Corpo Governante das Testemunhas de Jeová

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O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová é formado por um órgão central de homens mais experientes, usualmente designados pelos membros mais antigos do grupo. Atualmente, este grupo de líderes supremos é composto pelos seguintes membros (entre parênteses está o ano em que foram escolhidos):

  • Samuel Herd (1999)[1]
  • Geoffrey Jackson (2005)[2]
  • M. Stephen Lett (1999)[1]
  • Gerrit Lösch (1994)[3] [4]
  • Anthony Morris III (2005)[2]
  • Mark Sanderson (2012)[5] [6]
  • David H. Splane (1999)[1]

Este colegiado tem a responsabilidade de promover, coordenar e liderar a obra das Testemunhas de Jeová em dezenas de milhares de congregações. O Corpo Governante designa homens qualificados que, por sua vez, são autorizados a designar anciãos e servos ministeriais para cuidar das congregações. As Testemunhas de Jeová em todo o mundo respeitam essas designações. Esse grupo de homens, orienta, direciona, determina e dirige a organização das Testemunhas de Jeová. A autoridade deste grupo é incontestável dentro da organização, pois creem que falam por designação de Deus.

Modelo bíblico[editar | editar código-fonte]

As Testemunhas de Jeová baseiam a necessidade de existência de um Corpo Governante, ou órgão central administrativo, por entenderem que há um paralelo com o que acontecia nas congregações do século I.

Desde o começo, os seguidores de Jesus estavam organizados. Ao passo que o número dos discípulos se multiplicava, formaram-se igrejas ou congregações locais e designaram-se homens responsáveis, presbíteros ou anciãos, para as orientarem. Por exemplo, o apóstolo Paulo escreveu a Tito, comissionando-o:

  • Tito 1:5
"Eu te deixei em Creta para cuidares da organização e ao mesmo tempo para que constituas presbíteros em cada cidade." (Bíblia de Jerusalém, nova edição revista e ampliada, de 2002)

Após a morte de Jesus, os doze apóstolos atuavam como o que pode ser designado um corpo governante central. Nesta função, tomaram destemidamente a dianteira na obra de evangelização. (Atos 4:33, 35, 37; 5:18, 29) Organizaram a distribuição de alimentos para os necessitados, e enviaram missionários a Samaria, para cuidar do interesse relatado lá (Atos 6:1-6; 8:6-8, 14-17). Vários assuntos eram reportados a esses homens em Jerusalém. Por exemplo, Barnabé apresentou-lhes Paulo, para confirmar que ele era agora um seguidor de Jesus (Atos 9:27; Gálatas 1:18, 19). Também, depois de Pedro ter pregado a Cornélio e aos da sua casa, ele voltou a Jerusalém e explicou aos apóstolos e a outros irmãos na Judeia havia ocorrido esta primeira conversão entre os gentios (Atos 11:1-18).

Quando surgiu uma disputa sobre se os gentios que seguiam a Jesus deviam sujeitar-se à Lei religiosa dos judeus, o assunto foi apresentado para decisão aos "apóstolos e anciãos, que estavam em Jerusalém". (Atos 15:2, 6, 20, 22, 23) A Bíblia não revela porque outros além dos Apóstolos foram incluídos nas reuniões de tomada de decisões, mas a morte de Tiago e o encarceramento de Pedro provavam que os apóstolos poderiam algum dia ser presos ou mortos. Assim, a presença de outros anciãos habilitados garantiria a continuação ordeira da supervisão de todas as igrejas ou congregações. Esta supervisão era muitas vezes exercida por meio de cartas e instruções escritas:

  • Atos 16:4
"Ao passarem pelas cidades, transmitiam-lhes, para que as observassem, as decisões sancionadas pelos apóstolos e anciãos de Jerusalém." (Bíblia de Jerusalém, nova edição revista e ampliada, de 2002)

Assim, segundo o entendimento das Testemunhas de Jeová, os "apóstolos e anciãos em Jerusalém" enviavam cartas e emissários às congregações, servindo como um colégio governante ou orientador. O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová afirma seguir este precedente bíblico ao enviar cartas, publicações bíblicas e superintendentes viajantes, com o objetivo de corrigir, instruir, orientar e encorajar todas as Testemunhas de Jeová.

