Domingos Jorge Velho

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Domingos Jorge Velho
Domingos Jorge Velho.jpg
Pintura por Benedito Calixto, 1903.
Nascimento 13 de março de 1641
Parnaíba, Capitania de São Vicente, Brasil colonial
Morte 2 de abril de 1705 (64 anos)
Piancó, Capitania da Paraíba, Brasil colonial
Nacionalidade brasileiro
Ocupação Bandeirante
Religião Católica

Domingos Jorge Velho (Santana do Parnaíba, 13 de março de 1641Piancó, 2 de abril de 1705) foi um bandeirante português nascido na colónia do Brasil, célebre por ter comandado a destruição do Quilombo dos Palmares.

Mameluco, tetraneto de índios tupiniquins e tapuias, filho de Francisco Jorge Velho e de Francisca Gonçalves de Camargo. Foi um dos maiores bandeirantes do Brasil. Antes de 1671 já perseguia índios no nordeste do Brasil. Teve um primeiro arraial no Sobrado, onde estabeleceu uma fazenda para criar gado na extremidade ocidental do atual estado de Pernambuco, limitando em parte com a Bahia, às margens do rio São Francisco. De 1671 a 1674 explorou as serras de Dois Irmãos e Paulista e o rio Canindé, no atual estado do Piauí; a Chapada do Araripe, os rios Salgado e Icó, no atual estado do Ceará; os rios do Peixe, Formiga, Piranhas e Piancó, no atual estado da Paraíba. Por fim, regressou ao Rio São Francisco por Pernambuco.

Acompanhou Domingos Afonso Sertão ao Piauí e, depois de combaterem os índios pimenteiras, foi sozinho ao Ceará afugentar os índios cariris. Guerreou os índios icós e sucurus e, mais ao sul, destroçou os índios calabaças e coremas na Paraíba.

Em cerca de 1675 estabeleceu grande fazenda agropecuária no que se denominou Formiga. Em 1676 fundou um arraial no Piancó, logo destruído pelos índios cariris, o qual reconstruiu ao exterminá-los.

De 1677 a 1680, não há notícias dele. Pode ter ido a São Paulo angariar gente e recursos para o projeto de acabar com os Palmares, pois sua patente de governador de 1688 diz que "se abalou por terra da vila de São Paulo com o número de gente branca e índios que entendeu ser bastante a conquistá-los".

Entre 1680–1684 já estaria fixado na região do rio Piranhas, formando fazenda para agropecuária no rio Piancó, afluente do rio Piranhas, e com sua gente pronta: tinha a suas ordens mil e trezentos índios e oitocentos e vinte brancos. Um de seus filhos ainda teria visitado Taió à procura de ouro.

Em 3 de março de 1687, Domingos Jorge Velho assinou com o governador João da Cunha Souto Maior as condições para atacar o quilombo dos Palmares. Em 3 de dezembro de 1691, o governador de Pernambuco, o Marquês de Montebelo, confirmou as disposições acertadas antes entre Souto Maior e Domingos Jorge Velho para a campanha de destruição dos mocambos. O contrato foi ratificado pelo Marquês no mesmo dia e confirmado pela Carta Régia de 7 de abril de 1693, que estipulava as mútuas obrigações. Domingos Jorge Velho marchou imediatamente ao local, dando início a anos de combate. Contou com constantes reforços de contingentes novos, inclusive de Bernardo Vieira de Melo, mais tarde promotor da Guerra dos Mascates. Apenas em 1695 estaria o quilombo destruído. Calcula-se que no Quilombo de Palmares viviam quinze mil negros fugidos à escravidão. No mesmo ano de 1695, foi morto Zumbi.

Em 14 de março de 1695, começou sua campanha da serra da Barriga, que durou até 1697, quando caíram os últimos redutos dos escravos negros fugidos. Em 10 de fevereiro de 1699, o governador Matias da Cunha nomeou-o chefe de uma tropa para dominar os índios do Maranhão, Ceará e Pernambuco, levando missionários e tendo como lugares-tenentes Antônio de Albuquerque e Matias Cardoso de Albuquerque.

