Amadeo de Souza-Cardoso

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Amadeo de Souza-Cardoso (1887–1918); Biblioteca de Arte, Fundação Calouste Gulbenkian.
Saut du Lapin, 1911, óleo sobre tela, 50,2 x 61,6 cm
Título desconhecido (Les cavaliers), c.1913, óleo sobre tela, 100 x 100 cm
Título desconhecido, c. 1913, óleo sobre tela, 61 x 50 cm
Canção Popular - a Russa e o Figaro, c. 1916, óleo sobre tela, 80 x 60 cm
Entrada, 1917, óleo sobre tela com colagem de materiais inertes, 93,5 x 75,5 cm
Título desconhecido, c. 1917, óleo sobre tela com colagem de outros materiais, 93,5 x 93,5 cm

Amadeo de Souza-Cardoso[nota 1] (Manhufe, freguesia de Mancelos, Amarante, 14 de Novembro de 1887Espinho, 25 de Outubro de 1918) foi um pintor português, precursor da arte moderna, prosseguindo o caminho traçado pelos artistas de vanguarda da sua época. Embora tendo tido uma vida curta, a sua obra tornou-se imortal.

Índice

[editar] Biografia

Amadeo de Souza-Cardoso(bisavô do Tuna), nasceu em Manhufe, freguesia de Mancelos, Amarante, a 14 de Novembro de 1887 e morreu em Espinho, a 25 de Outubro de 1918, foi um pintor português, precursor da arte moderna, prosseguindo o caminho traçado pelos artistas de vanguarda da sua época. Embora tendo tido uma vida curta, a sua obra tornou-se imortal.

Frequentou o curso de Arquitectura na Academia de Belas Artes de Lisboa em 1905 que interrompeu para partir para Paris, em 1906, instalando-se em Montparnasse, tomando contacto primeiro com o Impressionismo e depois com o Expressionismo e o Cubismo, dedicando-se, assim, exclusivamente à pintura. As primeiras experiências deram-se no desenho, especialmente como caricaturista. Em 1908 instala-se no número catorze da Cité de Falguière e conhece Lucie Meynardi Peccetto, com quem vive em segredo a partir de 1910, e casa, no Porto, em 1914. Em Paris, frequentou ateliers preparatórios para Academia de Beaux-Arts e a Academia Viti do pintor catalão Anglada Camarasa. Em 1910 fez uma estadia de alguns meses em Bruxelas e em 1911 expôs trabalhos no Salon des Indépendants, em Paris, havendo-se aproximado progressivamente das vanguardas e de artistas como Amedeo Modigliani, Constantin Brancusi, Alexander Archipenko, Juan Gris e Robert Delaunay. Em 1912 publicou um álbum com vinte desenhos e, em seguida, copiou o conto de Gustave Flaubert, "La Légende de Saint Julien l'Hospitalier", trabalhos ignorados pelos apreciadores de arte.

Depois de participar em 1913 de uma exposição com oito trabalhos nos Estados Unidos da América, no Armory Show, voltou a Portugal, onde teve a ousadia de realizar duas exposições, respectivamente no Porto e em Lisboa. Nesse ano participou ainda no Herbstsalon da Galeria Der Sturm, em Berlim. Em 1914 encontrou-se em Barcelona com Antoni Gaudí, e parte para Madrid onde é surpreendido pelo início da I Guerra Mundial. Regressou então a Portugal, onde iniciou meteórica carreira na experimentação de novas formas de expressão, tendo pintado com grande constância ao ponto de, em 1916, expor no Porto 114 obras com o título "Abstraccionismo", que foram também expostas em Lisboa, num e noutro caso com novidade e algum escândalo.

O cubismo em expansão por toda a Europa foram influências marcantes no seu cubismo analítico.

Amadeo de Souza-Cardoso explora o expressionismo e nos seus últimos trabalhos experimenta novas formas e técnicas, como as colagens e outras formas de expressão plástica.

Fez parte dum movimento monárquico conhecido pelo "Grupo do Tavares" tal como Eduardo Afonso Viana, Almada Negreiros, Santa-Rita (Pintor), Ruy Coelho, Francisco Franco de Sousa, João Mendes da Costa Amaral e Vitor Falcão[1], entre os mais conhecidos.

Em 25 de Outubro de 1918, aos 30 anos de idade, morre prematuramente em Espinho, vítima da "pneumónica" que grassava em Portugal.

[editar] Prémio Souza-Cardoso

Em 1925, a França realizou uma retrospectiva do pintor, com 150 trabalhos, bem aceites pelo público e pela crítica. Dez anos depois, em Portugal, foi criado um prémio para distinguir pintores modernistas, que recebeu o nome de "Prémio Souza-Cardoso". Amadeo de Souza-Cardoso era um visionário, vivia fora de seu tempo, tal como outros tantos, pagou um alto preço por isso.

