João XIV de Constantinopla

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Selo do patriarca João XIV Calecas

João XIV de Constantinopla, dito Calecas ou Kalekas (em grego: Ίωάννης ΙΔ' Καλέκας), foi o patriarca grego ortodoxo de Constantinopla entre 1334 e 1347. Ele era um oponente do hesicasmo e de Gregório Palamas. Também teve papel ativo na guerra civil bizantina de 1341-1347 como membro da regência de João V Paleólogo contra João VI Cantacuzeno.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

João Calecas nasceu por volta de 1282 em Apros, na Trácia. Após uma infância em circunstâncias modestas, João se casou e teve um filho e uma filha. João foi ordenado um padre e caiu sob o patrocínio de João Cantacuzeno, o principal ministro do imperador Andrônico III Paleólogo e posteriormente grande doméstico, que o introduziu à corte imperial. Em 1334, contra os desejos de um sínodo patriarcal, Cantacuzeno levou João Calecas a ser eleito, primeiro como metropolita de Tessalônica e, depois, como patriarca em Constantinopla, onde ele sucedeu a Isaías I.

Controvérsia hesicasta[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1337, já durante o seu patriarcado, um monge calabrês chamado Barlaão, que era então abade do Mosteiro de São Salvador em Chora aprendeu a prática do hesicasmo durante uma visita a Monte Atos. Barlaão, treinado na teologia escolástica ocidental, ficou escandalizado e começou uma campanha contra a prática e o seu principal defensor, Gregório Palamas. A contenda cresceu até que, em 1341, o imperador Andrônico III, um defensor de Palamas, convocou o Quinto Concílio de Constantinopla, no qual o patriarca João, mesmo tendo apoiado Barlaão, não conseguiu evitar a sua condenação. O condenado monge então deixou Constantinopla e nunca mais voltou e sua causa seria retomada por Gregório Acindino. Em 1344, num outro sínodo convocado por João Cantacuzeno e sem a presença de João Calecas, Acindino também foi condenado.

Em 1345, tendo finalmente se comprometido com a causa de Barlaão, João Calecas convocou um sínodo que excomungou Gregório Palamas da Igreja Ortodoxa e o mandou prender. Gregório permaneceu aprisionado por três anos, até a morte de Calecas em 1347. Durante este mesmo sínodo, João também excomungou o bispo-eleito de Monemvásia, o futuro patriarca Isidoro I, por seu apoio ao palamismo.

Guerra civil bizantina[editar | editar código-fonte]

Em junho de 1341, após a morte do imperador Andrônico III Paleólogo, duas facções emergiram na corte imperial para contestar a sucessão ao trono. Elas se dividiam sobre a regência do co-imperador - e menor de idade - João V Paleólogo. Apoiado pelas intrigas de Aleixo Apocaucos, os dois lados se engajaram na guerra civil bizantina, que duraria até 1347. Após algumas manobras, uma facção se reuniu à volta de João Cantacuzeno, que apoiava Palamas e incluía os magnatas provinciais da Macedônia e da Trácia. A outra, que tomou o poder de fato, era liderada por Apocaucos e por João XIV Calecas e se reuniu em torno da viúva de Andrônico, Ana de Saboia numa nova regência para o jovem João V. Ana tornou Calecas um regente e apontou Aleixo como eparchos (um prefeito urbano).

Inicialmente, a regência manteve o controle, mas, já em 1345, Cantacuzeno, com a ajuda de Orhan I, do Emirado Otomano, e do assassinato de Aleixo Apocaucos, conseguiu dar um golpe mortal na regência. Em 1346, ele foi coroado co-imperador em Adrianópolis e entrou em Constantinopla em fevereiro de 1347. A guerra civil terminou com um acordo de que João Cantacuzeno seria o imperador sênior e o regente para João V Paleólogo até que ele tivesse idade suficiente para reinar por conta própria.

Sínodo de 1347[editar | editar código-fonte]

Um sínodo foi realizado em fevereiro de 1347 que derrubou João XIV e o exilou para Demótica. Gregório Acindino foi novamente excomungado. Isidoro Buchiras, que tinha sido excomungado em 1344, foi elevado ao trono patriarcal[1] . Dias depois do final deste concílio, João VI Cantacuzeno entrou vitoriosamente em Constantinopla e forçou seus oponentes a coroá-lo co-imperador. Um de seus primeiros atos foi confirmar a deposição de João XIV e aprovar o tomo sinodal que acabara de ser emitido contra ele[1] .

Anos finais[editar | editar código-fonte]

A disputa sobre o hesicasmo continuaria num sínodo convocado pelos defensores de Barlaão, que se recusavam a aceitar o patriarca Isidoro I. Um acordo final viria num sexto sínodo, em 1351, durante o patriarcado de Calisto I.

No final de 1347, o deposto João Calecas foi retirado de seu exílio para Constantinopla, onde morreu no final do ano.

Ver também[editar | editar código-fonte]

João XIV de Constantinopla
(Deposto)

(1334 - 1347)
Precedido por: Cruz ortodoxa.png
Lista dos patriarcas grego ortodoxos de Constantinopla
Sucedido por:
Isaías I 144.º Isidoro I


Referências

  1. a b Martin Jugie. The Palamite Controversy (em inglês). Página visitada em 09/09/2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]