Piloto (náutica)

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Um piloto é, em sentido lato, um oficial da marinha mercante, responsável pela navegação de uma embarcação. No passado, o sota-piloto era o oficial imediato ao piloto, a bordo de um navio.

Em sentido restrito, o termo "piloto" pode designar uma categoria específica da carreira de oficial náutico, uma função específica de oficial de convés a bordo de um navio ou uma função específica de apoio à navegação dos navios que entram e saem de um porto. Apesar das diferenças, estas diversas funções são normalmente desempenhadas por profissionais pertencentes à mesma carreira de oficial náutico da marinha mercante.

Por extensão, o termo "piloto" passou a ser aplicado também à aviação e ao automobilismo, designando os responsáveis pela condução de aeronaves e pela condução de veículos automóveis.

Piloto de navio[editar | editar código-fonte]

Distintivo de segundo piloto da Marinha Mercante Portuguesa.

Tradicionalmente, a bordo de um navio mercante, são designados "pilotos" os oficiais náuticos da secção do convés/seção de convés subordinados ao imediato. Conforme a organização do navio, o oficial que se segue ao imediato pode ser designado "primeiro piloto" ou "segundo piloto". Os oficiais náuticos que se seguem são designados "terceiros pilotos". Nalguns navios, podem ainda existir quartos e até quintos e sextos pilotos. Em muitos navios, as funções separadas de primeiro, segundo e mais pilotos têm vindo a fundir-se numa única função de oficial chefe de quarto de navegação, de acordo com o estabelecido pela STCW (Convenção Internacional sobre Normas de Formação, de Certificação e de Serviço de Quartos para os Marítimos) de 1995.

Até ao século XVIII, o piloto era o oficial imediato do capitão de um navio. Ao piloto, além de ser o segundo no comando a bordo, competia específicamente exercer a função de navegador do navio, vigiando contantemente a bússola. O piloto era coadjuvado por um sota-piloto. Segundo o Regimento do Cosmógrafo-Mor de 1592, em Portugal, o acesso à profissão de piloto estava dependente da aprovação num exame feito por uma junta que compreendia o Provedor dos Armazéns e Armadas, o Cosmógrafo-Mor, o Piloto-Mor e o Patrão-mor. Em 1751, foi criada a carreira de oficial piloto que incluía as categorias de sota-piloto, de segundo-piloto e de primeiro-piloto. O acesso à carreira fazia-se depois da frequência com sucesso da Aula de Navegação como praticante.

Hoje em dia, na Marinha Mercante Portuguesa ainda existem as categorias de praticante de piloto, de piloto de 2ª classe e de piloto de 1ª classe, integradas na carreira de oficial de pilotagem. Existe também a categoria de piloto-pescador, cujos titulares são especializados em navios de pesca. Conforme a sua categoria e o tipo de navio onde embarcam, aos pilotos compete o exercício das várias funções de oficial náutico, inclusive a de oficial de quarto, a de imediato e a de comandante. Mediante certas condições, os pilotos de 1ª classe podem aceder à categoria de capitão da marinha mercante.

Piloto de porto[editar | editar código-fonte]

Piloto de um porto dirigindo a navegação do navio Kristina Regina.

São também designados "pilotos dos portos", "pilotos da barra" ou, simplesmente "pilotos" os profissionais náuticos portuários cuja função é a de embarcarem a bordo de um navio que saia ou entre no porto para o auxiliar na navegação em locais que apresentem dificuldades ao tráfego de embarcações de grande porte. Enquanto permanece em funções a bordo de um navio, o piloto assume o comando do mesmo no que diz respeito à navegação. No Brasil, hoje em dia, os profissionais com estas funções são mais conhecidos por "práticos". Em Portugal, o termo "prático" refere-se mais a um profissional com funções de pilotagem de um porto mas que não pertence à categoria de oficial náutico.

Piloto-mor[editar | editar código-fonte]

Em Portugal, o Piloto-Mor era o funcionário marítimo responsável pela chefia do serviço de pilotagem do Porto de Lisboa, bem como pela superintendência de todos os seus pilotos da barra e práticos. O Piloto-Mor era coadjuvado pelo Sota-Piloto-Mor.

Posteriormente, passou a existir um piloto-mor em cada um dos portos principais de Portugal, da Índia Portuguesa, do Brasil e dos outros territórios ultramarinos.

Referências[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]