Isabel de Portugal, imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico

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Isabel
Imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico
Isabel de Portugal, imperatriz do Sacro Império Romano-Germânico, por Ticiano, no Museu do Prado,[1] O quadro foi pintado sobre outro, nove anos após a morte da imperatriz[2]
Governo
Reinado 24 de fevereiro de 1530 - 1 de maio de 1539
Consorte Carlos V
Casa Real Casa de Aviz
Casa de Habsburgo
Títulos Rainha de Espanha
Rainha da Germânia
Rainha de Sicília e Nápoles
Rainha de Maiorca
Rainha da Sardenha
Rainha da Itália
Vida
Nascimento 24 de outubro de 1503
Lisboa, Portugal
Morte 1 de maio de 1539
Toledo, Espanha
Sepultamento El Escorial
Filhos Filipe II de Espanha
Maria, Imperatriz do Sacro Império
Joana, Arquiduquesa de Áustria
Pai Manuel I de Portugal
Mãe Maria de Aragão e Castela
Assinatura Assinatura de Isabel

Isabel de Portugal (Lisboa, 24 de outubro de 1503Toledo, 1 de maio de 1539) foi filha do rei Manuel I de Portugal e da rainha Maria de Aragão e Castela. Diziam-na belíssima, como prova o retrato pintado por Ticiano. Morreu de complicações no parto, no Palácio de Fuensalida em Toledo, e está sepultada no Panteão do Escorial.

Dona Isabel era irmã de João III e de Henrique, reis de Portugal. Inteligente e culta, criada no esplendor da mais rica corte europeia do seu tempo, em Lisboa, na educação da imperatriz participaram também, por influência de sua mãe, os castelhanos Beatriz Galindo, la Latina e o humanista Luís Vives. Foi longamente regente em nome de Carlos V, entre 1528 e 1533, primeiro, e de 1535 a 1538 novamente, enquanto o marido se ausentou, em guerra.

Além disso, teve muita importância em relação à educação do seu primogénito, que viria a ser Filipe II de Espanha, e I de Portugal, de língua materna portuguesa, criado e educado pelas damas lusitanas de sua mãe durante a infância.

Casamento[editar | editar código-fonte]

O casamento fora negociado por seu pai, Manuel I, que morrendo antes de o concluir o deixou recomendado em testamento ao seu sucessor no codicilo de 11 de dezembro de 1521.

Assim, a 6 de outubro de 1525 firmou-se em Torres Novas o contrato. A noiva levou por dote a exorbitante quantia de 900 mil cruzados portugueses, ou dobras castelhanas.

Realeza Portuguesa
Casa de Avis
Descendência
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Carlos V, seu noivo e seu primo direito, era então ainda apenas Carlos I, rei de Espanha, duque da Borgonha e vários outros feudos: só quatro anos depois foi eleito imperador do Sacro Império, tornando-se hierarquicamente o mais alto soberano da cristandade, com jurisdição sobre a Alemanha e vários reinos e senhorios da Espanha, Itália, França e Flandres, estendendo ao mundo a sua influência política e o poder das suas armas. Porém, como todos os soberanos da Renascença, foi várias vezes obrigado a recorrer a grandes famílias de banqueiros, como os Fugger, não só para financiar a sua acessão à coroa imperial, como também os seus projectos político-militares. Por isso mesmo Carlos havia prometido, anteriormente, a Henrique VIII da Inglaterra casar-se com sua filha, Maria, de quem igualmente era primo direito, em 1522 (quando esta tinha apenas seis anos) - mas preferiu aceitar a consorte lusitana, cuja aliança e cujo dote imediato eram bem mais significativos na Europa do tempo, e lhe traziam a liquidez necessária para a compra do trono imperial.[carece de fontes?]