Estrutura inicial das Testemunhas de Jeová[editar | editar código-fonte]

Em julho de 1879 foi publicada pela primeira vez uma nova revista religiosa chamada Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo (em inglês), em Pittsburgh, na Pensilvânia, Estados Unidos, com uma primeira edição de apenas 6.000 exemplares. A revista passou a ter uma tiragem mensal e o seu redator e editor era Charles Taze Russell, mencionando-se os nomes de mais cinco colaboradores regulares. Naquele tempo, Russell associava-se com uma congregação cristã de estudantes da Bíblia em Allegheny, na Pensilvânia, e esta congregação solicitou que ele servisse como seu pastor religioso. Depois disso, Russell veio a ser mundialmente conhecido como "Pastor Russell".

A edição em inglês, de Setembro de 1881 da Torre de Vigia de Sião, (hoje conhecida como A Sentinela - Anunciando o Reino de Jeová) foi publicada como edição especial destacando o artigo "Alimento Para os Cristãos Refletivos". Esta edição atraiu muita atenção e teve ampla distribuição. Anteriormente, Russell havia publicado outros panfletos gratuitos, distribuindo milhões de cópias. Com o fim de divulgar com mais eficiência literatura bíblica similar a tais panfletos, organizou-se em 1881 a Sociedade Torre de Vigia de Tratados de Sião (Zion’s Watch Tower Tract Society) que viu a sua designação alterada am 1986 para Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (Watch Tower Bible and Tract Society). Os estatutos da Sociedade estabeleceram uma provisão de direito a votos em que todo associado que contribuísse um total de dez dólares tinha direito a voto na escolha dos membros da junta de diretores e administradores da Sociedade. Era opinião geral que tais contribuições dariam evidência do genuíno interesse na obra daquela organização. Esta Sociedade passou a ter Assembleias-gerais dos seus membros, numa base anual, desde 1885.

Com o passar do tempo, organizaram-se outras sociedades religiosas, em outros países, para trabalharem com a sociedade religiosa original nos Estados Unidos. Em consequência, muitos milhares de pessoas, em todo o globo, tornaram-se leitores das publicações da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Elas reuniam-se em grupos de estudo da Bíblia e esperavam receber dos redatores e editores da Sociedade Torre de Vigia o que consideravam alimento espiritual na forma da revista A Sentinela e de outras publicações como ajudas ao entendimento do texto bíblico. Estes cristãos vieram a ser conhecidos como Estudantes Internacionais da Bíblia. Continuaram a usar este nome até 26 de julho de 1931, quando adotaram num congresso geral da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, em Columbus, Ohio, Estados Unidos da América, a resolução de tomar o nome de Testemunhas de Jeová.

Até à década de 40 do Século XX, a Diretoria da Sociedade Torre de Vigia, constituída por sete membros, que incluía o Presidente, eram virtualmente os responsáveis por toda a informação publicada, bem como pela orientação dos procedimentos administrativos e doutrinais a aplicar em cada congregação das Testemunhas de Jeová em toda a terra. Assim, era habitual usar a expressão a Sociedade como referência a esta liderança.

Surge o conceito de um Corpo Governante[editar | editar código-fonte]

Na reunião administrativa com todos os membros da Sociedade que tinham direito a voto, em 2 de outubro de 1944, foi unanimemente decidido que os estatutos da Sociedade fossem revisados. O número de membros seria restringido entre 300 e 500, devendo todos ser homens escolhidos pela junta de diretores, não com base nas contribuições monetárias, mas por serem Testemunhas de Jeová maduras, ativas e fiéis que estivessem servindo por tempo integral na obra da organização ou que fossem ministros ativos nas congregações das Testemunhas de Jeová. Esses membros votariam para a escolha da junta de diretores, e a junta de diretores por sua vez selecionaria os seus componentes. Esse novo sistema entrou em vigor no ano seguinte, em 1 outubro de 1945.

Foi na sequência dessa Assembleia-geral da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados em 2 de outubro de 1944, que pela primeira vez se fez referência ao grupo de homens responsáveis pela orientação dos interesses das Testemunhas de Jeová como constituindo um Corpo Governante. O artigo "O Alinhamento Teocrático Hoje", publicado em A Sentinela de novembro de 1945, declarou:

"Razoavelmente, os aos quais se confiou a publicação das verdades reveladas da Bíblia eram considerados o corpo governante escolhido do Senhor para guiar todos os que desejavam adorar a Deus em espírito e em verdade e servi-lo unidamente na disseminação destas verdades reveladas a outros famintos e sedentos. (...) O dinheiro, conforme representado nas contribuições financeiras, não deve ter voto determinante, de fato não deve ter nada que ver com a escolha do corpo governante das Testemunhas de Jeová na terra. O espírito santo, a força ativa que desce de Jeová Deus mediante Cristo Jesus, é que deve determinar e guiar o assunto."

