Helen Gahagan Douglas

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Helen Gahagan Douglas
Membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos
Mandato 1945–1951
Antecessor(a) Thomas F. Ford
Sucessor(a) Sam Yorty
Vida
Nascimento 25 de Novembro de 1900
Boonton, Nova Jérsei
Morte 28 de maio de 1980 (79 anos)
Nova York, Nova York
Nacionalidade Estadunidense
Dados pessoais
Alma mater Barnard College
Cônjuge Melvyn Douglas (1931-1980)
Partido Partido Democrata
Profissão Atriz

Helen Gahagan Douglas (Boonton, 25 de novembro de 1900Nova York, 28 de junho de 1980) foi uma atriz e política estadunidense. Ela foi a terceira mulher – a primeira do Partido Democrata – a ser eleita para um assento no Congresso dos Estados Unidos pelo estado da Califórnia. Sua eleição fez da Califórnia o segundo estado a eleger deputadas dos dois grandes partidos dos Estados Unidos (Illinois foi o primeiro).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Helen Gahagan nasceu em Boonton, no estado da Nova Jérsei. Ela tinha ascendência escocesa-irlandesa e foi criada na igreja Episcopal.[1] [2] Seu pai era Walter H. Gahagan, um engenheiro dono de uma empresa de construção no Brooklyn e um estaleiro no Queens; sua mãe era uma professora de escola.[3]

Ela se formou no Instituto Berkeley em 1920 e no Barnard College em 1924. Gahagan se tornou uma estrela da Broadway na década de 1920. Em 1931 ela se casou com o também ator Melvyn Douglas. Gahagan estrelou em apenas um único filme de Hollywood, intitulado She e lançado em 1935. Ela interpretou Hash-a-Motep, rainha de uma cidade perdida. O filme, baseado no romance homônimo de Henry Rider Haggard é mais conhecido por ter popularizado uma frase do livro: "Ela deve ser obedecida" ("She who must be obeyed"'). O personagem e as roupas de Gahagan serviram de inspiração para a Rainha Malvada do filme de animação Branca de Neve e os Sete Anões, lançado em 1937 por Walt Disney.[4]

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Na década de 1940, Gahagan decidiu entrar na política. Em 1944, ela foi eleita pelo 14º Distrito Congressional da Califórnia para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos com uma plataforma liberal, defendendo os direitos das mulheres, as liberdades civis e o desarmamento mundial. Ela serviria três mandatos completos pelo 14° Distrito. Durante este período, ela teria tido uma relação amorosa com o então congressista – e mais tarde presidente dos Estados UnidosLyndon B. Johnson.[5] Ela foi reeleita duas vezes, em 1946 e em 1948. Neste período, Gahagan se opôs às atividades do Comitê de Atividades Antiamericanas, sendo acusada por opositores de ser branda com o comunismo.

Campanha ao Senado[editar | editar código-fonte]

Em 1950, Gahagan concorreu para uma vaga no Senado dos Estados Unidos, apesar de que o então senador Sheridan Downey iria concorrer ao seu terceiro mandato. William Malone, presidente do Partido Democrata na Califórnia, havia aconselhado Gahagan a esperar até 1952 para concorrer ao Senado, ao invés de dividir o partido numa disputa com Downey pela candidatura. Gahagan, no entanto, disse a Malone que Downey estava negligenciando os veteranos da Segunda Guerra Mundial e os pequenos fazendeiros e que precisava perder sua cadeira. Downey se retirou da disputa durante a eleição primária e apoiou um terceiro candidato, Manchester Boddy, dono e editor do jornal Los Angeles Daily News. Quando Gahagan derrotou Boddy na disputa pela candidatura do partido, Downey apoiou o então representante Richard Nixon.[6] O então colega de Nixon na Câmra John F. Kennedy silenciosamente doou dinheiro para a campanha de Nixon contra sua colega de partido.[7]

Na disputa contra Nixon, Gahagan teria sido – segundo seus partidários – vítima de uma campanha de difamação. Fazendo alusão à suposta simpatia dela aos "vermelhos", Nixon deu a entender que ela era uma companheira de viagem deles, citando como prova disso a equivalência dos votos dela no Congresso com aqueles dos membros de extrema-esquerda da Câmara. Durante a primária, Boddy havia se referido a ela como a "dama cor-de-rosa" (tal cor, na política estadunidense, se refere aos simpatizantes do comunismo), afirmando que ela era "rosa até na calcinha". Nixon repetiu tal linha de ataque durante a eleição geral. Seu diretor de campanha, Murray Chotiner, chegou até a imprimir folhetos em papel cor-de-rosa. Gahagan, por sua vez, popularizou um apelido para Nixon, que se tornou um dos mais duradouras na política estadunidense: "Tricky Dick" (Dick Traiçoeiro).

Nixon acabou vencendo as eleições para o Senado com mais de 59% dos votos válidos, pondo um fim à carreira política de Gahagan. O democrata conservador Samuel W. Yorty – mais tarde membro do Partido Republicano – a sucedeu em sua cadeira na Câmara dos Representantes.

Vida posterior[editar | editar código-fonte]

Houve rumores de que Douglas ganharia um posto no governo de Harry S. Truman após sua derrota na disputa pela cadeira de Downey no Senado. Entretanto, a disputa acalorada com Nixon tornou a indicação dela para qualquer cargo controversa para o então presidente, que enfrentava uma onda de pânico contra os comunistas.[8] Segundo a vice-presidente do Comitê Nacional Democrata, India Edwards – uma das apoiadoras de Gahagan – a congressista não poderia ser indicada nem para chefe de carrocinha.[9]

Em 1952, Gahagan retornou aos palcos e, oito anos mais tarde, fez campanha para John F. Kennedy durante a primeira tentativa de Nixon em se tornar presidente dos Estados Unidos.[8] Em 1972, ela fez campanha para George McGovern em sua tentativa de evitar que Nixon fosse re-eleito presidente dos Estados Unidos. Dois anos mais tarde, durante o escândalo de Watergate, ela fez campanha pelo impeachment de Nixon.[10] Em 1979, Gahagan recebeu a Medalha Barnard, maior distinção da universidade que frequentou.

Helen Gahagan Douglas morreu no ano seguinte, em 28 de junho, aos 79 anos de idade de câncer nos seios e no pulmão. O senador Alan Cranston, da Califórnia, fez uma eulogia para ela na tribuna do Senado no dia 5 de agosto. Segundo ele, "Helen Gahagan Douglas foi uma das pessoas mais grandiosas, mais eloquentes, mais pensativas que já tivemos na política americana. Ela permanece entre as maiores líderes do nosso século XX, rivalizando até mesmo com Eleanor Roosevelt em estatura, compaixão e simplesmente grandeza".

Referências

  1. Denton, Sally. The Pink Lady: The Many Lives of Helen Gahagan Douglas, Bloomsbury Press (2009), p. 9
  2. Mitchell, Greg (1998). Tricky Dick and the Pink Lady. New York, NY: Random House. p. 18. ISBN 0-679-41621-8.
  3. Asbury, Edith Evans (June 29, 1980). "HELEN GAHAGAN DOUGLAS DIES AT 79; ACTRESS LOST TO NIXON IN SENATE RACE". The New York Times (New York): pp. 20.
  4. Kellman, Steven. "Star Power". Texas Observer. 3 de março de 2010. Página acessada em 22 de novembro de 2012.
  5. Caro, Robert A., The Years of Lyndon Johnson: Master of the Senate (2002) p. 144.
  6. Kurz, Kenneth Franklin, Nixon's Enemies, NTC/Contemporary Publishing Group, 1998, p. 104.
  7. Stephen Ambrose, Nixon: The education of a politician, 1913-1962 (1987) pp. 210-211
  8. a b Morris, Roger (1990). Richard Milhous Nixon: The Rise of an American Politician. Henry Holt and Company. pp. 618–19. ISBN 0-8050-1834-4.
  9. Mitchell, Greg (1998). Tricky Dick and the Pink Lady. New York, NY: Random House. p. 255. ISBN 0-679-41621-8.
  10. Mitchell (1998), p. 258.

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • Douglas, Helen Gahagan. A Full Life, Garden City, N.Y.: Doubleday, (1982)
  • Mitchell, Greg. Tricky Dick & the Pink Lady: Richard Nixon vs Helen Gahagan Douglas - Sexual Politics & the Red Scare, 1950 (1998)
  • Scobie, Ingrid Winther. Center Stage: Helen Gahagan Douglas (1995)