Arte cisterciense

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Claustro da Abadia de Fontenay.

Denomina-se arte cisterciense à desenvolvida pelos monges cistercienses na construção das suas abadias a partir do século XII, início da expansão desta ordem religiosa.

As suas construções prescindem dos adornos, em consonância com os preceitos da sua ordem de ascetismo rigoroso e pobreza, conseguindo uns espaços conceituais, limpos e originais. O seu estilo inscreve-se no final do românico, com elementos do gótico inicial, o que foi chamado de "estilo de transição".

A Ordem, seguindo a Regra de São Bento, observa o isolamento e a clausura, pelo qual esta arte é desenvolvida em construções interiores para o uso dos monges: igreja, claustro, refeitório ou sala capitular.

A expansão da Ordem foi dirigida pelo Capítulo Geral, integrado por todos os abades, aplicando um programa preconcebido na construção dos novos mosteiros. O resultado foi uma grande uniformidade nas abadias de toda Europa.

A sua figura decisiva foi Bernardo de Claraval. Planificou e dirigiu o desenho inicial (Claraval II, a partir de 1135), influiu no programa da ordem e participou ativamente na construção de novas abadias. À sua morte em 1153, a Ordem levava fundadas 343 abadias.

História da ordem e da sua arquitetura[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Na Idade Média, o monacato no Ocidente foi evoluindo e aperfeiçoando a sua organização. Os fatos mais significativos foram:

Saint Gall planta.PNG Plan.abbaye.Clairvaux.2.png
São Gall e Claraval II

Arquitetonicamente, a herança que receberam os cistercienses, e que adaptaram ao seu ideário, resume-se a seguir:

...e mostrou-me a Cidade Santa de Jerusalém, que baixava do céu, de junto a Deus...O seu resplandor era como o de uma pedra muito preciosa, como jaspe cristalino...Tinha uma muralha grande e alta com doze portas...a cidade é um quadrado: a sua largura é igual ao comprimento.... A sua largura, comprimento e altura são iguais...o material desta muralha é jaspe e a cidade é de ouro puro semelhante ao vidro puro…
  • Esta forte simbologia refletiu-se nos mosteiros na procura de uma cidade de Deus ideal, baseada na organização por quadrados das diferentes zonas. No monacato carolíngio traduziu-se no plano do mosteiro de São Gall, que serviu de modelo para a construção de mosteiros em todo o Sacro Império Romano-Germânico e cujo plano é o mais antigo que se conserva sobre arquitetura monacal (século IX). O mosteiro foi estruturado a partir da clausura, que no sucessivo tornou-se o centro de todos os mosteiros. Cluny também se baseou na distribuição de São Gall. O Cister também aceitou o fundamental desta distribuição. Comparando os planos de Claraval II, primeiro grande mosteiro cisterciense, e de São Gall, comprova-se em ambos os casos o seguinte: as igrejas estão orientadas leste-oeste; os claustros estão encostados à igreja; a ala leste do claustro é destinada a dependências dos monges; a ala sul do claustro a sala de jantar e cozinha; a ala oeste a armazéns.
Payerne Church Nave tow East.JPG Nef.eglise.Vezelay.png
Payerne (1050) e Vézelay (1138)
  • A arquitetura cisterciense surgiu na época final da arte românica na zona de influência do Condado de Borgonha e de Cluny. Os seus construtores recolheram as novidades do século anterior, cheio de inovações arquitetônicas: a pedra em aparelho e as abóbadas de pedra que substituíram as de madeira que se incendiavam com facilidade. Em várias igrejas românicas da zona apreciam-se as formas construtivas que depois empregaram os cistercienses:
    • A igreja do mosteiro de Payerne, terminada de construir em 1050, reunia todas as novidades acumuladas dos cluniacenses e conservou-se até a atualidade sem modificações. Observam-se os arcos da abóbada de berço que continuam no alçado até o chão. A abside tem duas filas de janelas que iluminam a nave central.
    • Ancy-le-Duc era um priorado que terminou nos primórdios do século XII. A sua planta era similar a Cluny II: três naves, um transepto e cinco absides. O seu alçado tem pilares cruciformes com pilastras circulares embebidas nos quatro lados, umas continuam até a abóbada e as outras desenvolvem os arcos formeiros do muro da nave central (modelo usado posteriormente pelos cistercienses). A abóbada da nave central, igual a as laterais, foi coberta com abóbadas de aresta, podendo, graças a isso, iluminar a nave central com grandes vitrais. A igreja de Vézelay foi construída da mesma forma que Ancy-le-Duc e no desenho podem-se apreciar estes pormenores.