Conceito atual[editar | editar código-fonte]

Apesar dos ajustes estatutários da Sociedade em 1944, durante as décadas seguintes os membros do Corpo Governante ainda eram identificados com os sete membros da diretoria da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados da Pensilvânia. Sobre o Presidente da Sociedade recaía a principal carga de responsabilidade de tomar decisões que afetavam o funcionamento das filiais e congêneres da Sociedade em todo o mundo.

Em 1 de Outubro de 1971, a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia realizou a sua Assembleia-geral anual, no Salão de Assembleias das Testemunhas de Jeová, em Buckingham, na Pensilvânia, Estados Unidos da América. Todos os sete membros da Diretoria desta Sociedade estiveram presentes e participaram no programa apresentado. A lista de membros de Sociedade na ocasião era de 450, em toda a terra. Muitos destes membros assistiram pessoalmente e outros foram representados por procuração. Ao todo, assistiram 2.076 pessoas a esta assembleia geral. No programa apresentado, explicou-se que o Corpo Governante deveria ser uma estrutura mais aproximada da que existia pouco depois da implementação do Cristianismo, durante o período apostólico. Foram fornecidas razões para separar definitivamente o conceito de Corpo Governante da Diretoria de uma qualquer Sociedade. Entre tais argumentos estavam os seguintes:

  • Os mandatos dos diretores da Sociedade expiravam após três anos, necessitando de ser substituídos ou reeleitos. O mesmo acontecia com os mandatos de três encarregados da Sociedade, a saber, os do presidente, do vice-presidente e do secretário-tesoureiro (e agora também o do seu ajudante). Mas, tal como no caso dos doze apóstolos e dos outros anciãos da congregação de Jerusalém, os membros do Corpo Governante não poderiam ser eleitos anualmente, mas deveriam ocupar os seus cargos de responsabilidade de modo permanente, enquanto vivessem e continuassem fiéis como discípulos de Jesus Cristo.
  • O Corpo Governante não deveria ter funcionários tais como a Diretoria da Sociedade, a saber, titulares tais como um presidente, um vice-presidente, um secretário-tesoureiro e um secretário-tesoureiro ajudante. Deveria ter apenas alguém que preside, assim como teve o corpo governante do Século I AD. Argumentou-se que o apóstolo Pedro presidiu ao corpo governante no dia festivo de Pentecostes do ano 33 AD, e o discípulo Tiago, meio-irmão de Jesus Cristo, presidiu numa data posterior, segundo a narrativa nos Atos dos Apóstolos.
  • O número de membros do Corpo Governante não deveria ser limitado ao número dos membros da Diretoria da Sociedade, a saber, ao número de sete. A congregação cristã começou em Pentecostes com doze membros no seu corpo governante situado em Jerusalém, e foi posteriormente aumentado para além dos doze apóstolos de Cristo para incluir outros anciãos da congregação de Jerusalém.
  • Entendia-se que o Corpo Governante deveria ser constituído apenas por membros "ungidos" e com esperança celestial. No entanto, a maioria dos até 500 membros da Sociedade com direito a voto são constituídos por pessoas que não professam pertencer a essa classe. Assim, não seria lógico que fossem tais pessoas a escolher o Corpo Governante "ungido".

Comissões Administrativas do Corpo Governante[editar | editar código-fonte]

No começo de dezembro de 1975, todo o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová reuniu-se em Brooklyn, Nova Iorque, Estados Unidos da América, com o objectivo de considerar recomendações relacionadas com a organização e o funcionamento. Por muitos meses, duas comissões diferentes haviam estudado ajustes na organização. E assim, em 4 de dezembro de 1975, o Corpo Governante aceitou unanimemente essas recomendações, sendo que o presidente do Corpo Governante, em 12 de dezembro de 1975, leu para a família de Betel uma carta explicando os ajustes. Enviaram-se também cartas a todas as filiais e congéneres em todo o mundo, explicando o funcionamento, e na Sentinela de 1 de fevereiro de 1976 (em inglês; 1 de abril, em português) foi publicado um artigo intitulado "Ajustes no Corpo Governante", o qual explicou que haviam sido formadas seis comissões do Corpo Governante que começaram a funcionar em 1 de janeiro de 1976.

