Calunga

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Capela do Vão do Moleque

Calunga ou Kalunga é o nome atribuído a descendentes de escravos fugidos e libertos das minas de ouro do Brasil central que formaram comunidades auto-suficientes e viveram mais de duzentos anos isolados em regiões remotas, próximas à Chapada dos Veadeiros.[1]

Generalidades[editar | editar código-fonte]

São três comunidades, nos municípios de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás.[2] A mais populosa comunidade está situada no município de Cavalcante, com pouco mais de duas mil pessoas, distribuídas nas localidades do Engenho II, Prata, Vão do Moleque e Vão das Almas, sendo esta última a mais recente a se integrar no seio do município (cerca de trinta anos).

Mais recentemente alguns estudos têm indicado a presença de calungas também em regiões do Tocantins, nos arredores de Natividade e regiões isoladas do Jalapão. Durante todo este período, houve miscigenações com índios, posseiros, fazendeiros brancos, e também forte influência de padres católicos, dando lugar a uma cultura hibridizada, característica que se manifesta na alimentação e no forte sincretismo religioso da mistura do catolicismo e de ritos africanos.

Calunga também é um nome relacionado a uma falange ( um grupo) de seres do mundo espiritual. Normalmente, dentro da crença espiritista, estão relacionados às entidades conhecidas como "preto velhos", muito embora, segundo alguns médiuns clarividentes (pessoas que podem enxergar o mundo espiritual), estes espíritos, muitas vezes, não tem a aparência de pele de cor negra ou com idade avançada, inclusive, em alguns casos, podem demonstrar grande conhecimento nas diversas áreas da atuação cientifica, seja na medicina, na engenharia, nas artes, etc.. A característica de um Calunga ou de um espírito que se apresenta com preto velho, esta mais relacionada a uma forma de ser, geralmente muito ligada a uma sabedoria de vida, como viver simples e resolver problemas do cotidiano, sempre visando paz, tranquilidade, harmonia e crescimento espiritual; são reconhecidos, dentro das casas espíritas, pela capacidade de trazer alegria e esperança a pessoas que estão atravessando momentos de grande sofrimento ou amargura, com sua presença reconfortante, são capazes de irradiar sentimentos que são verdadeiros bálsamos para pessoas deprimidas ou presas a situações de grande tristeza. Existem muitos médiuns que dizem trabalhar com o espírito "Calunga", desta forma, podemos concluir, que pode existir mais de uma entidade espiritual se apresentando com este nome, já que, inclusive, na área espiritista, o nome se refere a um grupo de seres; alguns médiuns são mais específicos e dizem, quem esta aqui é o espírito do Calunga fulano, ou o Calunga ciclano. O nome Calunga, segundo algumas opiniões, também significa "grande mar", o que explicaria também a informação de que os "pretos velhos" conhecidos como Calungas são entidades fortemente ligadas ao Orixá Iemanjá, das águas do mar, e também, por conseguinte, a fonte de seu grande poder regenerador no campo sentimental.

Nome[editar | editar código-fonte]

Calunga ou Kalunga significa "Tudo de bom" em dialeto banto africano. Significa também "Necrópoles" (linha do mundo dos mortos) em kikongo. Dentro da área espiritista, pode significar "grande mar", e também um nome de uma falange (grupo" de seres do mundo espiritual.

Referências

  1. NEIVA, Ana Cláudia Gomes Rodrigues et al. (12 a 17 de outubro de 2008). Caracterização socioeconômica e cultural da comunidade quilombola Kalunga de Cavalcante (PDF) II Simpósio Internacional Savanas Tropicais. Página visitada em 5 de julho de 2011.
  2. CÂNTIA, Aline; BOLONI, Leonardo. Kalunga, uma remanescente de quilombo no sertão de Goiás Rota Brasil Oeste. Página visitada em 5 de julho de 2011.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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