Tênia

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Como ler uma caixa taxonómicaTaenia
fotografia de uma ténia adulta.

fotografia de uma ténia adulta.
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Platelmintos
Classe: Cestodas
Ordem: Cyclophyllidea
Família: Taeniidae
Género: Taenia
Espécies

Tênia (português brasileiro) ou ténia (português europeu) ou solitária é o nome comum dado aos vermes platelmintos das ordens Pseudophilidae e Ciclophylidae, que pertencem à classe Cestoda, que inclui vermes parasitas de diversos animais vertebrados, inclusive do homem. A Taenia solium e a Taenia saginata são as mais conhecidas por parasitarem o intestino delgado do homem. Os seus hospedeiros intermediários são o porco, no caso da Taenia solium, o boi no caso da Taenia saginata . Além de ser o hospedeiro definitivo, quando tem o lúmen do intestino parasitado, (de forma quase sempre benigna) causando a doença Teníase, o homem também pode se tornar hospedeiro intermediário, sendo acometido por uma doença mais grave, a Cisticercose, somente determinada pela Taenia solium.

Ciclo de evolução[editar | editar código-fonte]

As proglótides localizadas na extremidade da cadeia são as mais maduras e são mais compridas que largas. Estas proglótides possuem no seu útero ramificado entre 80.000 e 100.000 ovos. Os ovos são libertados quando a proglótide se destaca do animal no lúmen intestinal ou no exterior quando a proglótide se desintegra. São eliminadas com as fezes humanas. Os animais que se alimentam com água, de detritos (porco) ou erva (vaca) contaminados são infectados. Nestes animais ou acidentalmente no homem os ovos eclodem no intestino, gerando oncosferas, e penetram na mucosa intestinal, e disseminam-se pelo sangue até os tecidos, onde se enquistam principalmente no músculo, fígado e cérebro. Quando o homem come esta carne mal cozida infectada, a larva se aloja no seu intestino e aí se desenvolve, dando a origem a uma tênia adulta, fechando o ciclo.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

As tênias são platelmintos que têm reprodução sexuada. São hermafroditas, isto é, possuem os dois sexos presentes no mesmo indivíduo. Não há fêmeas ou machos, e cada proglótide colabora com óvulos e com espermatozoides, ocorrendo então a fecundação no interior de cada proglótide. Ocorre um fenômeno interessante em cada proglótide: o aparelho reprodutor masculino se forma antes do feminino. Após a fecundação o aparelho masculino involui, desaparecendo por completo, deixando todo o espaço no interior do proglótide para a formação e maturação dos ovos. Este fenômeno é chamado de protandria.

Neurocisticercose[editar | editar código-fonte]

A cisticercose humana é doença gravíssima, pois os cisticercos se localizam no sistema nervoso central (neurocisticercose), nos olhos, músculos e nas vísceras. Nestes locais, podem permanecer até 30 anos, determinando ataques epileptiformes, crises convulsivas, cefaleias, vômitos, alterações de visão, hidrocefalia e até mesmo a morte.

Os ovos das tênias são muito resistentes à inativação através de substâncias químicas, mas podem ser destruídos pela cocção ou fervura acima de 90°C. Desta forma, os cuidados higiênicos são importantes para se evitar a transmissão desta doença.

Diagnóstico diferencial[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico clínico da NCC (neurocisticercose) é difícil devido à semelhança do quadro com outras afecções que acometem o Sistema Nervoso Central. As principais condições que devem ser evocadas frente à suspeição de NCC (e vice versa), com vistas ao diagnóstico diferencial, são: 1. Neuroinfecções como tuberculose, toxoplasmose, criptococose e hidatidose; 2. Colagenoses, particularmente lupus eritematoso sistêmico; 3. Neoplasias primitivas ou metastáticas do Sistema Nervoso Central; 4. Abscesso Cerebral; 5. Esclerose Múltipla; 6. Anomalias vasculares cerebrais - mal formação A-V, cavernomas; 7. Cisto aracnóide.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

As tênias existem em todo o mundo e são os parasitas mais comuns, sendo estas, das poucas espécies que continuam a ser freqüentes nos países da Europa.