Cada comissão seria constituída por 3 a 6 membros, todos os quais tendo voz igual nos assuntos em consideração. O presidente de cada comissão serviria nessa capacidade por um ano. Os membros individuais do Corpo Governante poderiam servir em uma ou mais dessas comissões. Os assuntos decididos por unanimidade em cada comissão, seriam submetidos à apreciação de todos os membros do Corpo Governante.[7]

Segundo mencionado em A Sentinela [8] , estas seis Comissões e as suas responsabilidades são as seguintes:

  • Comissão dos Coordenadores

É formada pelos coordenadores de cada uma das outras comissões e um secretário. Ela se certifica de que todas as comissões operem de modo suave e eficiente. Cuida também de emergências maiores, perseguições, desastres e outros assuntos urgentes que afetam as Testemunhas de Jeová no mundo inteiro.

  • Comissão de Redação

Esta comissão supervisiona a colocação do alimento espiritual em forma escrita e gravada para publicação e distribuição entre as Testemunhas de Jeová e o público em geral, tal como preparação de novas publicações e a redação de artigos, incluindo a produção de cassetes áudio e vídeo, CD's e DVD's. Visto que ela trata das publicações, supervisiona também o trabalho de tradução feito em toda a terra, em centenas de línguas.

  • Comissão de Ensino

A responsabilidade desta comissão é supervisionar a programação e realização das reuniões congregacionais, assembleias de Circuito e Especiais, Congressos de Distrito, bem como das diversas escolas de treinamento especializado. Cuida ainda da instrução para a família de Betel, esquematizando a matéria a ser usada para esses fins.

  • Comissão de Serviço

Esta comissão supervisiona a realização da obra de evangelização, o trabalho das comissões de Filial, dos superintendentes de Zona, dos superintendentes de Circuito e de Distrito, actividades dos pioneiros especiais e missionários, e cuida das designação ou remoção de anciãos e de servos ministeriais.

  • Comissão Editora

Esta comissão supervisiona a impressão, edição e expedição das publicações em todo o mundo. Portanto, tem a responsabilidade de supervisionar as gráficas e propriedades pertencentes e administradas pelas diversas sociedades usadas pelas Testemunhas de Jeová, bem como as operações financeiras, assuntos jurídicos e comerciais relacionados com a evangelização das Testemunhas em toda a terra.

  • Comissão do Pessoal

Esta comissão tem a supervisão sobre os arranjos feitos para prestar assistência pessoal e espiritual aos membros das famílias de Betel, pertencentes à Ordem Mundial dos Servos Especiais de Tempo Integral das Testemunhas de Jeová, e tem a responsabilidade de convidar novos membros a servir nas famílias de Betel e em outras instalações em todo o mundo.

Além do arranjo de supervisionar a obra do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová por meio das seis comissões, foi também providenciado que cada filial, a partir de 1 de fevereiro de 1976, tivesse uma comissão responsável para cooperar com o Corpo Governante na administração dos arranjos organizacionais, mantendo-o informado sobre o progresso da obra do Reino no território designado a filial. Esta comissão tem um presidente que serve por um ano. Dependendo do tamanho da filial, a comissão poderá ter desde três membros a tantos quantos sete. O rodízio de presidência nas comissões de filial ocorre cada ano em 1 de janeiro.

Desenvolvimentos mais recentes[editar | editar código-fonte]

A Sentinela de 15 de Abril de 1992 publicou um anúncio onde se apresentavam alguns ajustes no funcionamento das Comissões do Corpo Governante. A revista informava na página 31:

"Os membros do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, atualmente 12, continuam a servir fielmente em suas designações. Sempre são gratos pelo apoio zeloso dos membros leais da crescente “grande multidão”. (Revelação ou Apocalipse 7:9, 15) Em vista do tremendo aumento no mundo todo, parece apropriado nesta ocasião providenciar ajuda adicional para o Corpo Governante. Portanto, decidiu-se convidar vários ajudantes, principalmente dentre a grande multidão, para participarem nas reuniões das Comissões do Corpo Governante, isto é, as Comissões do Pessoal, Editora, de Serviço, de Ensino e de Redação. Assim, o número de participantes nas reuniões de cada uma dessas comissões será aumentado para sete ou oito. Sob a orientação dos membros do Corpo Governante da respetiva comissão, esses ajudantes participarão nas considerações e cuidarão de várias incumbências que a comissão lhes der. Este novo arranjo vigora a partir de 1 de maio de 1992."

