Divisão Militar da Guarda Real de Polícia

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Divisão Militar da
Guarda Real de Polícia

Armas Reino Unido Portugal Brasil Algarves.svg
Organização
Atribuições Segurança pública
Dependência Intendência Geral de Polícia da Corte e do Estado do Brasil
Chefia José Maria Rebello de Andrade Vasconcellos e Souza,
1º comandante
Localização
Jurisdição territorial Bandeira Reino Unido Portugal Brasil Algarve.svg Brasil
Sede Rio de Janeiro
Histórico
Criação 13 de maio de 1809
Extinção 17 de junho de 1831
Sucessores Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro e Corpo de Guarda Municipais Permanentes
Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro
e atual Polícia Militar do Distrito Federal (Brasília)

A Divisão Militar da Guarda Real de Polícia ou simplesmente Guarda Real da Polícia (GRP) foi criada em 1809, no Rio de Janeiro, pelo Príncipe Regente de Portugal D. João (futuro Rei D. João VI).

A Guarda Real da Polícia é a antecessora das atuais polícias militares estaduais do Brasil em geral e da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e da atual Polícia Militar do Distrito Federal em particular.

História[editar | editar código-fonte]

No início do século XIX, como consequência das invasões francesas que assolavam em Portugal, a Família Real Portuguesa, juntamente com sua corte, decidem se mudar para o Brasil. Aqui chegando, a Corte instalou-se na cidade do Rio de Janeiro, iniciando a reorganização do Estado no dia 11 de março de 1808, com a nomeação de ministros.

A segurança pública, na época, era executada pelos chamados "quadrilheiros", corpo tradicional, existente desde a Idade Média, responsável pelo policiamento urbano das cidades e vilas de Portugal, e que foi estendido ao Brasil colonial. Eles eram responsáveis pelo policiamento das 75 ruas e alamedas da cidade do Rio de Janeiro. Com a chegada dessa "nova população", os quadrilheiros não eram mais suficientes para fazer a proteção da Corte, então com cerca de 60000 pessoas, sendo mais da metade escravos.

Em 13 de maio de 1809, dia do aniversário do Príncipe Regente D. João criou a Guarda Real da Polícia do Rio de Janeiro, sendo esta formada por 218 guardas com, organização, armas e trajes idênticos aos da Guarda Real da Polícia de Lisboa. Era composta por um estado-maior, três companhias de infantaria e uma companhia de cavalaria. Seu primeiro comandante foi José Maria Rebello de Andrade Vasconcellos e Souza, ex-capitão da Guarda de Portugal. Como seu auxiliar foi escolhido um brasileiro nato, o major de milícias Miguel Nunes Vidigal.

A Guarda Real da Polícia teve participação decisiva em momentos importantes da história brasileira como, por exemplo, na Independência do país. No início de 1822, com o retorno de Dom João VI a Portugal, começaram as articulações para tornar o Brasil um país independente. A Divisão Auxiliar do exército português, estacionada no Rio de Janeiro, por ordem das Cortes, tentam forçar a volta do então príncipe Dom Pedro I, para que este jure a nova Constituição, ao que a tropa Guarda Real de Polícia, sob o comando do major Manoel dos Santos Portugal, a afronta e faz com que a mesma não só desista da ação, mas também retorne à Portugal. Meses depois, ao lado da princesa Dona Leopoldina e do ministro José Bonifácio de Andrade e Silva, a corporação manteve a ordem pública na cidade de forma coesa e fiel ao príncipe, enquanto ele viajava às terras do atual estado de São Paulo.

Quando da independência do Brasil e sua transformação em Império, teve sua denominação alterada para Imperial Guarda de Polícia e atuou na contenção de diversas rebeliões, tanto na capital imperial quanto nos diversos pontos do país. Com a situação sui generis da província do Rio de Janeiro, que foi administrada desde a transferência da capital do estado do Brasil para a cidade do Rio de Janeiro diretamente pelo governo central, o policiamento das cidades do interior fluminense também estavam sob a responsabilidade desta Guarda e de antigos quadrilheiros que ainda se mantinham responsáveis pelas vilas, mas agora sendo assistidos pelas autoridades da corte.

Em 10 de outubro de 1831, por por ato do regente Diogo Feijó, a Imperial Guarda de Polícia é transformada no Corpo de Guardas Municipais Permanentes, o qual passa, a partir do ano de 1835, a não mais ser responsável pelo policiamento das áreas do interior e baixadas fluminenses, já que, após a promulgação do Ato Adicional, separa-se a capital imperial do restante da província, que passa a ter governo próprio, e que tão logo é possível organiza a Guarda Policial da Província do Rio de Janeiro, a exemplo do que ocorreu nas demais províncias brasileiras.

As denominações que se seguiram a essa mudança, ao longo dos anos, foram: Corpo Municipal Permanente da Corte (1842), Corpo Policial da Corte (1858), Corpo Militar de Polícia da Corte (1866), Corpo Militar de Polícia do Município Neutro (1889), Regimento Policial da Capital Federal (1890), Brigada Policial da Capital Federal (1890), Força Policial do Distrito Federal (1905), Brigada Policial do Distrito Federal (1911), Polícia Militar do Distrito Federal (1920), e Polícia Militar do Estado do Guanabara (1960), resultado de diversas reorganizações estruturais e mesmo de mudanças político-institucionais ocorridas ao longo dos anos, até o retorno da cidade do Rio ao antigo estado, no ano de 1975. Atualmente as Polícias Militares do Estado do Rio de Janeiro e do Distrito Federal (Brasília) compartilham da mesma História.

Referências[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]