Nicolau Coelho

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Nicolau Coelho
Nascimento ca. 1460
Felgueiras
Morte 1504 (44 anos)
Moçambique
Nacionalidade Portugal Português
Cidadania Portuguesa

Nicolau Coelho (Felgueiras, ca. 1460 — ao largo de Moçambique, 1504) foi um navegador português que participou em célebres navegações.

Participou na descoberta do caminho marítimo para a Índia com Vasco da Gama, sendo o primeiro a regressar ao comando da caravela Bérrio. Em 1500 comandou uma nau na segunda armada à Índia de Pedro Álvares Cabral que descobriu o Brasil. Morreu no mar em local desconhecido, ao regressar da Índia sob o comando de Francisco de Albuquerque, possivelmente ao largo de Moçambique.

Família[editar | editar código-fonte]

Nicolau Coelho nasceu em Felgueiras, região do vale do Sousa (entre Amarante, Fafe, Guimarães e Lousada), no distrito do Porto no norte de Portugal. Era filho de Pedro Coelho (filho segundo de Fernão Coelho, 1.º Senhor de Felgueiras e 1.º Senhor de Vieira, e de sua mulher Catarina de Freitas) e de sua mulher Luísa de Góis (filha bastarda de Gomes Martins de Lemos, 1.º Senhor da Trofa).

Antes de 1495 casou-se com Brites Rodrigues de Ataíde, de quem teve descendência.

Viagem com Vasco da Gama[editar | editar código-fonte]

Experiente em navegação e de grande bravura, em 1497 Nicolau Coelho acompanhou Vasco da Gama na primeira viagem para a Índia. Comandando a nau Bérrio, que tinha como piloto Pero Escobar e por escrivão Álvaro de Braga, participou assim na descoberta do caminho marítimo para a Índia. Na viagem de ida, foi o primeiro dos capitães de Gama a chegar a Moçambique e estabelecer contato com o sultão de Quiloa. No regresso ao Reino, a 20 de Março após assaz trabalho, foi apanhado por uma violenta tempestade perto de Cabo Verde. Perdido dos outros navios da esquadra de torna-viagem, Nicolau Coelho foi o primeiro a arribar ao Tejo em 10 de Julho de 1499,[1] com a boa notícia da chegada à Índia que veio desencadear o regozijo geral e grandes recompensas. Dom Manuel I cumulou-o de honras: para além das alvíssaras, em carta régia de Fevereiro de 1500, concedeu-lhe choruda tença anual de 50.000 reais, propriedades e um novo Brasão de Armas de Mercê Nova: de vermelho, com um leão de ouro, armado e lampassado de azul, ladeado de duas colunas de ouro assentes num contrachefe cortado de verde e de faixado ondado de prata e azul, cada coluna rematada por um escudete de azul carregado de cinco besantes de prata postos em sautor; timbre: o leão do escudo, sainte.[2]

Viagem com Pedro Álvares Cabral[editar | editar código-fonte]

Após seis meses de permanência na Europa, Nicolau Coelho reembarcou capitaneando uma nau na segunda armada da Índia, entre os 13 navios da frota de Cabral[3] que veio a descobrir oficialmente o Brasil em 1500: Nicolau Coelho desembarcou na terra de Vera Cruz no primeiro batel, estabeleceu contacto com os habitantes e participou na primeira visita realizada pelos indígenas à nau capitânia.

Armada de Afonso e Francisco de Albuquerque[editar | editar código-fonte]

Em 1503 regressou à Índia comandando a nau Faial na frota de três navios de Afonso de Albuquerque, que seguia na sua primeira viagem à Índia numa armada conjunta com seu primo Francisco de Albuquerque. Desempenhando sempre missões arriscadas, Nicolau Coelho morreu na viagem de regresso a Portugal com Francisco de Albuquerque, em Janeiro de 1504, no naufrágio da sua nau Faial perto dos "baixios de São Lázaro", actual arquipélago das Quirimbas, Moçambique.[4]

Referências

  1. Diffie BW, Shafer BC, Winius GD. Foundations of the Portuguese empire, 1415-1580. [S.l.]: U of Minnesota Press, 1977, 1974. p. 184. ISBN 0816607826
  2. "Armorial Lusitano", Afonso Eduardo Martins Zúquete, Editorial Enciclopédia, 3.ª Edição, Lisboa, 1987, p. 168
  3. [1]. Academickids.com.
  4. [2]. Nautarch.tamu.edu.

Ver também[editar | editar código-fonte]