Érika Coimbra
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| Érika em 2013. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Informações pessoais | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Nome completo | Érika Kelly Pereira Coimbra | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Apelido | Kiki | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Modalidade | Voleibol | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Nascimento | 23 de março de 1980 (45 anos) Belo Horizonte, MG | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Nacionalidade | brasileira | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Compleição | Altura: 1,80 m | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Clube | Hinode Barueri | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Érika Kelly Pereira "Kiki" Coimbra (Belo Horizonte, 23 de março de 1980), é uma ex-jogadora de voleibol brasileira. Foi medalhista de bronze na Olimpíada de Sydney 2000 com a Seleção Brasileira.
Início
[editar | editar código]Érika começou sua trajetória no vôlei atuando nas categorias de base do Mackenzie Esporte Clube, de Belo Horizonte, em 1990, aos 10 anos, sob o comando do mestre Delicélio Rodrigues Júnior, que rasgou elogios à atacante ainda na base do clube:
A primeira grande atleta que tivemos no nosso trabalho de formação foi a Erika Coimbra. Foi eleita a melhor atacante do mundo em um campeonato infantil e teve grande destaque, principalmente no primeiro time do Bernardinho.[1]
Foi no tradicional clube mineiro que deu os primeiros passos no esporte entre 1990/91 e 1996/97. O talento precoce chamou a atenção e logo ganhou espaço também no time adulto, o Batavo Mackenzie, onde se profissionalizou com 14 anos, se firmando como uma das promessas da nova geração.[2] Apesar de ser um talento, quase desistiu do vôlei por condições financeiras:
Fiquei com medo quando cheguei ao Mackenzie porque todos os pais levavam as meninas de carro, os tênis delas... tudo a gente repara na adolescência quando não tem tanto conhecimento…
As mães assistiam aos treinos, mas meus pais tinham mais dificuldades, porque tinham que pegar 4 ônibus. Então, não entrava no orçamento me assistir. Comecei a ver aquilo como algo muito diferente do meu mundo.
Aí comecei a falar para minha mãe que não queria continuar e ela indagava o porquê. Na época, não sabia me expressar e inventava uma desculpa de que caía num buraco ou algo assim, desisti do voleibol naquele momento.[2]
Antes que pudesse desistir, outra treinadora dos tempos de Mackenzie salvou Érika de abandonar o esporte. Regina foi uma pessoa muito especial em sua carreira. Quando Érika ficou alguns meses sem treinar, Regina transformou sua mente.[2]
Ligava para casa da minha vó porque não tinha telefone em casa. De tanto insistir, minha mãe começou a me levar. Fui com a Regina, conversei com ela em uma salinha no Mackenzie e ela transformou minha cabeça… isso foi em 1994.
Ela falou: ‘Olha, você vai para a Olimpíada, você tem todo o potencial, eu vou te lapidar, porque sei que você vai chegar, você é a melhor…’. Encheu minha cabeça com essas informações e eu acreditei.
Então, segui no Mackenzie e ajudei o time a ganhar o Metropolitano depois de anos sem conquistar um título. Dali participei do Sul-Americano na base pela seleção, me destacando mais e mais”.[2]
Ascensão nacional e DDS (Desordem no Desenvolvimento Sexual)[2]
[editar | editar código]A evolução foi rápida, e Érika passou ao Rexona Paraná Vôlei Clube, onde jogou de 1997/98 a 2000/01, sendo comandada por Bernardinho. Destacou-se de forma decisiva, sendo peça importante no time e ganhando ainda mais projeção. Inclusive, chegando a Seleção Brasileira juvenil.[2]
Foi no Mundial júnior, aos 17 anos, em 1997, quando havia sido considerada a melhor do mundo no torneio, que descobriu a doença DDS (Desordem no Desenvolvimento Sexual).[2]
O exame era bucal. Todas faziam, independentemente de toda a documentação que comprovasse que éramos do sexo feminino. Acabei na sala médica do Minas Tênis Clube, mesmo não sendo meu time na época.
O médico conversou comigo e meus pais de maneira brusca. Hoje em dia, as coisas melhoraram, mas muitos valores ainda são difíceis de mudar. Graças a Deus, eu tinha acabado de assinar com Bernardinho. Recebi propostas de várias equipes, mas ele me protegeu em Curitiba.
Fui para a pessoa certa naquele momento. Era apenas uma garota de 17 anos. Os jornais começaram a publicar matérias equivocadas, dizendo que eu era hermafrodita, travesti, alegavam que eu usava drogas, tomava substâncias proibidas, inventavam de tudo o que queriam…[3]
Bernardinho foi um anjo da guarda na vida de Érika. Ele não permitia que a televisão se aproximasse da atleta. Em Curitiba, ela conseguiu a autorização para jogar até comprovar que realmente era uma mulher e que o ocorrido se tratava de uma síndrome rara.[2]
Era difícil ir a uma festa ou sair em público porque as pessoas olhavam. Minha única opção era me esconder e ser forte, porque o voleibol era a oportunidade de uma vida melhor para mim e minha família. Bernardinho me indicou um médico para tratar a DDS (Desordem no Desenvolvimento Sexual).