Assim, Testemunhas de Jeová que não professavam ser membros da classe "ungida" e com esperança celestial, serviam agora como observadores e ajudantes, sem direito a voto, sendo que o anúncio traçava um paralelo entre estes e os antigos ajudantes não israelitas, netineus e filhos dos servos de Salomão, que retornaram do exílio em Babilónia com o restante dos judeus. Esses não-israelitas chegaram a ultrapassar em número os levitas que retornaram (Esdras 2:40-58; 8:15-20).

No final da Assembleia-geral anual da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia, em 7 de Outubro de 2000, o presidente da reunião, John E. Barr, membro do Corpo Governante, fez um anúncio especial que ampliou os discursos proferidos antes naquele dia pelos também membros do Corpo Governante Theodore Jaracz e Daniel Sydlik. Nessas intervenções, explicou-se que não existiam motivos bíblicos para se insistir em que todos ou quaisquer diretores de entidades jurídicas usadas pelas Testemunhas de Jeová fossem cristãos que professavam pertencer à classe do Escravo Fiel e Discreto, "ungidos" com esperança celestial.

Referente à Sociedade Torre de Vigia, John E. Barr acrescentou:

"Desde a sua formação em 1884, a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia tem desempenhado um papel importante na nossa história moderna. Mesmo assim, ela é apenas um instrumento jurídico à disposição do 'escravo fiel e discreto' quando necessário."

Anunciou-se então à assistência que certos membros do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, que serviam como diretores e executivos, haviam abdicado voluntariamente das diretorias de todas as sociedades usadas pelas Testemunhas de Jeová. Elegeram-se homens dignos de confiança, que não professam pretencer à classe ungida, para substituí-los. Considerou-se essa mudança como benéfica, pois permite que os membros do Corpo Governante gastem mais tempo na preparação do alimento espiritual e no cuidar das necessidades espirituais da fraternidade mundial das Testemunhas de Jeová.

Como o Corpo Governante é encarado pelas Testemunhas[editar | editar código-fonte]

Segundo as Testemunhas, a Bíblia mostra que os verdadeiros cristãos não devem servir a Deus coagidos ou obrigados, mas sim de forma voluntária. Para explicar como essa pretensão pode ser compatível com um organismo que governa, A Sentinela publicou um artigo intitulado "Uma vida em liberdade à altura da dedicação cristã" [9] , que pretendia analisar a relação entre a liberdade individual de cada Testemunha e a existência de um Corpo Governante. Ao considerar a questão acima, a revista mencionava:

"Para responder a esta pergunta, temos de ter em mente o princípio bíblico da chefia. (1 Coríntios 11:3) Em Efésios 5:21-24, Cristo é identificado como "cabeça da congregação", aquele a quem ela "está sujeita". As Testemunhas de Jeová entendem que o escravo fiel e discreto é composto dos irmãos espirituais de Jesus. (Hebreus 2:10-13) Esta classe do escravo fiel foi designada para fornecer ao povo de Deus o espiritual "alimento no tempo apropriado". Neste tempo do fim, Cristo designou este escravo "sobre todos os seus bens". Portanto, a posição dele merece ser respeitada por aquele que afirma ser cristão."

Mais adiante, a revista esclarecia:

"O Corpo Governante é uma provisão amorosa e um exemplo de fé digno de ser imitado. (Filipenses 3:17; Hebreus 13:7) Por aderirem a Cristo e o seguirem como modelo, esses irmãos podem repetir as palavras de Paulo: "Não é que sejamos os amos de vossa fé, mas somos colaboradores para a vossa alegria, porque é pela vossa fé que estais em pé." (2 Coríntios 1:24) Por observar tendências, o Corpo Governante chama atenção para os benefícios de se acatar o conselho bíblico, dá sugestões sobre como aplicar as leis e os princípios bíblicos, adverte contra perigos ocultos e dá o necessário encorajamento aos "colaboradores". Desincumbe-se assim da mordomia cristã, ajuda-os a manter a alegria e edifica-os na fé, para que possam manter-se firmes. (1 Coríntios 4:1, 2; Tito 1:7-9) Quando uma Testemunha toma decisões baseadas no conselho bíblico dado pelo Corpo Governante, faz isso da sua própria vontade, porque seu próprio estudo da Bíblia a convenceu de que este é o proceder certo. Cada Testemunha é influenciada pela Palavra do próprio Deus para aplicar o sólido conselho bíblico dado pelo Corpo Governante, reconhecendo plenamente que as decisões que tomar afetarão a relação pessoal que tem com Deus, a quem se dedicou. — 1 Tessalonicenses 2:13." [10]

