Língua bretã

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Bretão (Brezhoneg)
Falado em: Bretanha (França)
Região: Europa
Total de falantes: 500.000 a 1,2 millões [1]
Família: Indo-europeia
 línguas célticas
  línguas britónicas
   Bretão
Estatuto oficial
Língua oficial de: Não é oficial
Regulado por: sem regulacão oficial
Códigos de língua
ISO 639-1: br
ISO 639-2: bre (B) bre (T)
ISO 639-3: bre
Bretons Spraakgebied.jpg
Áreas com culturas de origem britônica no século VI. O mar era o meio de comunicação entre as diferentes comunidades.

O bretão (Brezhoneg, código ISO 639 br ou bre) é uma língua britônica falada na zona ocidental da Bretanha (conhecida como Baixa Bretanha; em bretão, Breizh Isel), na França. Descende das línguas célticas que foram levadas da Grã-Bretanha pelas migrações bretãs para a Armórica , no início do Medievo. Intimamente relacionado com outras línguas britônicas, sobretudo com o córnico e o galês, e um pouco mais distante do gaélico irlandês e do gaélico escocês, é classificada como uma língua céltica insular. O bretão é a única língua celta sem estatuto oficialmente reconhecido. O número de falantes declinou de mais de um milhão, nos anos 1950, para cerca de 200.000 nos dias atuais, sendo que a maioria desses locutores tem mais de 60 anos de idade[1] Isso tornou o bretão uma língua ameaçada de extinção, segundo o Livro Vermelho das Línguas Ameaçadas da UNESCO.

Dicionário[editar | editar código-fonte]

  • Minidicionário bretão-português & português-bretão, por Yoran Embanner, 2005, ISBN 2-914855-13-3

História[editar | editar código-fonte]

A área conhecida pelos romanos como Armórica foi renomeada "Pequena Bretanha", por serem os seus habitantes oriundos da Grã-Bretanha, especialmente na Cornualha, de onde migraram no século VI d.C.

Entre 1880 e meados do século XX, o ensino do bretão foi banido das escolas, e as crianças eram punidas se falassem a língua.[2] Isso mudou, porém, em 1951 com a promulgação da Lei Deixonne, que passou a permitir o ensino da cultura e da lingua bretã, três horas por semana, nas escolas públicas, se os professores assim o quisessem e conhecesem a língua. Desde então, muitas escolas e mesmo faculdades foram preparadas para educação em bretão ou bilíngue (bretão - Francês).

O primeiro registro escrito da língua data de 790. Trata-se do Manuscrit de Leyde (Leida), um tratado de botânica, redigido em bretão e em latim. O primeiro texto impresso em bretão, uma peça romântica, surgiu em 1530. O século XIX marcou o renascer da literatura bretã.

Situação recente[editar | editar código-fonte]

Durante muito tempo houve consideráveis variações na grafia dos sons da língua bretã. Então, em 1908 a ortografia de três dos dialetos da língua, existentes na Bretanha, em Kerneveg (Cornouaille), em Leoneg (Léon) e em Tregerieg (Trégor), foi unificada. Outro dialeto, Gwenedeg (Vannetais), não foi incluído na reforma, mas foi inserido quando da reforma ortográfica de 1941.

Hoje, o bretão pode ser ouvido em um bom número de estações de rádio por algumas horas e há um programa semanal bretão na TV, com uma hora de duração. Há ainda algumas revistas semanais e mensais escritos na língua.

Escrita[editar | editar código-fonte]

A língua bretã utiliza o alfabeto latino com as seguinte características:

  • sem Q, sem X; o C não aparece sozinho, só como Ch e C'h. No mais tem as mesmas letras Latinas.
  • vogais: todas as cinco e mais as combinações ae, ao, eo, eu, ou. Usam-se os diacríticos ê, où. Há as nasalizações añ, eñ, euñ, iñ, oñ, uñ.
  • Consoantes: existem as combinações gn, lh, zh, ch, c'h

Amostra de texto[editar | editar código-fonte]

Dieub ha par en o dellezegezh hag o gwirioù eo ganet an holl dud. Poell ha skiant zo dezho ha dleout a reont bevañ an eil gant egile en ur spered a genvreudeuriezh.

Português

Todos seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São providos de razão e consciência e devem agir uns em relação aos outros num espírito de fraternidade.

(Artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos)

Referências

  1. Fañch Broudic, 2009. Parler breton au XXIe siècle – Le nouveau sondage de TMO-Régions. Em 2007 havia 172.000 falantes na Baixa Bretanha e, em toda a Bretanha, pouco menos de 200.000. O número chegava 206.000, quando incluídos os estudantes de escolas bilíngues.
  2. BROUDIC, Fañch. L'interdiction du breton en 1902. La IIIe République contre les langues régionales. Spézet : Coop Breizh, 1996.

Dictionaries, Ensino[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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