As origens da ordem[editar | editar código-fonte]

As origens da ordem os relatou são Esteban Harding, terceiro abade da ordem, no Exórdio Parvo:

  • Em 1073, Roberto de Molesmes, monge beneditino, fundou uma nova abadia em Molesmes na procura de um ascetismo rigoroso. Molesmes perdeu o rigor inicial e tornou-se numa rica abadia com 35 priorados que lhe deviam obediência.
  • Em 1098, Roberto e vários monges saíram de Molesmes, descontentes com a falta de observância da Regra de São Bento, para fundar um novo mosteiro em Cister onde cumprir mais estritamente a regra, nascendo a Ordem de Cister.
  • Rejeitaram os dízimos, o sistema tradicional da manutenção dos monacatos feudais.
  • Estava proibido relacionar-se com mulheres: Por nenhuma causa...nos é permitido a nós ou ao nossos conversos conviver com mulher... nem para conversar, criar...nem... para lavar a roupa... Não se permita às mulheres alojar-se dentro do recinto das granjas, nem franquear a porta do mosteiro. (no Exórdio de Cister e Resumo da Carta de Caridade)
Conversos ceifando. Cultivavam trigo, cevada, aveia e centeio.
  • Sobre a forma de se administrar e sobre novas fundações, relata-se no Exórdio Parvo:... deveriam admitir... conversos laicos que... seriam tratados... como eles, exceto o monacato; também jornaleiros, pois sem a sua ajuda não viam possível... o cumprimento exato... dos preceitos da Regra. Ao mesmo fim creram dever dispor de terras... também pensaram em adquirir presas e canais para montar moinhos farinheiros que lhes facilitassem as despesas de caça e a pesca; e incluíram a cria de rebanhos e outros animais úteis às suas exigências... e como estabeleceram explorações agrícolas em diversos lugares, decidiram que fossem os conversos quem se ocuparam delas, e não os monges, porque, segundo a Regra, estes devem permanecer nos seus claustros... Ademais... são Bento construiu os seus mosteiros... em paragens apartadas... prometeram eles fazer o mesmo; e como ele enviava doze monges, além do abade, aos mosteiros que fundava, eles decidiram imitar o seu exemplo.

As 4 primeiras abadias filiais fundadas e que tiveram muita importância no desenvolvimento posterior da ordem foram: A Ferté em 1113, Pontigny em 1114, Morimond e Claraval em 1115. A forma de se expandirem por filiação entre abadias foi estabelecida na Carta de caridade e unanimidade, escrita por Estêvão Harding em 1119 e aprovada no primeiro Capítulo Geral da ordem. Assim, a abadia fundadora recebe o nome de "mãe" e o seu abade de "pai"; pela sua vez, a nova abadia é chamada "filha" e o abade recebe o nome de "filho". O abade pai tutora o abade filho mediante uma relação paterno-filial.

Nestes primeiros tempos, as construções eram simples, de madeira e de adobe, não de pedra.

A expansão durante a vida de Bernardo de Claraval[editar | editar código-fonte]

Na Sala Capitular, São Bernardo e os seus monges. Jean Fouquet, Museu Condé, Chantilly.

A 1115, São Bernardo foi enviado por Estêvão Harding a fundar Claraval, da qual foi abade até a sua morte em 1153. Bernardo foi muito influente no seu século, conselheiro de papas e reis, e atraiu à ordem muitas vocações e doações.

Em 1135, Bernardo precisava alojar a mais monges e decidiu construir Claraval II, a primeira grande abadia em estilo cisterciense. O fez em pedra com o fim de fazê-la duradoura. O ascetismo e pobreza da ordem refletiram-se na simplicidade das formas da sua arquitetura, evitando todo o supérfluo. Da construção original somente fica um edifício com a adega em piso térreo e o dormitório de conversos no primeiro andar.

Foi sobre 1139, quando começou a construção da abadia de Fontenay, filial de Claraval. Bernardo participou ativamente na sua construção. Atualmente encontra-se em bom estado de conservação e é reconhecida como uma das melhores construções cistercienses.

Estas primeiras abadias foram construídas em estilo românico borgonhês, que atingira toda a sua plenitude: (abóbada de berço apontada e abóbada de aresta). Em 1140, surge o estilo gótico na beneditina abadia de Saint-Denis. Os cistercienses aceitaram depressa alguns conceitos do novo estilo e começaram a construir nos dois estilos, sendo frequentes as abadias onde convivem dependências românicas e góticas da mesma época. Com o passar do tempo, o românico foi abandonado.

A influência de Bernardo na expansão da ordem foi decisiva. Ajudado pelo Papa e os bispos, com doações de reis e nobres, as 5 abadias de 1115 passaram a 343 em 1153, data da morte do santo. A expansão mais vertiginosa aconteceu entre 1129 e 1139, surgindo problemas para manter o espírito da ordem e para controlar mediante o sistema de filiação às novas abadias.