A sua obra é caracterizada por:

Paisagens exóticas com estilizações prodigiosas;

Aspectos decorativos e surpreendentes com desenhos cubistas que transmitem: elegância; mistério; imaginação; emoção; poesia e simbolismo

A sua família era rica e influenciou-o a ingressar no curso de Direito na Universidade de Coimbra. Depressa desistiu do curso e mudou-se para o curso de Arquitectura na Academia de Belas Artes de Lisboa em 1905. O curso não satisfaz o seu génio criativo, por isso parte para Paris em 1906, instalando-se em Montparnasse com a intenção de continuar a estudar. As suas primeiras experiências artísticas conhecidas foram desenhos e caricaturas. Depois, dedicou-se à pintura.

Poder-se-á dizer que foi um pintor impressionista, expressionista, cubista, futurista, mas sempre recusou qualquer rótulo. Apesar das múltiplas influências, procurava a originalidade e a criatividade na sua obra. Em 1908, instala-se no número catorze da Cité de Falguière. Frequentou ateliers preparatórios para a Academia das Beaux-Arts e a Academia Viti do pintor catalão Anglada Camarasa mas, apesar disso, não chegou a ser admitido. Em 1910, esteve alguns meses em Bruxelas e, em 1911, expôs trabalhos no Salon des Indépendants, em Paris, aproximando-se progressivamente das vanguardas e de artistas como Modigliani, Constantin Brancusi, Alexander Archipenko, Juan Gris e Robert Delaunay. Em 1912, publicou um álbum com vinte desenhos e, em seguida, copiou o conto de Gustave Flaubert "La Légende de Saint Julien l'Hospitalier", trabalhos ignorados pelos apreciadores de arte.

Depois de participar com oito trabalhos na exposição realizada em 1913 em Nova Iorque, denominada Armory Show, com a mostra do que havia de mais moderno na arte europeia, voltou a Portugal, onde teve a ousadia de fazer duas exposições, respectivamente no Porto e em Lisboa. Nesse ano, participou ainda no Herbstsalon da Galeria Der Sturm, em Berlim. Em 1914, encontra-se em Barcelona com Antoni Gaudí e parte para Madrid, onde é surpreendido pelo início da I Guerra Mundial. Regressa então a Portugal, onde inicia uma meteórica carreira na experimentação de novas formas de expressão, tendo pintado com grande constância, ao ponto de, em 1916, expor no Porto, sob o título "Abstraccionismo", 114 obras, que serão também expostas em Lisboa, num e noutro caso com novidade e algum escândalo.

O cubismo em expansão por toda a Europa foi uma influência marcante no seu cubismo analítico.

Amadeo de Souza-Cardoso explora o expressionismo e, nos seus últimos trabalhos, experimenta novas formas e técnicas, como as colagens e outras formas de expressão plástica.

Em 25 de Outubro de 1918, aos 31 anos de idade, morre prematuramente em Espinho, vítima da "Gripe espanhola" que grassava em Portugal.


[editar] Rescaldo

Em 1925, a França realizou uma retrospectiva do pintor, com 150 trabalhos, bem aceites pelo público e pela crítica. Dez anos depois, em Portugal, foi criado um prémio para distinguir pintores modernistas, que recebeu o nome de "Prémio Souza-Cardoso".

Em 1987 é realizada uma grande exposição de Amadeo na sede da Fundação Calouste Gulbenkian.

Outras mostras recentes: Exposição no âmbito da Europália, Bruxelas, 1991; Fundação Juan March, Madrid, 1998; At the Edge: A Portuguese Futurist, Amadeo de Sousa-Cardoso, The Corcoran Gallery of Art, Washington D.C. e The Arts Club of Chicago, EUA; Diálogo de Vanguardas, Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, Fundação Calouste Gulbenkian, 2006.

Sob a coordenação científica de Helena de Freitas, o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian publicou, em colaboração com a Assírio e Alvim: Fotobiografia (Catalogue Raisonné - Amadeo de Sousa Cardoso), 2007; Pintura (Catalogue Raisonné - Amadeo de Sousa Cardoso), 2008.

[editar] Obras

[editar] Leilões

O quadro "Barba à guise cabeça", um óleo sobre cartão, foi arrematado por 122 mil euros num leilão em Lisboa em Outubro de 2011[2].


Notas

  1. Pela grafia moderna, Amadeu de Sousa Cardoso.

[editar] Referências

Referências

[editar] Ligações externas

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