Ratos e Homens
| Of Mice and Men | |
|---|---|
| Ratos e Homens | |
| Autor (es) | John Steinbeck |
| Título no Brasil | Ratos e Homens |
| País | Estados Unidos |
| Assunto | A postura humana face ao Sonho |
| Género | Novela |
| Editora | Covici Friedi |
| Lançamento | 1937 |
| Edição portuguesa | |
| Edição brasileira | |
| Tradução | Érico Veríssimo1 |
| Editora | Livraria do Globo |
| Lançamento | 1940 |
Of Mice and Men (Ratos e homens na tradução) é um livro escrito por John Steinbeck em 1937, que conta a história trágica de George e Lennie, dois trabalhadores rurais na Califórnia durante a Grande Depressão (1929-1939). A história se passa em um rancho a algumas milhas de Soledad no Salinas Valley.
Índice |
Enredo [editar]
Eles formam um par estranho: George é pequeno e esperto; Lennie um brutamontes com a mente de uma criança. A dupla erra pelo interior à procura de uma fazenda para trabalhar, sempre com o plano de comprar um acre de terra e nele construir sua fazenda.
Comprar terras era muito difícil na época, exigia grande esforço no trabalho e economia, ainda mais para dois trabalhadores de fazenda mal remunerados. A maior dificuldade para os dois era a estabilidade do emprego, já que Lennie quase sempre se envolvia em brigas nos locais onde chegavam para trabalhar, o que os obrigava a fugir.
No início do livro, George e Lennie acabaram de fugir de uma fazenda; os proprietários queriam linchar Lennie porque ele havia desrespeitado uma mulher. O grandalhão, sem consciência de seus atos, gostava de pegar em suas mãos tudo que achava bonito e agradável. Após algum tempo caminhando, decidem acampar. Eles estão a caminho de outra fazenda, onde há promessa de empregos. George nota que Lennie está escondendo algo, e logo descobre que é um ratinho morto. Lennie adorava animais de estimação, porém sempre acaba matando-os com sua enorme e desproporcional força. Um pouco depois, George conta os planos da dupla para o futuro: comprar um acre de terra, construir sua própria fazenda, e nela criar galinhas, porcos, e o que Lennie mais queria, coelhinhos. Eles conversam também da importância da amizade e da companhia que um faz ao outro.
Chegando à fazenda, encontram pessoas agradáveis, com exceção de Curley e sua esposa. O sonho de George e Lennie começa a se realizar quando Candy oferece seu dinheiro para comprar um acre de terra, e assim viverem os três na nova fazenda. Tudo que precisava ser feito era juntar mais algum dinheiro, que conseguiriam trabalhando. Infelizmente, o sonho se destrói quando Lennie mata por acidente a mulher de Curley (o filho do proprietário da fazenda), quando brincava com os cabelos dela. A última passagem do livro acontece à beira de um rio, onde estão somente George e Lennie.
Histórico [editar]
O título do livro, a exemplo de outros livros de Steinbeck, é uma citação dos versos2 do poeta Robert Burns, escritos no dialeto escocês:
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The best laid schemes o'mice an'men |
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Em tradução para a língua portuguesa, seria: “Os projetos melhor elaborados, sejam de ratos ou sejam de homens, fracassam muitas vezes e nos fornecem só tristeza e sofrimento, em vez do prêmio prometido”3 . E esse fracasso dos planos é justamente o tema do livro3 , escrito por Steinbeck em 1937. O sucesso levou a história aos palcos, em forma de teatro, e ao cinema e TV.
Análise [editar]
Em outras palavras, a obra "Ratos e Homens" de John Steinbeck é uma abordagem otimista de tudo aquilo que se refere aos SONHOS das pessoas de classe social baixa.
Na obra, o que para Lennie e George era um sonho (uma terra para morar e uma vida digna) é, de fato, um direito de todo e qualquer ser humano. É como se eles estivessem a deriva em alto mar, em um barco a velas, cujo vento que os guiava fosse a classe dominante, ou seja, eles chegariam, somente até o limite determinado pelos detentores do poder.
A comparação com o poema de Robert Burns - que dizia que "São vãos os sonhos de ratos e homens" - ao ver uma ninhada de ratos ser destruída por um arado - é aplicada como se para cada sonho houvesse uma força maior para impedi-lo (ou viabilizá-lo).
No caso dos ratos, a força maior seria os humanos que, a qualquer momento, estaria atrapalhando os sonhos dos ratos. Já no caso dos humanos, essa força maior seria todos aqueles que fossem da elite social. Tal interpretação do livro, e do verso mote de Robert Burns, é forçada e deturpa a grandeza de ambos - livro e verso. Ora, a metáfora que se pode depreender da ação do arado sobre a ninhada de ratos aproxima o arado à ação imponderável, divina, mística, sobrenatural, fortuita, como queira. O imponderável age sobre TODOS os homens, não apenas pobres. Ou Curley não era o patrão e teve a mulher morta por Lennie? De que vale a diferenciação social ou financeira nesse contexto? Pode, afinal, haver ratos magros e ratos gordos, mas todos podem igualmente ser atingidos pelo arado, por forças superiores que o submetem de forma inclemente. A ação humana, por outro lado, permite a clemência. Só essa noção pode dar conta de explicar a ação final e extremada de Geogre com Lennie. Slim entendeu, Curley ficou perplexo. O primeiro era um sábio, embora fosse empregado na fazenda. O segundo era o filho do patrão, mas uma pessoa tão grosseira e obtusa quanto o Carlson ou outro dos peões. Ratos e Homens mostra cabalmente que diferenças sociais não podem ir além de explicar que um sujeito é mais rico ou mais pobre do que outro. É necessário comparar um homem a outro e, assim, todos são iguais. Mas não é nem mesmo essa impossibilidade de diferenciação que nos aproxima metaforicamente dos ratos, mais, menos cinzentos, mas ratos. O que permite que tais espécies compartilhem a mesma frase é justamente a fragilidade que possuem perante algo maior. Como em todo jogo de comparações, contudo, se não há a identidade total que permitiria dizer que trata-se tudo da mesma coisa, há, portanto, diferenças entre ratos e homens. Ratos não entendem o que se lhes passa; não podem compreender o arado. Quanto aos homens, alguns são grandes mesmo pequenos como George, exuberantes, como Slim. Não lhes ocorreria explicar a tragédia de Lennie por questões sociais ou econômicas. Jamais aceitariam que são como ratos simplesmente porque não usam botas de salto com espora.