Há historiadores que afirmam que Domingos Jorge Velho não fez parte do exército sob o governo de Estêvão Ribeiro Baião Parente para mover guerra aos índios do sertão da Bahia, nem foi o destruidor do quilombo dos Palmares em 1687, como escreveram Pedro Taques e Azevedo Marques, pois que faleceu em 1670, e esses feitos militares são de datas posteriores; pertencem a um de seus sobrinhos do mesmo nome.[1]

Domingos Jorge Velho, a quem é atribuída a participação no exército sob o governo de Estêvão Ribeiro Baião, não é aquele Domingos Jorge Velho casado com Isabel Pires de Medeiros, e filho de Simão Jorge. E sim o filho de Francisco Jorge Velho, irmão de Domingos Jorge Velho. Seu tio, como descrito acima, não fez parte do exército.[2] [3]

Houve na época, com pequena defasagem de tempo, dois homônimos com o nome de Domingos Jorge Velho, tio e sobrinho, frequentemente confundidos inclusive pelo famoso historiador Pedro Taques. O tio, nascido e morador de Parnaíba, participou de entradas no sertão do Guairá (hoje Paraná) sob as ordens de Antonio Raposo Tavares, mas nunca esteve no Nordeste, ao que se saiba. A história da Conquista do Nordeste, entretanto, se desenrolou unicamente sob o mando das atividades sertanistas de seu sobrinho homônimo e solteiro, filho de seu irmão Francisco Jorge Velho e de Francisca Gonçalves de Camargo.

Domingos Jorge Velho I (tio), frequentemente confundido, foi filho de Simão Jorge e de Francisca Álvares Martins e casado com Izabel Pires de Medeiros e pai de Salvador Jorge Velho e Simão Velho. Seu inventário assim determina, datado de Santana de Parnaíba SP 29/12/1670.[4] Este homônimo jamais poderia ter sido o conquistador do Nordeste, cujo primeiro contrato formal ou oficial data de 3 de março de 1687, quando já havia falecido muito anteriormente, em 1670.

Domingos Jorge Velho II (sobrinho), paulistano ou parnaibano, foi o verdadeiro Conquistador do Nordeste perdido em mãos de diversas tribos hostis aos colonizadores portugueses (e amigas dos franceses) e dos quilombolas, escravos negros fugidos dos engenhos de açúcar dos escravistas holandeses no litoral e de outras fazendas, que passaram a atacar bandeiras e fazendeiros no interior, cujo principal e emblemático reduto foi o Quilombo dos Palmares, chefiados pelo seu chefe Zumbi, morto por um dos homens de Domingos.

Participara anteriormente do exército do Governador Estevão Ribeiro Bayão Parente contra os índios que viviam no sertão baiano do S. Francisco. Teve também fazendas às margens do Rio São Francisco na divisa Bahia com Pernambuco (veja acima) e depois foi libertar o Piauí, junto com o português Domingos Afonso Mafrense "Sertão", a contrato do rico fazendeiro baiano Francisco Dias D'Ávila, que cobiçava as pastagens d'além da margem ocidental do mesmo rio.

Em seguida separou-se de "Sertão" e foi sozinho dar combate aos índios rebelados no Cariri, Ceará, e depois na Paraíba, de cujo território foi nomeado governador (veja acima), e onde estabeleceu a sua fazenda definitiva de Piancó e ainda denominou o antigo rio Povoaçu, Punaré ou Paraguaçu, de "Parnaíba", em memorial ao rio do mesmo nome (trecho de corredeiras do Tietê) que corta a cidade natal de seus ancestrais, Santana de Parnaíba, berço de inúmeros bandeirantes famosos. Casou-se já idoso e não deixou descendência legal, pode ter tido filhos naturais com índias, já que seu exército indígena somava então cerca de 1300 indivíduos.

Notas

  1. Genealogia Paulistana de Silva Leme Vol. VIII §2º pág. 363.
  2. Genealogia Paulistana, volume VIII, p. 362, de Silva Leme.
  3. Nobiliarquia Paulista de Pedro Taques de Almeida Pais Leme, volume IX.
  4. DAESP vol.18, fls. 29 e 65.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Dicionário de Bandeirantes e Sertanistas de Carvalho Franco
  • Genealogia Paulistana de Silva Leme

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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  • de Almeida Prado, JF. As Bandeiras. [S.l.]: IBRASA, 1898. 102 p.


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