Tênia
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Tênia ou Solitária é o nome comum dado aos vermes platelmintos das ordens Pseudophilidae e Ciclophylidae, que pertencem à classe Cestoda, que inclui vermes parasitas de diversos animais vertebrados, inclusive do homem. A Taenia solium e a Taenia saginata são as mais conhecidas por parasitarem o intestino delgado do homem. Os seus hospedeiros intermediários são o porco, no caso da Taenia solium, o boi no caso da Taenia saginata e os peixes no caso do Diphyllobothrium latum. Além de ser o hospedeiro definitivo, quando tem o lúmen do intestino parasitado, (de forma quase sempre benigna) causando a doença Teníase, o homem também pode se tornar hospedeiro intermediário, sendo acometido por uma doença mais grave, a Cisticercose, somente determinada pela Taenia solium.
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Tênia
As Tênias possuem corpo segmentado composto por anéis, chamados proglótides ou proglotes. Habitualmente, para efeitos de esquematização, divide-se o corpo da tênia em três zonas: o escólex ou cabeça, o pescoço e o estróbilo. O escólice é a parte do corpo onde se encontram os órgãos de fixação do verme à mucosa intestinal do hospedeiro, quais sejam as ventosas, o rostro ou rostelo e a coroa de ganchos. O pescoço é uma região de intensa multiplicação celular, responsável pela formação das proglótides. O conjunto de proglótides é chamado de estróbilo. As proglótides, ao se afastarem da extremida anterior vão sofrendo um processo de maturação, passando pelos estágios de proglótides imaturos, maduros e grávidas, isto é, proglótides ainda sem aparelhos sexuais, as com aparelhos sexuais desenvolvidos e aquelas que já possuem ovos fecundados. As tênias são vermes hermafroditas e cada estróbilo maduro possui aparelhos sexual masculino e feminino. As proglótides grávidas estão na extremidade final do estróbilo e se soltam do corpo do verme, sendo então elimadas junto com as fezes. Esse processo de desprendimento das proglótides grávidas do estróbilo é chamado de apólise. Entre as tênias existentes, quatro têm o homem como hospedeiro definitivo. São elas a Taenia solium, Taenia saginata, Taenia asiatica e Diphyllobothrium latum.
Taenia solium
A Taenia solium adulta vive no intestino delgado do homem e tem como uma das características distintivas da Taenia saginata, a presença de uma dupla coroa de ganchos, armada sobre o rostelo, que auxilia na fixação do helminto à mucosa intestinal. O homem que possui teníase ou solitária, como também é chamada a doença causada pela presença desse animal no intestino, libera cerca de 40.000 ovos fecundados por anel eliminado nas fezes. Esses ovos contêm embriões denominados oncosferas.
O porco, hospedeiro intermediário, ingere os ovos que, ao chegarem no intestino, liberam a oncosfera. A oncosfera atravessa a mucosa digestiva, ganha a corrente sangüínea e se aloja em vários tecidos ou órgãos do animal. Nesses locais, evolui para um estágio larval, chamado cisticerco.
O homem se torna hospedeiro definitivo do animal quando ingere carne de porco crua ou malcozida contendo cisticercos. Ao ingerir ovos da tênia em vez de cisticercos, o homem passa a ser hospedeiro intermediário. Quando os ovos sofrem maturação e se tornam cisticercos no organismo humano, podem causar deficiência visual, fraqueza muscular e/ou epilepsia, dependendo do local onde se alojam. Essa doença é chamada cisticercose e é mais grave que a teníase. O tratamento normalmente é feito com Mebendazol administrado durante 3 dias.
