Tom Wolfe

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Tom Wolfe

Thomas Kennerly Wolfe (mais conhecido como Tom Wolfe), nascido em 2 de Março de 1931, é um jornalista e escritor norte-americano, conhecido por seu estilo marcadamente irônico. Nos EUA, é considerado um dos fundadores do new journalism, movimento jornalístico dos anos 60 e 70.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Wolfe nasceu em Richmond, Virginia, nos Estados Unidos, filho de Thomas Kennerly Wolfe e Helen Hughes Wolfe. Seu pai recebeu Ph.D. pela Universidade de Cornell e foi professor de Agronomia na Virginia Tech. Ele também possuía duas fazendas e foi diretor de uma bem-sucedida cooperativa de fazendeiros. O sucesso financeiro de Thomas permitiu à família um estilo de vida abastado. Thomas também atuou como autor e jornalista, editando o jornal agrícola The Southern Planter, além de publicar livros a respeito de temas semelhantes. Contudo, foi Helen Wolfe que introduziu Tom Wolfe às artes. Ela matriculou seu filho em aulas de sapateado e balé, incentivando-o a interpretar e ler com frequência. Com 9 anos de idade, Wolfe começou a escrever. Ainda criança, começou a escrever uma biografia de Napoleão, além de escrever e ilustrar a biografia de Mozart. Wolfe tem uma irmã cinco anos mais nova.

Educação[editar | editar código-fonte]

Apesar de ter crescido em um ambiente familiar presbiteriano, Wolfe freqüentou a escola episcopal de St. Cristopher, em Richmond. Ele foi um estudante excepcional, sendo presidente do conselho estudantil, editor do jornal escolar e destaque nos esportes.

Ao iniciar sua graduação em 1947, Wolfe recusou a admissão na Universidade de Princeton, escolhendo a Universidade Washington and Lee, até então freqüentada apenas por homens. Estudando língua Inglesa, Wolfe também praticava sua escrita fora da sala de aula. Ele era o editor de esportes do jornal da faculdade e ajudou na fundação de uma revista literária, Shenandoah. Uma de suas maiores influências no âmbito catedrático foi o professor Marshall Fishwick, que buscava ensinar a seus alunos um olhar mais apurado a todos os elementos da cultura, mesmo aqueles considerados profanos. O título da monografia de Tom Wolfe, "A Zoo Full of Zebras: Anti-Intellectualism in America" ("Um Zoológico Cheio de Zebras: Anti-Intelectualismo na América"), evidenciava seu gosto pelas palavras e suas futuras aspirações na crítica cultural. Wolfe graduou-se cum laude em 1951.

Wolfe continuara jogando baseball como arremessador, tendo iniciado a jogar semi-profissionalmente enquanto estudante na faculdade. Em 1952, ele participou de uma peneira no New York Giants. Sua carreira no baseball acabou três dias após o teste, quando Wolfe foi descartado por sua pouca habilidade em arremessar bolas rápidas. Ao abandonar o baseball, Wolfe seguiu o exemplo de seu professor Marshall Fishwick, matriculando-se no doutorado de Estudos Americanos na Universidade de Yale. Sua tese de Ph.D. foi intitulada "The League of American Writers: Communist Organizational Activity Among American Writers, 1929-1942" ("A Liga de Escritores Americanos: Atividades Organizacionais Comunistas entre Escritores Americanos, 1929-1942"). Embora a tese fosse histórica, ela tinha um caráter literário e Wolfe entrevistou muitos dos autores citados na tese, incluindo Malcom Cowley, Archibald MacLeish e James T. Farrell.

Jornalismo e Novo Jornalismo[editar | editar código-fonte]

Embora tenha sido oferecido a Wolfe o trabalho de professor acadêmico, ele preferiu seguir carreira como repórter. Em 1956, enquanto ainda trabalhava em sua tese, Wolfe tornou-se repórter do jornal Springfield Union, de Springfield, Massachusetts. Wolfe finalizou sua tese em 1957 e em 1959 foi contratado pelo The Washington Post. Wolfe diz que parte dos motivos que o levaram a ser contratado pelo Post foi sua falta de interesse na política. Um dos editores do The Washington Post disse que estava "impressionado que Wolfe preferisse o ambiente suburbano à capital, desejo de todo o repórter." Ele ganhou um prêmio interno do jornal devido ao seu trabalho na cobertura de Cuba em 1961, também ganhando um prêmio por seu senso de humor. Durante a cobertura, Wolfe fazia uso de experimentações, utilizando elementos e técnicas ficcionais em seus textos.

Em 1962, Wolfe trocou Washington por Nova Iorque, trabalhando como repórter geral e ensaísta do jornal New York Herald Tribune. Os editores do Herald-Tribune sempre tiveram o costume de encorajar seus repórteres a quebrar com as convenções da escrita no jornalismo impresso. Durante uma greve dos jornais novaiorquinos em 1963, Wolfe entrou em contato com a revista Esquire, tendo em mente a idéia de um artigo sobre a febre de carros customizados no sul da Califórnia. O editor da revista, Byron Dobell, sugeriu que Wolfe enviasse a ele suas anotações, para que ambos pudessem trabalhar juntos no artigo. Wolfe escreveu para Dobell uma carta dizendo tudo que ele gostaria de dizer sobre o assunto, ignorando todas as convenções do jornalismo. Dobell simplesmente removeu o trecho "Caro sr. Byron" de cima da carta e publicou-a na revista como se fosse um artigo. O resultado, publicado em 1964, foi There Goes (Varoom! Varoom!) That Kandy-Kolored Tangerine-Flake Streamline Baby. O artigo foi motivo de ampla discussão - amado por alguns, odiado por outros - e ajudou Wolfe a publicar seu primeiro livro, The Kandy-Kolored Tangerine-Flake Streamline Baby, uma coletânea de seu trabalho no Herald-Tribune, Esquire e em outros veículos.

Isso foi o que Wolfe chamou de Novo Jornalismo, no qual alguns jornalistas e ensaístas experimentaram uma variedade de técnicas literárias, misturando-as com as tradicionais idéias de imparcialidade jornalística. Um dos mais notáveis exemplos dessa idéia é The Electic Kool-Aid Acid Test, escrito por Wolfe. O livro, uma narrativa das aventuras dos Merry Pranksters, grupo de pessoas que acompanhavam o escritor Ken Kesey, também é notável pelo experimentalismo com o uso de onomatopéias, livre-associações e o uso pouco ortodoxo de pontuação - como vários pontos de exclamação finalizando a mesma frase e itálicos - para ilustrar textualmente as idéias excêntricas de Ken Kesey e seus seguidores.

Somado às suas próprias empreitadas nesse novo estilo jornalístico, Wolfe editou uma coletânea de novo jornalismo com E.W. Johnson, publicada em 1973 e intitulada simplesmente The New Journalism. Esse livro juntou o trabalho de escritores e jornalistas como Truman Capote, Hunter S. Thompson, Norman Mailer, Gay Talese, Joan Didion, entre outros, contendo, em comum, o tema de um jornalismo incorporado a técnicas literárias e que pudesse ser considerado literatura.

Produção bibliográfica[editar | editar código-fonte]

Ficção[editar | editar código-fonte]

Não-ficção[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]