William A. Wellman

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William Augustus Wellman (Brookline (Massachusetts), 29 de fevereiro de 1896Los Angeles, 19 de dezembro de 1975) foi um diretor de cinema estadunidense, notabilizado por ter dirigido a primeira produção a receber o Oscar de "Melhor Filme": Wings (br.: Asas), de 1927. Além de diretor, foi produtor e consultor em uma carreira de mais de 80 filmes. Seu trabalho se concentrava em gêneros cinematográficos populares tais como filmes policiais, aventuras e ação, com muitos deles com temas ligados a aviação, uma paixão pessoal.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

William Wellman nasceu em Brookline, Massachusetts. O pai de William, Arthur Gouverneur Wellman, era de Boston (Nova inglaterra) e descendia de irlandeses. Um dos tataravós de William teria sido Francis Lewis de Nova Iorque, um dos que assinaram a Declaração da Independência americana. Sua mãe era uma imigrante irlandesa chamada Cecilia McCarthy.

Wellman foi expulso da Escola Secundária de Newton, em Massachusetts,[1] depois de uma brincadeira de mau gosto que envolveu o diretor.[2] Wellman trabalhou como vendedor e outros serviços, época que conheceu o ator Douglas Fairbanks, que lhe sugeriu tentar a carreira de ator por causa de sua boa aparência.

Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Foto de um Nieuport.

William se alistou na guerra e serviu como motorista de ambulância (Grupamento de Ambulâncias Norton-Harjes).[3] Em Paris, Wellman se juntou a Legião Estrangeira Francesa e em 3 de dezembro de 1917 foi registrado como piloto combatente.[4] [5] Ele se autodenominava "Wild Bill" e foi condecorado com a Cruz de Guerra.[6] A esquadrilha de William, apelidada de les Chats Noir (Grupo do Gato Preto) ficou aquartelada em Lunéville na região da Alsácia-Lorena. Era equipada com aviões Nieuport 17 e depois Nieuport 24. Wellman participou de combates aéreos e derrubou inimgos até ser atingido.[7] Wellman sobreviveu ao desastre, embora ficasse com dificuldades para andar.[3]

Após a assinatura do armistício, William retornou aos Estados Unidos, onde escreveu um livro sobre suas experiências (com a ajuda de um "ghostwriter"). Ele então entrou para o Seviço Aéreo Militar Americano. Estacionado no Campo Rockwell, em San Diego na Califórnia, ensinou táticas de combate para os novos pilotos.

Carreira no cinema[editar | editar código-fonte]

Enquanto servia em San Diego, William teria voado para Hollywood para um fim-de-semana em seu SPAD, usando o campo de polo de Fairbanks em Bel Air como pista de aterrissagem.[3] Fairbanks teria ficado fascinado com as aventuras do jovem "Wild Bill"[3] e prometeu a ele trabalho na industria cinematográfica. William assim apareceria em The Knickerbocker Buckaroo (1919).[2] William depois seria escolhido para interpretar um jovem oficial em Evangeline de (1919), mas foi despedido por cortejar a esposa do diretor Raoul Walsh.

William não gostava mesmo de atuar pois queria se tornar diretor. Ele começou a trabalhar atrás das câmaras, iniciando como mensageiro, depois assistente de edição, assistente de direção, diretor de segunda unidade e diretor."[2] Seu primeiro trabalho como assistente de diretor foi para Bernie Durning, de quem se tornaria amigo e que o influenciaria em seus próprios filmes.[3]

William Wellman começou a carreira de diretor em 1920, com a produção da Fox The Twins of Suffering Creek, mas não recebeu créditos. Isso aconteceria em The Man Who Won e Second Hand Love, lançados no mesmo dia de 1923. Depois de dirigir cerca de uma dúzia de produções de baixo orçamento[2] William foi contratado pela Paramount em 1927 para dirigir Wings, um grande drama de guerra que mostraria sequências de combates aéreos da I Guerra Mundial. O ponto culminante do filme foi a épica Batalha de Saint-Mihiel. Foi a primeira produção a vencer o Oscar de melhor filme.

