Fonógrafo

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Fonógrafo de Edison

O Fonógrafo é um aparelho inventado em 1877 por Thomas Edison para a gravação e reprodução de sons através de um cilindro.[1] Ele foi o primeiro aparelho capaz de gravar e reproduzir sons.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes da invenção de Edison[editar | editar código-fonte]

A invenção do fonógrafo por Edison foi o ponto culminante de uma série de inventos que primeiro tentaram realizar a tarefa de gravar de forma mecânica em algum meio as vibrações sonoras. A grande inovação do fonógrafo encontra-se em sua capacidade de também reproduzir os sons que gravava,[1] abrindo novas possibilidade de utilização comercial do som.[2] [3] O primeiro desses inventos foi o vibroscópio de Thomas Young que foi o primeiro invento a traduzir as vibrações sonoras em uma representação gráfica analógica e já utilizando-se de um cilindro como meio.[1] Posteriormente, Leon Scott inventou o fonoautógrafo que utilizava um sistema próximo àquele que seria utilizado pelo fonógrafo: um cone acústico era utilizado para captar o som e fazer vibrar um diafrágma localizado no final do cone; com a vibração do diafrágma uma agulha gravava marcas em um cilindro que representavam as ondas sonoras propagando-se no ar.[1] Estes aparelhos, na verdade, preocupavam-se em fazer representações gráficas das ondas sonoras, de modo a possibilitar estudos de acústica, e não pretendiam permitir a reprodução do som gravado para qualquer fim, comercial ou não.[2]

É apenas com a descrição do parleofone por Charles Cros que a preocupação com a gravação e a reprodução do som gravado, em um mesmo aparelho, toma forma. Entretanto, Cros nunca chegou a construir sua invenção e acabou sendo suplantado pelas notícias da invenção do aparelho de Edison.[2]

Invenção e início da comercialização[editar | editar código-fonte]

O fonógrafo foi anunciado por Edison em 21 de Novembro de 1877 e teve a sua primeira demonstração pública em 29 de novembro do mesmo ano.[2] O aparelho consistia em um cilindro com sulcos coberto por uma folha de estanho. Uma ponta aguda era pressionada contra este cilindro e, conectados à ponta oposta, ficavam um diafragma (uma membrana circular, cujas vibrações convertiam sons em impulsos mecânicos e vice-versa) acoplado a um grande bocal em forma de cone.[1] O cilindro era girado manualmente e, conforme o operador ia falando no bocal, a voz fazia o diafragma vibrar, o que fazia a ponta aguda criar um sulco análogo na superfície do cilindro. Quando a gravação estava completa, a ponta era substituída por uma agulha e o cilindro era girado no sentido contrário: a máquina desta vez reproduzia as palavras gravadas e o cone amplificava o som.[1]

O aparelho foi patenteado em 19 de fevereiro de 1878[2] mas encontrou dificuldades iniciais para a comercialização: o aparelho provocou pouco interesse da parte de músicos e editores[2] e Edison mesmo relutava na utilização do invento para o entretenimento,[1] dando prioridade à lâmpada incandescente.[1] [2] É apenas quando Charles Tainter e Alexander Graham Bell, em 1886, aperfeiçoam o invento criando o cilindro removível (até então o meio da gravação era fixo ao aparelho) e mudando sua composição para papelão coberto com cera que Edison resolve voltar a trabalhar no invento criando um cilindro feito inteiramente à base de cera (resolvendo o problema da fragilidade do cilindro que rachava devido à dilatação diferente dos materiais em resposta ao calor), mas violando a patente de Bell.[1] Duas empresas distintas foram formadas para explorar o cilindro e, no final da década, a comercialização dos aparelhos (o fonógrafo de Edison e o grafofone de Bell) e de cilindros virgens e gravados com música ou palavra falada já dava lucros significativos nos Estados Unidos.[1]

O mercado cresce cada vez mais com o impulso de outras tecnologias, como a invenção do método pantográfico de gravação, no final do século XIX, ou a dos cilindros moldados, no início do século XX por Edison, que possibilitaram a gravação vários cilindros ao mesmo tempo (o processo anteriormente era feito com a gravação artesanal, cilindro por cilindro).[1]

Concorrência com o gramofone e declínio[editar | editar código-fonte]

Desde o embate com Bell e a fundação das duas empresas (a de Edison e a de Bell), além da concorrência de mais empresas no mercado de cilindros e tocadores de cilindros, desde 1895, com a invenção do gramofone por Berliner, existia a concorrência de outro formato, os discos de goma-laca.[1] Entretanto, Edison recusava-se a gravar discos ou a produzir tocadores. Com o passar do tempo, o mercado de cilindros foi diminuindo e o de discos aumentando. Não que o disco fosse um meio mais "fiel" ou com melhor "qualidade" que o cilindro.[4] O que ocorreu é que o disco suplantava dificuldades técnicas da reprodutibilidade das gravações e dificuldades do cilindro como produto. Por um lado, o disco possibilitava a prensagem como técnica de reprodução em massa, tornando-a de semi-artesanal com os cilindros para uma produção em escala industrial. Por outro lado, o cilindro não permitia selos fonográficos, não tinha espaço para capas e dois cilindros com a mesma música do mesmo artista não eram exatamente iguais, já que sua reprodução exigia várias gravações por parte dos artistas (era limitado o número de cópias que podiam ser feitas a partir de um cilindro).[1]