Assim, a princesa casou-se em Almeirim por procuração, em 1 de novembro de 1525, com o seu primo Carlos, representado pelo embaixador Carlos Popeto; e partiu em janeiro de 1526 rumo a Elvas com grande e rica comitiva, dai prosseguindo a viagem em liteira até a fronteira do Caia. Aí, montada em linda égua branca esplendorosamente ajaezada, e com luzido e fidalgo acompanhamento, foi ao encontro da embaixada castelhana que a vinha buscar, encabeçada pelos duques de Calábria e de Béjar e pelo arcebispo de Toledo. Passada a fronteira, seguiu para Sevilha onde se encontrava o marido, ali se repetindo solenemente as bodas imperiais nos paços chamados de Reales Alcázares, em março de 1526. Foi um casamento feliz, pois os noivos se apaixonaram apenas se conheceram, e se isolaram do mundo prolongando uma lua-de-mel que não parecia querer acabar, e apenas terminaria quatorze anos depois, de facto, pela morte da imperatriz.[carece de fontes?]

Deslumbrado com a sua beleza, Carlos V deu-lhe ao casar por nova divisa as três graças, tendo a primeira delas a rosa, símbolo da formosura; a segunda o ramo de murta, símbolo do amor; e a terceira, a coroa de carvalho, símbolo da fecundidade, além do mote: Has habet et superat.[carece de fontes?]

Na corte castelhana em Toledo, a imperatriz D. Isabel preferiu viver sem se ocupar com política, quase sempre no seu oratório ou convivendo com as numerosas damas portuguesas que a haviam acompanhado até Castela, vigiando as amas dos seus numerosos filhos. Ao morrer de sobreparto, catorze anos depois de casada, Carlos V tanto se comoveu com a sua perda que no convento de S. Justo, onde se recolheu durante o luto pesado da viuvez, passava horas a contemplar o seu retrato mais emblemático, pintado por Ticiano.[carece de fontes?]

A morte e a lenda[editar | editar código-fonte]

Tendo a imperatriz falecido em Toledo, e estando nessa época o soberano em Granada, encarregou o Duque de Gândia, o futuro São Francisco de Borja, um dos muitos apaixonados platónicos da bela imperatriz, de a conduzir até si a fim de a sepultar. Chegados lá, ao abrirem cerimonialmente o caixão de D. Isabel, a fim de verificarem a identidade do régio cadáver, a sua decomposição ia já avançada, destruindo a formosura da mais bela mulher daquele tempo, segundo rezavam os literatos de então. Segundo a lenda, perante a hedionda visão do seu cadáver descomposto o ainda Duque de Gândia, casado com a portuguesa D. Leonor de Castro, uma das suas damas, e que tanto e tão longamente amara a linda imperatriz à distância, jurou nunca mais servir a senhor humano algum, virando-se unicamente para o serviço divino; e ao enviuvar de D. Leonor, alguns anos depois, optou pela vida religiosa ingressando na Companhia de Jesus.

O novo padre Francisco de Borja foi o terceiro geral da companhia, sendo depois canonizado como São Francisco de Borja. No entanto, sabemos agora que a famosa frase depois atribuída ao duque, e que deu o mote ao célebre poema de Sophia de Mello Breyner intitulado "Meditação do Duque de Gândia na morte de Isabel de Portugal", sobre a sua alegada decisão de nunca mais servir a senhor mortal algum, foi sim pronunciada por São João de Ávila na oração fúnebre da imperatriz que proferiu durante as suas exéquias. É ainda no entanto possível que S. João de Ávila tenha utilizado nas exéquias imperiais a frase do humilde S. Francisco de Borja ao ser obrigado a contemplar decomposta a mulher que amara, e que a tradição oral o soubesse, ao atribuir a autoria desta a ele e não a S. João de Ávila.[carece de fontes?]


Referências

  1. Revista da Armada Marinha.pt. Visitado em 17 de novembro de 2007.
  2. El mundo, imagem do quadro em raio X, revelando pintura anterior (em espanhol) Elmundo.es. Visitado em 17 de novembro de 2007.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Precedida por:
Branca Maria Sforza
Imperatriz do Sacro Império Romano
Isabella of Portugal, Holy Roman Empress and Queen consort of Spain.png

24 de fevereiro de 1530 - 1 de maio de 1539
Sucedida por:
Ana Jagelão
Precedida por:
Germana de Foix (Aragão)
Filipe I (Castela)
Rainha de Espanha

1526 - 1539
Sucedida por:
Maria I de Inglaterra
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