Elizabeth Gaskell

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Elizabeth Gaskell
Elizabeth Gaskell: 1832 retrato por William John Thomson
Nacionalidade Flag of the United Kingdom.svg britânica
Data de nascimento 29 de setembro de 1810
Local de nascimento Chelsea
Data de falecimento 12 de novembro de 1865 (55 anos)
Local de falecimento Holybourne, Hampshire
Ocupação Romancista
Período de atividade 1848–1865
Cônjuge William Gaskell

Elizabeth Cleghorn Gaskell, sobrenome de solteira Stevenson (Chelsea, 29 de setembro de 1810Holybourne, Hampshire, 12 de novembro de 1865), muitas vezes chamada simplesmente de Mrs Gaskell, foi uma romancista e contista britânica durante a Era vitoriana. Seus romances oferecem um retrato detalhado das vidas de muitos estratos da sociedade, incluindo os muito pobres, e como tal são de interesse para os historiadores sociais, bem como para os amantes de literatura.[1]

Juventude[editar | editar código-fonte]

Gaskell nasceu Elizabeth Stevenson em 29 de setembro de 1810, no número 93 da rua Cheyne Walk, em Chelsea, que ficava, então, nos arredores de Londres. Gaskell foi a oitava e última criança de seus pais; apenas ela e seu irmão John sobreviveram à infância. Seu pai, William Stevenson, era um ministro escocês unitarista em Failsworth, Lancashire, mas renunciou às suas ordens por motivos de consciência, mudando-se com sua família para Londres em 1806 com a intenção de seguir para a Índia depois de ter sido nomeado secretário particular do Conde de Lauderdale, que viria a se tornar Governador-geral da Índia. Esta posição não se materializou, e Stevenson foi nomeado Guardião dos Arquivos do Tesouro. A esposa de Stevenson, Elizabeth Holland, veio de uma família da região de Midlands que era bem relacionada com proeminentes famílias unitaristas, como os Wedgwoods, os Turners e os Darwins, e quando ela morreu três meses após dar à luz a Gaskell, deixou um marido perplexo quem não viu outra alternativa para a jovem Elizabeth, senão enviá-la para viver com a irmã de sua mãe, Hannah Lumb, em Knutsford, Cheshire.[2]

Enquanto ela crescia, o futuro de Gaskell era muito incerto já que não possuía riquezas e residência fixa, mesmo sendo uma convidada permanente na casa de sua tia e na de seus avós. Seu pai se casou novamente com Catherine Thomson em 1814 e o casal teve um herdeiro, William (nascido em 1815) e uma filha, Catherine (nascida em 1816). Embora Gaskell, às vezes passasse vários anos sem ver seu pai e sua nova família, seu irmão mais velho John costumava visitá-la em Knutsford. John bem cedo foi destinado à Marinha Real Britânica, assim como tinha sido com seu avô e tios, mas ele não ingressou e teve que seguir para a Marinha mercante com a frota da Companhia Britânica das Índias Orientais.[3] John desapareceu em 1827 durante uma expedição à Índia.

Grande parte da infância de Elizabeth foi passada em Cheshire, onde morava com sua tia Hannah Lumb em Knutsford, uma cidade que ela viria a imortalizar em Cranford. Moravam em uma casa grande de tijolos vermelhos, Heathwaite, em Heathside (atual Gaskell Avenue), que fica em uma grande área aberta de Knutsford Heath.

Ela também passou algum tempo em Newcastle upon Tyne (com a família do reverendo William Turner) e em Edimburgo. Sua madrasta era irmã do pintor escocês William John Thomson, que pintou o retrato famoso em 1832 de Gaskell, em Manchester. Também durante este período, Gaskell conheceu e casou com William Gaskell, o ministro da Cross Street Chapel, que tinha uma carreira literária de sua autoria. Eles passaram a lua de mel em Gales do Norte, na casa do tio de Elizabeth, Samuel Holland, que morava perto de Porthmadog.

Vida de casada e Plymouth Grove[editar | editar código-fonte]

Elizabeth Gaskell: 1851 retrato de George Richmond.

Os Gaskells estabeleceram-se em Manchester, onde o ambiente industrial ofereceria inspiração para seus romances (no gênero industrial). Eles tiveram vários filhos: uma filha natimorta em 1833, seguida por Marianne (1834), Margaret Emily (1837), conhecida como Meta, Florence Elizabeth (1842), um amado filho William (1844-1845) - cuja morte trágica tornou-se um catalisador para os escritos de Gaskell (por recomendação de seu marido) e Julia Bradford (1846). Sua filha Florence casou com um advogado, Charles Crompton, em 1862.

