Batalha de Saint-Mihiel

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Batalha de Saint-Mihiel
Parte da(o) Primeira Guerra Mundial
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Batalha de Saint-Mihiel.
Data 12 de setembro de 1918 até 19 de setembro de 1918
Local Saint-Mihiel, França
Desfecho Vitória dos Aliados
Combatentes
Estados Unidos Estados Unidos da América
França França
Império Alemão Alemanha
Principais líderes
John J. Pershing Georg von der Marwitz
Forças
Força Expedicionária Americana
Exército Francês
Quinto Exército Alemão
Vítimas
7 000 homens 2 000 homens mortos e 5 500 feridos[1]

A Batalha de Saint-Mihiel foi um evento da Primeira Guerra Mundial, ocorrido entre os dias 12 e 15 de setembro de 1918. Envolveram-se na Batalha a Força Expedicionária Americana e 48.000 soldados franceses sob o comando do general americano John J. Pershing. Eles enfrentaram forças do Império Alemão. O Serviço Aéreo Americano (que mais tarde se tornaria a Força Aérea Americana) desempenhou um importante papel na ação.[2] [3]

Essa batalha marcou o primeiro uso dos termos militares "Dia D" e "Hora H" pelos americanos.[4]

A ofensiva em St. Mihiel foi parte do plano de Pershing que esperava que suas tropas rompessem as linhas alemãs e tomassem a cidade fortificada de Metz. Foi um dos primeiros avanços terrestres americanos na I Guerra com captura de soldados inimigos em retirada,[3] sendo bem-sucedido em apanhar por sorte a artilharia alemã fora de posição. Foi mostrado o papel crítico da artilharia durante esse conflito e as dificuldades em suprir os numerosos exércitos em movimento.[1] À medida que as forças de Pershing se movimentavam, se distanciando da artilharia e com abastecimento dificultado pelas estradas lamacentas, o ímpeto aliado foi enfraquecido. O avanço até Metz não foi executado e os alemães conseguiram reforçar as posições, fazendo com que os americanos decidissem então pela Ofensiva Meuse-Argonne.[4]

Prelúdio[editar | editar código-fonte]

General Pershing

O general John Pershing avaliou que um ataque bem sucedido na região de São Mihiel, Metz e Verdun traria um impacto significativo sobre o exército alemão.[3] O general queria controlar as ferrovias e rodoviais e que os americanos tomassem Mertz, o centro da rede ferroviária da área. Atingidas essas metas, Pershing pretendia partir para ofensivas dentro do território alemão.[2]

Informes sobre o clima[editar | editar código-fonte]

As previsões climáticas dos americanos indicavam fortes ventos e chuvas intermitentes durante o dia e a noite, com estradas enlameadas no caminho"[2] A ordem para avançar representou um desafio para as tropas, com os soldados enfrentando em alguns trechos lama e água até os joelhos. Depois de cinco dias de chuva, o estado do solo interrompeu a passagem de tanques e da infantaria.[1] Muitos blindados motorizados sofreram panes pela entrada de água nos motores, enquanto outros ficaram presos no lamaçal.[4]

As defesas alemãs[editar | editar código-fonte]

Mapa da batalha

Os alemãs haviam se preparado com antecedência, instalando séries de trincheiras aprofundadas, obstáculos com arames farpados e nichos de metralhadoras.[3] O terreno da batalha ficava próximo de três vilarejos: Vigneulles, Thiaucourt e Hannonville-sous-les-Cotes. Para cercar os alemães, esses vilarejos deveriam ser tomados. Os planos dos americanos determinavam aos soldados passarem pelas trincheiras e marcharem ao longo das rodovias[2]

Eles estavam bem informados sobre detalhes das forças aliadas que vinham em sua direção. Um jornal suíço havia publicado a data, hora e duração da preparação das barragens de artilharia. Contudo, o número de homens e armamentos das tropas alemãs era deficiente na aérea, além dos comandantes serem fracos para planificarem contra-ataques.[1] Assim, eles decidiram sair de St. Mihiel e juntarem suas forças na chamada Linha Hindenburg. Os aliados ficaram sabendo desse movimento ao descobrirem uma ordem escrita para as tropas de von Gallwitz.[4]

Os blindados dos Aliados[editar | editar código-fonte]

Os blindados militares dos Aliados (em inglês Allied Armored Forces) eram uma novidade no teatro de guerra francês, mas treinaram muitos meses na preparação para o enfrentamento com o o exército alemão. Os britânicos haviam usado blindados na Batalha de Cambrai (1917)[3] e impressionaram o general Pershing, que ordenou o desenvolvimento de uma força de tanques para apoiar a Infantaria da Força Expedicionária Americana. Como resultado, em setembro de 1918 o coronel George S. Patton Jr. já havia finalizado o treinamento de dois batalhões de tanques (144 tanques FT-17 franceses, organizados nos 326º e 327º batalhões) em Langres, França, prontos para a ofensiva em St. Mihiel.[5] A reforçarem os blindados dos americanos, as tropas contavam ainda com 275 tanques franceses (216 FT-17's e 59 Schneider CA1 ) da Primeira Brigada da Artilharia de Assalto - o que totalizou 419 veículos blindados.[6]

Consequências[editar | editar código-fonte]

Após a batalha St. Mihiel ficou divida em vários setores. Em cada setor ficou um Corpo Militar que podia operar no interior, dentro dos limites. O V Corpo Americano assumiu a vértice noroeste, o II Corpo Colonial Francês ficou com o sul e os IV e I Corpos americanos ficariam no vértice sudeste da área.[1] Com isso o general Pershing deixava um eixo principal para apoiar os vértices mais fracos. As forças restantes seguiram em direção a Metz. O braço composto pelos IV e V Corpos, dirigiria o ataque na área e faria a ligação entre as forças amigas no vilarejo francês de Vigneulles, enquanto o II Corpo Colonial Francês retinha os alemães abaixo das encostas.[2]

Interpretações sobre o resultado[editar | editar código-fonte]

Avaliou-se que a vitória dos americanos comandados pelo general Pershing em Saint-Mihiel deveu-se ao minucioso planejamento do ordenamento das operações. Havia detalhes para a penetração nas trincheiras alemãs, combinando as várias armas de combate.[3] Os tanques apoiavam os avanços da Infantaria, com dois tanques tomando a frente de uma companhia e o terceiro permanecendo na retaguarda. Graças a esse planejamento, o I Corpo Americano atingiu seu objetivo na primeira jornada, antes do meio-dia. E o objetivo do segundo dia foi alcançado à tarde.[4]

Outra razão aventada para a vitória foi a audácia dos comandantes de pequenas unidades no campo-de-batalha. Ao contrário dos oficiais da I Guerra que comandavam de um local afastado, o coronel Patton liderou seus homens ficando na linha de frente.[1] Ele e os outros que assim agiram, acreditavam que o controle pessoal ajudava a contornar o caos do calor da batalha.[2]

Referências

  1. a b c d e f Giese (2004)
  2. a b c d e f Hanlon (1998)
  3. a b c d e f History of War (2007)
  4. a b c d e Spartacus (2002)
  5. Hofmann, page 7
  6. Hofmann, page 11

Bibliografia[editar | editar código-fonte]