Fabrizio Ruffo

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Fabrizio Ruffo

Fabrizio Ruffo (16 de Setembro de 1744 - 13 de Dezembro de 1827) foi um cardeal e um político italiano que liderou o movimento anti-republicano designado por Sanfedismo, cujos membros eram conhecidos por Sanfedisti.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ruffo nasceu em San Lucido na Calábria, na época parte do Reino das Duas Sicílias. O seu pai, Litterio Ruffo, era o duque de Baranello, e a sua mãe, Giustiniana, fazia parte da família Collona. Fabrizio recebeu a sua educação graças ao seu tio, Tommaso, que era na altura o deão do Colégio dos Cardeais. Ruffo foi integrado nos chierici di camera - os funcionários responsáveis pelos serviços financeiros e civis do papa, pelo próprio papa. Mais tarde foi promovido a tesoureiro-geral, um cargo que era também responsável o ministério da guerra. O seu comportamento no cargo foi por várias vezes criticado. Pietro Colleta, historiador de Nápoles, refere-se a Ruffo como corrupto. Embora esta visão seja partilhada por outros historiadores, Ruffo foi considerado como reformador.

O historiador de Ruffo, Sachinelli, afirma que ele seguiu uma política hostil restringindo os poderes feudais de alguns proprietários de terras nos estados papais. Em 1791, é retirado do cargo de tesoureiro, e nomeado Cardeal em 2 de Setembro, embora nunca sido ordenado padre. Rufo foi para Nápoles, onde foi designado administrador do domínio real de Caserta , e onde recebeu a abadia de Santa Sofia em Benevento In commendam

Em 1823, Ruffo anunciou o Papa Leão XII no conclave papal.

Ruffo e o Sanfedismo[editar | editar código-fonte]

Quando, em Dezembro de 1798 as tropas francesas avançaram para Nápoles, Ruffo foge para Palermo com a família real. É escolhido para liderar um movimento realista na Calábria, onde a sua família, que se debatia com problemas financeiros, era detentora de grandes poderes feudais. É nomeado vigário-geral a 25 de Janeiro de 1800. A 8 de Fevereiro chega a La Cortona com um pequeno grupo, começando a juntar o que designou por "exército de fé", juntamente com Michele Pezza, o Frei Diavolo, e outros lideres. Apoiado pela frota russa do Almirante Fyodor Fyodorovich Ushakov, Ruffo não teve dificuldade em incomodar o governo da República Napolitana implementada pelos franceses; em Junho avançou para Nápoles. Talvez excedendo a sua autoridade, prometeu aos napolitanos imunidade sobre represálias, obtendo a sua rendição em Junho de 1799. Entretanto, o Vice-almirante Horatio Nelson surge com a sua frota; chama o cardeal Ruffo e revoga os termos da rendição. Os republicanos tinham-se rendido com base num acordo pouco claro. Uma das principais figuras republicanas, o ex-Almirante Francesco Caracciolo, foi executado a 30 de Junho, num rápido julgamento em corte marcial, tendo-se seguido a execução de vários outros cidadão napolitanos republicanos.

Esta campanha deu origem a grande controvérsia entre os historiadores do século XIX. Ruffo terá perdido influência junto do rei ao mostrar-se clemente perante os republicanos. Ruffo demitiu-se de vigário-geral, passando a ser ocupado pelo príncipe de Cassero, e durante a segunda ocupação francesa, e nos reinados de José Bonaparte e Joaquim Murat, viveu discretamente em Nápoles. Após a restauração dos Bourbons foi de novo tido em conta. Durante o Risorgimento, foi consultado pelo rei, chegando a fazer parte de um gabinete, por pouco tempo, como ministro leal.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ruffo, Giovanni (1999). Il cardinale Fabrizio Ruffo tra psicologia e storia: L'uomo, il politico, il sanfedista.
  • Petromasi, Domenico (1994.). Alla riconquista del Regno: La marcia del cardinale Ruffo dalle Calabrie a Napoli.