Dimetocaína: diferenças entre revisões

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Conteúdo apagado Conteúdo adicionado
Criada por tradução da página "Dimethocaine"
(Sem diferenças)

Revisão das 02h21min de 22 de dezembro de 2020

Dimetocaína
Alerta sobre risco à saúde
Nome IUPAC (3-diethylamino-2,2-dimethylpropyl)-4-aminobenzoate
Identificadores
Número CAS
Propriedades
Fórmula química C16H26N2O2
Massa molar 278.38 g mol-1
Farmacologia
Página de dados suplementares
Estrutura e propriedades n, εr, etc.
Dados termodinâmicos Phase behaviour
Solid, liquid, gas
Dados espectrais UV, IV, RMN, EM
Exceto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições normais de temperatura e pressão

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.

Dimetocaína, também conhecida como DMC ou larocaína, é uma droga com efeito estimulante. Tal efeito se assemelha ao da cocaína, embora a dimetocaína seja menos potente. Assim como a cocaína, a dimetocaína causa dependência física e psicológica devido à estimulação da via de recompensa no cérebro. Porém, a dimetocaína é um substituto legal da cocaína em alguns países e é listada pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT) na categoria “derivados sintéticos da cocaína”.[1] A estrutura química da dimetocaína, sendo um éster do ácido 4-aminobenzoico, assemelha-se à da procaína. Em temperatura ambiente, é encontrado na forma de um pó branco.[2]

Quando um produto anunciado como dimetocaína, que foi vendido online no Reino Unido em junho de 2010, foi testado, descobriu-se que era uma mistura de cafeína e lidocaína,[3] e a ausência de qualquer princípio ativo estimulante dopaminérgico em tais misturas pode explicar os efeitos recreativos limitados relatados por muitos usuários. Outras amostras testadas, no entanto, mostraram conter principalmente a dimetocaína como princípio ativo, de modo que a sustância foi relatada como sujeita a abuso por usuários de drogas intravenosas na Irlanda.[4]

História

A dimetocaína foi sintetizada pela companhia suiça Hoffmann-La Roche, em 1930. Foi vendida sob o nome de mercado de larocaína. Durante a década de 1930, a dimetocaína ganhou popularidade nos Estados Unidos como anestésico local. Assim como a cocaína e a procaína, a dimetocaína era usada em cirurgias, principalmente em odontologia, oftalmologia e otorrinolaringologia. No entanto, na década de 1940, a dimetocaína foi retirada do mercado por conta de seus efeitos psicoativos e risco de dependência. Atualmente, a dimetocaína é usada como droga de abuso devido a tais efeitos psicoativos. Ocasionalmente, é vendida como substituta da cocaína para contornar questões legais.[1][5][6]

Farmacologia

Farmacodinâmica

A dimetocaína e outros anestésicos locais estruturalmente relacionados, como a cocaína e a procaína, inibem a captação de dopamina (DA) ao bloquear os transportadores de dopamina (DAT).[7] O transportador de dopamina controla a dinâmica do neurotransmissor dopamina. Este neurotransmissor controla muitas funções, incluindo movimento, cognição e humor. Drogas como a cocaína e a dimetocaína induzem o excesso de dopamina ao inibir os transportadores de dopamina e, assim, desencadeiam um efeito eufórico.[8] Além de inibir a captação de dopamina, a dimetocaína também demonstrou inibir a ligação de CFT, um inibidor de captação de dopamina diferente. Essas propriedades inibitórias são responsáveis pelos efeitos estimulantes da dimetocaína no sistema nervoso central.[5] As medições in vivo e in vitro da atividade do transportador de dopamina mostraram que a dimetocaína é um potente inibidor da recaptação dopaminérgica. No cérebro, esses efeitos foram observados principalmente no núcleo accumbens, uma região do prosencéfalo basal. A comparação das potências farmacológicas de diferentes anestésicos locais revelou a seguinte ordem de potência: cocaína, dimetocaína, tetracaína, procaína e cloroprocaína.