Desenvolvimento posterior a Bernardo de Claraval[editar | editar código-fonte]

A influência e a expansão da ordem continuaram, dirigida nomeadamente para a Europa central, Inglaterra, Irlanda, Itália e Espanha. Os cistercienses difundiram o gótico francês nestes países, através dos seus novos mosteiros.

No fim do século XIII, as filiações de Claraval chegaram a 350 mosteiros, Morimond sobre 200, Cister uns 100, Pontigny sobre 40 e A Ferté 20.

A guerra dos cem anos (13371453) entre a Inglaterra e a França, originou um período obscuro, e desordens e atos de vandalismo danificaram extremamente o campo. Aproximadamente, 400 abadias cistercienses viram-se muito afetadas por atos de pilhagem e destruição.

Igreja barroca de Salem.

Paralelamente, o Cisma do Ocidente (13781417), quando houve dois Papas diferentes em Roma e Avinhão, dividiu as abadias em partidárias de um e de outro. Foram obrigados a dividir-se em Capítulos nacionais, fragmentando-se a ordem em várias congregações diferentes, desaparecendo a uniformidade da ordem e da sua arquitetura comum.

A Reforma Protestante de Lutero (1517) e a Reforma Anglicana de Henrique VIII (1531) suprimiu a ordem na Alemanha e na Inglaterra, respectivamente. Em ambos os casos as abadias foram confiscadas.

O concílio de Trento (15451563) e a Contra-reforma Católica justificaram que, através da arquitetura, pintura e escultura , se chegasse a impactar nos crentes; recomendaram os adornos e demonstrar a grandiosidade da Igreja de Roma. Tudo isso originou o Barroco. No século XVIII, os cistercienses de Europa central ajustaram o seu programa às novas diretrizes do concílio e construíram abadias barrocas.

A estética do Cister[editar | editar código-fonte]

Igreja da Fontenay.

A estética do Cister procurou desde as origens a uma pobreza absoluta, não mostrando riqueza alguma. Isto supõe a antítese da ordem de Cluny, cujas construções eram grandiosas.

Em 1124, Bernardo escreveu Apologia a Guilherme, uma forte crítica ao que ele considerava os excessos da ordem de Cluny. Neste escrito, Bernardo repreendeu duramente a escultura, a pintura, os adornos e as dimensões excessivas das igrejas dos cluniacenses. Partindo do espírito cisterciense de pobreza e ascetismo rigoroso, chegou à conclusão de que os monges, que renunciaram às bondades do mundo, não precisavam de nada disto para pensar na lei de Deus.

Os argumentos que empregou na sua Apologia foram os seguintes:

  • Sobre as pinturas e os adornos, recusou-os nos mosteiros e justificou-os nas paróquias. Estas são as razões que expôs: Amostre-lhes um quadro formoso de algum santo. Quanto mais brilhantes forem as cores, mas santificado parecer-lhes-á. Há mais admiração pela beleza que veneração pela santidade. Assim as igrejas enfeitam-se. Vemos os candelabros de bronze grandes, maravilhosamente lavrados. Qual é o propósito de tais coisas?Ganhar a contrição de penitentes ou a admiração dos espectadores? Se as imagens sagradas não significam nada para nós, por que não economizamos pelo menos na pintura?. Convenho. Permitamos que isto seja feito nas igrejas porque se é danoso para o inútil e cobiçoso, não o é para o simples e o devoto.
Capitéis de Fontenay
  • Recusa das esculturas nos mosteiros. Argumentou: Mas nos claustros, onde os irmãos estão lendo, que são essas monstruosidades ridículas...metade-homens, tigres raiados, soldados que lutam e caçadores soprando os seus cornos....assim... tão maravilhosas são as várias formas que nos rodeiam que é mais agradável ler o mármore que os livros, e passar o dia inteiro com estas maravilhas que meditando na lei do Bom Senhor.
  • Recusa de igrejas suntuosas nos mosteiros . Sobre as igrejas da ordem de Cluny, lamentou a sua altura excessiva, o seu comprimento e a sua largura desmesuradas.
  • Recusa das riquezas nos mosteiros porque não são necessárias e porque as precisam os pobres. Empregou esta argumentação: Mas os monges que renunciaram às coisas preciosas e encantadoras deste mundo para se entregarem a Cristo. Estamos buscando dinheiro ou mais bem benefício espiritual? Todas estas vanidades custosas mais maravilhosas, inspiram as pessoas a contribuírem com dinheiro mais que a rogar e rezar. Vestem a igreja com pedras de ouro e deixam os seus filhos ir despidos. Os olhos dos ricos alimentam-se dos indigente. Finalmente, são boas tais coisas para os homens pobres? E para os monges, os homens espirituais?

