Mosteiro de Santa Maria de El Paular

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Real Mosteiro de Santa Maria de El Paular
Real Monasterio de Santa María de El Paular
Tipo Mosteiro e igreja
Estilo dominante Gótico
Arquiteto Rodrigo Alfonso, Abderramão, Juan Guas, Juan Gil de Hontañón, Rodrigo Gil de Hontañón e outros
Início da construção 1390 (624 anos)
Website monasteriopaular.com
Património
Classificação nacional R.I.-51-0000015-00000
Geografia
País  Espanha
Cidade Rascafría, Comunidade autónoma de Madrid
Coordenadas 40° 53' 20" N 3° 53' 15" O
Geolocalização no mapa: Espanha
Real Mosteiro de Santa Maria de El Paular está localizado em: Espanha
Real Mosteiro de Santa Maria de El Paular

O Real Mosteiro de Santa Maria de El Paular (em espanhol: Real Monasterio de Santa María de El Paular) foi durante 450 anos um mosteiro da Ordem dos Cartuxos, desde a sua fundação em 1390 até 1840. Desde 1954 que é uma abadia da Ordem de São Bento. Situa-se no município de Rascafría, na vertente sul, virada para Madrid da Serra de Guadarrama, na Comunidade autónoma de Madrid, Espanha.

Origem[editar | editar código-fonte]

As obras de construção do cenóbio cartuxo foram iniciadas em 1390, por ordem de Henrique II de Castela (m. 1379), e prologaram-se por vários séculos. Foi a primeira instituição da Ordem de São Bruno em Castela. A localização foi escolhida pelo monarca e, segundo a tradição, decidiu que fosse dado aos cartuxos devido a que, durante a guerra em França o seu exército tinha incendiado um mosteiro daquela ordem.[1] Henrique fez questão de assinalar ao seu filho, que reinaria como João I de Castela (r. 1379–1390), o local exato da construção, junto a uma ermida conhecida com Santa Maria de El Paular. Esta ermida ainda existe atualmente, embora tenha mudado o nome para Capela de Nossa Senhora de Montserrate.

Construção[editar | editar código-fonte]

O projeto incluía três edifícios: o msoteiro, uma igreja e um palácio para uso e desfruto dos reis. No início trabalharam na obra diferentes mestres e arquitetos, como Rodrigo Alfonso, que também participou nas obras da Catedral de Toledo, o mourisco Abderramão, a quem se deve o o refeitório gótico-mudéjar, e Juan Guas, responsável pelo átrio e pelo pórtico da igreja e pelo claustro dos monges, que conta com um templete octogonal muito característico, que tem uma fonte no seu interior. Um século mais tarde, no final do século XV, Juan Gil de Hontañón e o seu filho Rodrigo trabalharam no El Paular. O pórtico de acesso ao pátio da Ave Maria no palácio é da autoria de Rodrigo Gil de Hontañón.

A igreja ganhou a sua forma final durante o reinado de Isabel, a Católica (r. 1475–1504) e é a parte mais proeminente de todo o conjunto. A reja (grade) que separa os fiéis dos monges foi realizada pelo frade cartuxo Francisco de Salamanca e é uma obra prima no seu género. O cadeirado do coro foi reposto na sua localização original em 2003, depois de em 1883 ter sido transladado para a Basílica de São Francisco o Grande de Madrid.[2] O cadeirado, de madeira de nogueira, foi talhado no século XVI pelo segoviano Bartolomé Fernández, autor do cadeirado da igreja do Mosteiro de Santa Maria de El Parral, em Segóvia.[3]

A peça mais importante é o retábulo, realizado nos finais do século XV em alabastro policromado. Recria uma série de 17 cenas bíblicas com um detalhe extraordinário. Segundo parece, foi uma obra executada em Génova, mandada vir daquela cidade pelo doador João II de Castela, mas segundo outros autores teria sido talhado in situ por artistas da escola de Juan Guas durante a última década do século XV. Esta última tese poderia explicar a grande quantidade de restos do mesmo alabastro que foram usados no retábulo que existem no pátio de Matalobos para terraplanar algumas partes. Esses restos foram descobertos em obras recentes e alguns alguns deles encontram-se parcialmente talhados. O retábulo está perfeitamente conservado e recentemente foi objeto de uma cuidadosa limpeza que lhe devolveu todo o seu esplendor.[4]

Para separar a nave da igreja das partes antes reservadas a monges e a conversos, foram instaladas duas grandes pinturas de Luis Feito (n. 1929) que segundo alguns destoam do ambiente.

