Içara (palmeira)

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Como ler uma caixa taxonómicaJuçara ou Içara
Palmera palmito Parque nacional Iguazú.JPG

Estado de conservação
Status iucn3.1 EN pt.svg
Em perigo
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Subclasse: Arecidae
Superordem: Arecanae
Ordem: Arecales
Família: Arecaceae
Subfamília: Arecoidae
Género: Euterpe
Espécie: E. edulis
Nome binomial
Euterpe edulis
Martius 1824
Sinónimos
Euterpe edulis var. clausa Mattos

Euterpe egusquizae Bertoni ex Hauman
Euterpe espiritosantensis Fernandes

Juçara em Pirenópolis, em Goiás, no Brasil
Frutos de juçara
Polpa da fruta da juçara

A içara (Euterpe edulis Martius), também chamada juçara, jiçara, palmito-juçara[1] , palmito-doce, palmiteiro e ripeira, é uma palmeira nativa da Mata Atlântica, no Brasil. Está ameaçada de extinção.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Içara", "jiçara" e "juçara" são derivados do seu nome em tupi: yu'sara[2] . "Palmito-doce" e "palmiteiro" são alusões a seu uso para extração de palmito[1] . "Ripeira" é uma alusão ao uso de sua madeira na confecção de ripas.

Características[editar | editar código-fonte]

Raízes[editar | editar código-fonte]

O sistema radicular do palmito-juçara é do tipo fasciculado, com 58 por cento das raízes desenvolvidas nos primeiros vinte centímetros de profundidade. Nessa camada de maior fertilidade do solo, encontram-se as raízes mais finas, com geotropismo negativo, responsáveis pela absorção de água e nutrientes. Os outros 42 por cento distribuem-se nas demais camadas, sendo que, abaixo de um metro de profundidade, é encontrado apenas dois por cento, em peso, do total de raízes. Trata-se, em sua maioria, de raízes primárias, grossas, de geotropismo positivo e com poucas ramificações, responsáveis pela sustentação da palmeira.

Estipe[editar | editar código-fonte]

O estipe, estipa ou espique (caule) é reto, cilíndrico, solitário, de cor gris claro, podendo alcançar até dezoito metros de altura e um diâmetro de quinze centímetros na idade adulta. Entre o término do tronco e a parte onde nascem as folhas, há uma bainha verde tubular de um 1,5 metros de comprimento, mais grossa que o tronco, formada pela base do conjunto de folhas e chamada capitel. Dentro dela, encontra-se o palmito, que possui elevada importância na alimentação humana.

Folhas[editar | editar código-fonte]

As folhas são alternas, pinadas e em número de oito a quinze, compostas de 38 a 62 pares de folíolos, em geral dispostas em um único plano, raramente divergente, estando regularmente sub-opostas na raque e agrupadas em feixes, lanceoladas, caracteristicamente pêndulas.

Flores[editar | editar código-fonte]

A inflorescência em forma de panícula é composta por uma raque central da qual parte com ramificações de primeira ordem chamadas de ráquilas, as quais sustentam as flores. Nelas estão dispostas flores unissexuadas, onde se encontra uma flor feminina no meio de duas flores masculinas, em geral para os primeiros ¾ da ráquila, sendo que o ¼ da extremidade final só apresenta flores masculinas apresentando protandria acentuada, em que a abertura de flores femininas ocorre em torno de sete dias após o final da floração masculina; pode-se também encontrar inflorescências que apresentem apenas flores masculinas.

Frutos[editar | editar código-fonte]

O fruto é do tipo bacáceo, de um a 1,4 centímetros de diâmetro, composto por um mesocarpo pouco espesso, liso, cor violeta-escuro quando bem maduro, com aproximadamente dez por cento da massa fresca da baga de polpa.

Sementes[editar | editar código-fonte]

A semente é quase esférica, parda-grisácea a parda-amarelada, envolta por uma cobertura fibrosa, com até dez milímetros de diâmetro. As sementes dessa espécie possuem endosperma muito abundante, com alto teor de reservas, as quais se constituem de carboidratos (88 por cento), proteínas (dez por cento) e lipídeos (dois por cento).