Taenia saginata
[Recentemente reclassificada como Taeniorhyncus saginata]
Há também a Taenia saginata, cujos hospedeiros intermediários são os bovinos, que se infectam através da ingestão dos ovos desse parasita, eliminados nas fezes do homem. No caso da Taenia saginata o homem pode ser apenas hospedeiro definitivo, diferente do que ocorre com a Taenia solium. As proglótides são eliminadas individualmente e fora das evacuações, forçando o esfíncter anal do portador. Esta espécie está disseminada mundialmente e o número de portadores humanos está estimado entre 40 e 60 milhões. T. saginata pode atingir até 12m de comprimento (comprimento do intestino humano).
A Taenia saginata tem quatro ventosas, mas não tem ganchos no escoléx, o que a diferencia da T. solium.
A Taenia saginata asiatica é uma subespécie que infecta também o porco, causando cistos infecciosos no seu fígado.
As medidas profiláticas para a teníase determinada pela Taenia saginata são o saneamento básico, evitar a ingesta de carne bovina crua ou mal passada, a inspeção do abate dos bovinos destinados ao consumo humano.
Diphyllobothrium latum
Esta tênia tem até 10 m de comprimento. O seu ciclo de vida é complexo e tem dois hospedeiros intermediários, os crustáceos e os peixes de água doce. Nos peixes, se fixam de forma semelhante às outras tênias, e se o peixe infectado for consumido por outro peixe, migra para o músculo deste último. Os humanos são infectados se consumirem peixes de água doce crus ou mal-passados que contêm a tênia. Os ovos são excretados nas fezes e se alcançarem a água doce, eclodem liberando um miracídio (forma minuscula ciliada móvel). Os miracídios nadam até encontrarem um pequeno crustáceo (géneros Cyclops e Diaptomus), no qual se alojam, assumindo a forma de larva. Esta forma é infecciosa para o peixe que se alimenta dos crustáceos. No peixe invade os tecidos e se fixa no músculo. No ano de 2005 vários casos de doenças correlacionadas foram reportados no Brasil, provavelmente associado à ingestão de peixes como o Salmão crú de origem chilena, muito apreciado na culinária de origem japonesa[1][2],
Hymenolepis nana
O verme adulto possui rostro, 100-200 proglotes, coroa de espinhos e habita o jejuno e íleo. Os ovos são quase esféricos, medindo 40 micra, são transparentes e incolores. Membrana interna possui 2 mamelões que apresentam 2 filamentos polares. A larva cisticercóide possui escoléx envaginado, líquido, vilosidades intestinais ou cavidade garal dos hospedeiros. Possui ciclo monoxênico e heteroxinênico. É uma espécie de "ténia anã", com apenas 3 centímetros, mas igual às outras em outros aspectos. Infecta o ser humano e os roedores. É transmitida por contaminação de água ou alimentos com ovos. É comum a autoinfecção. Existe na Ásia tropical, mas raramente causa problemas de saúde. No entanto, pode tornar-se perigosa quando existe em grande número, causando forte diarreia, perda de peso, desnutrição, desidratação e forte dor abdominal.
Ciclo de vida
As proglótides localizadas na extremidade da cadeia são as mais maduras e são mais compridas que largas. Estas proglótides possuem no seu útero ramificado entre 80.000 e 100.000 ovos. Os ovos são libertados quando a proglótide se destaca do animal no lúmen intestinal ou no exterior quando a proglótide se desintegra. São excretadas com as fezes humanas. Os animais que se alimentam com água, de detritos (porco) ou erva (vaca) contaminados são infectados. Nestes animais ou acidentalmente no Homem os ovos eclodem no intestino, gerando oncosferas, e penetram na mucosa intestinal, e disseminam-se pelo sangue até os tecidos, onde se enquistam principalmente no músculo, fígado e cérebro. Quando o Homem come esta carne mal cozida infectada, a larva se aloja no seu intestino e aí se desenvolve, dando a origem a uma tênia adulta, fechando o ciclo.
