Ferrol

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Espanha Ferrol
Ferrol
 
—  Município  —
Ferrol City.jpg
Brasão de armas de Ferrol
Brasão de armas
Ferrol está localizado em: Espanha
Ferrol
Localização de Ferrol na Espanha
43° 28' N 8° 15' O
Comunidade autónoma Galiza
Província Corunha
Fundação Siglo I a. C.
 - Alcaide Vicente Irisarri (PSdeG-PSOE)
Área
 - Total 81,9 km²
Altitude 0 - 50 m (-164 pés)
População (2013)
 - Total 71 232
    • Densidade 869,74/km2 
Gentílico: Ferrolano, na
Fuso horário CET (UTC+1)
 - Horário de verão CEST (UTC+2)
Código postal 1540*
Localização de Ferrol

Ferrol é um município espanhol situado no noroeste da Galiza, localizando-se a cerca de 50 quilómetros da capital provincial, Corunha. A área à sua volta e pela qual se espalha a sua influência é denominada Trasancos ou Ferrolterra, englobando vários concelhos vizinhos.

Segundo dados de 2013, terá cerca de 190.000 habitantes (area metropolitana) e 71.000 habitantes (cidade) e densidade populacional de 936,03 hab/km². O município abrange uma área de 81,9 km².

História e descrição[editar | editar código-fonte]

Ferrol é a localidade que viu nascer, entre outras, duas figuras capitais na história da Espanha moderna:

De importância unanimemente reconhecida na história cultural da Galiza do século XX, deve ser salientada a origem ferrolana de:

  • Ricardo Carvalho Calero, filólogo, crítico e autor literário nos mais diversos géneros (poesia, teatro, narrativa e ensaio), primeiro catedrático de Língua e Literatura Galega numa Universidade da Galiza. Nascido em 1910, foi o grande defensor no âmbito científico e académico da unidade linguística galego-portuguesa. Reconhecido oficialmente como Filho Predilecto de Ferrol e como Filho Ilustre da Galiza, faleceu a 25 de Março de 1990 em Compostela.

Em Ferrol morreram também centenas de lutadores antifranquistas desde o mesmo momento do golpe de estado de 1936, incluído o que tinha sido presidente da Câmara pelo PSOE durante a II República, Jaime Quintanilha. O Castelo de São Filipe e os cemitérios de Serantes e Canido foram os pontos em que mais fuzilamentos se registaram, muitos deles extra-judiciais, protagonizados pelas forças militares e esquadrões da morte fascistas. Ainda na década de 1970 do século XX, a polícia franquista assassinou dois operários (Amador Rei e Daniel Niebla) do estaleiro numa manifestação na cidade, em 1972, e um militante comunista e nacionalista galego José Ramom Reboiras Noia (Moncho Reboiras) em 1975.

Ferrol, vista ao entardecer

Quanto à arquitectura, ainda é visível em Ferrol o traçado medieval do bairro de Ferrol Velho, recentemente recuperado. Na Rua Espírito Santo ergue-se a elegante Fonte da Fama, de 1787. A marginal, orlada de palmeiras, conduz à Igreja Paroquial do Socorro, que guarda as imagens do Cristo dos Navegantes e da Virgem do Socorro, de grande devoção popular.

O esforço para fazer de Ferrol um centro militar e naval dotou a cidade de um grande arsenal. Aqui estão reunidos os melhores exemplos de arquitectura neo-clássica dos quais se destaca a Cortina uma muralha fortificada com 500 metros de comprimento que emerge da água para defender os Arsenais dos ataques marítimos. Ao mesmo tempo, ergueu-se o Castelo de São Filipe a construção militar mais importante de Ferrol, situado num ponto privilegiado da entrada da ria.

Se para os oficiais e técnicos foi construído, consoante critérios do racionalismo arquitectónico, o bairro da Madalena (século XVIII), para os operários dos estaleiros constrói-se no mesmo século, a partir de 1740, o bairro de Esteiro, um dos primeiros construídos na Europa para acolher a importante massa operária que trabalha, neste caso, na construção naval.

Fica na memória popular a resistência popular à tentativa de invasão inglesa em 1800, após desembarco na praia de Doninhos, com o intuito de destruir os arsenais, o que não conseguiram apesar da superioridade numérica da esquadra inglesa, sob comando do almirante Warren.

Os constantes bloqueios ingleses à entrada do comércio marítimo à ria de Ferrol provocou graves problemas à actividade portuária, até ser atingido um acordo entre os governos espanhol e inglês, que supôs o translado de numeroso pessoal militar para Cádis, no sul da Península, junto ao desmantelamento parcial dos arsenais. A crise decorrente provoca em 1810 um motim de mulheres, liderado por Antónia Alarcón, contra o desemprego e a falta de pagamento de ordenados em atraso, que assaltam o Departamento, acedem ao arsenal e matam o general Vargas, responsável pela crise, arrastando e abandonando finalmente o cadáver nas ruas da cidade.

A repressão que se seguiu foi muito forte e custou a vida à própria Antónia Alarcón, decapitada para deixar exposta a cabeça durante dias à vista do povo, como brutal medida exemplarizante.

Outros episódios históricos dam carácter a Ferrol como um dos principais pólos da luta operária no século XX. De facto, é nesta cidade que é convocada a primeira greve acontecida no Estado espanhol durante o franquismo, em 1946, ficando conhecida como 'a Greve do Azeite'. Provocada pela supressão, no pagamento em espécie que recebiam os operários dos estaleiros, do azeite recebido cada mês, conclui com uma dura repressão e numerosos operários punidos pelo desafio às autoridades franquistas.

Saliente-se ainda a criação, em 1881, da Escola de Artes e Ofícios, primeira do seu género aberta na Galiza de fins do século XIX.

Dignos de interesse são construções como o Museu Naval, a Porta do Dique e a Porta do Parque, que dão acesso ao recinto dos Arsenais. Estas construções implicaram um grande número de operários, que Ferrol Velho já não comportava. Nasceram assim o Bairro de Esteiro, hoje em grande parte convertido em campus universitário, e o Bairro da Madalena, um notável exemplo de arquitectura racionalista da segunda metade do século XVIII[1] , declarado conjunto histórico-artístico em 1983.

Entre os edifícios de maior interesse estão a Concatedral de São Julião, construção neoclássica do século XVIII, a Igreja de São Francisco , O Parador Nacional de Turismo e o Teatro Jofre, um dos teatros mais importantes da Península (concluído em 1892). Na linha costeira encontram-se excelentes praias como: Covas, São Jurjo, Ponços ou Doninhos, nome também de uma lagoa com fauna e flora interessantes.

Ferrol conta ainda com uma boa oferta de entretenimentos, de actividades culturais a restaurantes, bares e discotecas. A diversão é também assegurada pelas festas populares , como as Festas de São Julião a 7 de Janeiro, o Carnaval e Semana Santa, entre outras.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Variação demográfica do município entre 1991 e 2004
1991 1996 2001 2004 2013
83045 83048 77950 77859 71232

Notas

  1. A aprovação do plano pelo rei Carlos III aconteceu no ano de 1761.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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