Descarrilamento de Santiago de Compostela

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Descarrilamento de Santiago de Compostela
Imagem do socorro
Descrição
Data 24 de julho de 2013
Hora 20:42 CEST (18:42 UTC)[1]
Local Angrois, Santiago de Compostela, Galiza
Coordenadas 42° 51′ N 008° 31′ W
País Espanha
Linha MadridFerrol
Operador RENFE
Tipo de acidente Descarrilamento
Causa Excesso de velocidade
Estatísticas
Comboios/trens 1
Passageiros 218[2]
Mortos 79[3]
Feridos 140[4]

O descarrilamento de Santiago de Compostela foi um acidente ferroviário ocorrido em 24 de julho de 2013, quando um trem de alta velocidade do serviço Alvia que liga Madrid à cidade galega Ferrol, descarrilou em Angrois, três quilómetros antes de chegar à estação de Santiago de Compostela.

Das 222 pessoas a bordo (218 passageiros e quatro membros da tripulação), 80 morreram e 147 ficaram feridas[5] . Relatórios técnicos não oficiais afirmam que o trem viajava a uma velocidade que era o dobro do limite imposto para a curva onde descarrilou.

O acidente aconteceu na véspera do Dia Nacional da Galiza (dia do Apóstolo Santiago), tendo os festejos sido cancelados. Como consequência desta tragédia a Junta da Galiza (governo autônomo) decretou sete dias de luto.

Em número de vítimas, foi o terceiro mais grave acidente da história ferroviária em Espanha e o primeiro com mortes nas linhas de alta velocidade do país[6] .

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A viagem já decorria de forma anormal desde que a composição saiu de Ourense. O chamado sistema de travagem “homem morto”, que é accionado quando o maquinista passa algum tempo sem utilizar nenhum comando, foi activado duas vezes antes do acidente.

O comboio de alta velocidade Alvia, ainda antes do acidente, por duas vezes que foi travado de 110 quilómetros por hora para 48 quilómetros através do sistema “homem morto”.

O comboio saiu da estação de Ourense às 20h05 de dia 24 de Julho e entre as 20h08 e as 20h12, enquanto Francisco José Garzón accionava vários dispositivos técnicos, ficou na cabine com outra pessoa a conversar. Essa outra pessoa era o maquinista que deixou de estar aos comandos em Ourense, Javier Illanes. Nessa altura surgiu um aviso de uma avaria no sistema de ar condicionado e Illanes foi ver o que se passava, não voltando a ter contacto com Garzón até à hora do acidente. Renfe estranha que passageiros não tenham sentido

Às 20h15 o sistema de “homem morto”, criado para prevenir situações em que o maquinista sofre algum súbito problema de saúde, foi activado pela primeira vez e o comboio viu a velocidade reduzida de 110 quilómetros por hora para 48, já que o maquinista nada fez para parar o sinal sonoro e não deu indicações para mostrar que estava aos comandos. A cada 30 segundos o maquinista, conforme o comboio, deve por exemplo carregar num botão que assinala que está operacional.

Um minuto e 44 segundos depois acontece o mesmo e o comboio passa de 109 para 86 quilómetros por hora. Em alguns comboios, explica o El País, o sistema de “homem morto” pára totalmente o comboio, mas no Alvia o maquinista consegue que a composição retome logo a velocidade. Contudo, no relatório a Renfe diz estranhar a proximidade da actuação do sistema, sobretudo se o maquinista recuperou velocidade, e que os passageiros não tenham sentido o abrandamento brusco[7] .

Acidente[editar | editar código-fonte]

Às 20h41m hora local (18h41m UTC) de 24 de julho de 2013,[2] [8] um comboio da empresa ferroviária estatal RENFE Class 730 de passageiros que fazia a rota expresso entre a Estação Chamartín em Madrid e Ferrol descarrilou em Angrois, Santiago de Compostela.[4] [9] As 8 carruagens e os 2 cabeças tratores[10] saíram dos carris quando o trem entrou numa curva, e 4 delas capotaram.[9] O trem levava 218 passageiros.[2] Uma das carruagens ficou partida ao meio e outra incendiou-se. O excesso de velocidade é apontado como a principal causa do acidente.[11]

O balanço final de vítimas é de 80 mortos e 147 feridos.[12]

Causas[editar | editar código-fonte]

As conclusões da Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários, reveladas em 4 de junho de 2014, indicam que o descarrilamento do comboio deveu-se à velocidade da composição e à distração do maquinista.

Além da velocidade, a comissão considera ser uma causa adicional a falta de atenção do maquinista, que não usou o travão de forma adequada para reduzir a velocidade antes da entrada na curva.

No relatório os técnicos consideram que o telefonema para o seu telemóvel, que se prolongou durante 100 segundos, foi excessivo e contribuiu para a distração do maquinista. Durante esse período, o comboio percorreu 5540 metros em que o maquinista "não realizou parte da sua atividade normal de condução". O maquinista apenas respondeu 6000 metros antes do início da curva, o que impediu de iniciar a travagem no momento oportuno.[13]

Imagens[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências