Campanha da Mesopotâmia

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Campanha da Mesopotâmia
Parte da(o) Primeira Guerra Mundial
Mesopotamian campaign 6th Army Siege of Kut.png
Trincheiras durante o Cerco de Kut
Data 6 de Novembro de 1914  — 14 de Novembro de 1918
Local Iraque (Mesopotâmia
Desfecho Vitória britânica, Tratado de Sèvres
Combatentes
Reino Unido Reino Unido Flag of Turkey.svg Império Otomano
Flag of the German Empire.svg Império Alemão
Principais líderes
Flag of the United Kingdom.svg John Nixon
Flag of the United Kingdom.svg Percy Lake
Flag of the United Kingdom.svg Frederick Maude
Ottoman flag.svg Süleyman Askerî Bey

Flag of the German Empire.svg Colmar von der Goltz
Ottoman flag.svg Nureddin Bey
Ottoman flag.svg Khalil Pasha
Ottoman flag.svg Kâzım Karabekir
Ottoman flag.svg Ali İhsan Pasha

Forças
350 000[1] -410 000+[2] 100 000
Vítimas
92 000 100 000

A Campanha da Mesopotâmia foi uma campanha no Teatro de operações do Oriente Médio durante a Primeira Guerra Mundial que colocou frente-a-frente os Aliados, representados pelo Império Britânico, na sua maioria por tropas do Império Indiano, e as Potências Centrais, representadas por tropas do Império Otomano.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O Império Otomano tinha conquistado a região no início do século XVI mas, contudo, nunca teve o controlo total dessa zona. Regional pockets of Ottoman control through local proxy rulers maintained the Ottoman's reach throughout Mesopotamia. No virar do século XIX chegaram as reformas. Uma delas foi a linha de caminho-de-ferro entre Berlim e Bagdad, em 1888. Em 1915, o tempo de viagem entre Istambul e Bagdá tinha passado para 21 dias.

A Anglo-Persian Oil Company tinha os direitos exclusivos sobre os depósitos de petróleo no Império Qajar à excepção das províncias do Azerbaijão, Ghilan, Mazendaran, Asdrabad e Coração.[3] Em 1914, antes da guerra, o governo britânico tinha assinado um contrato com a companhia para o fornecimento de petróleo à marinha.[3] O Kuwait era outro local estratégico para os britânicos.

O Império Otomano não esperava que algo acontecesse nesta região.

A área operacional da campanha da Mesopotâmia estava limitada as terras irrigadas pelos rios Eufrates e Tigre. O principal desafio era movimentar as tropas e os abastecimentos através dos pântanos e dos desertos que circundavam a área do conflito.

Pouco depois da guerra na Europa ter começado, os britânicos enviaram uma força militar para proteger Abadan. Em Abadan ficava uma das primeiras refinarias de petróleo do mundo. O plano operacional britânico incluia tropas de desembarque no Shatt-al-Arab. A 6.ª Divisão indiana, do Exército da Índia Britânica foi a escolhida, e foi designada por Força Expedicionária Indiana D (FEID).

O Quarto Exército otomano estava nessa região. O exército era composto por dois Corpos, o XII com a 35.ª e 36.ª Divisões em Mosul, e o XIII com a 37.ª e 38.ª Divisões em Bagdad.

No dia 29 de Outubro de 1914, depois da Perseguição do Goeben e do Breslau, o Breslau bombardeou o porto de Teodósia do Mar Negro. A 30 de Outubro, o Alto Comando em Istambul alterou a disposição das forças. A 2 de Novembro, o Grão-Vizir Said Halim Pasha expressou o seu desagrado em relação às operações da marinha britânica. O Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Sazonov, afirmou já ser tarde e a Rússia considerou esta acção como um acto de guerra. O gabinete tentou explicar que as hostilidades tinham começado sem a sua aprovação pelos oficiais alemães da marinha. Os Aliados insistiram que a Rússia devia ser recompensada pelo ataque; pediram a demissão dos oficiais alemães do Goeben e Breslau; e o afastamento dos navios alemães até ao fim da guerra. Mas antes que o governo otomano desse uma resposta, a Grã-Bertanha e a França declararam guerra ao Império otomano a 5 de Novembro. A Delaração de Guerra oficial chegou a 14 de Novembro.[4]

Quando a Campanha do Cáucaso se tornou uma realidade com a Ofensiva Bergmann, Enver Pasha enviou a 37.ª Divisão e o quartel-general do XIII Corpo para o Cáucaso para apoiar o Terceiro Exército otomano. O XII Corpo foi mobilizado para a Campanha do Sinai e Palestina. O Quarto Exército foi enviado para a Síria para substituir o Segundo Exército que foi para Istambul. No lugar do Quarto Exército estava a Área de Comando Iraquiana apenas com a 38.ª Divisão sob o seu comando.[5]

A Mesopotâmia era uma área de pouca prioridade para os otomanos. Os Regimentos do XII e XIII Corpos eram mantidos a um nível baixo durante o período de paz. O tenente-coronel Süleyman Askerî Bey tornou-se o seu comandante. He redeployed portions of the 38th Division at the mouth of Shatt-al-Arab. A restante força defensiva estava estacionada em Baçorá. O Ottoman General Staff nem sequer tinha um mapa completo da Mesopotâmia. Tentaram desenhar um mapa com a ajuda de pessoal que tinha trabalhado no Iraque antes da guerra, mas sem sucesso. Enver Pasha comprou dois mapas alemães à escala de 1/1.500.000.

Operações[editar | editar código-fonte]

1914[editar | editar código-fonte]

Ofensiva inicial britânica em 1914

A 6 de Novembro de 1914 tem início a ofensiva britânica com um bombardeamento da força naval ao velho forte em Al-Faw, localizado no ponto onde o Shatt-al-Arab faz fronteira com o Golfo Pérsico. No desembarque em Al-Faw, a Força Expedicionária Indiana D (FEI D) britânica, incluindo a 6ª Divisão Poona, liderada pelo tenente-general Arthur Barrett e assistida por Sir Percy Cox como comissário político, ficou frente-a-frente com 350 soldados otomanos e quatro canhões. Em meados de Novembro, a Divisão Poona já estava totalmente em terra e avançou para a cidade de Baçorá.

A 22 de Novembro, a cidade de Bassorá foi ocupada pelos britânicos durante a Batalha de Baçorá, na qual combateram contra uma força de soldados otomanos do Comando de Área Iraquiano comandada por Suphi Bey, o governador de Baçorá. As tropas otomanas fugiram depois de um curto combate, abandonando Bassorá e retirando-se rio acima. Os britânicos ocuparam Bassorá e estabeleceram uma nova ordem na cidade. Continuaram, então, o seu avanço e, na Batalha de Qurna, conseguiram capturar Subhi Bey e 1 000 soldados otomanos. Os britânicos conseguiram, assim, uma posição forte e asseguraram que Bassorá e os seus poços de petróleo ficassem protegidos de ataques otomanos. O principal exército otomano, comandado por Khalil Pasha, estava localizado a 275 miles a noroeste de Bagdade. Poucos esforços fizeram para expulsar os os britânicos.

1915[editar | editar código-fonte]

A 2 de Janeiro, Süleyman Askerî Bey assumiu o comando da área iraquiana. O Exército otomano não tinha recursos, no momento, para se mudar para esta região pois as zonas de Gallipoli, Cáucaso e Palestina eram mais prioritárias. Süleyman Askerî Bey enviou cartas para sheiks árabes numa tentativa de os organizar para lutarem contra os britânicos. Ele queria recapturar a região do Shatt-al-Arab a qualquer custo.

No dia 12 de Abril, Süleyman Askerî atacou o campo britânico em Shaiba naquela que ficou conhecida como a Batalha de Shaiba. Ele possuía cerca de 4 000 soldados regulares e 14 000 soldados árabes irregulares. O ataque começou cedo, de manhã. Estas forças, providenciadas pelos sheiks árabes, não produziram quaisquer resultados. Contudo, a infantaria otomana lançou uma série de duros ataques ao campo fortificado britânico tentando, mais tarde, contorná-lo. Quando a cavalaria e a infantaria britânicas contra-atacaram, Suleyman Askari fez recuar as suas tropas. No dia seguinte, os britânicos atacaram as suas posições defensivas. A batalha foi dura mas a infantaria britânica conseguiu derrotar a oposição otomana. As baixas do lado otomano foram de 2400 homens mortos, feridos ou feitos prisioneiros, e duas peças de artilharia destruídas.[6] A retirada terminou 75 milhas acima no rio em Hamisiye. Süleyman Askerî foi ferido em Shaiba. Desapontado e deprimido, suicidou-se no hospital em Bagdade [7] Para ocupar o seu lugar, foi nomeado o coronel Nureddin Pasha, a 20 de Abril de 1915. Nureddin foi um dos poucos oficiais a alcançarem uma posição de comando elevada sem, no entanto, ter um nível académico muito elevado; em compensação, a sua experiência em combate era bastante significativa.[8]

Devido ao inesperado sucesso, o comando britânico reconsiderou o seu plano e o general Sir John Nixon foi enviado em Abril de 1915 para assumir o comando. Deu ordens a Townshend para avançar até Kut-al-Amara ou, até mesmo, a Bagdad, se possível.[9] Townshend, e o seu pequeno exército, avançaram pelo rio Tigre. Derrotaram as várias forças otomanas enviadas para os deter. Em termos logísticos, o seu avanço foi difícil, mas foi conseguido.

Enver Pasha preocupava-se com a possibilidade da queda de Bagdade. Tomou consciência do erro de subestimar a importância da campanha da Mesopotâmia. Deu ordem à 35ª Divisão e a Mehmet Fazıl Pasha para regressar à sua antiga posição, Mosul. A 38ª Divisão foi reconstituída. O 6ª Exército otomano foi criado a 5 de Outubro de 1915, e o seu comandante era o general alemão de 76 anos, Colmar von der Goltz. Von der Goltz era um famoso historiador militar que tinha escrito vários livros sobre operações militares. Passou vários anos como conselheiro militar do Império Otomano. No entanto, ele estava em Thrace a comandar o 1º Exército otomano e a sua chegada ao teatro da campanha ainda demorou um tempo. O coronel Nureddin, ex-comandante da Comando da Área Iraquiana, continuava nas suas funções no terreno.[8]

A 22 de Novembro, Townshend e Nureddin ficaram frente-a-frente na Batalha de Ctesifonte, uma cidade a 25 milhas a sul de Bagdade. O combate durou cinco dias e o resultado foi um impasse com as tropas otomanas e britânicas a retirarem-se do campo-de-batalha. Townshend decidiu que a retirada devia ser total, enquanto que Nureddin, ao aperceber-se da retirada britânica, cancelou a sua e seguiu os britânicos.[10] Townshend dirigiu-se para Kut-al-Amara, onde estabeleceu aí a sua posição fortificada. Nureddin e as suas forças tentaram cercar os britânicos com o XVIII Corpo composto pelas 45ª e 51ª Divisões e pela 2ª Brigada de Cavalaria Tribal.[11] A força britânica, exausta e enfraquecida, refugiou-se nas defesas de Kut-al-Amara. A retirada terminou a 3 de Dezembro. Nureddin cercou os britânicos em Kut-al-Amara, e enviou outras forças rio abaixo para prevenir a susbtiruição da guarnição britânica.

Qurtel-general do 6.º Exército otomano.

A 7 de Dezembro, o Cerco de Kut-al-Amara teve início. Na perspectiva dos otomanos, o cerco permitiu ao 6.º Exército efectuar outras operações; na perspectiva britânica, defender Kut em oposição a retirarem-se para Bassorá era um erro pois Kut era um local isolado. Podia ser defendido mas não reabastecido. Von der Goltz ajudou as forças otomanas a construir posições defensivas em redor de Kut. O 6º Exército foi reorganizado em dois Corpos, o XIII e o XVIII. Nureddin Pasha entregou o comando a Von der Goltz. Com a reorganização, o 6.º Exército cercou os britânicos. As novas posições fortificadas alemãs bloquearam qualquer hipótese para resgatar Townshend. Townshend sugeriu uma tentativa de quebrar o cerco mas aquela foi rejeitada por Sir John Nixon; no entanto, acabou por ceder. Nixon, sob o comando do general Aylmer, estabeleceu uma força de substituição. O general Aylmer tentou por três vezes quebrar o cerco, mas sem sucesso.

1916[editar | editar código-fonte]

A 20 de Janeiro, Enver Pasha substituiu Nureddin Pasha pelo coronel Halil Kut (Khalil Pasha). Nureddin Pasha não queria trabalhar com um general alemão. Enviou um telegrama ao ministri da Guerra: "O Exército Iraquinao já demonstrou que não precisa do conhecimento militar de Goltz Pasha...". Após o primeiro fracasso, o general Nixon foi substituido pelo general Lake. As forças britânicas receberam poucas provisões por via aérea. No entanto, estes reabasteciementos não eram em número suficiente para alimentar a guarnição. Halil Kut forçou os britânicos a escolher entre passar fome ou render-se, embora tivessem tentado acabar com o cerco.

Entre Janeiro e Março de 1916, tanto Townshend como Aylmer lançaram vários ataques numa tentativa de quebrar o cerco. Por ordem cronológica, os ataques deram origem às batalhas de Sheikh Sa'ad, Wadi, Hanna e Dujaila Redoubt. Esta série de tentativas britânicas de derrubar o cerco não obteve qualquer sucesso e os custos foram altos. Ambos os lados sofreram as baixas foram pesadas. Em Fevereiro, o XIII Corpo recebeu o refoço da 2.ª Divisão de Infantaria. As rações e a esperança estavam a escoar-se para Townshend em Kut-al-Amara. As doenças estavam a aumentar e não havia forma de as tratar.

A 19 de Abril, o marechal-de-campo Von der Goltz morreu de cólera. No dia 24 de Abril, foi feita uma nova tentaiva de abastecer a cidade, desta vez por rio, pelo navio a vapor Julnar, que também fracassou. Sem qualquer forma de serem reabastecidos, e com novos ataques dos otomanos, Townshend decidiu não esperar por reforços e rendeu-se a 29 de Abril de 1916. A força restante em Kut-al-Amara, 13 164 homens, ficou prisioneira dos otomanos.[12]

Para os britânicos, a perda de Kut doi uma derrota humilhante. Já há muitos anos que um grupo de soldados do Exército britânico daquela dimensão não se rendia ao inimigo. Esta derrota seguia-se a outra ocorrida quatro meses antes na Batalha de Gallipoli. Quase todos os comandantes britânicos envolvidos nas tentativas de salvar Townshend, e as suas tropas, foram retirados do comando.

Um dos principais problemas dos britânicos era a falta de infraestruturas logísticas. Quando os navios chegavam a Baçorá, a sua carga tinha de ser descarregada por pequenos barcos, que era, então, levada para os insuficientes armazéns. Os navios ficavam ao largo durante dias para serem descarregados. Depois, as provisões tinham de ser levados para norte, ao longo do rio, por navios-a-vapor de pequeno porte pois praticamente não haviam vias b terrestres. Por outro lado, a quantidade de mantimentos habitualmente enviada não era suficiente para abastecer as tropas. Foi pensado um plano para construir um caminho-de-ferro, mas o governo indiano rejeitou-o, em 1915, sendo aprovado após o cerco de Kut.[13] Depois da derrota em Kut, os britânicos fizeram um esforço para melhorar a capacidade de mobilizar homens e equipamentos para os locais de acção, mantendo-os abastecidos. O porto de Bassorá foi melhorado por forma a que os navios pudessem ser descarregados com rapidez.[14] Foram construidas estada ao redor da cidade; criaram-se locais de acampamento e armazenagem para receber as tropas e os materiais do porto. Foram trazidos mais e melhores navios-a-vapor para os reabastecimentos através do rio.[15] E também foram construídos hospitais para tratar dos doentes e dos feridos. Deste modo, os britânicos puderam levar mais tropas e equipamentos para as linhas da frente mantendo-as devidamente abastecidas para uma nova ofensiva.

1917[editar | editar código-fonte]

O exército do general Maude captura Kut (1917).
March 1917, Tropas britânicas a entrar em Bagdade (Março de 1917).

Os britânicos recusaram-se a aceitar a derrota, e assim, o novo comandante, general Maude recebeu reforços e equipamentos. Nos seis meses seguintes, treinou e organizou o seu exército. Ao mesmo tempo, o 6.º Exército otomano estava a ficar mais fraco. Khalil Pasha recebeu poucos substitutos e acabou por acabar com a 38.ª Divisão utilizando os seus soldados como substitutos em outras divisões: a 46.ª, a 51.ª, a 35.ª e a 52.ª.[16]

A ofensiva de Maude teve início a 13 de Dezembro de 1916. Os britânicos avançaram por ambos os lados do rio Tigre, forçando o exército otomano a sair de várias posições fortificadas ao longo do caminho. A ofensiva do general Maude era metódica, organizada e bem sucedida. Khalil Pasha conseguiu concentrar a maioria das suas forças perto de Kut. No entanto, Maude alterou o seu avanço para a outra margem do rio, contornando as forças otomanas. O XVIII Corpo otomano escapou à destruição por apenas lutar em pequenas escaramuças à sua retaguarda. Acabou por perder bastante equipamento e mantimentos.[17] Os britânicos ocuparam Kut e continuaram o avanço ao longo do reio Tigre.

No início de Março, os britânicos estavam próximo de Bagdade, e a guarnição desta cidade, sob o comando do governador da província, Khalil Pasha, tentou bloquear o avanço no rio Diyala. O general Maude conseguiu evitar as tropas otomanas, destruindo o seu regimento e capturando as suas posições defensivas. Khalil Pasha retirou as suas tropas, de forma desorganizada, da cidade. A 11 de Março de 1917, os britânicos entraram em Bagdade onde foram recebidos como libertadores. O Exército Indiano Britânico teve um papel significativo na libertação da cidade. Por entre a confusão que foi a retirada das tropas otomanas (cerca de 15 000), a maioria foi capturada. Uma semana depois da queda da cidade, o general Maude emitiu a proclamação de Bagdade[18] , que contém a frase «Os nossos exércitos não entram nas vossas cidades como conquistadores ou inimigos, mas sim como libertadores».

Khalil Pasha retirou-se com o seu 6.º Exército rio acima e instalou o seu quartel-general em Mossul. No total, a sua força era composta por 30 000. Em Abril, recebeu o reforço da 2.ª Divisão de Infantaria mas, no geral, a situação estratégica dos otomanos era deficiente, por altura da Primavera de 1917.[19] Depois da captura de Bagdade, Maude parou o avanço. Achava que a linha de abastecimento era demasiado longa, e que as condições meteorológicas do Verão naõ ajudavam à campanha, para além de lhe ter sido negado os reforços de que necessitava.[19]

O general Maude morreu de cólera a 18 de Novembro. Foi substituído pelo general William Marshall que deu ordem para parar as operações do Inverno.

1918[editar | editar código-fonte]

Chegando ao rio Little Zab, 120 km em dois dias

Os britânicos continuaram a sua ofensiva no final de Fevereiro de 1918 com a captura de Hīt e Khan al Baghdadi em Março, e Kifri em April. Nos meses seguintes, os britânicos tiveram de transferir as suas tropas para a Campanha do Sinai e Palestina para dar apoio na Batalha de Megiddo. O general Marshall transferiu algumas das tropas para leste, para apoiar as operações do general Lionel Dunsterville, na Pérsia, durante o Verão de 1918. o seu poderoso exército estava «surpreendentemente inactiv, não só na estação quente como na fria».[20] A luta na Mesopotâmia já não era desejada.

As condições para o armistício entre os Aliados e o Império Otomano começaram a ser negociadas em Outubro. O general Marshall, no seguimento de instruções do Departamento de Guerra britânico de «fazer todos os esforços por conquistar e controlar o máximo possível no [rio] Tigre antes do apito final»[21] partiu para mais uma ofensiva pela última vez. O general Alexander Cobbe comandou a força britânica a partir de Bagdade a 23 de Outubro de 1918. Em dois dias marcharam cerca de 129 km, chegando ao rio Zab, onde era esperado encontrar, e entrar em combate, o 6.º Exército otomano, liderado por Ismail Hakki Bey. A batalha ocorreu em Batalha de Sharqat, onde as tropas otomanas foram quase todas capturadas.

Armistício de Mudros, Outubro[editar | editar código-fonte]

A 30 de Outubro de 1918, o Armistício de Mudros foi assinado e ambas as partes aceitaram as suas actuais posições. O general Marshall aceitou a rendição de Khalil Pasha e do 6.º Exército otomano no mesmo dia. Mas Cobbe não manteve a sua posição, tal como previsto no armistício, e continuou a avançar para Mossul perante o protesto dos turcos.[21] As tropas britânicas marcharam para Mossul, sem qualquer resistência, a 14 de Novembro de 1918. A luta pela propriedade da província de Mossul, e pelos poços de petróleo, tornaram-se um problema internacional. A guerra na Mesopotâmia terminou a 14 de Novembro de 1918, 15 dias depois do Armistício e um dia depois da ocupação de Istambul.

Rescaldo[editar | editar código-fonte]

Com as tropas indianas britânicas no terreno, os britânicos mandaram vir funcionários civis da Índia com o conhecimento de como gerir uma colónia. A expulsão dos otomanos da região abalou o equilíbrio de poder secular. Os árabes que acreditavam que a expulsão dos otomanos levaria a uma maior independência, e que lutaram contra as forças otomanas, ao lado dos Aliados, estavam perante um novo dilema. Ficaram desapontados com os argumentos sobre o estabelecimento do Mandato Britânico da Mesopotâmia.

Durante 1918 e 1919, foram criadas três sociedades secretas anti-coloniais. Em Najaf, a Jamiyat an Nahda al Islamiya (A Liga do Despertar Islâmico) foi organizada. Al Jamiya al Wataniya al Islamiya (A Liga Nacional Muçulmana) foi criada com o objectivo de organizar e mobilizar a população para uma grande resistência. Em Fevereiro de 1919, em Bagdade, uma coligação de mercadores xiítas, professores e funcionários civis sunitas, ulemás xiítas e sunitas e oficiais iraquianos, formaram o Haras al Istiqlal (os Guardiões da Independência). A istiqlal tinha membros em Karbala, Najaf, Kut e Al-Hillah. Os britânicos estavam numa situação difícil com o Problema de Mossul. Adoptavam medidas desesperadas para proteger os seus interesses. A Revolta iraquiana contra os britânicos teve início pouco depois de os britânicos terem declarado a sua autoridade e só foi terminada com o apoio da RAF Iraq Command durante o Verão de 1920.

O parlamento otomano aceitou a cessação da região, mas tinha uma diferente perspectiva do problema de Mossul. Declararam o Misak-ı Milli. O Misak-ı Milli estabelecia que a Província de Mossul era uma parte da sua terra-natal, baseada num passado, história, conceitos de moral e leis comuns. Presumivelmente, de uma perspectiva britânica, se Mustafa Kemal Atatürk tivesse sucesso em estabelecer a República da Turquia em segurança, ele voltaria a sua atenção para a reconquista de Mossul e penetrar na Mesopotâmia, onde, provavelmente, as populações nativas se lhe juntariam. O secretário de estado das Relações Exteriores tentou rejeitar qualquer existência de petróleo na região de Mossul. A 23 de Janeiro de 1923, Lord Curzon comentou que a existência de petróleo não era mais do que uma hipótese.[21] Contudo, de acordo com Armstrong, «A Inglaterra queria petróleo. Mossul e Kurds eram a chave.»[22]

Batalhas da campanha[editar | editar código-fonte]

Notas

Referências

  1. Erickson 2007, page 154.
  2. A naval history of World War I, Paul G. Halpern, Routledge, 1995, ISBN 1-85728-498-4, page 132.
  3. a b The Encyclopedia Americana, 1920, v.28, p.403
  4. CUP Declaration of War, 14 November
  5. Edward J. Erickson, Ottoman Army Effectiveness in World War I: a comparative study (Routledge, New York, 2007), 67, 68.
  6. A.J. Barker, The First Iraq War, 1914–1918; Britain's Mespotamian Campaign (Enigma Books, New York, 2009), 51–54
  7. Edward J. Erickson, Ordered to Die: A history of the Ottoman Army in the First World War (Greenwood Press, Wesport, CT 2001), 110.
  8. a b Edward J. Erickson, Ottoman Army Effectiveness in World War I: a comparative study (Routledge, New York, 2007), 75.
  9. A. J. Barker, The Bastard War, The Mesopotamia Campaign of 1914–1918 (Dial Press, New York, 1967),96–97.
  10. Edward J. Erickson, Ottoman Army Effectiveness in World War I: a comparative study (Routledge, New York, 2007), 76, 77.
  11. Edward J. Erickson, Ottoman Army Effectiveness in World War I: a comparative study (Routledge, New York, 2007), 80.
  12. Barker, A.J.. The First Iraq War, 1914–18. [S.l.]: Enigma Books, 2009. 233 p.
  13. A. J. Barker, The Bastard War, The Mesopotamia Campaign of 1914–1918 (Dial Press, New York, 1967), 148–149.
  14. A. J. Barker, The Bastard War, The Mesopotamia Campaign of 1914–1918 (Dial Press, New York, 1967), 271.
  15. A. J. Barker, The Bastard War, The Mesopotamia Campaign of 1914–1918 (Dial Press, New York, 1967), 272.
  16. Edward J. Erickson, Ordered to Die: A history of the Ottoman Army in the First World War (Greenwood Press, Wesport, CT 2001), 164.
  17. Edward J. Erickson, Ordered to Die: A history of the Ottoman Army in the First World War (Greenwood Press, Wesport, CT 2001), 165.
  18. Proclamação de Bagdade
  19. a b Edward J. Erickson, Ordered to Die: A history of the Ottoman Army in the First World War (Greenwood Press, Wesport, CT 2001), 166.
  20. Cyril Falls, "The Great War" pg. 329
  21. a b c Peter Sluglett, "The Primacy of Oil in Britain’s Iraq Policy", in the book "Britain in Iraq: 1914–1932" London: Ithaca Press, 1976, pp. 103–116
  22. Harold Courtenay Armstrong Gray Wolf, Mustafa Kemal: An Intimate Study of a Dictator. page 225

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • F.J.Moberley The Campaign in Mesopotamia(4 vols, 1923–27, HMSO, official history)
  • A. J. Barker (1967) The Neglected War. Faber and Faber.
  • A. J. Barker (2009) The First Iraq War, 1914–1918: Britain's Mesopotamian Campaign. New York: Enigma Books. ISBN 978-1-929631-86-5. (published in 1967 in Britain as The Neglected War)
  • Mesopotamia Campaign – from The Long, Long Trail website, downloaded January, 2006.
  • [1]Mesopotamia Campaign, from The Commonwealth War Graves Commission newsletter, downloaded June, 2011.
  • Strachan, Hew (2003). The First World War, pp 123–125. Viking (Published by the Penguin Group)
  • Fromkin, David (1989). A Peace to End All Peace. Avon Books.
  • U.S. Military Academy map of the 1915 Campaign
  • U.S. Military Academy map of the Siege of Kut
  • Esposito, Vincent (ed.) (1959). The West Point Atlas of American Wars – Vol. 2; map 53. Frederick Praeger Press.
  • Briton Cooper Busch (1971) Britain, India, and the Arabs 1914–1921. University of California Press.
  • Wilcox, Ron (2006) Battles on the Tigris. Pen and Sword Military
  • Cato, Conrad. The Navy in Mesopotamia, 1914–1917. London: Constable & Co., 1917.
  • E.O.Mousley The Secrets of a Kuttite: An Authentic Story of Kut, Adventures in Captivity and Stamboul Intrigue (1922; John Lane, The Bodley Head, London & New York)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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