff, Palgrave Macmillan, New York, 2013, ISBN 978-0230341562
  • Christopher Dobson, John Miller, and Ronald Payne: The Cruellest Night, Hodder & Stoughton, London, 1979, ISBN 0-340-22720-6.
  • A.V. Sellwood: The Damned Don't Drown. The Sinking of the Wilhelm Gustloff. Naval Institute Press, Annapolis, MD, 1973, ISBN 1-55750-742-2 (fiction). In Sellwood's own words, this is a "reconstruction of the tragedy", with material drawn from "interviews with some of the survivors and official documents".
  • Günter Grass: Crabwalk|Im Krebsgang, which has been translated into English as Crabwalk. Steidl Verlag, Göttingen 2002, ISBN 3-88243-800-2 (fiction). Combines historical elements, such as the sinking of the Wilhelm Gustloff, with fictional elements, such as the book's major characters and events.
  • Clive Cussler & Paul Kemprecos: Polar Shift, Puttnam, New York, 2005, ISBN 978-0399152719. Novel containing lengthy sequences set on the Gustloff.
  • John Ries: "History's Greatest Naval Disasters. The Little-Known Stories of the Wilhelm Gustloff, the General Steuben and the Goya". In the controversial Journal of Historical Review, 1992, vol. 12, no. 3, pp. 371–381.

Referências

  1. (www.dw.com), Deutsche Welle. «1945: Russos afundam navio alemão, causando milhares de mortes | Calendário Histórico | DW.COM | 30.01.2017». DW.COM. Consultado em 30 de janeiro de 2017 
  2. a b «A Memorial To The Wilhelm Gustloff». www.feldgrau.com. Consultado em 30 de janeiro de 2017 
  3. «Wilhelm Gustloff» (em inglês). wilhelmgustloff.com. Consultado em 21 de janeiro de 2015 
  4. G.DUNCAN. MARITIME DISASTERES IN WWII

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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