Foi um processo difícil. Tive que ir à França para obter um documento rosa, comprovando minha identidade. Era uma mentalidade machista de uma geração anterior. Mas sou uma mulher, a prova viva de que é possível alcançar um alto nível de desempenho por mais de 20 anos…
Às vezes, me emociono e choro, mas se não tivesse passado por essa experiência, talvez não teria a capacidade de compartilhar essas informações com mães pelo mundo, pois ainda é uma condição com pouca divulgação. Às vezes, agradeço a Deus por essa síndrome, porque meu caminho era esse.[3]
Em seguida, transferiu-se para o MRV/Minas, entre 2001/02 e 2002/03, continuando a construir sua reputação de atacante de alto nível.[2] O próximo passo foi o Finasa/Osasco, um dos clubes mais fortes da época, onde atuou entre 2003/04 e 2004/05, em meio a grandes disputas da Superliga. Na temporada seguinte, 2005/06, vestiu a camisa do Oi Macaé.[2]
Carreira internacional
[editar | editar código]Érika Coimbra teve passagens por 5 clubes internacionais em três idas diferentes, cada uma com um retorno ao Brasil. A primeira vez que atuou no exterior foi no BigMat Sanpaolo Chieri, da Itália, em 2006/07. Mas retornou ao Brasil na temporada 2007/08, quando jogou pelo Brasil Telecom/Brusque.[2]
Já em 2008/09 e 2009/10, viveu um dos momentos mais marcantes da carreira ao defender a Unilever Vôlei, novamente sob o comando de Bernardinho. Sua trajetória internacional voltou a ganhar força em 2010/11, quando atuou pelo Galatasaray Medical Park, da Turquia.[2]
Na temporada seguinte, 2011/12, foi para o Azerbaijão jogar pelo Igtisadchi Baku. Em 2012/13, reforçou o Atom Trefl Sopot, da Polônia, onde conquistou destaque e prêmios individuais, como o de melhor jogadora da Liga Tauron e melhor recepção da Copa da Polônia.[2]
Volta ao Brasil e fim de carreira em Israel
[editar | editar código]Aos 33 anos, em novo retorno ao Brasil, Érika defendeu o Terracap/BRB/Brasília Vôlei entre 2013/14 e 2014/15, seguindo depois para o Concilig/Bauru na temporada 2015/16. Logo em seguida, atuou pelo Vôlei Hinode Barueri, de José Roberto Guimarães, entre 2016/17 e 2017/18.[2]
Sua última passagem profissional foi no Maccabi XT Haifa, em Israel, na temporada 2018/19, encerrando a carreira em alto nível depois de mais de duas décadas de dedicação ao esporte. Ao longo desse percurso, Érika Coimbra somou títulos, prêmios e histórias que a tornaram única.[2]
Seleção Brasileira
[editar | editar código]Pela Seleção Brasileira, iniciou sua trajetória no ano de 1996 quando foi convocada pela primeira vez para integrar a categoria de base e sagrou-se campeã sul-americana infanto-juvenil e um ano mais tarde, em 1997, já conquistou o Mundial Infanto-Juvenil. Além de campeã, Érika foi a maior pontuadora do torneio. Marca que rendeu a ela o título de melhor atacante e jogadora do Mundial.[4]
A jogadora ainda participou da campanha que rendeu ao Brasil a medalha de ouro no Pan de Winnipeg 1999. Na Olimpíada de Sydney 2000 conquistaria com a equipe a medalha de bronze.[5]
Principais conquistas
[editar | editar código]- 1999 - Ouro no Panamericano de Winnipeg
- 2000 - Bronze nas Olimpíadas de Sydney
- 2004 - Campeã do Grand Prix
- 2007 - Prata no Panamericano do Rio
- Hexacampeã da Superliga (1997/98, 1999/2000,08/09 pelo Rexona-Ades (atualmente conhecido como Unilever/Rio de Janeiro), 2001/02 pelo MRV/Minas, 2003/04 e 2004/05 pelo Finasa/Osasco)
Clubes
[editar | editar código]| Clube | País | De | Até |
|---|---|---|---|
| 1994 | 1997 | ||
| 1997 | 2001 | ||
| 2001 | 2003 | ||
| 2003 | 2005 | ||
| 2005 | 2006 | ||
| 2006 | 2007 | ||
| 2007 | 2008 | ||
| 2008 | 2010 | ||
| 2010 | 2011 | ||
| 2011 | 2012 | ||
| Atom Trefl Sopot | Polônia | 2012 | 2013 |
| 2013 | 2015 | ||
| 2015 | 2016 | ||
| 2016 | 2018 | ||
| 2019 | 2020 |
Referências
- ↑ «Mestre do vôlei revelou Gabi Guimarães, Sheilla, Carolana e nunca quis Seleção Brasileira». 3 de setembro de 2025. Consultado em 4 de setembro de 2025
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o «Érika Coimbra quase desistiu do vôlei. Saiba o motivo». 20 de setembro de 2023. Consultado em 4 de setembro de 2025
- ↑ a b «Érika Coimbra relembra polêmica: "Me chamavam de travesti"». 23 de setembro de 2023. Consultado em 4 de setembro de 2025
- ↑ Brasil, Comitê Olímpico do. «Érika Kelly Pereira Coimbra». Comitê Olímpico do Brasil. Consultado em 29 de janeiro de 2026
- ↑ «Aos 35, Érika acerta com Bauru para o restante da Superliga». ESPN. Consultado em 9 de dezembro de 2015
- ↑ Canossa, Carolina (17 de outubro de 2016). «Por amor ao vôlei, Érika Coimbra aceita desafio em projeto de Zé Roberto». Saída de Rede. Consultado em 10 de agosto de 2024
Ligações externas
[editar | editar código]- Nascidos em 1980
- Voleibolistas de Minas Gerais
- Voleibolistas nos Jogos Olímpicos de Verão de 2000
- Voleibolistas nos Jogos Olímpicos de Verão de 2004
- Medalhistas olímpicos de bronze do Brasil
- Desportistas do Minas Tênis Clube
- Naturais de Belo Horizonte
- Voleibolistas do Brasília Vôlei Esporte Clube
- Voleibolistas do Barueri Volleyball Club
- Participantes de A Grande Conquista
- Medalhistas dos Jogos Pan-Americanos de 2007