Outros trabalhos notáveis de William Wellman foram The Public Enemy (1931), a primeira versão de A Star Is Born (1937), Nothing Sacred (1937), a versão de 1939 de Beau Geste com Gary Cooper, The Ox-Bow Incident (1943), Lady of Burlesque (1943), The Story of G.I. Joe (1945), Battleground (1949) e dois filmes estrelados e co-produzidos por John Wayne, Island in the Sky (1953) e The High and the Mighty (1954).

William Wellman também produziu filmes. Seu último trabalho como diretor foi Lafayette Escadrille (1958), o qual produziu, dirigiu, escreveu e narrou a história. Ele foi o autor da história de A Star Is Born, em que foi premiado com o Oscar de Melhor História Original e recebeu os créditos nas versões posteriores: A de 1954 e a de 1976.

Sete diferentes atores de seus filmes foram indicados ao Oscar: Fredric March e Janet Gaynor (A Star Is Born), Brian Donlevy (Beau Geste), Robert Mitchum (The Story of G.I. Joe), James Whitmore (Battleground) e Jan Sterling e Claire Trevor (The High and Mighty).

Wellman ganharia um Oscar pelo roteiro de A Star Is Born. Além disso, ele foi indicado ao prêmio como melhor diretor por três vezes: A Star Is Born, Battleground e The High and Mighty, pelo qual ele também foi indicado pelo Directors Guild of America. Em 1973 essa entidade o homenagearia com um Prêmio Especial. Wellman também possui uma estrela na Calçada da Fama (6125 no Hollywood Blvd).[8]

Alguns cineastas abordaram a carreira de Wellman. Richard Schickel dedicou-lhe um episódio da série da PBS The Men Who Made the Movies para Wellman em 1973,[9] e em 1996, Todd Robinson fez o documentário Wild Bill: Hollywood Maverick.[10]

Família[editar | editar código-fonte]

Wellman casou-se por quatro vezes:

  • Helene Chadwick: 1918 - 1923 - divorciados
  • Margery Chapin: 1925 - 1926; juntos por um curto período
  • Marjorie Crawford: 1931 - 1933 - divorciados
  • Dorothy Coonan: (20 de março de 1934 - 1975); ficaram juntos até a morte dele. Tiveram sete filhos.

Dorothy estrelou o fuilme de Wellman de 1933 Wild Boys of the Road. Dentre seus sete filhos com Wellman estão os atores Michael Wellman, William Wellman Jr., Maggie Wellman, Gloria Wellman e Cissy Wellman. Sua filha Kathleen "Kitty" Wellman se casou com o ator James Franciscus, de quem se divorciaria tempos depois;

William Jr. escreveu um livro sobre o pai: The Man And His Wings: William A. Wellman and the Making of the First Best Picture.

William Wellman morreu em 1975 de leucemia. Ele foi cremado e suas cinzas foram lançadas no mar.[11]

Filmografia parcial[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

Notas
Bibliografia
  • Maltin, Leonard. "William Wellman" (film documentary)." The High and the Mighty (Collector's Edition) DVD. Burbank, California: Paramount Home Entertainment, 2005.
  • Silke, James R. "Fists, Dames & Wings." Air Progress Aviation Review, Volume 4, No. 4, October 1980.
  • Thompson, Frank T. William A. Wellman (Filmmakers Series). Metuchen, New Jersey: Scarecrow Press, 1983. ISBN 0-81081-594-X.
  • Wellman, William A. Go, Get 'em! The True Adventures of an American Aviator of the Lafayette Flying Corps. Boston: The Page Company, 1918.
  • Wellman, William A. Growing Old Gracefully. Self published, 1975.
  • Wellman, William A. A Short Time for Insanity: An Autobiography. New York: Hawthorn Books, 1974. ISBN 0-80156-804-8.
  • Wellman, William Jr. The Man And His Wings: William A. Wellman and the Making of the First Best Picture. New York: Praeger Publishers, 2006. ISBN 0-275-98541-5.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]