Além disso, a administração de dimetocaína demonstrou levar a respostas antinociceptivas em doses não tóxicas aplicada em camundongos.[9] Sugere-se que essas respostas sejam, pelo menos parcialmente, causadas pelos efeitos da dimetocaína no sistema nervoso central. Um efeito de comprometimento da memória foi observado em camundongos após a administração de dimetocaína.[10]

Farmacocinética

Quando inalada, a dimetocaína começa a agir entre 10 a 30 minutos, com efeitos mais elevados em 60-120 minutos que se estendem até 4-6 horas. [11] Os efeitos posteriores incluem fadiga e leve comprometimento mental.[6]

Metabolismo

As vias metabólicas exatas da dimetocaína ainda não foram pesquisadas, mas os diferentes metabólitos foram examinados em ratos Wistar. Após a administração de dimetocaína, diferentes metabólitos foram encontrados e identificados na urina. Devido a esses metabólitos, diferentes vias metabólicas foram postuladas. As principais reações de fase I são hidrólise de éster, desetilação, hidroxilação do sistema aromático ou uma combinação das três. [1] As principais reações de fase II são N-acetilação, glucuronidação e uma combinação de ambas.[5] Diferentes isozimas do citocromo P450 estão envolvidas nas etapas iniciais do metabolismo humano. A N-acetilação é catalisada pela isozima NAT2.[12]

Eficácia e efeitos colaterais

Assim como a cocaína, a dimetocaína inibe a captação de dopamina no cérebro, atuando nos transportadores de dopamina.[13] A potência dessas drogas está ligada à sua afinidade pelos transportadores de dopamina e à sua potência de inibir a captação de dopamina.[7]

Em estudos com Macaca mulatha, a afinidade da dimetocaína pelos transportadores de dopamina mostrou-se menor do que a da cocaína, enquanto a potência da dimetocaína para inibir a captação de dopamina é semelhante. Isso significa que mais dimetocaína é necessária para alcançar uma resposta semelhante à cocaína. Os efeitos máximos ocorreram dentro de 10 a 20 minutos após a injeção e diminuíram para os níveis basais após cerca de uma hora.[13]

A dimetocaína é freqüentemente usada como substituto legal da cocaína. Como droga de abuso, costuma ser administrada por via intravenosa ou aspirada pelo nariz, porque a ingestão oral acelera o processo de hidrólise.[5] Seus efeitos são euforia, estimulação, aumento da sociabilidade e melhora do humor.[6] No entanto, como a droga age de forma semelhante à cocaína, ela tem efeitos colaterais negativos comparáveis. Esses efeitos colaterais incluem: taquicardia, dificuldade em respirar, dor no peito, vasoconstrição, insônia, paranóia e ansiedade.

Toxicidade

Humanos

A cocaína e outros anestésicos locais são conhecidos por produzir cardiotoxicidade ao bloquear os canais de sódio. No entanto, nenhum relatório foi publicado sobre esses efeitos de cardiotoxicidade associada à dimetocaína [2] Existem poucas pesquisas sobre a toxicidade da dimetocaína em humanos e, portanto, as doses letais ou farmacológicas exatas são desconhecidas.

Animais

Para camundongos, a dose em que ocorre toxicidade aguda em administração intravenosa é de 40 mg/kg e em injeção subcutânea é de 380 mg/kg.[14] A dose letal de dimetocaína para um camundongo é estimada em 0,3g/kg.[15]

Um teste de constrição abdominal foi realizado em camundongos, usando doses de 5, 10 e 20 mg/kg de dimetocaína administradas por via subcutânea. O teste mostrou respostas antinociceptivas, que são processos que bloqueiam a detecção de um estímulo doloroso ou prejudicial pelos neurônios sensoriais, e tais efeitos foram dependentes da dose administrada.[9]

O comprometimento dos processos de memória foi considerado um efeito tóxico no teste do labirinto em cruz elevado em camundongos. [10]

Status legal

Em 25 de setembro de 2019, a agência de saúde pública da Suécia sugeriu classificar a dimetocaína como uma substância perigosa.[16]

