Oratório de São José

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Oratório de São José do Monte Royal.

Oratório de São José do Monte Royal, (francês - Oratoire Saint-Joseph du Mont-Royal), é uma basílica Católica Romana situada na ladeira norte do Monte Royal em Montreal, Canadá.

Em 1904, o Irmão André (Alfred Bessette) começou a construção de uma pequena capela ao lado do monte próximo ao Colégio Notre Dame. Brevemente, ela tornou-se muito pequena. Mesmo com sua ampliação, em 1917, uma igreja foi construída, chamada a crípta, com uma capacidade para 1000 pessoas sentadas. Em 1924, a construção da basílica foi inaugurada; e foi completamente finalizada em 1967. Seu domo, ou cúpula, é o segundo maior desse tipo no mundo, ficando atrás apenas da Basílica de São Pedro no Vaticano, Roma, e é a maior igreja de todo o Canadá.

A basílica é dedicada a José de Nazaré, a quem o Irmão André creditou todos os seus supostos milagres. Muitos deles eram relacionados a um certo de poder de cura e muitos pelegrinos (paralíticos, cegos, doentes, etc...) vieram até sua basílica, incluindo numerosos Protestantes. Em exposição na basílica há uma parede coberta com as imagens daqueles que ele supostamente curou. O Papa João Paulo II reconheceu a autenticidade dos milagres e beatificou Irmão André em 1982.

A Capela de São José original construída por Irmão André em 1904.

Uma relíquia no museu da igreja contém o coração do Irmão André, que ele requisitou como uma proteção para a basílica.

Mais de 2 milhões de visitantes e pelegrinos visitam o Oratório todos os anos. Ela está localizada ao número 3800, Queen Mary Road, em Côte-des-Neiges, onde também se encontra uma estação da linha azul do metrô.

Em 19 de Outubro de 2004, o Oratório comemorou seu centenário. Todos os sinos de todas as igrejas na ilha de Montreal deveriam tocar seus sinos às 9:00 da manhã. Infelizmente, nem todos ouviram o som dos sinos porque nem todas as igrejas participaram. Às 9:05 da manhã, a basílica badalou todos os seus sinos em resposta e celebração.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Capela do irmão André[editar | editar código-fonte]

Capela do Irmão André

A partir de 1900, o irmão André tem o projeto de erigir uma capela (um oratório e criar assim um santuário dedicado a José, pai de Jesus Cristo, sobre o Monte Royal., em frente ao colégio Notre-Dame de Montreal, onde trabalhava[1] .

A popularidade do irmão André e a afluência crescente de doentes incitam a Congregação de Santa Cruz a autorizar a construção da capela. A direção do colério e o arcebispo de Montreal, Monsehor Paul Bruchési, decidem que os custo do projeto não seriam financiados[2] .

O irmão André organiza recolhimento de doações dos visitantes. Logo, o terreno sobre o Mont Royal é comprado pelo montante de CAN$10 000[3] . A construção se inicia graças as doações recebidas.

Entre julho e outubro de 1904, o irmão André faz construir uma capela com ajuda de fiéis. Esta capela seria utilizada para orações a São José. Feita de madeira e compreendendo um espaço muito restrito de 4,50 m por 5,50 m, a capela nao conseguia abrigar todos os fiéis. Esta era de fato um oratório que abria suas portas de madeira e permitia aos fiéis orar a partir do lado de fora e apenas em período estival. A inauguração e a consagração acontecem em 19 de outubro de 1904.

Devido à fama do irmão André, à multiplicação de curas e ao aumento da afluência de fiéis, houve necessidade de uma expansão. Decidiu-se então expandir e fazer as ligações de aquecimento do edifício em 1908.

A capela situada sobre o flanco da montanha ganha popularidade. Foi expandida novamente em 1910, com o acréscimo da nave, do campanário e o quarto do irmão André na parte superior da capela, que comportava também um segundo leito destinado ao acolhimento de pelegrinos ou doentes. Após a segunda expansão, a construção toma a forma atual.

Cripta[editar | editar código-fonte]

Vista da cripta
São José na cripta

O oratório era pequeno demais para as acolher as procissões que vinham encontrar o irmão André e orar a São José. Decidiu-se então em 1915 por construir uma igreja. O planos previam a construção de uma cripta coberta por uma basílica. Os trabalhos iniciaram-sem em 1916 seguindo os planos dos arquitetos Dalbé Viau e Alphonse Venne.

A inauguração e a consagração acontecem em 1917. O nome cripta vem do fato que sua abóbada encontra-se sobre arcos rebaixados e sua posição aos pés da basílica. A cripta pode acolher mil pessoas, e recebe a visita de fiéis que participam das missas cotidianas.


Basílica[editar | editar código-fonte]

A construção da basílica começa em 1924, seguindo projeto dos mesmos arquitetos da cripta, construída oito anos antes. O monge francês Dom Paul Bellot desenha o acabemento exterior em estilo renascentista italiano acompanhado de toques modernistas.

A morte do irmão André precede os trabalhos de acabamento exterior, empreendidos por Dom Paul Bellot em colaboração com os arquitetos Rodolphe Tourville e Lucien Parent, que tiveram início em 1937.