A crítica feroz que realizou Bernardo, burlona e apaixonada, despregou-se sobre dois eixos. Em primeiro lugar, a pobreza voluntária: estas esculturas e adornos eram uma despesa inútil; esbanjavam o pão dos pobres. Em segundo lugar, um místico como ele que buscava permanentemente o amor de Deus, recusava também as imagens em nome de um método de conhecimento: as figurações do imaginário dispersavam a atenção, afastavam-no do seu único fim legítimo, encontrar a Deus através da Escritura.

Para Bernardo, a estética e a arquitetura deviam refletir o ascetismo e a pobreza absoluta levada até um despossuimento total que praticavam diariamente e que constituía o espírito do Cister. Assim terminou definindo uma estética cisterciense cuja simplificação e nudez pretendem transmitir os ideais da ordem: silêncio, contemplação, ascetismo e pobreza.

A estética concretizou-se na construção em pedra das duas primeiras abadias, Claraval II e Fontenay com intervenção decisiva de Bernardo. Ele foi o inspirador de ambas as construções, das suas soluções formais e da sua estética.

A abadia cisterciense[editar | editar código-fonte]

Plano tipo cisterciense
Planta cister.svg
Legendas
  Zona de monges
  Zona de conversos

1.-Igreja, 2.-Altar principal, 3.-Altares secundários,
4.-Sacristia, 5.- Lavatório,6.-Escada de matinas,
7.-fecha alta, 8.-Coro de monges, 9.-Banco de doentes,
10.-Entrada do claustro, 11.-Coro de conversos, 12.-Beco de conversos,
13.-Pátio, 14.-Armarium para os livros, 15.-Claustro,
16.-Sala capitular,17.-Escada dormitório, 18.-Dormitório monges,
19.-Latrinas, 20.-Locutório, 21.- Passagem,
22.-Scriptorium, 23.-Sala de noviços, 24.-Calefatório,
25.-Refeitório de monges, 26.-Púlpito de leitura, 27.-Cozinha,
28.-Despensa, 29.-Locutório de conversos, 30.-Refeitório de conversos,
31.-Passagem, 32.-Armazém, 33.-Escada,
34.-Dormitório conversos, 35.-Latrinas

A vida monástica dos monges decorria dentro da clausura. A sua espiritualidade era ordenada pela regra: silêncio, disciplina, obediência ao abade, horário rigoroso distribuído entre numerosas rezas em comum, leituras religiosas e trabalho manual.

Além disso, na abadia vivia uma segunda comunidade, a dos conversos. Viviam a sua entrega espiritual no trabalho diário no campo, forjas e moinhos, não sabiam ler e não mantinham nenhum contato com a comunidade de monges. Isto último foi conseguido desenhando duas zonas no mosteiro estancas e incomunicadas entre si. A zona dos conversos tinha a mesma qualidade construtiva que a dos monges.

A uniformidade da ordem é estabelecida no Exórdio de Cister e Resumo da Carta de Caridade:

Para que entre as abadias seja mantida sempre uma unidade indissolúvel, estabelecemos, em primeiro lugar, que a regra de são Bento seja entendida por todos do mesmo jeito, sem se desviarem dela nem um pingo. Em segundo lugar, que todos tenham os mesmos livros, pelo menos, no tocante ao Ofício divino, a mesma roupa, os mesmos alimentos e por último os mesmos usos e os mesmos costumes.

Todas as abadias têm também uma arquitetura similar. Em primeiro lugar, procuraram soluções construtivas para cada dependência que favorecessem o espírito da regra, o que é chamado o estabelecimento do programa tipo , ou plano tipo, no qual Bernardo de Claraval teve uma influência decisiva. Em segundo lugar, uma vez estabelecido o plano tipo, este foi imposto nas novas construções.

O plano tipo foi aplicado na construção de todos os novos mosteiros. Assim, a igreja era orientada na direção leste-oeste com a cabeceira a leste; o claustro era encostado à igreja; a ala leste do claustro era dedicada a dependências dos monges com a sala capitular no piso térreo e o dormitório no primeiro andar com duas escadas, uma que baixa ao interior da igreja e a outra ao claustro; na ala do claustro contrária à igreja era situado o refeitório e a cozinha; na ala oeste (normalmente, com acesso independente do claustro), um edifício de pavimentos destinado aos conversos e armazéns com acesso independente à parte traseira da igreja.

