Eugénio Maurício de Saboia, Conde de Soissons
Eugénio Maurício de Sabóia, Monsieur le Comte, Conde de Soissons (fr. Eugéne-Maurice de Savoie, it: Eugenio Maurizio di Savoia; Chambéry, Sabóia, 3 de Maio de 1635 - Unna, Vestfália, 7 de Junho de 1673), foi um príncipe da Casa de Sabóia, nascido no ramo dos Príncipes de Carignan. Era o filho mais novo de Tomás Francisco de Sabóia, Príncipe de Carignan e de sua esposa Maria de Bourbon, Condessa de Soissons. Devido à herança do Condado de Soissons pela sua mãe, da parte do seu avô paterno Carlos de Bourbon, Conde de Soissons , a família de Eugénio Maurício fixou-se na corte francesa. No obstante a sua posição de Príncipe de uma Casa Soberana estrangeira, foi súbdito dos Reis Luís XIII e Luís XIV de França, sendo aproximadamente da idade deste último.
Prosseguiu uma carreira militar na Exército Francês, atingindo a patente de General. Participou na Batalha das Dunas na facção leal ao Rei, sob o comando do Visconde de Turenne, onde a sua prestação foi importante na derrota imposta aos espanhóis. Participou em várias campanhas da Guerra dos Trinta Anos: na Flandres (1667), no Franco-Condado (1668) e na Holanda (1672). Foi Coronel-General da Companhia dos Cem Suíços (fr.la Compagnie des Cent Gardes Suisses du corps du Roi) e Governador de Champagne e de Brie.
Casou em 1657 com Olímpia Mancini, sobrinha do Cardeal Mazarino, da qual teve 8 filhos, cinco filhos e três filhas. Eugénio Maurício morreu com apenas 38 anos de idade em 1673. Posteriormente, a sua morte seria imputada à sua mulher Olímpia Mancini na sequência da acusação movida contra esta em 1679 no célebre Caso dos Venenos. Deixou sete filhos como idades entre os 16 e os 6 anos. Apenas o mais velho, Luís Tomás de Sabóia gerou descendência, que, no entanto, se extinguiria em 1734 com a morte do seu bisneto Eugénio João Francisco de Sabóia. O seu descendente mais famoso é, porventura, o seu filho mais novo Príncipe Eugénio de Sabóia, um dos grandes génios militares da Idade Moderna.
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Relações Familiares [editar]
Eugénio Maurício era o filho mais novo e varão secundogénito de Tomás Francisco de Sabóia, Príncipe de Carignan. O seu pai gozou de grande proeminência na corte de Luís XIII de França por ser filho de um monarca reinante, o Duque de Sabóia. Como tal, segundo o protocolo da corte francesa, a chegada do Príncipe de Carignan à corte, em 1625, destronou da posição de primeiro Príncipe Estrangeiro (premier Prince Étranger) o chefe da Casa de Guise, Henrique II de Lorena, Duque de Guise, cujo parentesco com um outro monarca estrangeiro, o Duque de Lorena, era mais distante. O paí de Eugénio Maurício cedia precedência protocolar apenas à Família Real (La famille du Roi), aos Príncipes de Sangue Real (Princes du sang) e aos bastardos reais legitimados (Princes Legitimés), tomando precedência sobre todos os demais Príncipes Estrangeiros e toda a nobresa francesa.
A sua mãe, Maria de Bourbon, Condessa de Soissons, era uma Princesa de Sangue Real (Princesse du Sang), prima co-sobrinha (ou em 2º grau) de Luís XIV de França. O avô materno de Eugénio Maurício era Carlos de Bourbon, Conde de Soissons, conhecido na corte como Monsieur le Comte, irmão mais novo de Henrique I, Príncipe de Condé e primo co-irmão (ou em 1º grau) de Henrique IV de França. A sua mãe era então prima co-irmã de Henrique II, Príncipe de Condé, primeiro Príncipe do Sangue (premier Prince du Sang), conhecido na corte como Monsieur le Prince.
A herança incluí também o Hôtel de Soissons, construído por Catarina de Médici em Paris no local onde hoje se encontra o edifício da Bolsa de Paris. Eugénio Maurício toma-o como residência de cidade e aqui viverá o ramo dos Condes de Soissons até meados do século XVIII.
Herança do Condado de Soissons [editar]
Não sendo o filho primogénito, o Principado de Carignan reverte, com a morte de seu pai em 1656, a favor de seu irmão mais velho, Emanuel Filiberto de Sabóia, Príncipe de Carignan. Contudo, após a morte do seu tio materno Luís de Bourbon, Conde de Soissons, deixando apenas um filho ilegítimo com menos de um ano de idade, a herança Condado de Soissons é então confirmada ao único filho sobrevivente de Carlos de Bourbon, avô de Eugénio Maurice, a própria mãe deste último. Maria de Bourbon é agora condessa de Soissons de suo jure, com direito ao tratamento de Madame la Comtesse. Embora a sua mãe o tenha superado muito em anos (morrendo apenas em 1692, quase duas décadas depois do filho), a sua influência garantiu que o fosse a linhagem do seu filho mais novo a herdar o condado depois de si e que este pudesse, ainda em vida dela, usar o título de Comte de Soissons et Dreux.1
Descendência [editar]
Desposou a 21 de Fevereiro de 1657 Olímpia Mancini, filha de Michaele Mancini e Geronima Mazarini, sobrinha do então Primeiro-Ministro de França, o todo-poderoso Cardeal Mazarino. Dessa união nasceram 8 filhos, dos quais dois não atingiram a maioridade, um morreu jovem em combate, um seguiu carreira religiosa, três não chegaram a casar e apenas um casou e gerou descendência.
- Príncipe Luís Tomás de Sabóia (1657–1702), Conde de Soissons. Casou com Urania de La Cropte; com descendência.
- Príncipe Filipe de Sabóia (1659–1693), Abade de Soissons.
- Príncipe Luís Júlio de Sabóia (1660–1683). Morto na Batalha de Petronell contra os Turcos. Conhecido como Cavaleiro de Sabóia.
- Príncipe Emanuel Filiberto de Sabóia (1662–1676), Conde de Dreux.
- Príncipe Eugénio de Sabóia (1663–1736), Mareshal do Exército Imperial.
- Princesa Maria Joana Baptista de Sabóia (1665–1705), Mademoiselle de Soissons.
- Princesa Luísa Filiberta de Sabóia (1667–1726), Mademoiselle de Carignan.
- Princesa Francisca de Sabóia (1668–1671), Mademoiselle de Dreux.
Referências
- ↑ SPANHEIM, Ézéchiel. Relation de la Cour de France, le Temps retrouvé. Paris: Mercure de France, 1973. pág. 323, 107–108.