Tunguska brasileiro

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Tunguska brasileiro, ou evento do Curuçá,[1] são os termos pelos quais ficou conhecido o evento de impacto ocorrido no estado brasileiro do Amazonas no dia 13 de agosto de 1930,[2] análogo ao evento de Tunguska, ocorrido na Sibéria em 1908. O evento foi provavelmente uma queda cósmica que teria ocorrido na região do Rio Curuçá, no município brasileiro de Atalaia do Norte, no estado do Amazonas. À época, ribeirinhos e indígenas da região afirmaram que viram "bolas de fogo" caindo do céu, tendo estas atingido a margem direita do rio Curuçá.

O evento[editar | editar código-fonte]

O fenômeno ficou esquecido por mais de cinquenta anos, tendo sido "reavivado" após o astrônomo inglês M. E. Bailey ter encontrado nos arquivos do Vaticano uma edição de 1931 do L'Osservatore Romano que continha registros do monge capuchinho-franciscano Fedele d'Alviano, que visitou a região apenas cinco dias após o ocorrido. Na época, Fedele d'Alviano entrevistou diversas pessoas da região, que lhe disseram que ficaram assustadas com o ocorrido. Segundo Bailey, o evento do rio Curuçá foi uma das quedas cósmicas mais importantes do século XX. Investigando a data do evento, acredita-se tratar de um meteorito proveniente da chuva de meteoros das Perseidas, que riscam os céus no mês de agosto (e cujo pico máximo é a 12 de agosto).[3]

Inspirado no artigo de Bailey e baseado em imagens dos satélites LANDSAT, o astrofísico brasileiro Ramiro de la Reza conseguiu identificar um astroblema de 1 km de diâmetro, localizado a sudeste da localidade de Argemiro, nas seguintes coordenadas geográficas: 5° 11 S, 71° 38 W.[4]

Na primeira semana de junho de 1997, de la Reza liderou uma expedição organizada pela Rede Globo e co-financiada pela ABC-TV da Austrália, até a região onde ocorreu o fenômeno. A suposta cratera realmente foi encontrada, mas no entanto ainda faltam provas que atestem o fato de que ela surgiu a partir do impacto do meteorito relatado em 1930. No entanto um registro do Observatório Sismológico San Calixto em La Paz e interpretado por A. Vega, da mesma instituição, mostrou que aquela cratera poderia ter sido criada na mesma data, sugerindo que o sinal sísmico estaria relacionado ao impacto de um meteorito daquele tamanho. [5] No entanto um grupo mexicano recentemente contestou que a cratera e o registro sísmico estariam relacionados ao evento.[6]

O governo brasileiro poderia, como fez o governo russo no evento Tunguska, disponibilizar uma equipe qualificada para pesquisar, e, de fato, caracterizar o que pode ter sido o segundo maior evento observado no mundo moderno. Até o momento apenas um missionário religioso e uma pequena expedição financiada pela TV avaliaram o evento. [7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BAYLEY, M. E. et al., "The Brazilian Tunguska Event", Londres, The Observatory: A Review of Astronomy, vol. 115, n. 1128, pp. 25-253, 1995.
  • WINTER, Othon e LEITE, Bertília. Fim de milênio: uma história dos calendários, profecias e catástrofes cósmicas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999. ISBN 8571105189

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]