Cada abade pai transmitia aos seus filiais o plano arquitetônico que aplicara anteriormente na construção da sua própria abadia e toda a sua experiência acumulada. Além disso, todos os abades reuniam-se em Cister no Capítulo Geral, uma vez por ano, e está comprovado que se falava da construção das novas obras. Finalmente, na construção do novo mosteiro, vivendo o dia a dia da obra, o abade tinha um monge encarregado, cuja responsabilidade era o controle das obras e ademais levava as finanças da abadia sob a supervisão do abade.

Este monge controlava os pedreiros, os ferreiros e os carpinteiros (para os andaimes e cimbras era precisa muita madeira). É uma questão ainda controversa se os arquitetos eram os mesmos monges ou contratavam mestres de obra. Dado o segredo gremial da construção nesta época, a alta qualificação precisada e a enorme atividade construtora que despregaram em pouco tempo, parece razonável pensar que tivessem empregado mestres de obra contratados especificamente para a construção. Na Idade Média empregavam já uma organização complexa, diversas formas de salários e preços, diferentes tipos de contratos, e levava-se uma contabilidade rigorosa de todas as despesas.

A igreja[editar | editar código-fonte]

A igreja era para o uso exclusivo das comunidades de monges e conversos. Por isso não há uma fachada principal por onde entrem os crentes na igreja. Os monges acediam por duas portas laterais da parte dianteira, pelo dia através do claustro e pela noite desde o dormitório pela escada de matinas. Os conversos entravam por um lateral da parte traseira através de um corredor independente que ligava com o seu edifício.

A comunidade de monges colocava-se no coro na parte dianteira da nave central, os conversos no coro de conversos na parte traseira da nave central. Ambos os coros estavam fisicamente separados.

A igreja é o edifício mais importante da abadia e da casa de Deus. Arquitetonicamente, as características destas igrejas são:

  • Nave central com abóbadas de berço apontadas (no período inicial, românicas) ou abóbadas em cruzaria ligeiramente ogivais com nervuras e janelas laterais (no segundo período, góticas).
  • Duas naves laterais de menor altura que servem como contrafortes da abóbada da nave central.
  • Uma cornija acostuma percorrer longitudinalmente a base da abóbada.
  • Pilares cruciformes com pilastras circulares embebidas que se prolongam, uma até a abóbada de berço da abóbada da nave central, outras duas nos arcos formeiros e a quarta na nave lateral.
  • As pilastras circulares da nave central, frequentemente, são interrompidas por uma mísula antes de chegarem ao chão
  • Alçados da nave central de um só piso com arcos formeiros.
  • Coro plano com janelas no arco testeiro (inicialmente), depois apareceriam também os circulares.
  • Transepto com outros quatro coros secundários planos (onde os outros monges-sacerdotes celebravam a sua missa diária).
  • Iluminação monocroma, normalmente branca.
Abbaye Fontenay eglise nef.jpg Eberbach Abteikirche nach Westen.jpg Silvacane abbey interior.JPG Pontigny32.jpg
Fila superior : Igrejas de Fontenay, Eberbach, Silvacane e Pontigny
Rueda - Iglesia - Nave central.jpg Sacramenia-Lateral.jpg Veruela - Iglesia abacial de Santa María de Veruela - Vista desde el pie.jpg Morimondo navata centrale.jpg
Fila inferior : Igrejas de Rueda, Sacraménia, Veruela e Morimondo

O claustro[editar | editar código-fonte]

O claustro é o centro da vida monástica e desde o mesmo se acede a todas as dependências dos monges. Trata-se de uma galeria coberta, que faz o perímetro de um quadrado de 25 a 35 metros de lado e se abre interiormente a um pátio central mediante uma arcaria corrida.

As abóbadas, inicialmente, foram de canhão apontado, mas cedo foi aceitado o modelo gótico, de arcos ogivais e abóbadas em cruzaria.

A galeria, inicialmente, foram arcos de volta perfeita, agrupados de dois em dois sob arcos de descarga com contrafortes. Posteriormente, foi empregado o arco gótico e os agrupamentos foram de dois, três ou quatro arcos por arco de descarga.

Os capitéis são muito simples, normalmente com um motivo vegetal. A ordem não permitia esculturas.

Abbaye-abbey-senanque-cloitre-cloister.jpg Fontenay cloitre.jpg Rueda - Claustro - Interior 02.jpg
Claustros de Senanque, Fontenay e Rueda

A sala capitular[editar | editar código-fonte]

Seção do claustro, sala capitular e dormitório de Fontfroide

Do lado leste do claustro accede-se à sala capitular em piso térreo e em cima da mesma, no primeiro andar, fica o dormitório dos monges. Com o objetivo de não elevar demais o dormitório, aprofunda-se algo a sala capitular ficando semienterrada, tendo a esta sala uma altura reduzida.

