Guerras de independência da Escócia

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O brasão de armas da Escócia.

As Guerras de independência da Escócia foram uma série de campanhas militares entre os reinos da Escócia e Inglaterra entre os séculos XIII e XIV.[1]

Primeira guerra (1296–1328)[editar | editar código-fonte]

A primeira guerra da independência da Escócia ocorreu ao final do século XIII quando a monarquia escocesa, convivendo com as brigas incessantes dos clãs, viu Eduardo I da Inglaterra avançar com as suas tropas para a total subjugação do reino.[2]

O conflito começou quando o rei Alexandre III faleceu, em 1286, sem deixar um herdeiro masculino. Ele seria sucedido por sua filha, Margarida da Escócia, que tinha apenas três anos na época. Em 1290, os Guardiões do Reino haviam concordado, através do tratado de Birgham, que eles casariam Margarida com o então príncipe Eduardo II, filho do rei Eduardo I de Inglaterra. O casamento tinha por objetivo garantir a paz entre as duas nações, porém os escoceses queriam manter o status quo político, garantindo suas liberdades e independência.[3]

A 26 de setembro de 1290, a caminho para a Inglaterra, Margarida acabou falecendo. Com isso, cerca de treze rivais começaram a competir pelo trono escocês. Os dois principais eram Robert de Brus, 5º Senhor de Annandale, e João Balliol, Senhor de Galloway. Temendo uma guerra civil, os Guardiões da Escócia, pediram para Eduardo I, rei da Inglaterra, que viesse para o norte e arbitrasse a disputa. Ele aceitou e pediu um encontro na cidade nortenha de Norham, no começo de 1291. Como pré-requisito para tal, contudo, ele insistiu ser apontado como Senhor Regente do Reino da Escócia e para garantir que os escoceses não recusassem, ele enviou tropas para a fronteira. Naquela altura, a Escócia não tinha um exército profissional muito grande, não tinham rei e nem unidade, com vários clãs dividindo o poder. Os dois concorrentes ao trono aceitaram as condições do monarca inglês.[2]

Eduardo I ainda exigiu que posições e castelos vitais na Escócia fossem entregues as suas forças. Funcionários públicos foram demitidos e readmitidos após jurarem lealdade a ele. Cidadãos comuns e lordes de todo o país também deveriam prestar homenagens ao rei inglês.[3]

Entre maio e agosto de 1291, ao menos treze encontros foram feitos em Berwick, onde os lordes que reivindicavam a coroa escocesa apresentaram seu caso ao monarca inglês. No final da primeira parte dos debates, apenas João Balliol, Floris V da Holanda, Bruce e John de Hastings sobraram, pois eles conseguiram provar serem descendentes de David I. O conselho de arbitragem, reunido em 17 de novembro e 30 de novembro de 1292, deu ganho de causa para João Balliol, o indicando para Rei. Conforme combinado, a 26 de dezembro, o agora Rei João foi até Newcastle upon Tyne e prestou homenagem ao soberano da Inglaterra, Eduardo I. Este, por sua vez, deixou claro que considerava a Escócia como um reino vassalo. Os clãs leias a Bruce consideraram isso uma traição e começaram a minar a autoridade do novo rei. Balliol tentou resistir mas o desdem do seu povo para com Eduardo aumentava. Em 1294, o rei inglês convocou João para que ele reunisse um exército e levantasse fundos para ajudar na guerra da Inglaterra contra a França. O monarca escocês voltou ao seu país e se encontrou com seu conselho. A decisão tomada foi desafiar os ingleses e um conselho de guerra foi convocado pelo parlamento. Emissários foram enviados para se encontrar com o rei francês, Filipe IV. Os dois países concordaram em cooperar. Caso os ingleses invadissem a França, os escoceses aproveitariam para lançar sua própria invasão do norte da Inglaterra. Em troca, a França apoiaria a Escócia quando Eduardo I retaliasse. Também foi combinado um casamento entre o herdeiro de João e uma sobrinha do monarca francês.[2]

Em 1295, Eduardo I descobriu o acordo secreto entre os franceses e os escoceses. Em outubro, ele deu ordens para que as defesas do norte fossem fortalecidas. O rei inglês então ordenou que João entregasse os seus castelos em Berwick, Jedburgo e Roxburgh. Tropas também foram convocadas e milícias pró-Inglaterra se formaram. Toda essa movimentação forçou João Balliol a convocar todos os clãs e todos os cidadãos escoceses para a luta, reunindo um exército em Caddonlee, na região de fronteira. Vários nobres escoceses, como Robert Bruce VI, o novo senhor de Carrick, ignoraram o chamado do seu rei, pois o consideravam fraco.[3]

