Josef Kramer

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Josef Kramer
Flag of German Reich (1935–1945).svg
Nascimento 10 de novembro de 1906
Munique, Alemanha
Morte 13 de dezembro de 1945 (39 anos)
Helmn, Alemanha
Nacionalidade alemão
Cargo Comandante do campo de concentração de Bergen-Belsen
Serviço militar
Patente Flag Schutzstaffel.svg SS Hauptsturmführer
Kramer sendo escoltado por soldados ingleses em Bergen-Belsen após ser capturado, 1945.

Josef Kramer (10 de novembro de 1906, Munique13 de dezembro de 1945, Hamelin) foi o comandante do campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha, e um dos mais notórios criminosos de guerra nazistas, diretamente responsável pela morte de milhares de pessoas no Holocausto judeu da II Guerra Mundial. Sua crueldade lhe valeu o apelido de Besta de Belsen, dado pelos prisioneiros do campo.

Kramer entrou para o Partido Nazista em 1931 e para a SS, como soldado raso, em 1932. Seu treinamento na SS o transformou em guarda de presídio e após o início da guerra, em guarda de campo de concentração. Em 1934 foi recrutado como guarda em Dachau, e rapidamente promovido, conseguiu melhores postos de supervisão em outros campos como Sachsenhausen e Mauthausen. Em 1940, Kramer tornou-se assistente de Rudolf Hoess em Auschwitz e em 1942 foi promovido a SS Hauptsturmführer, quando recebeu o controle das câmaras de gás no complexo de extermínio Auschwitz-Birkenau. Em 1944 finalmente tornou-se comandante do campo de concentração de Bergen-Belsen.

Em seu período em Auschwitz, Kramer ficou famoso pela maneira dura e rude como tratava seus subordinados. Um dos acusados no julgamento de crimes de guerra de Frankfurt, o Dr. Franz Lukas, contou que evitava as tarefas determinadas a ele por Kramer pretextando dores de estômago e de intestinos. Quando certa vez viu seu nome ser colocado numa lista de médicos que deveriam selecionar prisioneiros recém-chegados da Hungria para trabalhos forçados ou execução protestou violentamente o que levou Kramer a lhe dizer: "Eu sei que você está sendo investigado por favorecimento a prisioneiros. Eu estou lhe ordenando agora que suba aquela rampa e faça seu trabalho. Se se recusar a obedecer, eu o mato no local".

Sepultura simbólica de Anne Frank, uma das vítimas de Josef Kramer, em Bergen-Belsen.

Em agosto de 1943, Auschwitz recebeu um grupo de 40 mulheres que deveriam ser executadas com gás. Com a ajuda dos SS, Kramer as despiu, as enfiou nas câmaras e ficou olhando pelo lado de fora através de um pequeno visor vendo-as gritarem desesperadas até caírem mortas ao chão. Perguntado sobre o que sentia com isso, ele respondeu: “Eu não sentia nada em fazer estas coisas porque eu estava simplesmente obedecendo a ordens. Esta era a maneira como fui treinado”.

Em dezembro de 1944, investido do comando no campo de Belsen, as regras e o comportamento de Kramer eram tão duros e cruéis que ele foi apelidado pelos internos de “Besta de Belsen”. A medida que a Alemanha ia entrando em colapso e a administração dos campos ruía em sua organização, Kramer continuava devoto à burocracia. Em março de 1945, ele preencheu um relatório dizendo que dos 25.000 prisioneiros em seu campo, 300 haviam morrido de tifo na semana anterior. Com o fim da guerra cada vez mais próximo e a Alemanha invadida por todos os lados, a população de Belsen continuava a crescer, recebendo prisioneiros trazidos de outros campos que tinham sido alcançados pelos Aliados. No meio de abril, Belsen tinha mais de 80.000 prisioneiros sob o tacão de Josef Kramer.

Com o colapso total da administração e a fuga da maioria dos guardas de Belsen à aproximação dos soldados aliados para evitar a retaliação, os prisioneiros foram entregues a sua própria sorte. Corpos apodreciam por todos os lugares e os ratos atacavam aqueles que não tinham mais forças para espantá-los. Kramer permaneceu no campo até o fim e mesmo quando os britânicos chegaram ele se manteve indiferente e levou-os a uma volta na área para ver as cenas de degradação humana e morte por todo o lugar, pilhas de corpos esqueléticos amontoados no chão, covas cheias de cadáveres insepultos e cabanas com os últimos prisioneiros sobreviventes em estado de completa degeneração física e mental.

Josef Kramer e outros 44 subalternos da equipe do campo de Bergen-Belsen (incluindo quinze mulheres) foram presos e julgados por uma corte militar britânica na cidade próxima de Lüneburg. O julgamento dos réus se desenrolou entre setembro e novembro de 1945. Em 17 de novembro ele foi sentenciado à morte e enforcado por crimes contra a humanidade em 13 de dezembro, na prisão de Hamelin.