Raimundo IV de Toulouse

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Text document with red question mark.svg
Este artigo ou secção contém uma ou mais fontes no fim do texto, mas nenhuma é citada no corpo do artigo, o que compromete a confiabilidade das informações. (desde março de 2014)
Por favor, melhore este artigo introduzindo notas de rodapé citando as fontes, inserindo-as no corpo do texto quando necessário.
Pintura de Raimundo de Saint-Gilles por Merry-Joseph Blondel, ca. 1840 (Salas das Cruzadas, Palácio de Versailles)

Raimundo IV de Tolosa, ou Raimundo de Saint-Gilles (1041 ou 104228 de Fevereiro de 1105) foi conde de Toulouse, duque de Narbona, marquês da Provença e um dos líderes da Primeira Cruzada, na qual se tornou também conde de Trípoli. Era filho do conde Pôncio de Toulouse e Almodis de La Marche. Recebeu do seu pai em apanágio a vila de Saint-Gilles com o título de conde e sucedeu ao seu irmão Guilherme IV de Toulouse no condado de Tolosa em 1094.

Segundo a genealogia tradicional dos condes de Toulouse feita pelos beneditinos na História Geral de Languedoc, é nomeado Raimundo IV, mas estudos críticos mais recentes estabeleceram que foram omitidos dois condes com o prenome de Raimundo, e por isso seria mais correcto ser intitulado de Raimundo VI.

Raimundo parece ter sido impelido tanto por motivos religiosos como materiais, os mais generalizados no movimento das cruzadas: por um lado aceitou a descoberta da lança do destino em Antioquia e rejeitou a coroa de Jerusalém, mas por outro não resistiu à tentação de conquistar um novo território para si.

Condado de Tolosa e Reconquista[editar | editar código-fonte]

De acordo com uma fonte arménia, perdeu um olho numa peregrinação a Jerusalém antes da Primeira Cruzada, mas isto é discutível e serve apenas para atestar que de facto não tinha um olho.

No final da década de 1070 tomou o partido do arcebispo Aicard de Arles contra o conde da Provença e o papa Gregório VII sobre a questão das investiduras.

Também lutou contra os mouros na Reconquista da Península Ibérica de 1087 a 1096, e foi um dos primeiros a aderir à cruzada depois do sermão do papa Urbano II no Concílio de Clermont.

Com a morte de Guilherme Bertrando da Provença em 1094, o seu título de marquês passou para Raimundo. Uma bula de Urbano, datada de 22 de Julho de 1096, refere-se a Raimundo como comes Nimirum Tholosanorum ac Ruthenensium et marchio Provintie Raimundus.

Tomada de Antioquia[editar | editar código-fonte]

Rotas dos líderes da Primeira Cruzada. Raimundo IV de Toulouse seguiu o trajecto marcado a amarelo, depois a laranja e, a partir de Constantinopla, a vermelho.

Raimundo era profundamente religioso e desejava morrer na Terra Santa, pelo que quando foi proclamada a Primeira Cruzada, foi um dos primeiros a tomar a cruz.

Sendo o mais velho e mais rico dos cruzados, deixou Toulouse no final de Outubro de 1096, com um amplo séquito que incluía a sua esposa Elvira Afonso e o bispo Ademar de Le Puy, o legado papal.

Ignorou os pedidos da sua sobrinha Filipa, a herdeira por direito do condado, a lhe deixar o governo deste. Em vez disso nomeou Bertrando, o seu filho mais velho.

Marchou para Dirráquio e depois para leste, para Constantinopla, no mesmo trajecto usado por Boemundo de Taranto. No final de Abril de 1097, foi o único dos principais líderes cruzados a não fazer o juramento de vassalagem ao imperador bizantino Aleixo I Comneno. Em vez disso fez um juramento de amizade, oferecendo seu apoio contra o referido Boemundo, inimigo mútuo de ambos.

Participou do cerco de Niceia e da batalha de Dorileia ainda em 1097, mas foi em Outubro que se destacou no cerco de Antioquia. Os cruzados tinham ouvido o rumor que essa cidade tinha sido abandonada pelos turcos seljúcidas, pelo que Raimundo enviou o seu exército para a ocupar, ofendendo Boemundo de Taranto, que pretendia tomá-la para seu domínio.

