Cristóvão de Mendonça

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Cristóvão Furtado de Mendonça (1??? - Ormuz, 1530) foi um nobre e explorador português. É-lhe atribuído o descobrimento português da Austrália, entre outros feitos.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de D. Diogo Furtado de Mendonça, Alcaide-mor de Mourão, Anadel-mor de besteiros, e sua esposa, Brites Soares de Albergaria. A outra filha do casal, D. Joana, foi desposada por D. Jaime, 4o. duque de Bragança. Cristóvão de Mendonça desposou Da. Maria de Vilhena F. Sancho de Tovar, não tendo o casal tido descendência[1] .

Seguiu para o Oriente na armada de 14 naus que, sob o comando de Jorge de Albuquerque, partiu de Lisboa a 23 de Abril de 1519. Comandava a nau "Graça" que, por motivo de invernada, só alcançou a Índia em 1520. A "Relação dos navios que servem na Índia" confirma que esteve em Goa, a capital do Estado Português da Índia, em 1521:

"(...) Navios de Goa (...) Item, ho bargantym em que andava ho Barbudo.
Este bargantym levou Cristóvão de Mendonça.
Estes navios acheii em Goa quando por hi pasamos o ano passado [1521] e os tenho em meu livro. (...)"[2]

A mesma fonte indica a partida de Mendonça em uma expedição para a descoberta da chamada "Ilha do Ouro":

"(...) (1522) Armada de Cristovam de Mendonça que foy descobrir a ilha do ouro no ditto tempo.
Item, ho navyo Sam Christovam em que elle vaii
Item, a caravella Rosayro capitão Pedr'Eanes Francces[3]
Item, ho bragantym Sant'Antonio capitão Francisco Pereira
Item, hum parao capitão Gonçalo Homem que he seu e carrega-se a custa dell reii per hordenança do governador que ho asy requereo por ho aver por seu serviço pêra este descobrimento. (...)[4]

Embora se desconheça a duração e percurso da viagem, em Março ou Maio de 1524 Mendonça aportou ao cabo da Boa Esperança[5] .

A viagem teria sido mantida em sigilo à época, uma vez que esta exploração violaria o estabelecido no Tratado de Tordesilhas (1492), pelo qual a região (e suas riquezas) estaria nos domínios da Espanha[6] . Uma destas embarcações pode ser o denominado "Mahogany Ship" (em língua portuguesa, "navio de mogno"), como é conhecido no folclore australiano, que teria naufragado nas proximidades de Warrnambool, Victoria.

Em notícia publicada pelo jornal australiano The Sydney Morning Herald (19 de Março de 2007), o jornalista Peter Trickett reforça os factos de que foram os portugueses, sob o comando de Cristóvão de Mendonça, os primeiros europeus a chegar à Austrália, ainda em 1522, quase duzentos e cinquenta anos antes de James Cook (1770). Num dos mapas mais intrigantes do Atlas de Nicholas Vallard (c. 1547), Trickett constatou, com a ajuda de um computador, que se se rodasse em 90º uma metade do mapa, conseguiria coincidir as costas leste e sul australianas em extraordinário detalhe. Além disso, este mapa em particular regista cento e vinte nomes de localidades escritos em português e não em inglês ou noutra língua qualquer. A origem deste mapa-múndi foi a cidade de Dieppe, na França - por isso, estes mapas são também conhecidos por "Mapas de Dieppe".

Cristóvão de Mendonça teria estado envolvido na construção de fortes em Samatra, como alguns documentos da época indicam. As ruínas de uma estrutura na Austrália, junto a grutas escavadas para exploração de minério, parecem indicar a existência de um forte no local, também atribuído a Cristóvão de Mendonça[carece de fontes?].

Em 1528 era Capitão-mor da Fortaleza de Ormuz[7] .

Os fortes na zona de Ormuz (de Socotorá, Iémen, a Baçorá, Iraque) foram construídos em duas fases:

  • em 1507, quando Albuquerque conquistou a região; e
  • em 1523, quando Cristóvão de Mendonça retornou da Austrália e foi nomeado Capitão de Ormuz.

A maior parte dos fortes estão localizados no Golfo de Omã, na costa norte de Omã (Qalhat, Quriyat, Jalali & Mirani, Matrah, Seeb, Barka, Sohar), e um na costa Este dos Emirados Árabes Unidos (Khawr Fakkan), embora um deles tivesse sido construído no Mar Arábico (ilha de Socotorá, Iémen), outro na Península de Musandam (pertencente a Oman-Khasab), e outro na ilha de Queixome no estreito de Ormuz (pertencente ao Irão) e outros ainda nas costas a sul do Golfo Arábico/Persa, espalhados pelos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Barém e Iraque.

Junto a antigas minas na ilha de Masirah, no mar Arábico, também se encontram as ruínas de um forte. Vários autores acreditam tratar-se das ruínas de um forte português do século XVI, e que provavelmente Cristóvão de Mendonça também tenha estado envolvido na exploração destas minas[carece de fontes?].

Notas

  1. GAYO, M. Filgueiras. Nobiliário das famílias de Portugal (v. VII). Braga, 1989. p. 295.
  2. Relação dos Navios que servem na Índia, 11 de Maio de 1522. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, cc. III, maço 7, doc. 103. in: SILVA REGO, A. Documentos sobre os Portugueses em Moçambique e na África Central. Lisboa, 1969.
  3. De alcunha "Francês"
  4. Op. cit.
  5. Conforme uma inscrição epigráfica descoberta na região do cabo, com as dimensões de 0,25 x 0,10cm que reza: "NRI (?) VEO A VITORIA (O CA) / PITAM xPVOM DE M(EN) / DOCA AOS 25 DE MA(RÇO, IO?) / DE 524,ESTAM QEDA BO(...) / (...) DOS DE(.) AVRE(...)" In: Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos, nr. 4, p. 17-18, Julho de 1990.
  6. ROUTERS: Descoberto mapa com terra australiana cartografada com nomes portugueses
  7. D. Frei Francisco de São Luís. Índice Cronológico das Navegações e Viagens. Lisboa, 1841. p. 145.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CASTRO, Nuno de. A Descoberta da Austrália pelos Portugueses. Revista do Clube Naval, ano 114, nr. 335, Jul-Ago-Set, 2005. p. 40-47. ISSN 0102-0382
  • McINTYRE, Kenneth Gordon. The secret discovery of Australia. Portuguese ventures 200 years before Captain Cook. 1977.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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