Ernesto Canto da Maia

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Ernesto do Canto Faria e Maia (Ponta Delgada, 15 de Maio de 1890Ponta Delgada, 5 de Abril de 1981 (90 anos)), mais conhecido pelo nome artístico de Canto da Maia ou Canto da Maya, foi um escultor açoriano que conseguiu grande projecção nacional e internacional como introdutor do modernismo figurativo e como cultor das artes decorativas, com destaque para as figurinhas em terracota e o gesso pintado. Foi inicialmente um cultor da Art Déco, enveredando depois por um academismo nacionalista, embora com traços de modernismo, passando a assinar como Canto da Maya e dedicando-se a obras de cunho marcadamente ideológico, influenciadas pela deificação dos heróis da gesta colonial promovida pelo Estado Novo.

Índice

[editar] Biografia

Ernesto do Canto Faria e Maia nasceu em Ponta Delgada, a 15 de Maio de 1890, filho de António Cardoso Machado de Faria e Maia, o filho mais novo de Francisco Machado de Faria e Maia, 1.º visconde de Faria e Maia, e de Maria Ernestina Leite do Canto, filha do intelectual e historiador Ernesto do Canto. Esta origem familiar deu-lhe o desafogo financeiro e o ambiente culto e estimulante que lhe permitiram desde cedo enveredar por uma carreira totalmente voltada para as artes. Canto da Maia apontaria como determinante a influência de sua mãe, uma mulher culta e com grande apreço pela carreira artística do filho.

Canto da Maia terminou os seus estudos liceais em 1907, no Liceu de Ponta Delgada, matriculando-se no ano imediato na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Naquela Escola concluiu o Curso Geral e matriculou-se seguidamente no curso de Arquitectura. Durante este período de estudos em Lisboa realiza uma série de pequenas esculturas (entre as quais Caresse étrange, Vendendo-se e Amor fácil), marcadas pelo seu estilismo Art Déco, que assina como Ernesto do Canto.

Em 1912 participa na Primeira Exposição dos Humoristas Portugueses, ao lado de artistas como Cristiano Cruz, Jorge Barradas e Almada Negreiros, naquela que pode ser considerada como a primeira manifestação das correntes estilísticas do Modernismo em Portugal. Nesse mesmo ano parte para Paris, onde é aluno de Antonin Mercié, na Escola de Belas-Artes, e de Antoine Bourdelle, num curso particular.

No ano seguinte, 1913, participa em Lisboa na Segunda Exposição de Humoristas Portugueses e no Salão de Humoristas realizado no Palais de Glace de Paris, cidade onde estuda.

Com o objectivo de estagiar com o professor James Vibert, um dos expoentes da art noveau suíça, frequenta a Escola de Belas-Artes de Genebra, cultivando um estilo escultórico muito próximo da arte nova que então despontava na Europa. São deste período muitas das figurinhas de terracota e de gesso que compõem o melhor da sua obra escultórica.

Em 1916 parte para Madrid, onde durante um ano trabalha com o escultor Julio Antonio Rodríguez Hernández, regressando novamente a Paris no final do ano, onde se fixa e inicia uma carreira artística autónoma. Permanece naquela cidade até 1938, ano em que os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial o obrigam a partir para Lisboa. Neste período produziu diversas obras de caracter decorativo, algumas das quais mereceram bom acolhimento pela crítica de arte e lhe granjearam prémios de prestígio.

Em 1919 casou com Louise Mathilde Biderbost, que será seu modelo em muitas obras.

A sua grande composição escultórica O Hino do Amor foi adquirida em 1936 pelo Governo francês, para a Galeria Nacional do Jeu de Paume, onde figura. As obras apresentadas na Exposição de 1938 também mereceram grande aplauso e o Grand Prix da classe de Escultura.

O seu baixo-relevo A Família em Portugal, uma interpretação plástica duma frase de António de Oliveira Salazar, executado em 1937/1938, esteve patente na Exposição Internacional de Nova Iorque de 1939, sendo bem recebida pela crítica internacional.

Em 1938, casa com uma exilada russa, Vera Wladimirovna Pouritz, e instalou-se em Lisboa, voltando a Paris em 1946, terminada a Guerra. A partir daí passa a viver entre Paris e Lisboa, trabalhando e expondo em ambas as cidades. Em Lisboa, o seu trabalho escultórico marcou sobretudo a década de 1940, com destaque para o seu grupo escultórico D. Manuel I com Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral (com 3 m de altura), de 1940, considerada pela crítica como a melhor peça escultórica da Exposição do Mundo Português, Mercem também destaque as expressivas estátuas de Gonçalves Zarco, Nuno Tristão, Gil Eanes e João Vaz Corte-Real, executadas para ornamentar a praça à beira Tejo frente à Torre de Belém e cujos modelos foram apresentados na Exposição de Obras Públicas, de 1948, realizada no Instituto Superior Técnico.

Regressou definitivamente aos Açores no ano de 1954, fixando-se na sua cidade natal de Ponta Delgada. Com esta decisão fechava-se o círculo da vida de um dos artistas açorianos de maior projecção internacional e o mais internacional escultor português da primeira metade do século XX. Ao fazer a sua vida entre a ilha de São Miguel e Paris ligou numa única vivência dois pólos aparentemente tão diferentes e distantes, mas para Canto da Maia complementares: a ilha mãe, centro de afectos e de experiências infantis, e Paris, centro artístico mundial, lugar de todas as experiências e todas as afirmações.

Faleceu em Ponta Delgada a 5 de Abril de 1981. A cidade de Ponta Delgada dedicou-lhe uma das suas artérias e é o patrono de uma das suas principais escolas, a Escola Básica Integrada Canto da Maia. Também Lisboa lhe dedica a toponímia de uma das suas ruas, na freguesia de Campolide.

Canto da Maia está representado em diversas colecções públicas e particulares, com destaque para a Galerie nationale du Jeu de Paume, em Paris, e para o Palácio de Santana, em Ponta Delgada. Em 1976 realizou-se uma exposição retrospectiva em sua honra no Museu Carlos Machado em Ponta Delgada, que lhe reservou a partir de 1979 uma sala de exposição permanente. Também o Museu do Chiado (Lisboa) conta, entre o acervo do antigo Museu Nacional de Arte Contemporânea, obras representativas de Canto da Maia, o mesmo acontecendo com o Museu da Guarda.

[editar] Obras mais relevantes

[editar] Prémios e distinções

Ao longo da sua carreira, Canto da Maia recebeu um impressionante conjunto de prémios e distinções, dos quais os mais relevantes são:

[editar] Biocronologia de Canto da Maia

Referências

  • Paulo Henriques (comissário), Canto da Maia. Escultor, Instituto Português do Património Arquitectónico, Galeria do Rei Dom Luís, Lisboa, 1991.
  • -----, Canto da Maia - Centenário do seu nascimento (1890/1990), Escola Preparatória Canto da Maia e Museu Carlos Machado, Ponta Delgada, 1990.
  • -----, Canto da Maya: 1890-1990, Museu Carlos Machado, Ponta Delgada, 1990.
  • Onésimo Teotónio Almeida, Canto da Maya, Introduction to the Catalogue of the Art Exhibit of the Works

of Canto da Maya, Centre Culturel Portugais/Foundation C. Gulbenkian, Paris, 1995.

[editar] Ligações externas

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