Planta da sala capitular e claustro de Fontfroide

A sala é quadrada e a sua abóbada é de cruzaria de meio ponto, com nervuras que nascem em quatro pequenas colunas centrais e em mísulas distribuídas pelas paredes laterais. Esta abóbada clássica cisterciense repete-se em outras estâncias e é uma das características destes mosteiros. A circunstância de que seja uma abóbada muito baixa permite contemplar os pormenores, como se se tratasse de uma cripta.

O terminar os arcos numa mísula no muro é uma técnica profusamente empregada pela arquitetura cisterciense. Desta forma conseguíam dar à abóbada um pouco menos de largura e simplificavam a sua construção. Estas mísulas encontram-se em todas as estâncias. Em cada mosteiro fizeram a sua mísula distintiva, particularizando-a na terminação inferior mediante um adorno simples.

A estância está bem iluminada, pois recebe luz do claustro através da porta e duas arcarias abertas, bem como do lado contrário com janelas na parede.

Nesta sala reuniam-se todos os monges com o abade todas as manhãs, liam a regra, cada monge podia reconhecer pessoalmente descumprimentos da regra ou podia ser acusado disso por outro monge. (Esse tal peça perdão e cumpra a penitencia que lhe for imposta pela sua culpa... ali obedeçam em tudo ao Abade do mesmo e ao seu capítulo na observância da santa Regra ou da Ordem e na correição das faltas.- Carta de Caridade)

FontFroide.jpg Fontenay25.jpg
SantesCreusSalaCapInter.jpg Veruela - Sala capitular.jpg
Salas capitulares de Fontfroide, Fontenay,
Santes Creus e Veruela

O dormitório dos monges[editar | editar código-fonte]

Senanque-abbey-dormitory.jpg Fontenay le dortoir.jpg SantesCreusDormitorio.jpg Kloster Eberbach moenchsdormitorium2.jpg
Dormitório de monges de Senanque, Fontenay, Santes Creus e Eberbach

A Regra foge da nudez e do isolamento dos monges, por isso propugna um dormitório comunitário e vigiado. Para isso construíram uma longa sala onde dormiam todos juntos, num primeiro andar com o fim de evitar umidades. Normalmente, tinha num extremo o acesso ao transepto da igreja pela escada de matinas e no extremo oposto o acesso às latrinas, no chão, e por um simples oco acedia-se à escada do claustro.

Arquitetonicamente, a abóbada é o mais interessante desta sala.

O lavatório[editar | editar código-fonte]

Planta do Lavatório de Fontenay

A água na Idade Média tinha uma simbologia especial: a água do batismo representa a purificação e o renascimento espiritual da pessoa nova e cristã, a água do Gênese é a origem do mundo, a fonte da vida significava a imortalidade.

O abastecimento de água da abadia era duplo: para o desague das latrinas, usos agrícolas e industriais, o curso do rio era desviado parcialmente de modo que passasse por um extremo do mosteiro; para a água de boca e o uso litúrgico, era canalizada água pura de um manancial próximo até o lavatório, mediante instalações hidráulicas de certa complexidade para conservar a pressão.

A fonte encontra-se num pequeno pórtico coberto, encostado ao claustro, defronte do refeitório. Segundo o programa da Ordem, devia ser uma construção simples e de aspecto agradável. Resulta um pequeno templete onde se aprecia a escala reduzida abóbada, arcarias, contrafortes e fachadas.

É uma sala quadrada ou hexagonal com duas portas, os monges entravam em fila por uma delas, lavavam-se em grupos de 6 ou 8 e saíam pela outra, para entrar no refeitório. Também se empregava para o asseio pessoal. Liturgicamente, era empregue para as abluções e os sábados lavavam-se os pés uns a outros.

Sobre a higiene destes mosteiros, supõe-se que não era excessiva perante a inexistência de uma sala de banho, que nessa época era considerada um lugar impúdico.

Rueda - Claustro - Lavatorio con sala de calefacción al fondo.jpg SantesCreusLavadero.jpg Santa Maria Cloister.jpg KlosterMaulbronnBrunnenhausInnen.jpg
Lavatórios de Rueda, Santes Creus, Alcobaça e Malbronn

O refeitório[editar | editar código-fonte]

Refeitório de Huerta

No plano cisterciense, o refeitório (sala de jantar) e a cozinha situam-se na ala do claustro contrária à igreja, a zona destinada a cobrir as necessidades fisiológicas (igual a o lavatório ou as latrinas). Tem uma disposição perpendicular ao claustro.

Os monges comiam duas vezes por dia e em alguns períodos também jejuavam. Não podiam comer carne, embora as aves e o peixe na Idade Média não fossem incluídos neste grupo. Por isso tinham pombais e piscicultura, pois era parte importante da sua dieta.

