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Nossa Senhora Aparecida (Manaus)

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(Redirecionado de Aparecida (Manaus))
Nossa Senhora Aparecida
Bairro
Localização
Localização do bairro Nossa Senhora Aparecida no mapa geográfico urbano de Manaus.
Localização do bairro Nossa Senhora Aparecida no mapa geográfico urbano de Manaus.
Localização do bairro Nossa Senhora Aparecida no mapa geográfico urbano de Manaus.
Zona Sul
Município Manaus
História
Criado em 1888
Características geográficas
Área total [1] 66,85
População total (2017) 8 270 hab.
Densidade 10.465,22 hab./km²
Outras informações
Limites Centro, Presidente Vargas, São Raimundo e Glória.

O Aparecida é um bairro de Manaus, capital do estado brasileiro do Amazonas. Situa-se na zona sul da cidade.[2] É um dos bairros mais antigos da cidade, tendo surgido ainda no século XVII, além de possuir o IPTU mais caro da Zona Sul.

Possui uma área de 66,85 quilômetros quadrados e uma população de 8 270 habitantes.

História

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O período áureo da borracha contribuiu diretamente para o surgimento do bairro de Nossa Senhora Aparecida, cuja história se confunde com a própria trajetória da cidade de Manaus. Localizado na área central, o tradicional bairro de formação religiosa reflete, ainda hoje, o legado do Ciclo da Borracha e, posteriormente, da Zona Franca de Manaus (ZFM).

Diferente do passado, quando havia grande presença de serrarias e distribuidoras, atualmente poucas dessas atividades permanecem em funcionamento. O comércio varejista, entretanto, especialmente o de estivas e miudezas, segue ativo e tradicional, resistindo ao avanço da industrialização e à expansão comercial da capital amazonense.[3]

Um bairro de muitos nomes

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Ao longo do tempo, o bairro Aparecida recebeu diversas denominações que marcaram suas diferentes fases e transformações urbanas, paisagísticas e sociais. Já foi conhecido como Cornetas, Cajazeiras, Saco do Alferes, Vista Alegre, Rafael, Plano Inclinado, Operários e Bairro dos Tócos, até ser oficialmente denominado Nossa Senhora Aparecida em 7 de maio de 1946.[4][5][6]

Cultura, Personalidades e Curiosidades

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Entre as famílias mais tradicionais do bairro, destaca-se a família Miranda Corrêa, responsável pela doação do terreno onde foi erguida a antiga capela — hoje o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Essa mesma família também foi proprietária de importantes empreendimentos locais, como a fábrica de gelo Crystal (fundada em 1903) e a Cervejaria Amazonense XPTO (inaugurada em 1910), cujo prédio foi o primeiro da cidade — e possivelmente do Brasil — a possuir elevador elétrico.

Outro edifício histórico do bairro é o conhecido “Casa dos Padres”, atual sede da Universidade Federal do Amazonas – Faculdade de Ciências da Saúde e Farmácia. O prédio, muito bem preservado, simboliza a importância das missões religiosas na Amazônia, tendo sido adquirido pela Ordem dos Redentoristas, que exerceu papel central no desenvolvimento sociocultural da região.

Os padres redentoristas chegaram a Manaus em 22 de julho de 1943, durante a Segunda Guerra Mundial. À época, circulavam boatos entre os moradores de que poderiam ser espiões, devido ao clima de tensão internacional. A Igreja mantinha diversas atividades, incluindo um coro formado por moças do bairro, regido pelo Padre Norman Muckermann. Inicialmente, as celebrações ocorriam em um chalé da família Miranda Corrêa, até que, com apoio da comunidade, foi iniciada a construção da Igreja de Nossa Senhora Aparecida, inaugurada em 1946.

Na Rua Xavier de Mendonça, havia um conjunto de casas conhecido como “As Treze Casas”, todas idênticas, originalmente pertencentes à Marinha Mercante antes de serem vendidas a particulares.

O bairro também abrigou o primeiro Corpo de Bombeiros da cidade, os chamados “Bombeiros Voluntários”, que desempenharam papel essencial até sua extinção. Na mesma época, era comum a presença de serrarias e atividades industriais.

