Robert Flaherty

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Robert Joseph Flaherty (1884, Iron Mountain, Michigan, EUA - 23 de Julho de 1951, Brattleboro, Vermont, EUA), foi um cineasta estadunidense.

É considerado, tal como Dziga Vertov, cineasta russo, como um dos pais do filme documentário. nos primórdios do cinema directo. É o inventor da docuficção (Moana - 1926), género esse amplamente explorado por Jean Rouch. A docuficção é uma prática utilizada por Flaherty, de um modo mais ou menos intenso, em todos os seus filmes desde Nanook of the North.

O termo documentário foi utilizado, numa das primeiras referências ao género, no jornal New York Sun, num artigo escrito pelo realizador britânico John Grierson, também um dos primeiros a cultivar esse género de cinema, que viria entretanto a trabalhar com Flaherty. Flaherty produziu e realizou em 1922 o primeiro filme documentário de longa-metragem com sucesso internacional: Nanook, o Esquimó. Este filme é considerado como a primeira obra cinematográfica em que implicitamente é desenvolvido o conceito de antropologia visual.

Contemporâneo de Flaherty, o português José Leitão de Barros é, juntamente com ele, um dos pioneiros da docuficção e da etnoficção.


Biografia[editar | editar código-fonte]

Flaherty nasceu no seio de uma família de imigrantes. O seu pai, Robert Henry Flaherty, protestante irlandês explorador de minas e a sua mãe, Susan Klockner, católica alemã, tiveram sete filhos. Influenciado pela profissão do pai, que acompanhou desde criança em várias prospecções ao extremo norte do continente americano, o jovem Flaherty, entre 1910 e 1916, tornou-se também explorador, cartógrafo, geólogo e guia especializado ao serviço de Sir William McKenzie, o construtor do caminho-de-ferro transcontinental, o Canadian Northern Railway. Este ter-lhe-á proposto que, na sua terceira expedição à costa oriental da Baía de Hudson (1913), registasse com uma máquina de filmar aquilo que mais interessasse.

Em todo o caso, a sua primeira tentativa é frustrada: uma recolha de imagens impressionada em suporte de nitrato ardeu por causa de um morrão de cigarro. Só depois, apoiado pelos irmãos Revillon, negociantes de peles parisienses, Flaherty filma Nanook, o hábil caçador de morsas, elegendo-o como protagonista da história. Neste filme, pelo menos duas situações, semelhantes e exemplares, ilustram as circunstâncias em que a realidade é reproduzida no documentário. Para poder filmar dentro do igloo de Nanook, Flaherty pediu-lhe que construísse um bem maior que o habitual. Para poder conferir verdade a uma cena de caça, teve de filmar o caçador durante vários dias a arpoar morsas, para mostrar como se apanha uma.

O sucesso comercial deste filme valeu-lhe um contrato com a Paramount.

Parte para a ilha de Samoa, na Polinésia e, não sem exasperar os produtores porque precisa de tempo para delinear uma história, filma Moana, cujo tema central é a iniciação de um jovem à idade adulta.

Mais tarde, por sugestão de John Grierson, Flaherty envolveu-se noutro projecto filmando, entre Novembro de 1931 e a Primavvera de 1933, os pescadores da ilha de Aran (Man of Aran), saga heróica e explendorosa do homem que se confronta com as forças da natureza para sobreviver.

O seu último filme de longa metragem foi Louisiana Story, documentário elaboradamente ficcionado sobre a construção de um oleduto nos pântanos de Louisiana, filme financiado por uma companhia petrolífera em que ele ilustra a vida de um rapaz que trabalha nesse ofício, dando relevo poético às relações humanas e ao seu enquadramento na natureza. Certos críticos acusaram-no de disfarçar neste filme a exploração humana com formas lúdicas de expressão.

Robert Flaherty, Dziga Vertov e Jean Rouch são, cada um a seu modo e em enquadramentos diferentes, expoentes do filme documentário do século XX

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Em inglês[editar | editar código-fonte]