Pé de moleque

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Pé de moleque industrializado.
Um pacote de chikki, como é conhecido o pé de moleque na Índia.

O pé de moleque[nota 1] é um doce típico da culinária brasileira, feito a partir da mistura de amendoim torrado com rapadura.

Fabricação[editar | editar código-fonte]

A fabricação tradicional do doce se dá através da mistura de amendoins torrados e moídos que são posteriormente misturados a uma rapadura previamente derretida, com o cuidado de quebrar a garapa, que tem a dureza do açúcar cristalizado, dai o nome antigo de "quebra queixo" ou "quebra dentes", quando era fabricado artesanalmente, por vendedores ambulantes. A mistura é lentamente batida em fogo brando até atingir o ponto prévio à quebra da chamada cristalização e rapidamente a mistura deve ser distribuída sobre uma superfície lisa e fria de pedra.[3] A utilização de um tacho de cobre é desejável. Depois de resfriado o doce adquire a consistência macia que é característica do processo tradicional por incorporar o óleo do próprio amendoim macerado. Alguns grãos inteiros podem ser acrescentados à mistura, com o fim de quebrar a resistência do cristal, que costuma ficar muito duro, próximo da dureza da pedra de açúcar de cana, muito duro.

Tal processo artesanal foi posteriormente substituído por outros similares, mais simples, ao se misturar o açúcar derretido com os amendoins torrados de modo a obter um pé de moleque bastante crocante e não - rígido (igualmente popular, o rígido é o "quebra queixo ou quebra dentes"). Assim se pôde manufaturar o doce em maior escala mantendo um padrão industrial, e a satisfação do consumidor.

História[editar | editar código-fonte]

O Pé de Moleque com mel de abelhas, havia chegado à Europa na Alta Idade Média, trazido pelos árabes em suas incursões à península Itálica e à Península Ibérica. Dessa invenção árabe se originaram, antes do nosso doce, de "mel de cana("rapaDURA", Brasileira)", o similar português de mel de abelhas, o “nogat” (nome que veio do francês), o "nougat" francês de Montélimar no Vale do Ródano, o espanhol "turrón" de Alicante, Valência, de Toledo, de Castuera (na Estremadura), o italiano "torrone" de Cremona, Alba, Siena, Benevento, o siciliano "ciubatta" e ainda o indiano "chikki", que foi levado para o oriente pelos portugueses no início do século XVI.[4]

Variações no Brasil[editar | editar código-fonte]

O pé de moleque surgiu em meados do século XVI com a chegada da cana-de-açúcar à Capitania de São Vicente, trazida pelo navegante Martim Afonso de Sousa.[5] O pé de moleque é extremamente popular no Brasil. A cidade de Piranguinho[6] no sul do estado de Minas Gerais é famosa pela produção artesanal do tradicional pé de moleque mineiro, a qual tem como lema ser a capital nacional do pé de moleque. Piranguinho ainda tem se destacado no cenário nacional, através festa do maior pé de moleque do mundo,[7] que já faz parte do calendário cultural de festividades do município.

Nas regiões sul e sudeste do Brasil, o pé de moleque é um doce bastante relacionado às culturas caipira "QUEBRA DENTES" e na versão açoriana com mel de abelhas, mais delicado, e também mais caro, devido ao preço do mel de abelhas, e se relaciona ao pé de um moleque. Em outras regiões do Brasil, o doce sofre variações, com mistura da GARAPA AO MEL DE ABELHAS, nos ingredientes de sua fórmula. Na região nordeste do Brasil, em estados como Pernambuco e Alagoas, o pé de moleque é um bolo que faz parte da culinária junina, sempre que possível triturado ou servido na forma líquida, devido a GARAPA, ele também pode ser feito na base de massa de macaxeira acrescido de outros ingredientes como café, castanha, cravo, erva-doce entre outros,(em forma de bolo) sempre com o objetivo de quebrar a resistência da GARAPA.

Este pé de moleque é preparado com massa puba (massa de macaxeira que passou pelo processo de fermentação), açúcar, ovos, manteiga ou margarina, coco ralado e leite.

Após serem misturados todos os ingredientes, a massa é colocada em porções geralmente ao comprido e enrolada na folha verde da bananeira, e em seguida é assada no forno.

Finalmente, deve ser diferenciado de outros doces similares mas que não usam os mesmos ingredientes ou métodos tradicionais como a paçoca doce (que não é cozida), o gibi, o doce de leite com amendoim, o pé de moleque branco (que utiliza bicarbonato de sódio), etc.

Variações em outros países[editar | editar código-fonte]

Na Índia, principalmente nos estados de Gujarat e Maharashtra, onde é chamado de chikki. Em Portugal, o pé de moleque é conhecido como nogat.

Nome[editar | editar código-fonte]

A denominação “pé de moleque” tem duas hipóteses para sua origem.[8]

  • referência ao calçamento de pedras irregulares presente em cidades históricas brasileiras como Paraty e Ouro Preto, que era assim denominado.
  • motivado pelas quituteiras das ruas do passado que os vendiam e que eram alvo de furtos por parte da meninada. Para não serem mais importunadas diziam aos meninos, para que pedissem, pois não precisavam furtar: “ - pede moleque!”.

Na Literatura[editar | editar código-fonte]

O doce pode ser encontrado ainda na literatua, tal como em O dialeto caipira,[9] de Amadeu Amaral, há referência ao "pé-de-muleque". Em 1983, Carlos Drummond de Andrade se referiu ao pé de moleque como sendo a "pura joia mineira". O texto foi enviado a uma das doceiras de Piranguinho.[3]

Notas

  1. De acordo com o Vocabulário do Acordo Ortográfico, lançado pela Academia Brasileira de Letras em 2008, a palavra "pé-de-moleque", registrada pela primeira vez em 1889, uma vez que era conhecido esse doce no Brasil como "Quebra-queixo" ou "Quebra-dentes", antes dessa data, devendo ser sempre grafadas sem hífen a partir da vigência do Acordo Ortográfico de 1990.[1] [2]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikilivros Livros e manuais no Wikilivros

Referências

  1. Guia da Nova Ortografia. Estadão. 2009.
  2. Tufano, Douglas. Guia Prático da Nova Ortografia. São Paulo: Melhoramentos, 2008.
  3. a b Siqueira, Iara. "Pede, moleque". Menu. pág. 65.
  4. ”Revista Gosto” (Culinária) – Editora Rickdan- Outubro 2011 (nr. 25)
  5. História do Pé de Moleque. Barraca Amarela.
  6. Prefeitura Municipal de Piranguinho-MG - Site Oficial.[1]
  7. Portal G1 - Notícias - Festa junina de MG tem pé-de-moleque de 800 kg - Atualizado em 09/06/08[2]
  8. ”Revista Gosto”– Editora Rickdan- Nº 25 – 10/2011
  9. AMARAL, Amadeu. O dialeto caipira. São Paulo: HUCITEC, 1976.