Múleo

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Pio VII com seus múleos
Sapatos papais vermelhos, em couro: manufacturados pelo sapateiro papal Adriano Stefanelli, estabelecido em Novara, usados pelo Papa Bento XVI - Colecção Philippi

Múleo (do latim Mulleus: de cor vermelha ou púrpura, de Mullus: ruivo, um peixe marinho) é o calçado vermelho próprio dos papas.

História[editar | editar código-fonte]

Na Roma antiga, os múleos eram os calçados (scilicet calceus) - tipo borzeguim ou coturno - usados pelos patrícios e pelos senadores que tivessem exercido alguma magistratura curul, ou seja, de primeira ordem.

Uso Papal[editar | editar código-fonte]

A cor vermelha dos múleos papais simboliza o sangue dos mártires e a completa submissão do papa à autoridade de Jesus Cristo. Os múleos papais são sempre feitos à mão, com cetim, veludo ou couro vermelhos; os cadarços, quando presentes, são de ouro e as solas feitas do couro. Assim como os nobres, o papa também usava calçados distintos quando em ambiente interno ou externo. No primeiro caso, os calçados eram feitos de veludo ou seda vermelhos, decorados com galões de e uma cruz ouro na pala. Ao ar livre, os papas usavam sapatos vermelhos lisos, feitos com couro do Marrocos, mas, também, com a cruz de ouro na pala, por vezes ornada com rubis. Primitivamente, esta cruz era grande, atingindo as bordas do sapato. No século VIII, suas extremidades foram encurtadas. Quando este calçado era feito com uma sola muito fina, era chamado pantofola levis.

Papa Bento XVI usando múleos.

O chapéu papal - chamado saturno, o manto - chamado tabarro, a murça ou mozeta, a estola pontifícia, o camauro e os múleos, são os únicos trajes papais vermelhos que restaram. Desde Pio V, os papas têm usado indumentárias quase que exclusivamente brancas. Durante a oitava da Páscoa, no lugar da murça vermelha, os papas se servem de uma mozeta de setim adamascado branco e , antigamente usavam sapatos branco, durante esta semana. Em 1958, o Papa João XXIII acrescentou fivelas de ouro aos seus múleos, ficando então muito parecidos aos sapatos que os cardeais usavam, fora de Roma. O Papa Paulo VI retirou a cruz de ouro dos múleos e aboliu a cerimônia do beija-pés. Giácomo Casanova escreveu sobre sua experiência numa destas cerimônia de beija-pés em sua "Histoire de miliampère vie".

Contudo, Paulo VI manteve a fivela em seus sapatos, tal qual pode ser visto em sua histórica visita a Jerusalem, em 1964. Em 1969, Paulo VI aboliu as fivelas de todos os sapatos eclesiásticos, que eram, até então, obrigatórias na corte papal e para todos os prelados. Ele também abandonou o uso dos sapatos de veludo e a murça e os sapatos pascais. Desde então os papas vem usando múleos vermelhos lisos. João Paulo II alternou o uso de múleos de tons vermelho sangue com outros de vermelho mais escurecido, sendo que os seus sapatos eram todos confecionados na Polônia. O Papa Bento XVI sempre usou os múleos vermelhos tradicionais. Já o Papa Francisco optou por não usar os múleos, usando sapatos inteiramente pretos.