Alba Zaluar

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Alba Zaluar
Alba Maria Zaluar
Alba Zaluar em 2011
Conhecido(a) por especialista em estudos da violência no Brasil
Nascimento 2 de junho de 1942
Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Morte 19 de dezembro de 2019 (77 anos)
Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Residência Brasil
Nacionalidade brasileira
Alma mater Faculdade Nacional de Filosofia
Prêmios
Causa da morte câncer de pâncreas
Instituições
Campo(s) antropologia e sociologia

Alba Maria Zaluar OMC (Rio de Janeiro, 2 de junho de 194219 de dezembro de 2019) foi uma antropóloga brasileira, com atuação na área de antropologia urbana e antropologia da violência.

Foi professora titular de Antropologia do Instituto de Medicina Social e professora de antropologia no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Alba fundou e chefiou o Núcleo de Pesquisa em Violências (Nupevi), cujos temas de estudo variam entre violência doméstica, segurança pública e tráfico de drogas.[1] Foi uma das primeiras a estudar a Cidade de Deus.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Alba nasceu na então capital federal, a cidade do Rio de Janeiro, 1942. Era a filha mais nova de quatro filhos de Achilles Emílio Zaluar, médico, e Biancolina Ramos Pinheiro. Seu bisavô português foi poeta, a quem lhe legou o sobrenome Zaluar.[3] Ele largou o curso de medicina e veio para o Brasil, onde fundou jornais, que faliram, depois abrindo colégios. Era tradutor e escritor e depois se casou com uma jovem de uma família muito rica da Bahia. Achilles, um dos filhos do casal, estudou em escola militar, apesar de não gostar do curso e da rigidez.[3]

Alba estudou no Rio de Janeiro até concluir a graduação em Ciências Sociais na Faculdade Nacional de Filosofia. A atividade estudantil era intensa na FNFi e nesse período Alba pertenceu ao Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes. Com o Golpe Militar de 1964 veio um período de intensa perseguição política, marcado na FNFi pela instauração de um Inquérito Policial Militar.[3] Com isto, Alba deixa o país em 1965 e morou no exterior até 1971, a maior parte do tempo na Inglaterra, onde estudou Antropologia e Sociologia Urbana.[3][4]

Foi na Inglaterra, na Escola de Manchester, que Alba começou a se aprofundar nos estudos antropológicos, onde teve como professores Max Gluckman, Clyde Mitchell, Peter Worley, E. P. Thompson e Eric Hobsbawm. Essas influências foram importantes seu espírito combativo, em especial ao contestar dados sobre violência.[2]

Ao retornar, dedicou-se participativamente à cultura popular, especialmente às escolas de samba e ao carnaval do Rio. Desta interação resultaram duas teses: a de mestrado no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro e a de doutorado na Universidade de São Paulo. A primeira abordou as festas de santo no catolicismo popular - Os Homens de Deus. E a segunda versou sobre as organizações recreativas e políticas dos trabalhadores pobres da cidade do Rio de Janeiro - A Máquina e a Revolta.[3][4]

Alba foi professora da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e professora titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde coordenava o Núcleo de Pesquisas das Violências (NUPEVI), localizado no Instituto de Medicina Social.[2][3]

Para Alba, o problema mais sério a ser enfrentado no campo e nas cidades é a questão fundiária, pois a facilidade de ocupar terras irregularmente favorece a atuação das milícias em todo o país, já que a obtenção de lucros ilegais é mais alta em locais não regularizados.[6]

Morte[editar | editar código-fonte]

Alba morreu em 19 de dezembro de 2019, na cidade do Rio de Janeiro, aos 77 anos, devido a um câncer de pâncreas.[1][7] O velório e sepultamento ocorreram no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.[4]

Livros publicados[editar | editar código-fonte]

  • Cidadãos Não Vão ao Paraíso (1994)
  • Condomínio do Diabo (1996)
  • Da Revolta ao Crime S.A. (1996)
  • Um Século de Favela (1998)
  • A Máquina e a Revolta (1999)
  • Violência, Cultura, Poder (2000)
  • Integração Perversa: Pobreza e Tráfico de Drogas (2004)

Prêmios e títulos[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Marina Lang (ed.). «Morre, aos 77, a antropóloga e especialista em estudos da violência Alba Zaluar». Folha de S.Paulo. Consultado em 19 de dezembro de 2019 
  2. a b c André Cabette Fábio (ed.). «A contribuição de Alba Zaluar para entender a violência no Brasil». Nexo. Consultado em 19 de dezembro de 2019 
  3. a b c d e f «Entrevista com Alba Maria Zaluar». Fundação Getúlio Vargas. Consultado em 19 de dezembro de 2019 
  4. a b c «Professora e socióloga Alba Zaluar morre aos 77 anos no RJ». Agência Brasil. Consultado em 19 de dezembro de 2019 
  5. Antônio Gois, ed. (12 de julho de 2004). «"Hipermasculinidade" leva jovem ao mundo do crime». Folha de S.Paulo. Consultado em 27 de junho de 2015 
  6. João Vitor Santos (ed.). «"A favela não é o problema, é a solução para a habitação no Brasil". Essa afirmação não vale mais para o Brasil de hoje. Entrevista especial com Alba Zaluar». Unisinos. Consultado em 19 de dezembro de 2019 
  7. «Antropóloga Alba Zaluar morre no Rio». G1. Consultado em 19 de dezembro de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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