Ver também

  1. a b c «Dimethocaine, a synthetic cocaine analogue: studies on its in-vivo metabolism and its detectability in urine by means of a rat model and liquid chromatography-linear ion-trap (high-resolution) mass spectrometry». Analytical and Bioanalytical Chemistry. 406: 1845–54. March 2014. PMID 24448968. doi:10.1007/s00216-013-7539-0  Verifique data em: |data= (ajuda); Verifique o valor de |display-authors=Meyer MR, Lindauer C, Welter J, Maurer HH (ajuda)
  2. a b Dargan, Paul; Wood, David (6 de agosto de 2013). Novel Psychoactive Substances: Classification, Pharmacology and Toxicology. Elsevier/Academic Press. Amsterdam: [s.n.] ISBN 978-0-12-415911-2 
  3. «Second generation mephedrone. The confusing case of NRG-1». BMJ. 341: c3564. July 2010. PMID 20605894. doi:10.1136/bmj.c3564  Verifique data em: |data= (ajuda); Verifique o valor de |display-authors=Brandt SD, Sumnall HR, Measham F, Cole J (ajuda)
  4. An overview of new psychoactive substances and the outlets supplying them Arquivado em novembro 25, 2011, no Wayback Machine
  5. a b c d Toxicokinetics of Emerging Drugs of Abuse: In vivo and in vitro studies on the metabolic fate of the cocaine-derived designer drug dimethocaine. University of Saarland. Homburg/Saar: [s.n.] 2014 
  6. a b c «Dimethocaine - The Drug Classroom». The Drug Classroom. Consultado em 16 de março de 2018 
  7. a b «In vitro and in vivo effects of cocaine and selected local anesthetics on the dopamine transporter». European Journal of Pharmacology. 277: 7–13. April 1995. PMID 7635175. doi:10.1016/0014-2999(95)00042-J  Verifique data em: |data= (ajuda); Verifique o valor de |display-authors=Woodward JJ, Compton DM, Balster RL, Martin BR (ajuda)
  8. «Mechanisms of dopamine transporter regulation in normal and disease states». Trends in Pharmacological Sciences. 34: 489–96. September 2013. PMC 3831354Acessível livremente. PMID 23968642. doi:10.1016/j.tips.2013.07.005  Verifique data em: |data= (ajuda); Verifique o valor de |display-authors=Vaughan RA, Foster JD (ajuda)
  9. a b «The effects of systemic procaine, lidocaine and dimethocaine on nociception in mice». General Pharmacology. 27: 647–50. June 1996. PMID 8853299. doi:10.1016/0306-3623(95)02079-9  Verifique data em: |data= (ajuda); Verifique o valor de |display-authors=Rigon AR, Takahashi RN (ajuda)
  10. a b «Memory-impairing effects of local anesthetics in an elevated plus-maze test in mice» (PDF). Brazilian Journal of Medical and Biological Research = Revista Brasileira de Pesquisas Medicas e Biologicas. 31: 555–9. April 1998. PMID 9698809. doi:10.1590/s0100-879x1998000400013  Verifique data em: |data= (ajuda); Verifique o valor de |display-authors=Blatt SL, Takahashi RN (ajuda)
  11. Greene, Shaun L. (2013). «Miscellaneous Compounds». Novel Psychoactive Substances. [S.l.: s.n.] pp. 393–409. ISBN 9780124158160. doi:10.1016/b978-0-12-415816-0.00017-1 
  12. «Dimethocaine, a synthetic cocaine derivative: studies on its in vitro metabolism catalyzed by P450s and NAT2». Toxicology Letters. 225: 139–46. February 2014. PMID 24309420. doi:10.1016/j.toxlet.2013.11.033  Verifique data em: |data= (ajuda); Verifique o valor de |display-authors=Meyer MR, Lindauer C, Maurer HH (ajuda)
  13. a b «In vivo comparison of the reinforcing and dopamine transporter effects of local anesthetics in rhesus monkeys». Synapse. 58: 220–8. December 2005. CiteSeerX 10.1.1.327.1264Acessível livremente. PMID 16206183. doi:10.1002/syn.20199  Verifique data em: |data= (ajuda); Verifique o valor de |display-authors=Wilcox KM, Kimmel HL, Lindsey KP, Votaw JR, Goodman MM, Howell LL (ajuda)
  14. TOKYO CHEMICAL INDUSTRY CO., LTD. (28 de setembro de 2012). «Material Safety Data Sheet Dimethocaine» (PDF) 
  15. Mayer, L.L. (1935). «Larocaine, a new anesthetic». Arch Ophthalmol. 14: 408–411. doi:10.1001/archopht.1935.00840090094004 
  16. «Tretton ämnen föreslås klassas som narkotika eller hälsofarlig vara» (em sueco). Folkhälsomyndigheten. 25 September 2019  Verifique data em: |data= (ajuda)