Em março de 1296 a guerra começou a todo o vapor, quando tropas ingleses saquearam a importante cidade de Berwick. No mês seguinte, as forças escocesas foram massacradas na batalha de Dunbar. Com o exército inglês avançando e esmagando qualquer resistência, João Balliol foi obrigado a renunciar o trono. Naquela altura, a vitória inglesa parecia garantida, com quase todo o sul da Escócia em suas mãos e o norte no processo de ser também conquistado. No começo do ano seguinte, uma revolta começou, liderada por vários senhorios escoceses, como Andrew Moray e William Wallace. Eduardo I enviou tropas para enfrenta-los. Nesse meio tempo, vários nobres escoceses se renderam a ele em Irvine.[3]

Com a guerra indo muito mal para os escoceses, Wallace e Moray, que estavam realizando campanhas individuais contra os ingleses, reuniram suas forças para enfrentar uma tropa ingleses vastamente superior, que se movia em direção ao Castelo de Stirling, que era considerado o coração do país. No final, um pouco mais de 2 000 escoceses detiveram mais de 10 000 soldados ingleses na batalha da ponte de Stirling. Esta foi a primeira grande vitória da Escócia no conflito e se provou decisiva na primeira fase da guerra. Andrew de Moray acabou falecendo devido a um ferimento, o que deu a William Wallace o comando das forças rebeldes. Ele então foi proclamado o novo Guardião da Escócia e ordenou uma série de arrastões no norte da Inglaterra em 1298. Eduardo reagiu, enviando reforços. Ao mesmo tempo que ele tentava trazer nobres escoceses para o seu lado (através de subornos e prometendo terras), o rei inglês avançava com suas tropas em direção a Edimburgo, a capital do reino. Wallace e seus seguidores posicionaram-se na cidade de Falkirk para resistir ao avanço de Eduardo, mas eles acabaram sendo derrotados numa sangrenta batalha. William renunciou ao posto de Guardião e fugiu para evitar a captura. Roberto Bruce e John Comyn assumiram o cargo vago por ele. Novas campanhas militares lançadas pelos ingleses em 1301 e 1302 terminaram em impasse. No ano seguinte uma trégua foi firmada.[3]

As hostilidades recomeçaram entre 1303 e 1304. O castelo de Stirling, o principal do país, acabou caindo em mãos inglesas. Nova negociações feitas acabaram por fazer com que vários nobres escoceses prestassem homenagem a Eduardo I da Inglaterra. Naquele momento, parecia que a guerra estava chegando ao fim com uma grande derrota escocesa e a subjugação do seu reino. Contudo, em 1305, novas alianças foram feitas, e William de Lamberton e Roberto Bruce se uniram com o objetivo de conquistar o trono para este último. Nesse mesmo ano, William Wallace, que aos olhos do povo já era um herói nacional, foi capturado pelos ingleses e executado, dando-lhe agora os status de mártir para os escoceses. Porém isso não significou em aumento das hostilidades e um período de calma se seguiu.[3] [2]

No começo de 1306, em uma reunião de nobres escoceses em Dumfries, Roberto Bruce acabou assassinando John Comyn, um outro pretendente ao trono. O motivo da morte seria que Comyn planejava entregar Bruce aos ingleses, em troca de novas terras. Naque momento, as hostilidades recomeçaram pelo país. Roberto conseguiu atrair vários nobres e senhorios para a sua causa, se proclamando então Rei dos Escoceses. Ele então lançou uma nova campanha militar para expulsar os ingleses do seu reino. Várias batalhas foram então travadas, a maioria terminando em um fracasso para Bruce, que forçou ele a fugir. No norte, ele convocou mais tropas e lançou-se novamente em batalha, dessa vez sendo mais bem sucedido ao fim de 1307. Naque mesmo ano, Eduardo I faleceu, dando novo ânimo aos escoceses. A guerra seguiu como um impasse até 1314, quando Roberto I triunfou sobre Eduardo II na batalha de Bannockburn, virando a maré da guerra definitivamente para o lado escocês.[4]

Em janeiro de 1327, Eduardo II foi morto. Seu sucessor, Eduardo III de Inglaterra, foi obrigado a retroceder frente a invasão do norte do seu país pelos escoceses. Finalmente, a 1 de maio de 1328, foi assinado o tratado de Edimburgo-Northampton, pelo qual a Inglaterra reconhecia a independência da Escócia e aceitava Roberto I como rei daquele país.[4]

Segunda guerra (1332–1357)[editar | editar código-fonte]

Após a morte de Robert the Bruce, David II era muito jovem para governar, sua guarda foi então assumida por Thomas Randolph, conde de Moray. Mas Edward III, rei da Inglaterra, apesar de ter dado o seu nome ao Tratado de Edimburgo-Northampton, estava determinado em vingar a humilhação às mãos dos Escoceses e podia contar com a ajuda de Edward Balliol, o filho de John Balliol e um pretendente ao trono Escocês.