Assim, em 1912, a gravadora de Edison, a Edison Records, passa a comercializar discos e aparelhos que tocavam esses discos.[1] Entretanto, os discos de Edison eram diferentes e apenas o seu fonógrafo adaptado poderia tocá-los. Entre as principais diferenças estão a sua espessura (de quase 4 cm), a diferença de velocidade da rotação (evoluía a 80 rpm) e o fato da agulha ter movimento vertical como a agulha que lia os cilindros (os discos das outras companhias eram lidos de forma horizontal, já que as informações eram gravadas nas laterais dos sulcos e não no fundo).[5] Com isso, as vendas da gravadora despencam cada vez mais, enquanto o gramofone e o disco de 78 rpm tornam-se o padrão do mercado mundial. O golpe final vem com a invenção das gravações elétricas em 1925, às quais Edison não adere até junho de 1927, quando já era tarde demais e a grande depressão provoca a falência de sua companhia em outubro de 1929.[5]

Impactos na História da Música[editar | editar código-fonte]

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Apesar de ter sido desenvolvido por Edison como um equipamento para o registro da voz falada, o Fonógrafo foi rapidamente adotado como meio para registro musical, abrindo possibilidades ainda não existentes para o registro da música popular pelo Mundo.

Brasil[editar | editar código-fonte]

Existe divergência na bibliografia especializada quanto à primeira apresentação do fonógrafo no Brasil. Tinhorão escreve que ela se deu em 1879, na cidade de Porto Alegre, por um homem chamado Eduardo Perris, representante de Edison.[6] Já segundo Franceschi, ela aconteceu em 1878, no Rio de Janeiro, no Edifício da Escola da Freguesia da Glória, para fins pedagógicos.[4] Segundo Piccino, ela foi feita em 1878 por uma pessoa chamada F. Rodde, que realizava demonstrações na loja "Ao Grande Mágico", na Rua do Ouvidor.[1] Já a primeira gravação de fonógrafo realizada no Brasil foi feita pela família imperial brasileira. Foram gravados depoimentos do imperador e membros da corte, assim como a voz do príncipe D. Augusto, primeiro brasileiro a ter a voz gravada cantando.[1] Com isso, foi publicado decreto garantindo a Edison o privilégio de introduzir o fonógrafo no Brasil que, no entanto, não vinga.[1]

Só anos depois, obra do espiríto empreendedor de brasileiros e portugueses o fonógrafo seria introduzido no comércio brasileiro. Frederico Figner toma contato com o fonógrafo em 1889 e, em sociedade com seu cunhado, grava vários fonogramas com a intenção de exibir em países latino-americanos, viajando para Cuba e outros países.[1] No Brasil, ele passa por Belém, Manaus, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife e Salvador antes de fixar-se no Rio de Janeiro, em 1892.[1] Em 1897, passa a gravar cilindros para venda com a única concorrência da Casa ao Bogary, fundada em 1895 por dois portugueses.[3] Em 1900, funda a Casa Edison e desenvolve grande negócio de gravações de cilindros, além da compra de cilindros usados para serem raspados e reutilizados, negócio também da sua concorrente.[4] A gravação de cilindros é grande até 1913, quando é fundada fábrica de prensagem de discos da Odeon, no Rio de Janeiro, que passa a abastecer com discos a Casa Edison e provoca o início do fim da comercialização de cilindros e de fonógrafos no Brasil. Esta parceria duraria até 1926, com o início das gravações elétricas e a decisão da Odeon de abrir filial no Brasil.[3] [7]

Portugal[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t PICCINO, Evaldo. Um breve histórico dos suportes sonoros analógicos. Sonora. São Paulo:Universidade Estadual de Campinas / Instituto de Artes, vol. 1, n. 2, 2003.
  2. a b c d e f g BANDEIRA, Messias Guimarães. Construindo a Audiosfera: as tecnologias da informação e da comunicação e a nova arquitetura da cadeia de produção musical. Salvador: UFBA / Faculdade de Comunicação, 2004.
  3. a b c GONÇALVES, Eduardo. A Casa Edison e a formação do mercado fonográfico no Rio de Janeiro no final do século XIX e início do século XX. Publicado em Revista Desigualdade & Diversidade, nº 9, jul-dez de 2011.
  4. a b c FRANCESCHI, Humberto Moraes. Registros sonoros por meios mecânicos no Brasil. Rio de Janeiro: Studio HMF, 1984.
  5. a b JACQUES, Mario Jorge. Glossário do Jazz. São Paulo: Biblioteca24horas, 2009.
  6. TINHORÃO, José Ramos. Música Popular: do gramofone ao rádio e TV. São Paulo: Ática, 1981.
  7. Casa Edison. Publicado em Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Página visitada em 28 de setembro de 2012.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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