Nuno Tristão

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Nuno Tristão
Morte 1446
Nacionalidade  Portugal
Ocupação Navegador

D. Nuno Tristão (? – costa de África, 1446?) foi um navegador português do século XV, explorador e mercador de escravos na costa ocidental africana. Foi o primeiro europeu que se sabe ter atingido o território da actual Guiné Bissau, iniciando entre os portugueses e os povos daquela região um relacionamento comercial e colonial que se prolongaria até 1974.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Criado desde menino e educado na Câmara do Infante D. Henrique, de cuja Casa foi Cavaleiro, e por este esclarecido Príncipe destinado aos Descobrimentos, do qual Gomes Eanes de Azurara diz ter sido "o primeiro fidalgo que viu terra de negros", foi homem de grande valor que serviu aquele Príncipe nos Descobrimentos da Costa da Guiné.[1] [2]

Em 1441, Nuno Tristão e Antão Gonçalves foram enviados pelo Infante D. Henrique com a missão de explorar a costa ocidental da África a sul do Cabo Branco. Integrando um mouro que actuava como intérprete, a expedição liderada por Nuno Tristão ultrapassou aquele Cabo, à altura o ponto mais meridional atingido pelos exploradores europeus, e durante dois anos permaneceu nas águas do noroeste africano, avançando até ao Golfo de Arguim, na actual costa da Mauritânia, onde adquiriram 28 escravos.

Em 1445 navegou até à região da Guiné, encontrando uma terra, que, em contraste com as regiões desérticas a norte, existiam muitas palmeiras e outras árvores e os campos pareciam férteis. Em 1446 Nuno Tristão desembarcou nas proximidades da actual cidade de Bissau, iniciando uma presença portuguesa na região que se prolongaria por quase 500 anos.

Nuno Tristão foi morto pelo gentio em data desconhecida, provavelmente no ano de 1446, durante um assalto destinado à captura de escravos, ocorrido na costa africana, cerca de 320 km a sul do Cabo Verde, no Rio do Ouro, que se ficou a chamar Rio do Tristão.

Viveu em Lagos.

Casamento e descendência[editar | editar código-fonte]

"Casou Nuno Tristão, ignorando-se o nome da mulher, havendo porém a certeza que casou porque a história nos diz que o Infante D. Henrique doou à viúva do seu cavaleiro Nuno Tristão, rendas suficientes para viver."[3] Recentes descobertas dão por seu nome Beatriz Lourenço, a qual, sendo viúva, houve tença, que lhe deu o Infante. Do matrimónio nasceu João Infante, cujo apelido tomou por se criar na Casa do Infante D. Henrique, ou por seu pai o ter por alcunha, tendo usado nesse caso o nome Nuno Tristão Infante.[1] [2]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

A Câmara Municipal de Lagos colocou, em 18 de Fevereiro de 1987, o seu nome numa rua da Freguesia de São Sebastião.[4] [5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b "Livro de Oiro da Nobreza", Domingos de Araújo Affonso e Ruy Dique Travassos Valdez, J. A. Telles da Sylva, 2.ª Edição, Lisboa, 1988, Tomo III, p. 156
  2. a b "Armorial Lusitano", Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 3.ª Edição, Lisboa, 1987, p. 279
  3. "História e Genealogia", Affonso de Dornellas, Tomo III, p. 36 - "Infantes - Subsídios para o Estudo da Origem desta Família"
  4. Freguesia de São Sebastião. Câmara Municipal de Lagos. Página visitada em 17 de Novembro de 2012.
  5. Ferro, 2002:435

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FERRO, Silvestre Marchão. Vultos na Toponímia de Lagos. 2.ª ed. Lagos: Câmara Municipal de Lagos, 2007. 358 p. ISBN 972-8773-00-5
  • CASTLEREAGH, Duncan. Encyclopedia of Discovery and Exploration: The Great Age of Exploration. London: Aldus Books, 1971.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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