  1. Taenia saginata - ocorre em todo o mundo, onde haja a criação de bovinos e estes sejam consumidos. Na Índia onde o consumo de bovinos é evitado pelos hindus, os casos são em menor número. Estima-se em 60 milhões o número de pessoas infectadas e em cerca de 5% dos bovinos da Europa poderão conter cisticercos infecciosos, sendo que nos países menos desenvolvidos, tal cifra poderá chegar a 50%. É transmitida pela carne bovina, exceto a subespécie T. saginata asiatica que parasita também no porco. Os abates clandestinos, realizados sem a inspeção das carcaças, favorecem a disseminação da doença.
  2. Taenia solium - ocorre em todo o mundo, mas está a tornar-se mais rara na Europa. Nos países da América Latina, cerca de 5% das pessoas seriam portadoras, e até um quarto dos suínos teriam cisticercos infecciosos nos músculos. É também muito comum na África e Ásia. Os suínos, por serem coprófagos, são mais facilmente infectados, ao ingerirem ovos ou proglotes eliminados nas fezes humanas. A doença é rara em comunidades que não têm hábito de ingerirem carne suína, como os judeus. Os abates clandestinos, realizados sem a inspeção das carcaças, favorecem a disseminação da doença.
  3. Diphyllobothrium latum - ocorre em peixes de água doce em todo o mundo, especialmente em lagos de água fria.

A Teníase ocorre quando o homem se infecta ingerido as larvas cisticercos ao consumir carne crua ou mal-cozida (vermelha, mesmo que não tenha sangue) de suíno, bovino ou peixe da água doce. A larva cisticerco evolui para a forma adulta no intestino do homem.

A Cisticercose ocorre quando seres humanos ingerem água, terra ou alimentos contaminados com ovos de Taenia solium presentes em fezes humanas. Em alguns países o hábito de fertilizar o solo com fezes humanas aumenta muito o risco. Também pode ocorrer por infecção fecal oral como em determinadas práticas sexuais, ou até por autoinfecção do mesmo indivíduo.

A autoinfecção pode ser externa ou interna. Na autoinfecção interna, os proglotes grávidos podem alcançar o estômago por retroperistaltismo, liberando grande quantidade de embriões, que invadem a circulação sanguínea, disseminando-se pelo organismo humano. Na auto ingestão externa, o próprio indivíduo ao defecar, contamina suas mãos ou fômites, que leva à boca, ingerindo os ovos eliminados nas próprias fezes.

Progressão e sintomas[editar | editar código-fonte]

A teníase intestinal (o homem como hospedeiro definitivo da forma adulta do helminto) é frequentemente assintomática, mas em algumas pessoas pode causar sintomas de reacção imunológica como eosinofilia, náuseas, vômitos, diarreia ou obstipação, dor abdominal, sensação de movimento intestinal, sons e alterações do apetite. Em indivíduos subnutridos pode agravar a desnutrição. A infecção não dá imunidade a reinfecção.

No caso da infecção com a tênia dos peixes (D. latum) há adicionalmente risco de deficiência em vitamina B12, a qual é consumida em grandes quantidades pelo parasita, que afecta cerca de 1% dos portadores, com anemia megaloblástica (também chamada de perniciosa) e sintomas neurológicos como deficiências sensoriais do tacto.

A Cisticercose é devida à ingestão acidental de ovos de tênia em água ou comida contaminadas com ovos do parasita: o ser humano é acidentalmente tomado como hospedeiro intermediário. Os ovos eclodem no lúmen intestinal e as oncosferas invadem a mucosa intestinal, alcançando a corrente circulatória sanguínea. A maioria migra para os músculos, onde se encista, mas algumas podem enquistar-se em órgãos delicados como o olho e o cérebro, causando sintomas como alterações visuais, convulsões epilépticas e outros distúrbios neurológicos. No coração podem agravar insuficiência cardíaca.

Referências[editar | editar código-fonte]