A “série cartuxana” de Vicente Carducho[editar | editar código-fonte]

Contratado pelo prior Juan de Baeza, entre 1626 e 1632, Vicente Carducho, contemporâneo de Velázquez e, como ele, pintor régio, pintou as 54 aberturas do claustro do Paular com outros tantos grandes quadros sobre a vida do fundador da Ordem Cartuxa, São Bruno de Colónia e a história da ordem. Depois da desamortização em 1835, os quadros foram removidos e repartidos entre diversos museus e instituições, mas surpreendentemente todos se mantiveram em Espanha. Os dois que desapareceram foram queimados durante a guerra civil pelos republicanos em Tortosa, Catalunha, em cujo museu municipal estavam depositados.

As 52 telas de Carducho acabaram por voltar todas ao mosteiro no verão de 2006. Do Museu do Prado vieram 17 e do Museu Provincial da Corunha vieram 14; as restantes vieram de outros museus. Os quadros encontravam-se em mau estado de conservação, pelo que foram restaurados ao longo de seis anos e, após a climatização do claustro, voltaram ao seu lugar original no verão de 2011.[5] [6]

Capela do Sacrário[editar | editar código-fonte]

As capelas e o tabernáculo formam um conjunto cuja construção foi iniciada em 1718,[7] quando foir reformada a antiga capela de forma hexagonal que existia para a exposição e adoração do Santíssimo Sacramento. O autor do projeto de conjunto foi o cordovês Francisco Hurtado Izquierdo, que em 1702 tinha desenhado o sacrário da Cartuxa de Granada, uma das obras barrocas mais notórias de Espanha. O tabernáculo ou transparente é uma estrutura hexagonal que alberga um sacrário monumental, construído em 1724 com mármores coloridos extraídos em pedreiras de Cabra, Priego de Córdova, Granada e da serra de Córdova. Nele era colocada uma grande custódia barroca de 24 arrobas de prata, da autoria do cordovês Pedradas e que ocupava o centro do tabernáculo, provavelmente desaparecida durante a "Francesada" (Guerra Peninsular). No outro lado há uma capela octogonal com quatro capelas mais pequenas e três altares. Nelas se esculturas representando diversos santos: Santa Catarina, Santa Águeda, São João, Santa Lúcia, Santa Inês (entre as de São Joaquim e de Santa Ana), bem como as de santos cartuxos: São Bruno de Colónia, São Nicolau Albergati, São Hugo de Lincoln e Santo Antelmo. A maioria destas esculturas devem-se a Pedro Duque y Cornejo (1677–1757), também autor do célebre coro da Catedral de Córdova, encomendado a 20 de maio de 1725. O resto são de Pedro de Alonso de los Ríos, de Valladolid. No que concerne a pintura, da qual há atualmente poucos restos, foi executada em 1723 pelo bujalancenho Antonio Palomino no final da sua carreira.

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. González Dávila, Gil (1638) (em espanhol), Historia de la vida y hechos del Rey Don Henrique Tercero de Castilla..., Francisco Martinez,, pp. 233, http://books.google.pt/books?id=jTGFSnCgqs4C&pg=PA24, visitado em 25 de junho de 2013 
  2. Fraguas, Rafael (2 de setembro de 2003). [1] (em espanhol) elpais.com. Página visitada em 25 de junho de 2013.
  3. La Iglesia (em espanhol) monasteriopaular.com. Sítio oficial do Mosteiro de El Paular. Página visitada em 25 de junho de 2013.
  4. El Retablo Mayor (em espanhol) monasteriopaular.com. Sítio oficial do Mosteiro de El Paular. Página visitada em 25 de junho de 2013.
  5. Morales, Aroa (28 de julho de 2011). El regreso de Carducho (em espanhol) www.elmundo.es.. Página visitada em 25 de junho de 2013.
  6. Morales, Aroa (2011). Exposición de Vicente Carducho (em espanhol) www.elmundo.es.. Página visitada em 25 de junho de 2013.
  7. El Transparente o Tabernáculo (em espanhol) monasteriopaular.com. Sítio oficial do Mosteiro de El Paular. Página visitada em 25 de junho de 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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  • El Paular (em espanhol) www.rascafria.org. Ayuntamiento de Rascafria. Página visitada em 25 de junho de 2013.