A regra estabelece a comida em silêncio, escutando ao leitor, que lia desde um púlpito textos sagrados, o qual dava muita similaridade com os ofícios da igreja. De fato, os cistercienses trataram arquitetonicamente esta sala parecida a uma igreja. No refeitório da Abadia de Huerta comprovam-se as características de outros comedores cistercienses:

  • Nave única bem alta.
  • Abóbada em cruzaria ogival.
  • Mísulas nos muros de começo dos arcos.
  • A escada embebida no muro e o púlpito do leitor.
  • Janelas no muro de cabeceira.
  • Iluminação branca.

Outras salas[editar | editar código-fonte]

Fólio da Bíblia de Estévão Harding, corresponde ao primeiro período de códices cistercienses

Do restante de dependências dos monges, há que se destacar o scriptorium. Em ele, os monges copiavam os livros sagrados e outros textos latinos. Como havia muitas abadias novas precisavam-se muitos livros e a cópia em códices de pergaminho era uma das atividades principais dos monges. Desenvolveram-se três estilos nos códices cistercienses. O estilo inicial corresponde à Bíblia de Estévão Harding, era um estilo que admitia o humor, colorista e exuberante. O estilo intermédio, também na época de Estévão Harding foi mais grave e idealizado, corresponde a Os comentários sobre a Bíblia de são Jeronimo. O terceiro estilo, imposto por Bernardo de Claraval, corresponde a A Grande Bíblia de Claraval, era muito austero, não se podia empregar ouro, nem representar figuras e a escrita era monocroma com iniciais azuis. O responsável pelo cuidado dos livros do mosteiro era o monge chamado chantre e o lugar onde os guardavam, era o armarium, que estava no claustro junto à entrada da igreja.

Os conversos habitavam o edifício oeste do claustro, quase simétrico do dos monges. Também tinha dois pavimentos, no inferior estava o seu refeitório e os armazéns, no superior o seu dormitório e latrinas.

No mosteiro havia outras dependências: a forja, o moinho, a enfermaria, a hospedaria, a portaria, etc.

Fora do mosteiro, as granjas dos conversos eram grupos de construções para os trabalhos agrícolas e industriais.

Todas estas dependências eram construídas com técnicas similares. É habitual encontrar estâncias alongadas, com uma fila de colunas no centro e abóbadas em cruzaria ou de canhão apontadas, similares às empregadas na sala capitular.

Fontenay28.jpg Rueda - Scriptorio.jpg Kloster Eberbach Weinpresse.jpg
Scriptorium de Fontenay, Scriptorium de Rueda e Prensas de vinho de Eberbach

O exterior[editar | editar código-fonte]

Na arquitetura exterior também prevalece a simplicidade.

Os cistercienses tinham proibidas as torres nas igrejas, apenas estava permitido um zimbório para os sinos que apenas sobressaía da coberta da nave. À falta de um elemento tão assinalado na arquitetura exterior de uma igreja causa estranheza.

Outra das características destas construções, igual a nos edifícios românicos, são os contrafortes das abóbadas. Estes elementos exteriores verticais repetem-se ritmicamente e dividem o edifício em módulos iguais.

Também, como se comentou anteriormente, as fachadas das igrejas não eram destacadas, pois os monges e conversos entravam na igreja pelas portas interiores.

Todos os edifícios da abadia eram rodeados por um muro, tal e qual assinalava a descrição da Jerusalém celestial do Apocalipse. Contudo, os cistercienses não adotaram as doze portas mencionadas na cidade celestial.

Fontenay29.jpg Silvacane abbey.JPG Pontigny Abbaye.jpg Morimondo vista nord.JPG
Exteriores de Fontenay, Silvacane, Pontigny e Morimondo

Difusão da arte cisterciense[editar | editar código-fonte]

Máxima expansão da ordem em finais do século XIII

O final do século XIII coincidiu com a máxima difusão da ordem, umas 700 abadias. A ordem estava presente em todos os países de Europa Ocidental. França, berço de Cister, tinha o maior número com umas 244 abadias. lhe seguíam Itália com 98, o Sacro Império Romano-Germânico com 71, Inglaterra com 65 e Espanha com 57. As remanescentes distribuíam-se entre Países Baixos, Polônia, Suécia, Áustria, Boêmia, Hungria, Portugal e Irlanda.

