Almodis de la Marche

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Almodis de la Marche
Raimundo Berengário I e a sua esposa, Almodis de la Marche, contando 2.000 onças de ouro destinadas ao Conde Raimundo de Cerdanha e a sua esposa, a Condessa Adelaide de Carcassonne, em troca do retorno dos seus direitos sobre Carcassonne, em 1067.[2]
Condessa de Toulouse
Reinado 1045 - 29 de junho de 1053
Condessa de Barcelona
Reinado 1053 - 1071
Cônjuge Hugo V de Lusignan
Pôncio III de Toulouse
Raimundo Berengário I de Barcelona
Casa Casa de La Marche
Pai Bernardo I de La Marche
Mãe Amélie de Montignac
Nascimento c. 1020
Marche, Poitou, França
Morte 16 de outubro de 1071
Barcelona, Espanha
Enterro Catedral de Barcelona

Almodis de la Marche (c. 1020 - 16 de outubro de 1071) foi Senhora de Lusignan, Condessa de Toulouse e Condessa de Barcelona através dos sucessivos casamentos a que foi sujeita, sendo que assumiu um papel de maior destaque com o terceiro e último casamento.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Almodis era filha do occitano Bernardo I de La Marche, Conde de La Marche (cujos pais eram descendentes de Carlos Magno) e de sua esposa, Amélia de Rasés. Quando fez dezoito anos casou com Hugo V de Lusignan. Porém foi um matrimónio de curta duração, pois Hugo divorciou-se por motivos de consanguinidade, e fez com que a ex-esposa contraísse matrimónio com o Conde Pons de Toulouse em 1045.

Este matrimónio durou cerca de dez anos, até que o conde de Barcelona Raimundo Berengário I a raptou, em Narbona, com a ajuda de uma frota de navios enviada por seu aliado, o emir muçulmano de Tortosa, e, apesar de os cônjuges de ambos ainda estarem vivos, Raimundo casou-se com ela em 1052, repudiando a sua segunda esposa, a condessa Branca. O casal apareceu com filhos gémeos no ano seguinte. Branca apelou ao Papa e conseguiu o apoio da avó de Raimundo Berengário, a condessa Ermesinda, obtendo de Vítor II a excomunhão para Raimundo e Almodis, facto que provocou uma guerra que não se resolveu até ao final de 1057. A excomunhão de ambos manteve-se até 1065, altura em que foi levantada e o casamento legalizado.

Almodis manteve contacto com os ex-maridos e os filhos dos primeiros casamentos. Em 1066/1067 ela foi a Toulouse para assistir o casamento de sua filha. Poucos anos antes, em 1060, Hugo V de Lusignan tinha-se revoltado contra o seu senhor, o duque Guilherme VIII da Aquitânia, e teve o apoio do também filho de Almodis, Guilherme IV de Toulouse. Os seus filhos apoiavam-se uns aos outros em campanhas militares. Hugo VI de Lusignan, Raimundo IV de Toulouse e Berengário Raimundo - todos foram Cruzados.

Em Barcelona, Almodis presidia, tal como Ermesinda de Carcassonne, a julgamentos e os juízes prestavam-lhe juramentos de fidelidade. Desenvolveu uma prática ativa como pacifista e uma política diplomática, governando juntamente com o seu marido um estado feudal.

Nas Cortes de 1064, Raimundo e Almodis passaram a intitular-se Príncipes da Catalunha, Principado esse que à época só abarcava os condados de Barcelona, Ausona e Girona[3] , mas que irá abarcar ainda os Condados de Besalú, Ripoll, Cerdanha, Conflent, eBerga até 1162, sendo que o título só se tornará reconhecido a partir da união da Catalunha com o Reino de Aragão.

Em 1069, Almodis e Raimundo compraram os direitos ao Condado de Carcassonne de Guilherme Raimundo I da Cerdanha, casado com Adelaide de Carcassonne, filha do conde Pedro II. Havia a possibilidade de Guilherme Raimundo herdar esse condado por jure uxoris, e , com esta venda, os herdeiros passavam a ser Raimundo Berengário e Almodis, que acabaram por o conseguir.