Eles alugaram uma casa em Plymouth Grove em 1850, após a publicação do primeiro romance de Gaskell, e Gaskell viveu na casa com sua família até sua morte quinze anos depois.[4] Todos os livros de Gaskell foram escritos em Plymouth Grove, enquanto seu marido realizava comitês de bem-estar e tutelava os pobres em seus estudos. Os círculos em que os Gaskells frequentavam incluíam grandes literários, dissidentes religiosos e reformadores sociais, incluindo William e Mary Howitt. Charles Dickens e John Ruskin visitaram Plymouth Grove, assim como os escritores americanos Harriet Beecher Stowe e Charles Eliot Norton, enquanto o maestro Charles Hallé morou perto e ensinou piano para uma das quatro filhas de Gaskell. A amiga íntima Charlotte Brontë é conhecida por ter ficado lá por três vezes, e em uma ocasião se escondeu atrás das cortinas da sala uma vez que era tímida demais para se encontrar com as visitas de Gaskell.[5]

Gaskell morreu em Holybourne, Hampshire em 1865, aos 55 anos. A casa em Plymouth Grove permaneceu com a família Gaskell até 1913.

A casa da família Gaskell, em Plymouth Grove, está sendo reformada, o exterior recentemente tenha sido concluído, porém o seu telhado de chumbo foi recentemente roubado. Os esforços para angariar fundos estão em andamento para que o interior também possa ser restaurado em seu estado original[6]

Em 25 de setembro de 2010, um memorial para Gaskell foi dedicado em Poets' Corner na Abadia de Westminster. Ele tem a forma de um painel na janela do memorial Hubbard, acima do túmulo de Geoffrey Chaucer. O painel foi dedicado por sua trineta Rosemary Dabbs e uma coroa de flores foi colocada no local.[7]

Estilo literário e temas[editar | editar código-fonte]

O primeiro romance de Gaskell, Mary Barton, foi publicado anonimamente em 1848. Os mais conhecidos dos seus romances restantes são: Cranford (1853), North and South (1855), e Wives and Daughters (1865). Ela se tornou popular por sua escrita, especialmente suas histórias de fantasmas, auxiliada por Charles Dickens, que publicou seu trabalho em sua revista Household Words. Suas histórias de fantasmas são bastante distintas, no estilo "gótico", de sua ficção industrial.

Mesmo que sua escrita esteja de acordo com convenções vitorianas (incluindo assinar o seu nome "Mrs. Gaskell"), Gaskell normalmente emoldura suas histórias com críticas de atitudes contemporâneas: suas primeiras obras focaram no trabalho das fábrica em Midlands. Sempre enfatizou o papel das mulheres, com narrativas complexas e dinâmicas personagens femininas.[8]

Além de sua ficção, Gaskell também escreveu a primeira biografia de Charlotte Brontë, que desempenhou um papel significativo no desenvolvimento de sua reputação de escritora.

Temas[editar | editar código-fonte]

O Unitarismo pede compreensão e tolerância para com todas as religiões e, apesar de Gaskell tentar manter suas próprias crenças ocultas, sentia fortemente esses valores, que permeavam suas obras, como em North and South, onde "Margaret a mulher da igreja, seu pai, o dissidente, Higgins, o infiel, ajoelham-se juntos. Isso não lhes fez mal".[9] [10]

Uso de dialeto[editar | editar código-fonte]

O estilo de Gaskell é notável para colocar palavras do dialeto local na fala de personagens da classe média e do narrador. Seu marido coletava o dialeto de Lancashire, e Gaskell defendeu seu uso do dialeto como a expressão de conceitos de outra forma inexprimível em uma carta de 1854 a Walter Savage Landor.

Publicações[editar | editar código-fonte]

Romances[editar | editar código-fonte]

Novelas e coleções[editar | editar código-fonte]

Contos (parcial)[editar | editar código-fonte]

Não ficção[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. "Children in Early Victorian England: Infant Feeding in Literature and Society 1837–1857." Tropical Pediatrics and Environmental Child Health August 1978
  2. Arthur Pollard. Mrs. Gaskell: Novelist and Biographer. [S.l.]: Manchester University Press, 1965. p. 12. isbn=0-674-57750-7.
  3. Winifred Gérin. Elizabeth Gaskell. [S.l.]: Oxford University Press, 1976. 10–17 pp. isbn=0-19-281296-3.
  4. Uglow J. Elizabeth Gaskell: A Habit of Stories (Faber and Faber; 1993) (ISBN 0-571-20359-0)
  5. Nurden, Robert (26 de março de 2006), An ending Dickens would have liked, "Independent", The Independent (Londres), http://arts.independent.co.uk/books/features/article353793.ece .
  6. Elizabeth Gaskell's house damaged after lead theft BBC News (11 de maio de 2011).
  7. "Elizabeth Gaskell" at westminster-abbey.org
  8. Excluding Reference to Gaskell's Ghost Stories, Abrams, M.H., et al. (Eds.) "Elizabeth Gaskell, 1810–1865". The Norton Anthology of English Literature, The Major Authors: The Romantic Period through the Twentieth Century, 7th ed., Vol. B. Nova Iorque, Londres: W.W. Norton & Company, 2001. ISBN 0-393-97304-2. DDC 820.8—dc21. LC PR1109.N6.
  9. Elizabeth Gaskell. North and South. [S.l.]: Penguin Popular Classics, 1854-5. p. 277. isbn 978-0-14-062019-1.
  10. Angus Easson. Elizabeth Gaskell. [S.l.]: Routledge & Kegan Paul Ltd, 1979. 12–17 pp. isbn 0-7100-0099-5.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Geral e miscelânea[editar | editar código-fonte]

Locais[editar | editar código-fonte]