Reprodução
As tênias são platelmintos que têm reprodução sexuada. São hermafroditas, isto é, possuem os dois sexos presentes no mesmo indivíduo. Não há machos ou fêmeas, e cada proglótide colabora com óvulos e com espermatozóides, ocorrendo então a fecundação no interior de cada proglótide. Ocorre um fenômeno interessante em cada proglótide: o aparelho reprodutor masculino se forma antes do feminino. Após a fecudação o aparelho masculino involui, desaparecendo por completo, deixando todo o espaço no interior do proglótide para a formação e maturação dos ovos. Este fenômeno é chamado de protandria.
Neurocisticercose
A cisticercose humana é doença gravíssima, pois os cisticercos se localizam no sistema nervoso central (neurocisticercose), nos olhos, músculos e nas víceras. Nestes locais, podem permanecer até 30 anos, determinando ataques epileptiformes, crises convulsivas, cefaléias, vômitos, alterações de visão, hidrocefalia e até mesmo a morte. Os ovos das tênias são muito resistentes à inativação através de substâncias químicas, mas podem ser destruídos pela cocção ou fervura acima de 90°C. Desta forma, os cuidados higiênicos são importantes para se evitar a transmissão desta doença. Há enfermidade contra as quais, até o presente momento, nada se pode fazer para exterminá-las; outras, no entanto, como a cisticercose podem e devem ser eliminadas de nossa população.
Diagnóstico Diferencial
O diagnóstico clínico da NCC (neurocisticercose) é difícil devido à semelhança do quadro com outras afecções que acometem o Sistema Nervoso Central. As principais condições que devem ser evocadas frente à suspeição de NCC (e vice versa), com vistas ao diagnóstico diferencial, são: 1. Neuroinfecções como tuberculose, toxoplasmose, criptococose e hidatidose; 2. Colagenoses, particularmente lupus eritematoso sistêmico; 3. Neoplasias primitivas ou metastáticas do Sistema Nervoso Central; 4. Abscesso Cerebral; 5. Esclerose Múltipla; 6. Anomalias vasculares cerebrais - mal formação A-V, cavernomas; 7. Cisto aracnóide.
Epidemiologia
As tênias existem em todo o mundo e são os parasitas mais comuns, sendo estas, das poucas espécies que continuam a ser freqüentes nos países da Europa.
- Taenia saginata - ocorre em todo o mundo, onde haja a criação de bovinos e estes sejam consumidos. Na Índia onde o consumo de bovinos é evitado pelos hindus, os casos são em menor número. Estima-se em 60 milhões o número de pessoas infectadas e em cerca de 5% dos bovinos da Europa poderão conter cisticercos infecciosos, sendo que nos países menos desenvolvidos, tal cifra poderá chegar a 50%. É transmitida pela carne bovina, exceto a subespécie T. saginata asiatica que parasita também no porco. Os abates clandestinos, realizados sem a inspeção das carcaças, favorecem a disseminação da doença.
- Taenia solium - ocorre em todo o mundo, mas está a tornar-se mais rara na Europa. Nos países da América Latina, cerca de 5% das pessoas serão portadoras, e até um quarto dos suínos terão cisticercos infecciosos nos músculos. É também muito comum na África e Ásia. Os suínos, por serem coprófagos, são mais facilmente infectados, ao ingerirem ovos ou proglotes eliminados nas fezes humanas. A doença é rara em povos que não têm hábito de ingerirem carne suína, como os judeus. Os abates clandestinos, realizados sem a inspeção das carcaças, favorecem a disseminação da doença.
- Diphyllobothrium latum - ocorre em peixes de água doce em todo o mundo, especialmente em lagos de água fria.
A Teníase ocorre quando o homem se infecta ingerido as larvas cisticercos ao consumir carne crua ou mal-cozida (vermelha, mesmo que não tenha sangue) de suíno, bovino ou peixe da água doce. A larva cisticerco evolui para a forma adulta no intestino do homem.