Edward III também tinha o apoio de um grupo de nobres Escoceses, liderados por Balliol e Henry Beaumont, conhecidos como os 'Deserdados.' Este grupo de nobres tinha suportado os Ingleses na Primeira Guerra e, depois de Bannockburn, Robert the Bruce tinha-lhes concedido um ano para voltarem à sua paz. Quando eles recusaram, Robert the Bruce privou-os dos seus títulos e terras, concedendo-os aos seus aliados. Quando a paz foi estabelecida, eles não receberam indenização de guerra. Estes "deserdados" ficaram desejosos pelas suas antigas terras e vieram a ser os destruidores da paz.

O Conde de Moray morreu a 20 de Julho de 1332. A nobreza Escocesa se reuniu em Perth onde elegeu Domhnall II, Conde de Mar como o novo Guardião.Enquanto isso, uma pequena força liderada por Balliol partiu para Humber. Consistente de nobres sem terras e mercenários, este exército não tinha mais que algumas centenas de homens.

Edward III ainda estava formalmente em paz com David II e suas relações com Balliol foram, portanto, deliberadamente obscurecido. Ele, claro, sabia o que estava acontecendo e Balliol provavelmente fez homenagem em segredo antes de sair, mas esquema desesperado de Balliol deve ter parecia fadada ao fracasso. Portanto, Edward se recusou a permitir Balliol invadir Escócia do outro lado do rio Tweed. Isso teria sido muito abrir uma violação do tratado. Ele concordou em fechar os olhos para uma invasão por mar, mas deixou claro que ele iria negar-los e confiscar todas as suas terras inglesas devem Balliol e seus amigos falhar.

Os "deserdados" desembarcaram em Kinghorn em Fife em 6 de agosto. A notícia de seu avanço os precederam, e, enquanto marchavam em direção à Perth, eles encontraram o seu caminho barrado por um grande exército escocês, principalmente de infantaria, sob o novo Guardião.

No Batalha de Dupplin Moor, o exército de Balliol, comandada por Henry Beaumont, derrotaram a força escocês maior. Beaumont fez uso das mesmas táticas que o Inglês tornaria famoso sob a Guerra dos Cem Anos, com os cavaleiros desmontados no centro e arqueiros nos flancos. Pego no meio de uma chuva de flechas, a maioria dos escoceses não alcançou a linha do inimigo. Quando o abate foi finalmente acabou, o conde de Mar, Sir Robert Bruce (um filho ilegítimo de Robert the Bruce), muitos nobres e cerca de 2.000 escoceses haviam sido mortos. Edward Balliol, em seguida, tinha-se coroado como Rei da Escócia, pela primeira vez em Perth, e depois novamente em setembro, na Abadia de Scone. O sucesso de Balliol surpreendeu Edward III e este, temendo que uma invasão de Balliol acabaria por falhar levando a uma invasão escocesa da Inglaterra, levou seu exército para o norte.

Em outubro, Sir Archibald Douglas, agora Guardião da Escócia, fez uma trégua com Balliol, supostamente para deixar o Parlamento escocês reunir e decidir quem é o seu verdadeiro rei era. Encorajados pela trégua, Balliol rejeitou a maioria das suas tropas inglesas e mudou-se para Annan, na costa norte da Solway Firth. Ele emitiu duas cartas públicas, dizendo que, com a ajuda da Inglaterra, ele tinha recuperado o seu reino, e reconheceu que a Escócia tinha sido sempre um feudo da Inglaterra. Ele também prometeu terras para Edward III na fronteira, incluindo a Berwick-on-Tweed, e que ele iria servir Edward para o resto de sua vida. Mas, em dezembro, Douglas atacado Balliol em Annan, nas primeiras horas da manhã. A maioria dos homens de Balliol foram mortos, embora ele mesmo conseguiu escapar através de um buraco na parede e fugiram, nus e em cavalo, para Carlisle.

Em abril de 1333, Edward III e Balliol, com um grande exército Inglês, sitiou Berwick. Archibald Douglas tentou aliviar a cidade em julho, mas foi derrotado e morto na Batalha de Halidon Colina. David II e sua rainha foram transferidos para a segurança de Castelo de Dumbarton, enquanto Berwick se rendeu e foi anexada por Edward. Até agora, grande parte da Escócia estava sob ocupação Inglês, com oito dos escocesa planície condados sendo cedidos para a Inglaterra por Edward Balliol.

Referências

  1. "Scottish Wars of Independence". Página acessada em 1 de agosto de 2014.
  2. a b c d "The Scottish Wars of Independence, 1286-1328". Página acessada em 31 de julho de 2014.
  3. a b c d e f "The Wars of Independence". Página acessada em 31 de julho de 2014.
  4. a b Murison, A. F.. King Robert the Bruce. reprint 2005 ed. [S.l.]: Kessinger Publishing, 1899. p. 30. ISBN 9781417914944
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