No entanto Antioquia ainda estava ocupada e só seria conquistada depois de um longo e difícil cerco, em Junho de 1098. Raimundo tomou o palácio do emir Yaghi-Siyan, e a torre sobre o portão da ponte. Adoeceu durante o segundo cerco, posto pelos muçulmanos aos cruzados, mas houve muita actividade espiritual entre os seus seguidores, que culminou na descoberta da lança do destino pelo monge Pedro Bartolomeu.

O "milagre" fez subir a moral dos cruzados, e surpreendentemente conseguiram sair e derrotar o general Kerbogha de Mossul. A lança tornou-se uma relíquia valiosa entre os seguidores de Raimundo, apesar do cepticismo de Ademar e do descrédito e ocasional troça de Boemundo.

Outra fonte de conflito foi a recusa de Raimundo em render os seus territórios na cidade a Boemundo, lembrando que este deveria ceder a cidade ao imperador Aleixo, como prometera. Seguiu-se então um conflito entre os apoiantes de ambos os líderes, parcialmente sobre a legitimidade da lança, mas principalmente sobre a posse do Principado de Antioquia.

Muitos dos cavaleiros menores e soldados de infantaria preferiram continuar a sua marcha para Jerusalém e convenceram Raimundo a liderá-los no Outono de 1098. Deixando um pequeno destacamento em Antioquia, onde ficara Boemundo, cercaram a cidade de Ma'arrat al-Numan, entre Alepo e Hama, que capturariam em Dezembro. Quando Ademar morreu, Raimundo, apoiado pelo prestígio da lança, tornou-se no novo líder da cruzada, mas Boemundo expulsou os seus homens da cidade em Janeiro de 1099.

Cerco de Trípoli[editar | editar código-fonte]

Mapa político do Próximo Oriente em 1102, imediatamente após a Primeira Cruzada

O conde de Toulouse foi então em busca de um domínio para si. De Ma'arrat al-Numan, dirigiu-se para o emirado de Trípoli. Em 14 de Fevereiro começou o cerco de Arqa, uma cidade nos arredores de Trípoli, aparentemente com a intenção de fundar um território independente em Trípoli que limitasse o poder de Boemundo em expandir o Principado de Antioquia para o sul.

O cerco demorou mais do que Raimundo pensara. Apesar de ter capturado a fortaleza de Hisn al-Akrad, que se tornaria no templário Krak dos Cavaleiros, a sua insistência em tomar Trípoli atrasou a marcha para Jerusalém e fez-lhe perder muito do apoio que ganhara em Antioquia.

Raimundo acabou por concordar em seguir para Jerusalém a 13 de Maio. Depois de um cerco, a cidade foi tomada a 15 de Julho. Foi-lhe oferecida a coroa do novo Reino Latino de Jerusalém mas recusou, afirmando que não usaria uma coroa onde Cristo usara a coroa de espinhos e que tremia ao pensar em ser chamado de "rei de Jerusalém".

Por este motivo Godofredo de Bulhão terá adoptado o título de Advocatus Sancti Sepulchri ("Defensor do Santo Sepulcro") em vez do de rei. Também é possível que Raimundo desejasse continuar o cerco de Trípoli em vez de se estabelecer. No entanto, desagradava-lhe ceder a Torre de David que conquistara e Godofredo teve grandes dificuldades para tomá-la.

Depois participou da batalha de Ascalão, durante a qual foi derrotado um exército egípcio. No entanto, Raimundo pretendia ocupar Ascalão em vez de a ceder a Godofredo, e com a disputa que se seguiu, esta acabou por não ser ocupada e só seria conquistada em 1153. O soberano de Jerusalém também culparia Raimundo pelo fracasso em tomar Arsuf.