Apesar de se assumirem como "cristãos ungidos" pelo espírito santo de Deus, afirmam que são co-cristãos e não amos da fé de cada Testemunha de Jeová [11] . A classe do "escravo fiel e discreto" é o corpo governante, é reconhecida pelas Testemunhas como sendo o actual canal de comunicação de Deus [12] . Creem que são guiados pelo espírito santo de Jeová, mas não alegam ser infalíveis [13] , inspirados por Deus ou ter o dom de profetizar [14] , ao contrário do que atribuem aos escritores do texto bíblico. Os membros do Corpo Governante, bem como todos os outros que se consideram cristãos ungidos, reconhecem ser humanos imperfeitos e não se afirmam infalíveis, nem como pessoas nem no exercício das suas funções, e têm reconhecido erros relacionados com expectativas, determinadas doutrinas ou procedimentos. Algumas vezes reconhecem nas publicações da Sociedade Torre de Vigia que a sua visão sobre certos assuntos era incorreta e que se fizeram esforços para aprofundar conhecimentos bíblicos para se adotarem medidas mais compatíveis com a Verdade da Bíblia. Nas suas publicações costumam comparar tais alterações com o aumento de luz ao se aproximar a manhã, luz crescente essa que permite ver mais nitidamente o que sempre esteve presente mas se distinguia com dificuldade [15] . Com referência a este esclarecimento gradual, costumam citar o versículo bíblico de Provérbios 4:18:

"Mas a vereda dos justos é como a luz clara que clareia mais e mais até o dia estar firmemente estabelecido." (NM)

Ainda assim, as Testemunhas aceitam voluntariamente esta liderança porque, na sua perspetiva, o êxito da obra mundial orientada de uma forma unida pelo Corpo Governante só pode significar que merecem a aprovação divina.

Membros do Corpo Governante[editar | editar código-fonte]

São atuais membros do Corpo Governante, em ordem alfabética:

  • Anthony Morris III (desde 25 de agosto de 2005)
  • David H. Splane (desde 2 de outubro de 1999)
  • Geoffrey Jackson (desde 1 de setembro de 2005)
  • Gerrit Lösch (desde 1 de julho de 1994)
  • M. Stephen Lett (desde 2 de outubro de 1999)
  • Mark Sanderson (desde 1 de setembro de 2012)
  • Samuel F. Herd (desde 2 de outubro de 1999)
  • .A presidência das reuniões do Corpo Governante é rotativa por ordem alfabética e o seu mandato dura 1 ano. As decisões do Corpo Governante, sobre assuntos doutrinais e procedimentos organizacionais, são feitas por maioria de dois terços dos membros ativos. Antes de 1975, as suas decisões eram tomadas por unanimidade.

Lista de anteriores membros (1972 a 2014)[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c "Novos Membros do Corpo Governante", A Sentinela, 1 de Janeiro de 2000, página 29
  2. a b "Novos Membros do Corpo Governante", A Sentinela, 15 de Março de 2006, pagina 26
  3. "Novos Membros do Corpo Governante", A Sentinela, 1 de Novembro de 1994, página 29
  4. "Perdi um pai - Encontrei um Pai", A Sentinela, 15 de Julho de 2014, página 17-22
  5. "Um Novo Membro do Corpo Governante", A Sentinela, 17 de Julho de 2013, pagina 26.
  6. Interviews - 133rd Gilead Class (stated at video b. Mark Sanderson of Gov. Body)
  7. Anuário das Testemunhas de Jeová, de 1977, pág. 258-9; Testemunhas de Jeová - Proclamadores do Reino de Deus, pág. 234-5
  8. A Sentinela de 15 de Maio de 2008, página 29; A Sentinela de 15 de Junho de 2010, páginas 3 e 4
  9. A Sentinela de 15 de Março de 1998, páginas 18 a 23
  10. A Sentinela de 15 de Março de 1998, página 27
  11. A Sentinela de 1 de Março de 1978, página 21
  12. A Sentinela de 1 de Setembro de 1991, página 18
  13. As Testemunhas de Jeová - Unidas em Fazer Mundialmente a Vontade de Deus, publicado em 1989, página 26
  14. A Sentinela de 15 de Janeiro de 1994, página 16
  15. A Sentinela de 15 de Fevereiro de 2006, página 26

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Sites oficiais das Testemunhas de Jeová[editar | editar código-fonte]