Mo Yan

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Mo Yan Medalha Nobel
Mo Yan, em 2008
Nome completo Guan Moye
Nascimento 17 de fevereiro de 1955 (59 anos)
Gaomi, Shandong
Nacionalidade República Popular da China Chinesa
Ocupação Escritor
Prémios Medalha do prêmio Nobel Nobel de Literatura (2012)
Gênero literário Realismo mágico

Guan Moye (em chinês: 管謨業, em chinês simplificado 管谟业, em pinyin Guǎn Móyè) (17 de fevereiro de 1955) é um escritor chinês, mais conhecido pelo pseudônimo de Mo Yan (em chinês: 莫言, em pinyin Mò Yán), que significa "Não fale"[1] . É descrito como "um dos mais famosos, banidos e largamente pirateados escritores chineses".[2]

Foi laureado com o Nobel de Literatura em 2012,[3] "que com realismo alucinatório funde contos populares, história e contemporaneidade".[4]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu na província de Shandong, numa família de granjeiros, em um meio rural. Deixou a escola durante a Revolução Cultural para trabalhar numa fábrica de petróleo. Com 20 anos alistou-se no Exército Popular de Libertação, as atuais forças armadas do seu país, onde desempenhou um cargo de segurança e foi instrutor político de propaganda[3] e nessa época começou a escrever. Seu pseudônimo foi escolhido logo no início de sua carreira e significa "não fale". Numa entrevista recente explicou que o nome se refere ao período revolucionário da década de 1950, quando seus pais o instruíam a não falar tudo o que pensa quando em público.[5]

Em 1981, publicou o seu primeiro romance que tinha escrito enquanto soldado.[3]

Em 1984, obteve um posto na Escola de Arte e Literatura do Exército, o que lhe permitiu dedicar mais tempo a escrever.

Em 1987, edita o que seria um grande sucesso, "Red Sorghum", que foi adaptado ao cinema por Zhang Yimou. A película contou com os atores Gong Li e Jiang Wen, ganhando o Urso de Ouro do Festival Internacional de Berlim em 1988.[3]

Em 1996, publicou 丰乳肥臀 (traduzido em Portugal como "Grandes peitos, ancas largas" e editado pela Ulisseia, reeditado em 2007 pela Babel),[3] romance que foi proibido na China, e no que desde uma visão feminina, revisa quase um século da história do seu país. Devido ao teor sexual da história, o autor foi obrigado a escrever uma autocrítica ao seu próprio livro, tendo mais tarde sido obrigado a retirá-lo de circulação.[6]

Em 2009, numa conferência na Feira do Livro de Frankfurt, respondeu às acusações de falta de independência perante o poder: "Um escritor deve exprimir crítica e indignação perante o lado negro da sociedade e a fealdade da natureza humana, mas não devemos recorrer a formas de expressão uniformes. Alguns poderão querer gritar nas ruas, mas devemos tolerar aqueles que se escondem nos seus quartos e usam a literatura para transmitir as suas opiniões".[6] Nesse mesmo ano, o escritor ganha diversos prémios, entre eles Prémio Newman para literatura chinesa.[7]

Em 2011, ganhou o Prêmio Mao Dun, o mais importante galardão literário oficial do país, sendo depois eleito vice-presidente da Associação dos Escritores da China.[3] [6] [7]

O seu mais recente romance, "Frog", fala de um tema especialmente sensível: a prática de abortos forçados na China devido à política de controle da natalidade imposta há três décadas sob a politica de "um casal, um filho".[3]

Seu estilo é comparado com o realismo mágico de Gabriel García Márquez.

Referências

  1. "La voz recuperada de Mo Yan", artigo en El País, 10 de maio de 2008 (em espanhol).
  2. Morrison, Donald (14 de fevereiro de 2005). Holding Up Half The Sky Time.
  3. a b c d e f g Mo Yan vence Nobel de Literatura (em português) noticias.sapo.pt. Página visitada em 11 de outubro de 2012.
  4. The Nobel Prize in Literature 2012 (11 de outubro de 2012). Página visitada em 11 de outubro de 2012.
  5. Leach, Jim (Jan/Feb 2011). "The Real Mo Yan". Humanities 32 (1): 11–13.
  6. a b c Nobel da Literatura 2012 para chinês Mo Yan Público (11 de outubro de 2012). Página visitada em 11 de outubro de 2012.
  7. a b Chinês Mo Yan vence Nobel de Literatura 2012 Globo (11 de outubro de 2012). Página visitada em 11 de outubro de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Precedido por
Tomas Tranströmer
Nobel de Literatura
2012
Sucedido por
Alice Munro