Quando o conde de Toulouse se dirigiu para norte no Inverno de 1099-1100, o seu primeiro acto foi de hostilidade contra Boemundo, capturando Laodiceia, que este tinha conquistado recentemente a Aleixo. De Laodiceia foi para Constantinopla, onde se aliou ao imperador bizantino, o inimigo mais poderoso do príncipe de Antioquia. Boemundo estava na altura a tentar expandir o seu principado às custas de territórios bizantinos, e recusou cumprir seu juramento de 1097.

Cidadela de Raimundo de Saint-Gilles em Trípoli, no Líbano

Raimundo aderiu à cruzada menor e fracassada de 1101, derrotada em Heracleia Cibistra, cidade da actual província de Konya na Anatólia, tendo escapado e voltado a Constantinopla. No ano seguinte viajou por mar até Antioquia, onde foi aprisionado por Tancredo da Galileia, regente do principado durante o cativeiro de Boemundo.

Só foi libertado depois de prometer não tentar fazer conquistas na região entre Antioquia e São João de Acre. No entanto quebrou imediatamente a sua promessa, atacando e tomando Tartous e começando a construção de um castelo no Mons Peregrinus ("Monte dos Peregrinos"), que o auxiliaria no cerco a Trípoli. Teve a ajuda de Aleixo I, que preferia um estado aliado em Trípoli para equilibrar a hostilidade de Antioquia.

Raimundo morreu a 28 de Fevereiro de 1105, em resultado de feridas sofridas em um incêndio no castelo do Monte dos Peregrinos, sem tomar a cidade de Trípoli. Foi sucedido na Terra Santa pelo seu primo Guilherme-Jordão da Cerdanha, que em 1109 entraria em conflito com o primogénito de Raimundo, Bertrando de Toulouse, pela posse do Condado de Trípoli. Com a tomada da cidade ainda nesse ano, e o assassinato de Guilherme em 1110, o condado permaneceria na posse dos descendentes dos condes de Toulouse durante o século XII, altura em que passou para os príncipes de Antioquia.

Casamentos e descendência[editar | editar código-fonte]

Raimundo casou-se três vezes, e foi por duas excomungado por se casar com uma esposa com grau de parentesco proibido por consanguinidade.

A sua primeira esposa chamava-se Eldearda (m. 1089), sua prima em primeiro grau, filha de Fulque Bertrando I da Provença, que lhe deu em dote os direitos sobre parte do condado. Antes de se separarem por motivos de consanguinidade, tiveram um filho:

Em 1080 celebrou segundas núpcias com Matilda ou Mafalda da Sicília, filha do rei Rogério I da Sicília.

Casou-se pela terceira vez com Elvira Afonso, filha ilegítima do Imperator totius Hispaniæ Afonso VI de Leão e Castela com Ximena Moniz, e irmã de Teresa de Leão condessa de Portugal. Acompanhou-o na cruzada onde nasceu seu filho:

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Raimundo IV de Toulouse
  • The Dream and the Tomb, Robert Payne, 1984
  • Encyclopædia Britannica, 11ª edição, 1911
  • Les comtes de Toulouse, Jean-Luc Dejean, 1979, 1988 (ISBN 2-213-02188-0)
  • L'Empire du Levant: Histoire de la Question d'Orient, René Grousset, 1949
  • Raymond de Saint-Gilles et sa sépulture au château de Tripoli (Liban), Paul Deschaps, em Mélanges E.-R. LABANDE, Études de Civilisation médiévale (IXe - XIIe siècles), public. Université par les soins du C.É.S.C.M. (Centre d'Études Supérieures de Civilisation médiévale), Poitiers, 1974, p. 209-216
  • Tradução da Historia francorum qui ceperint Jerusalem (em inglês) de Raimundo de Aguilers, um escrivão do exército de Raimundo IV de Toulouse
Precedido por
Guilherme IV de Toulouse
Armas dos condes de Toulouse
Conde de Toulouse

1094 - 1105
Sucedido por
Bertrando de Toulouse
Precedido por
novo estado
Brasão de armas dos condes de Trípoli
Conde de Trípoli

1102 - 1105
Sucedido por
Guilherme-Jordão
da Cerdanha

(disputado por
Bertrando de Toulouse)