A Cisticercose ocorre quando seres humanos ingerem água, terra ou alimentos contaminados com ovos de Taenia solium presentes em fezes humanas. Em alguns países o hábito de fertilizar o solo com fezes humanas aumenta muito o risco. Também pode ocorrer por infecção fecal oral como em determinadas praticas sexuais, ou até por autoinfecção do mesmo indivíduo. A autoinfecção pode ser externa ou interna. Na autoinfecção interna, os proglotes grávidos podem alcançar o estômago por retroperistaltismo, liberando grande quantidade de embriões, que invadem a circulação sangüínea, dissseminando-se pelo organismo humano. Na autoingecção extena, o próprio indivíduo ao defecar, contamina suas mãos ou fômites, que leva à boca, ingerindo os ovos eliminados nas próprias fezes.
Progressão e Sintomas
A teníase intestinal (o homem como hospedeiro definitivo da forma adulta do helminto) é frequentemente assintomática, mas em algumas pessoas pode causar sintomas de reacção imunológica como eosinofilia, nauseas, vómitos, diarreia ou obstipação, dor abdominal e alterações do apetite. Em indivíduos subnutridos pode agravar a desnutrição. A infecção não dá imunidade a reinfecção.
No caso da infecção com a tênia dos peixes (D. latum) há adicionalmente risco de deficiência em vitamina B12, a qual é consumida em grandes quantidades pelo parasita, que afecta cerca de 1% dos portadores, com anemia megaloblástica (também chamda de perniciosa) e sintomas neurológicos como deficiencias sensoriais do tacto.
A Cisticercose é devida à ingestão acidental de ovos de tênia em água ou comida contaminadas com ovos do parasita: o ser humano é acidentalmente tomado como hospedeiro intermediário. Os ovos eclodem no lúmen intestinal e as oncosferas invadem a mucosa intestinal, alcançando a corrente circulatória sangüínea. A maioria migra para os músculos, onde se encista, mas algumas podem enquistar-se em orgãos delicados como o olho e o cérebro, causando sintomas como alterações visuais, convulsões epilépticas e outros distúrbios neurológicos. No coração podem agravar insuficiência cardiaca.
Diagnóstico e Tratamento
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O diagnóstico da teníase intestinal é feito pela observação dos ovos ou proglótes nas amostras fecais, observadas ao microscópio óptico. Um único exame cropoparasitológico não exclui a teníase e deverá ser repetido utilizando-se técnicas de concentração de ovos como a de Ritchie ou de Albicrotchi que apresenta 90% de eficiência na visualização de ovos e confirmação da teníase. Os testes de hemaglutinação e imunofluorescência indireta auxiliam no diagnóstico da teníase quando os métodos parasitológicos mostram-se insuficientes. O diagnóstico da cisticercose é por imagiologia (TAC) com confirmação pela análise de biópsia de tecidos afectados. A distinção entre as duas espécies quase nunca é necessária mas pode ser feita pela técnica de reconhecimento de ADN, a PCR.
O tratamento da teníase intestinal é feito com fármacos antiparasíticos como a nitazoxanida, o praziquantel ou mebendazole ou albendazol. Na cisticercose são usados praziquantel e corticóides.
Prevenção
A prevenção pelos órgãos de saúde pública é feita por meio da melhoria da higiene e controle da alimentação de suínos e bovinos e inspeção das carcaças de animais abatidos para consumo. A prevenção pessoal passa pelo consumo de carne de porco exclusivamente bem cozida ("bem passada"). A carne bovina é geralmente mais segura porque os bovinos não ingerem fezes como o porco; contudo, também é aconselhado o seu consumo apenas se bem cozida, ou seja, sem ficar nenhuma porção vermelha. O presunto e outros embutidos não cozidos são alimentos de especial risco.
Referências
- ↑ "Confirmado primeiro caso de doença causada pela tênia do peixe em Ribeirão Preto", 2006-04-14. Página visitada em 2007-09-19.
- ↑ Vanessa Erichsen Emmel et. all (Jan./Feb. 2006). "Diphyllobothrium latum: relato de caso no Brasil". Rev. Soc. Bras. Med. Trop. 36 (1).