Sepulcros de Raimundo Berengário I e Almodis de la Marche. Catedral de Barcelona.

O seu terceiro marido, Raimundo tinha um filho de um casamento anterior, Pedro Raimundo, que era o seu herdeiro. Pedro aparentemente se ressentia da influência de Almodis e acreditava que ela manobrava de modo a que os seus dois filhos fossem os sucessores de Raimundo Berengário. Pedro acabou por matar a madrasta em outubro de 1071 e, por esse crime, foi deserdado e exilado, deixando o país. Quando o seu pai morreu, em 1076, Barcelona foi dividida entre os gémeos Berengário Raimundo e Raimundo Berengário, os filhos de Almodis.

Casamentos e descendência[editar | editar código-fonte]

Almodis casou-se primeiramente com Hugo V de Lusignan por volta de 1038. Tiveram dois filhos e uma filha:

Almodis e Hugo divorciaram-se por consanguinidade, casando seguidamente com Pôncio de Toulouse, em 1045. Tiveram vários filhos, incluindo:

Casou-se em 1052 com Raimundo Berengário I de Barcelona, de quem teve:

Títulos e sucessores[editar | editar código-fonte]

Almodis de la Marche
Nascimento: 1020 Morte: 16 de outubro de 1071, Barcelona
Precedido por
Aldearda de Thouars
Armoiries Lusignan.svg
Senhora consorte de Lusignan

1038-1040
Sucedido por
Hildegarda de Thouars
Precedido por
Majore
Blason de Toulouse.png
Condessa consorte de Toulouse

1045-1052
Sucedido por
Sancha de Aragão
Precedido por
Berengário Raimundo I
como reinante
Branca de Narbona
como consorte
Flag of Catalonia.svg
Condessa consorte e reinante de Barcelona
(Barcelona, Girona e Manresa)

1052 - 1064
(com Raimundo Berengário I)
Sucedido por
União dos Condados de Barcelona, Osona e Girona:
Ascensão ao título de Princesa
Precedido por
Guilherme I
sob regência de Gisela de Lluçá
Flag of Catalonia.svg
Condessa de Osona

1054 - 1064
(com Raimundo Berengário I)
Sucedido por
União dos Condados de Barcelona, Osona e Girona:
Ascensão ao título de Princesa


Precedido por
União dos Condados de Barcelona, Osona e Girona:
Ascensão ao título de Princesa
Flag of Catalonia.svg
Princesa consorte e reinante da Catalunha
(Barcelona, Girona , Osona e Manresa)

1064 - 1071
(com Raimundo Berengário I)
Sucedido por
Raimundo Berengário II
e Berengário Raimundo II
Precedido por
Vago
Titular anterior:Rangarda de La Marche
Blason Carcassonne 11.svg
Condessa consorte de Carcassonne
(Carcassonne, Razés , Béziers e Agde)

1069 - 1071
Sucedido por
Mafalda da Apúlia-Calábria

Fontes[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Charles Julian Bishko (1968-9), "Fernando I and the Origins of the Leonese-Castilian Alliance with Cluny," Studies in Medieval Spanish Frontier History (Variorum Reprints), 40.
  2. Charles Julian Bishko (1968-9), "Fernando I and the Origins of the Leonese-Castilian Alliance with Cluny," Studies in Medieval Spanish Frontier History (Variorum Reprints), 40.
  3. Fidel Fita i Colomer: Boletín de la Real Academia de la Historia, tomo 40 (1902): Principado de Cataluña - Razón de este nombre: Já nas Cortes do ano de 1064, que são as primeiras da coleção académica, aparece no Uso 65 com o nome de Principado a demarcação do território a que se aplicava a velha Catalunha ou os três condados de Barcelona, Ausona e Girona, que eram regidos pelo soberano D. Raimundo Berengário e a sua mulher D. Almodis


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