Destas 700 abadias distribuídas pela Europa em finais do XIII é preciso descontar dois grupos numerosos de estética não cisterciense:

  • As congregações inteiras que se afiliavam ao Cister, como a ordem de Savigny, que se incorporou com 29 abadias. Também há casos de beneditinos e cluniacenses.
  • As abadias de mulheres que se uniam ao Cister a partir do século XIII. Eram abundantes na Alemanha e nos Países Baixos. Converteram-se em centros piedosos da classe alta. Muitas delas foram fundadas por rainhas. Poucas destas construções são propriamente cistercienses.

No seguinte século, a Guerra dos cem anos, de 1328 a 1453, assolou o campo e as abadias, enquanto a peste negra acabou com um terço populacional europeia.

A partir de 1427 começou a decadência da ordem com a fragmentação em Congregações nacionais, desaparecendo a uniformidade da ordem. Desde então, as abadias que se destruíam eram muitas mais que as que se fundavam. Assim, em 1780, antes da Revolução francesa, foram fundadas um total de 54, mas foram destruídas cerca de 350 por diversos motivos, ficando portanto umas 400.

Difusão em Portugal[editar | editar código-fonte]

Em Portugal só se poderão considerar cistercienses os templos dos mosteiros de Fiães, Salzedas e S. João de Tarouca, estando já fortemente comprometidos com o gótico os de Alcobaça ou de Santa Maria de Aguiar, perto de Castelo Rodrigo.

São João de Tarouca foi a primeira fundação da Ordem em Portugal, diretamente filiada desde 1144 na Abadia de Claraval. O templo foi fundado em 1154, devendo estar concluído cerca de 1169 altura em que — conforme atesta epígrafe junto ao interior do portal axial — foi dedicado por D. João Peculiar, bispo de Braga. Como todos os templos cistercienses é um edifício bem construído, cujo plano será de certo atribuível a um monge arquitecto — como era prática na Ordem — de provável origem francesa, dadas as afinidades do seu plano com o da Abadia de Claraval, de S. Bernardo.

Estado atual do patrimônio do Cister[editar | editar código-fonte]

Ruinhas de Morerola

Das 700 abadias de finais do século XIII, somente ficavam 350 em 1790. Muitas destas não se conservavam como no XIII, pois os mesmos monges alteraram e modernizaram as vetustas dependências medievais.

Em 1791, a Revolução francesa suprimiu a ordem e vendeu os mosteiros na França. A maioria dos países da Europa imitou a medida francesa. Os compradores transformaram os mosteiros em canteiras de extração de pedra, fábricas ou armazéns. Em geral, a maioria acabaram em ruína.

Um número representativo destes mosteiros foi porem preservado. A situação atual do patrimônio cisterciense é a seguinte:

  • França: Depois da supressão e venda de 1791, as abadias passaram a mãos particulares. Ainda contudo, é o país onde o patrimônio conservado é mais amplo. Os mosteiros dos Alpes e dos Pireneus formam um conjunto impressionante: Thoronet (muitos especialistas a elevam como o melhor conjunto), Fontfroide, Silvicane e Sénanque. Também Noirlac é um conjunto muito completo. Por suposto, Fontenay do qual já se falou amplamente.
  • Alemanha: a Reforma Protestante de Lutero em 1517 terminou com a ordem e a venda dos seus bens. Os casos que se salvaram são poucos: a igreja de Otterberg, o único que fica da abadia, é considerada do melhor do Cister. O Maulbronn conservou a totalidade da abadia, até mesmo oficinas e dependências de conversos, graças à sua transformação em seminário protestante.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • LEROUX-DHUYS, Jean-Francois. Las Abadías Cistencienses. [S.l.: s.n.], 1999. ISBN 3-8290-3117-3.
  • TOMAN, Rolf. El románico. Arquitectura, escultura, pintura. [S.l.: s.n.], 1996. Capítulo Introdução. ISBN 3-89508-547-2.
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  • DE LA RIESTRA, Pablo. El gótico. Arquitectura, escultura, pintura. [S.l.: s.n.], 1998. Capítulo Introdução às formas da arquitetura gótica. ISBN 3-8290-1742-1.
  • KLEIN, Bruno. El gótico. Arquitectura, escultura, pintura. [S.l.: s.n.], 1998. Capítulo Começo e formação da arquitetura gótica na França e países vizinhos. ISBN 3-8290-1742-1.
  • FREIGANG, Chistrian. El gótico. Arquitectura, escultura, pintura. [S.l.: s.n.], 1998. Capítulo A construção medieval. ISBN 3-8290-1742-1.
  • VALDALISO, Covadonga. la revista Historia National Geographic, número 32. [S.l.: s.n.], 2006. Capítulo A Ordem de Cister. ISSN 1696-7755.
  • DE RYNCK, Patrick. Cómo leer la pintura. [S.l.: s.n.], 2005. ISBN 84-8156-388-9. (simbologia da água na Idade Média)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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