José de Azeredo Perdigão

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

José Henrique de Azeredo Perdigão GCTEGCCGCSEGCIHGCM (Viseu, 19 de Setembro de 1896Lisboa, 10 de Setembro de 1993) foi um advogado português, 1º presidente da Fundação Calouste Gulbenkian.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Natural de Viseu, licenciou-se Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e pós-graduou-se em Ciências Jurídicas, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. No ano de 1919 estabeleceu-se como advogado em Lisboa. Foi um dos advogados mais solicitados do seu tempo em Portugal. Participou em alguns dos maiores processos civis, criminais e comerciais, ganhou fama de implacável e era pago a peso de ouro.

Democrata republicano participou na fundação, com Raul Proença, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro, Raul Brandão e outros, a revista Seara Nova, onde publicou vários estudos e comentários sobre economia. Além de exercer a advocacia, deu aulas e regeu cadeiras em várias universidades, publicou numerosos trabalhos.

Exerceu funções públicas como conservador do Registo Predial, fez parte do Conselho Superior Judiciário, pertenceu ao Conselho de Administração do Banco Nacional Ultramarino e de outras empresas, foi presidente da Assembleia-Geral do Banco Fonsecas, Santos & Viana e da Sacor, e presidente da Assembleia-Geral e do Conselho de Auditoria do Banco de Portugal.

Em 1942 conheceu o milionário e filantropo Calouste Gulbenkian (que escolheu Portugal como refúgio durante a Segunda Guerra Mundial), que impressionou, sendo contratado como seu assessor jurídico.

Em 1948 Gulbenkian decidiu fazer o seu testamento, para dar destino à sua fabulosa colecção de arte, e a sua confiança em Azeredo Perdigão foi decisiva para a criação da futura fundação em Portugal, que negociou as condições mais favoráveis com o governo português. Calouste Gulbenkian morreu em 1955 e, após uma batalha jurídica entre com Cyril Radcliffe, o advogado inglês do milionário, Azeredo Perdigão venceu e foram aprovados os estatutos da Fundação Gulbenkian, a 18 de Julho de 1956, com sede em Portugal. Azeredo Perdigão não queria a interferência de Salazar na fundação e consegui essa independência, pois o Presidente do Conselho, que não gostava das suas opiniões políticas, também não duvidava do seu patriotismo e acreditava que ele defendia os interesses nacionais.

Azeredo Perdigão foi nomeado presidente vitalício da Fundação Calouste Gulbenkian e, desde então, abandonou a sua actividade de advogado para se dedicar inteiramente à fundação, sendo nessa ocasião homenageado pela Ordem dos Advogados Portugueses.

Sob a sua direcção, a fundação teve um papel determinante no desenvolvimento da cultura em Portugal, com a criação de bibliotecas itinerantes que levaram cultura aos mais remotos pontos do país, festivais de música, a criação da Orquestra Gulbenkian, exposições de arte, a construção do primeiro centro de arte moderna de Portugal, a atribuição de bolsas de estudo e de subsídios à criação artística, etc.

A 4 de Agosto de 1959 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, a 13 de Janeiro de 1970 com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, a 7 de Agosto de 1981 com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, a 11 de Setembro de 1985 com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e a 13 de Fevereiro de 1987 com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.[1]

Morreu com 97 anos, depois de exercer durante cerca de 37 anos o cargo de presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, que tornou uma referência mundial nas artes. Ao longo da sua vida recebeu o Doutoramento Honoris Causa por diversas universidades nacionais e estrangeiras — em Direito, pelas universidades de Coimbra, do Porto, Nova de Lisboa, do Estado da Bahia, do Estado do Rio de Janeiro e Estadual Paulista; em Artes pelo Royal College of Arts de Londres; em Ciências Humanas, pela Southeastern Oklahoma State University (Estados Unidos); em Humanidades, pela Universidade de Sophia (Japão); em Arquitectura, pela Universidade Técnica de Lisboa.

A sua mulher a Dr.ª Maria Madalena Bagão da Silva Biscaia foi Comendadora da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada a 21 de Janeiro de 1964 e Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique a 22 de Agosto de 1983, tendo sido elevada a Grande-Oficial Ordem Militar de Sant'Iago da Espada a 5 de Setembro de 1985 e a Grã-Cruz da mesma Ordem a título póstumo a 8 de Março de 1990.[1]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Neste momento, em sua homenagem, há uma escola em Viseu chamada Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos Dr. Azeredo Perdigão, e o Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão.

Referências

  1. a b [1] Presidência da República Portuguesa Ordens.presidencia.pt.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.