Mecanismo de dispersão de sementes[editar | editar código-fonte]

A dispersão dos frutos e sementes é feita a curtas distâncias, ocorrendo predominantemente em um raio de cinco metros da planta mãe, ocasionando um acúmulo de sementes em pequenas áreas. Como consequência, a regeneração natural ocorre em manchas de alta densidade com até quatrocentas plântulas por metro quadrado, sendo a taxa de sobrevivência de plântulas baixa, em torno de 0,3 por cento; a longas distâncias, é realizada por vários mamíferos, entre os quais, morcegos, porcos-do-mato, serelepes e aves: sabiás (Turdus spp.), jacus, tucanos (família Ramphastidae), macucos, jacutingas. Os dispersores, principalmente vertebrados, apresentam um papel importante, pois, ao removerem a polpa que envolve a semente, podem estar aumentando a probabilidade de germinação das sementes.

Potencial agroeconômico[editar | editar código-fonte]

Apresentava elevado potencial de manejo devido a sua ampla distribuição geográfica, alta densidade de indivíduos na área de ocorrência, posicionamento no estrato médio da floresta e forte interação com a fauna. No entanto, a exploração descontrolada levou a espécie ao perigo de extinção.

Caracteriza-se por produzir palmito de excelente qualidade, com valor econômico elevado e amplamente consumido na alimentação humana, no entanto é monocaule e o corte implica a sua morte. Com a morte da palmeira, seus múltiplos produtos são disponibilizados: fibras para fabricação de vassouras, caibros e ripas para construções civis, folhas para cobertura temporária e forrageio. Recentemente, o processamento de seu fruto, o uso em projetos de paisagismo e o reconhecimento das propriedades terapêuticas de suas raízes vêm sendo difundidos, sendo fundamental, entretanto, que se tenha um manejo adequado para a espécie.

Atualmente, uma alternativa altamente viável e em crescente estudo e prática é o processamento da polpa dos frutos da palmeira juçara, obtendo uma composição de bebida conhecida como açaí de juçara, muito semelhante em termos de textura, cor, sabor e composições nutricionais (salvo alguns compostos) ao açaí da espécie de palmeira Euterpe oleraceae, nativa da Região Amazônica. Os frutos maduros, de cor arroxeada-escura, quando colhidos, selecionados, higienizados e postos de banho em água morna, são processados artesanalmente em peneiras ou batidos em máquina despolpadeira adequada (manivela/motor 0,5cv).

O manejo da Euterpe edulis através da utilização dos seus frutos no lugar da exploração do palmito mantém as árvores vivas e difundindo sementes e mudas da espécie ainda por vários anos, cumprindo seu papel na floresta e mantendo este recurso genético e natural tão valioso. No corte ilegal de palmito, plantas adultas e jovens são cortadas sem cuidado e vendidas por valores irrisórios em relação aos custos ambientais que esta ação gera. A utilização dos frutos pode, além de uma ótima forma de manter e dispersar a espécie, tornar-se ótima rede de empregos, cooperativas, renda e qualidade de vida para produtores rurais.

Ocorrência[editar | editar código-fonte]

No interior da floresta ombrófila densa da Mata Atlântica, nos estados brasileiros de Alagoas, Bahía, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe, Santa Catarina e São Paulo[3] . Tem distribuição preferencial ao longo do litoral brasileiro, desde o sul da Bahia (15ºS) até o norte do Rio Grande do Sul (30°S).

Ocorre também na Argentina e no Paraguai[4] .

Referências

  1. a b FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.992
  2. FERREIRA, A.B.H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p. 992
  3. Lista da Flora Brasileira Ameaçada de Extinção
  4. Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. 04 Jan 2010

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Lorenzi, Harri; Hermes Moreira de Souza; Judas Tadeu de Medeiros Costa; Luiz Sérgio Coelho de Cerqueira; Evandro Ferreira: Palmeiras brasileiras e exóticas cultivadas. Instituto Plantarum, Nova Odessa, 2004 ISBN 85-86714-20-8

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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