Cinema e TV [editar]
- 1939: "Of Mice and Men", filme dirigido por Lewis Milestone, estrelado por Burgess Meredith, Betty Field, Lon Chaney Jr., Bob Steele. O roteiro foi adaptado por Eugene Solow. No Brasil, recebeu o título “Carícia Fatal”, e em Portugal, “As Mãos e a Morte”4 .
- 1968: "Of Mice and Men", filme produzido para a TV pela American Broadcasting Company (ABC), sob direção de Ted Kotcheff, estrelado por George Segal, Nicol Williamson. Estreou em 31 de janeiro de 19685 .
- 1975: “Fareler ve insanlar”, filme turco feito para TV, dirigido por Tülay Eratalay e estrelado por Bozkurt Kuruç e Nuri Altinok6 .
- 1981: "Of Mice and Men", filme feito para TV, sob direção de Reza Badiyi, tendo no elenco Robert Blake, Randy Quaid, Lew Ayres. Estreou em 29 de novembro de 19817 .
- 1992: "Of Mice and Men", filme estadunidense dirigido por Gary Sinise, adaptando a história de Steinbeck, adaptação essa feita por Horton Foote. No elenco, além de Gary Sinise, estão John Malkovich e Sherilyn Fenn8 .
Ratos e Homens no Brasil [editar]
Traduções em língua portuguesa [editar]
- Érico Veríssimo: tradução feita em 1940, como “Ratos e Homens”, para a Livraria do Globo, em Porto Alegre, Coleção Nobel9 . Essa mesma tradução foi utilizada pela Editorial Bruguera, nos anos 60, na Coleção Livro Amigo, pela Editora Record, nos anos 60, e pela Ediouro, em 1976. Em Lisboa, a tradução de Érico Veríssimo, com revisão de A. Vieira de Areia, foi publicada pela Editora Livros do Brasil, Colecção Miniatura, nº 3, a partir dos anos 50.
- Myriam Campello: tradução feita em 1991, com o mesmo título, pelo Círculo do Livro, em São Paulo.
- Ana Ban: tradução feita em 2005, com o mesmo título, para a L&M Pocket, em Porto Alegre.
- Brutus Pedreira: tradução para a encenação teatral realizada em 26 de setembro de 1956, no Teatro de Arena, em São Paulo, sob direção de Augusto Boal, tendo no elenco Gianfrancesco Guarnieri, José Serber, Nilo Odalia, Riva Nimitz, Milton Gonçalves10 . Ratos e Homens foi a primeira direção de Augusto Boal e lhe valeu o prêmio de revelação de direção da Associação Paulista de Críticos de Artes naquele mesmo ano11 .
Teatro [editar]
- Ratos e Homens, encenação teatral realizada em 26 de setembro de 1956, no Teatro de Arena, em São Paulo, com tradução de Brutus Pedreira e sob direção de Augusto Boal, tendo no elenco Gianfrancesco Guarnieri, José Serber, Nilo Odalia, Riva Nimitz, Milton Gonçalves12 . Ratos e Homens foi a primeira direção de Augusto Boal e lhe valeu o prêmio de revelação de direção da Associação Paulista de Críticos de Artes naquele mesmo ano13 .
Televisão [editar]
- Ratos e Homens foi apresentado pela TV de Vanguarda, nos Teleteatros da Rede Tupi, em 11 de janeiro de 1953, num domingo, com adaptação de Walter George Durst, tendo no elenco Rosa Maria, Dionísio Azevedo, David Neto14 . Foi uma adaptação do filme de Lewis Milestone “Of mice and men”, chamado no Brasil de “Carícia Fatal”. Direção de TV Cassiano Gabus Mendes15 .
Notas e referências [editar]
- ↑ Análise Comparativa de Três Traduções de “Of Mice and Men”
- ↑ To a Mouse
- ↑ a b Carpeaux, Otto Maria. Introdução a Ratos e Homens. [S.l.]: Rio de Janeiro: Editora Bruguera.
- ↑ Of Mice and Men (1939)
- ↑ Of Mice and Men (1968)
- ↑ Fareler ve insanlar (1975)
- ↑ Of Mice and Men (1981)
- ↑ Of Mice and Men (1992)
- ↑ FARIA, Johnwill Costa. Of mice and men, de John Steinbeck: a oralidade na literatura como problema de tradução, 2009.
- ↑ Coleção Cadernos de Pesquisa Teatro de Arena, 2008, p. 16. In Teatro de Arena
- ↑ InstitutoAgora
- ↑ Coleção Cadernos de Pesquisa Teatro de Arena, 2008, p. 16. In Teatro de Arena
- ↑ InstitutoAgora
- ↑ Teleteatros Tupi
- ↑ Há cópia desta peça no Arquivo Multimeios do Centro Cultural São Paulo com o título Ratos e Homens
Referências bilbiográficas [editar]
- STEINBECK, John (1968), Ratos e Homens, Rio de Janeiro: Editora Bruguera. ISBN Coleção Livro Amigo