O cimento das paredes foi coberto por granito vindo do Lago Mégantic, no Quebec. Quatro colunas de 18 m demonstram o estilo coríntio, sobre a fachada da basílica. A cúpula foi revestida de cobre.

O altar-mor foi consagrado em 1955 pelo cardeal Paul-Émile Léger. Neste mesmo ano, o nome oratório São José do Mont-Royal foi instituído pelo papa Pio XII.

Vista noturna

Os trabalhos de acabamento interior foram terminados em 1966 pelo arquiteto Gérard Notebaert.

A construção termina em 1967, trinta anos aós a morte do irmão André.


Tumba do irmão André[editar | editar código-fonte]

Irmão André falece em 6 de janeiro de 1937 aos 91 anos. Seu corpo foi guardado em outro local enquanto aguardava-se o fim da construção de seu túmulo.

Após o final da construção da tumba, o corpo foi depositado em seu interior. Esta situa-se dentro de uma capela funerária fora da igreja. O arco em tijolo foi desenhado pelo arquiteto Dom Paul Bellot. O então primeiro-ministro do Quebec, Maurice Duplessis, que era amigo pessoal do irmão Andre, ofereceu o mármore negro da sepultura.

Em 11 de setembro de 1963, a tumba foi aberta pelo Tribunal eclesiástico encarregado da beatificação para assegurar-se da integridade do corpo, que à época estava em estado de mumificação e intacto. A beatificação foi efetuada em 23 de maio de 1982 pelo Papa João Paulo II.

Centenas de milhares de pessoas a visitam cada ano. O afresco de Henri Charlier pintado na parede atrás da tumba ilustra a devoção à Paixão de Cristo, que era a afeição do irmão André. Pode-se ler a inscrição: " Pauvre, obéissant, humble serviteur de Dieu " (pobre, obediente, humilde servo de Deus). Um busto do irmão André está exposto na parede oposta. Sobre o busto, encontra-se registros contendo milhões de assinaturas em favor da canonização do irmão André[4] .


Coração do irmão André[editar | editar código-fonte]

Na Idade Média na França e na Itália, o costume era guardar o coração de pesoas célebres em sinal de admiração e reconhecimento. Desse modo conservou-se os corações dos reis da França. O arcebispo de Montreal, monsenhor Georges Gauthier, pede que o coração de irmão André seja conservado.

O coração do irmão André foi exposto ao público, atraindo multidões. Foi roubado na noite de 15 para 16 de março de 1973. Graças a informações divulgadas pela polícia, o coração foi encontrado quase dois anos mais tarde. Em 21 de dezembro 1974, policiais entram em uma casa no sul de Montreal e encontram o coração intacto no subsolo, cuidadosamente e respeitosamente guardado.

O coração foi novamente exposto ao público, na sala de exposição dedicada à sua vida e sua obra. Autoridades religiosas protegeram o coração atrás de uma grade em ferro forjado.


O Caminho da Cruz[editar | editar código-fonte]

Nos jardins do oratório existe uma via Crúcis com várias esculturas representando a Paixão de Cristo, obra original de Louis Parent. O escultor dedica 10 anos de trabalho à obra. Foram esculpidas em pedra vinda de Indiana, Estados Unidos, e o escultor Ercolo Barbieri trabalha o mármore de Carrara entre 1952 e 1958. Os jardins são projeto do arquiteto paisagista Frederick Gage Todd.

O Cardeal Paul-Émile Léger inaugura a via Crúcis em 1951, realizando o sonho do irmão André em oferecer aos pelegrinos um lugar privilegiado de oração e meditação.


Capela votiva[editar | editar código-fonte]

São José na capela votiva

Numerosos doentes deixavam suas bengalas e próteses na cripta após sua cura. Como não se podia pendurar estes ex-voto nas paredes da cripta, uma capela de devoção foi construída em anexo para poder armazená-las. Hoje, estes ex-voto repousam nas paredes da capela e são prova da gratidão dos fiéis.


Órgão[editar | editar código-fonte]

O órgão do oratório foi instalado em 1960 por um fabricante alemão, Rudolf von Beckerath, e foi construído em Hamburgo entre 1958 e 1959, composto de 78 conjuntos repartidos sobre cinco teclados manuais, 118 rangs, 5811 tubos e 5 teclados e pedais mecânicos, o que o faz um dos mais importantes do gênero no mundo.

Carrilhão[editar | editar código-fonte]

Carrilhão do oratório São José

O carrilhão do oratório São José possui 56 sinos de bronze. Destinado originalmente para a torre Eifel de Paris, foi oferecido em 1955 ao oratório por doadores[5] .

O instrumento compreende quatro oitavas e meia. Estende-se de ré #3 até #7. O maior sino pesa 1500 kg e o menor aproximadamente 5 kg. O conjunto pesa um total de 10 900 kg.

Referências

  1. Denise Robillard, BESSETTE, ALFRED, dit frère André [archive] no le Dictionnaire biographique du Canada
  2. Journal Le Devoir, 16 octobre 2004
  3. Site web América Francófona
  4. Vies et oeuvres d’Henri et André Charlier
  5. Stéphane Batigne, «Pour qui sonnent les cloches», in Montréal insolite, Lanctôt Éditeur, 2000, ISBN 2-89485-133-2

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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