Alberto da Veiga Guignard

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Hoje, a Escola Guignard (em Belo Horizonte) leva o seu nome em sua homenagem.

Alberto da Veiga Guignard (Nova Friburgo, 25 de fevereiro de 1896Belo Horizonte, 25 de junho de 1962) foi um pintor brasileiro que marcou seu nome na história da arte como o grande paisagista do modernismo. Afirmações bairristas, argumentam que ele ficou "famoso por retratar paisagens mineiras", mas isto é reduzir o real significado de sua pintura ao mero registro de um ambientação físico.

Guignard nasceu com uma abertura total entre a boca, o nariz e o palato (lábio leporino), causando horror e compaixão aos seus pais. Ficou órfão de pai (que aparentemente se suicidou no ano de 1906) com 10 anos e a mãe casou-se em seguida com o barão Friendrich von Schilgen, bem mais jovem que ela, com quem se mudaram para a Alemanha.

Sua formação foi alicerçada em bases européias pois lá viveu dos onze aos 33 anos. Frequentou as Academias de Belas Artes de Munique, onde estudou com Herman Groeber e Adolf Engeler, e de Florença.

De volta ao Brasil, nos anos 20, tornou-se um nome representativo dessa década e da seguinte, juntamente com Cândido Portinari, Ismael Nery e Cícero Dias.

Ainda jovem, orientou um grupo do qual participavam Iberê Camargo, Vera Mindlin e Alcides da Rocha Miranda. Nessa época (1944), a convite de Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, instalou um curso de desenho e pintura no recém-criado Instituto de Belas Artes. A partir daí, apaixonou-se pela cidade e mudou-se para lá. A década de 1930 será crucial para todo o desdobramento da pintura de Guiganard. Fixado no bairro do Jardim Botânico no Rio, ele se abre em deslumbramento para a paisagem da Mata Atlântica. Nesse mesmo periodo, a relação de Guignard com a vegetação tropical deve ter sido alimentada pelo 1a. Conferência Brasileira de Proteção à Natureza em 1934 no Rio. O relevo do maciço da Tijuca no Rio foi seu primeiro modelo brasileiro para confrontar-se com a paisagem vertical da pintura chinesa, que, sem pontos de fuga ou linhas descritivas, desdobram-se paralelamente à superfície da obra. Seu primeiro modelo da relação entre arquitetura histórica será o bairro de Santa Teresa (depois será Ouro Preto). A criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) em 1937 e a edição da Revista do Sphan chamam a atenção do pintor para o patrimônio colonial brasileiro já em fins da década de 1930. Assim, quando conhece Minas Gerais, reencontra alguns desses parâmetros estéticos em novas perspectivas.

Até a sua morte, Guignard expôs inúmeras vezes no Brasil. Em 1953, foi-lhe dedicada uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e, em 1992, no Museu Lasar Segall. Apesar do afeto devotado pelos mineiros por Guignard, Minas nunca lhe dedicou uma exposição de grande porte. O Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro realizou uma restrospectiva em abril de 2000.Em 2010, uma grande exposição sobre Guignard circulou entre São Paulo e Porto Alegre.

Fachada da Escola Guignard.

Em 2014,o Museu de Arte do Rio (MAR) apresentou a exposição "Guignard e o Oriente, entre o Rio e Minas", na qual foram expostas as relações transculturais do artista com as artes da China e do Japão. As questões levantadas pela exposição incluíam relações da arte de Guignard com a perspectiva vertical da pintura tradicional chinesa, histórias de chinesices no Brasil, aspectos da xilogravura japonesa, história de nuvens, a Inconfiência Mineira e cristianização de Tiradentes, a ética de Guignard com relação aos afro-descendentes no Brasil, o erotismo delicado, os afetos do pintor, seu processo didático. O folheto da exposição apresenta essa agenda de questões plásticas e políticas de Guignard.

Guignard foi um artista completo, atuando todos os gêneros da pintura - de naturezas mortas, paisagens, retratos até pinturas com temática religiosa e política, além de temas alegóricos.

Guignard amava as montanhas do Rio e de Minas Gerais, seu céu e suas cores, as manchas nos muros e o seu povo. Colaborou para a formação de artistas que romperam com a linguagem acadêmica e ajudou a consolidar o modernismo nas artes plásticas no Rio e em Minas. O período vivido em Minas está representado também no Museu Casa Guignard.[1]

Guignard está representado em museus brasileiros como o Museu Nacional de Belas Artes (onde se encontra suas obras primas ("As Gêmeas" e "Marília de Dirceu"), a Biblioteca Nacional (um conjunto muito especial de gravuras sobre metal), o MAM do Rio, o Museu do Ingá em Niterói (com a tela São Sebastião proveniente do acervo do antigo Banco do Estado da Guanabara), o Museu de Arte do Rio (MAR), o Museu da Pampulha em Belo Horizonte, o MAC-USP, o Museu Metropolitano de Curitiba, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, o museu da Fundação Edson Queiroz em Fortaleza.

Seu corpo repousa na Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, onde viveu até 1962.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Museus de Minas Gerais - Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, (visitado em 11-3-2010)

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