As quermesses, festas juninas, o hábito de sentar-se à porta de casa ao entardecer, as apresentações de boi-bumbá e o surgimento da Escola de Samba Mocidade Independente de Aparecida, em frente ao Vista del Rio, marcam a vida cultural e afetiva do bairro.

O escritor Roberto Bessa destacou que Aparecida é berço de diversas personalidades de destaque na história do Amazonas, como: Mário Ypiranga Monteiro, Moacir Andrade, João Bosco Ramos de Lima, João Zany dos Reis, Jefferson Péres, Omar Aziz, Amazonino Mendes, Carlos Zamith, Gilberto Mestrinho, Paulo dos Anjos Feitoza, Sady Paiva, Sadoc Pereira, Jumbo Miranda Filho, Estevam Santos, entre outros.[7]

Santuário de Nossa Senhora Aparecida

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A história do Santuário de Nossa Senhora Aparecida começa em 22 de julho de 1943, com a chegada dos padres André Joerger e João McCormick, membros da Congregação do Santíssimo Redentor, de Saint Louis, Missouri (EUA).

Pouco depois, juntaram-se a eles os padres José Maria Buhler, José Elworthy, Jaime Martin e o irmão Cornélio, hospedados inicialmente pelos freis capuchinhos da Igreja de São Sebastião.

As primeiras atividades dos redentoristas incluíram um tríduo de orações, realizado de 5 a 7 de setembro de 1943, na antiga Capela de São Vicente de Paulo, na Rua Ramos Ferreira. Naquele período, a festa da padroeira coincidia com o Dia da Independência do Brasil.[8]

O Clube de mães mais Antigo de Manaus

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Em 8 de setembro de 1943, dia de Nossa Senhora, os religiosos passaram a ocupar uma residência própria, situada na Rua Comendador Alexandre Amorim, nº 325, em terreno doado por Agesilau Araújo. Nesse local, funciona atualmente o clube de mães mais antigo de Manaus.

Enquanto o templo definitivo não existia, as missas dominicais eram celebradas em espaços improvisados, como o Grupo Escolar Cônego Azevedo ou em residências particulares na Rua Leonardo Malcher, próximo à Luiz Antony.

A Paróquia de Nossa Senhora Aparecida foi oficialmente instituída em 30 de janeiro de 1944, tendo como primeiro vigário o Padre André Joerger. Com a criação da Freguesia, iniciou-se a adaptação da capela em uma das dependências da casa paroquial.

Em 1945, o espaço foi ampliado, incluindo uma sala destinada às reuniões das associações religiosas e às aulas de catecismo, consolidando a vida comunitária e espiritual do bairro.[9]

Ruas do Bairro

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Cada uma das ruas de Aparecida leva o nome de um personagem. São pessoas que, ao longo de décadas ou séculos, foram deixando um enorme legado para a região, e são lembrados até hoje pelos mais velhos.

  • Rua Alexandre Amorim - Inicia na ponte Fábio Lucena, estendendo-se até a rua Luiz Antony. Alexandre de Paula Amorim, nascido em Arcos de Valdevez - Portugal em 15 de outubro de 1832, estabeleceu-se em Manaus como comerciante, criando a firma Amorim & Cia. Foi cônsul de Portugal durante vinte anos, vindo a falecer em 20 de junho de 1881.
  • Rua Dr. Aprígio - Começa no igarapé de São Vicente e termina na rua Alexandre Amorim. Dr. Aprígio Martins de Menezes, médico, nascido em 1844 na Bahia e falecido em Manaus em 1891. Além de médico era poeta e historiador, chegando ao posto de vereador de Manaus.
  • Rua Carolina das Neves - Inicia na Rua Xavier de Mendonça e termina na rua Bandeira Branca. O nome da rua está relacionada a uma antiga moradora portuguesa, enfermeira de ofício e latifundiária, proprietária de vários terrenos naquela área, tendo aqui chegado por volta de 1906, permanecendo um pouco mais de uma década. Era artéria, ficou conhecida por um tempo como beco do Pau-não-cessa.
  • Rua Bandeira Branca - Começa no igarapé de São Vicente e termina na rua Alexandre Amorim. O nome está associado a um antigo morador português, dono de uma taberna, que tinha por hábito, colocar uma bandeira branca à porta do estabelecimento, dando dessa forma origem ao nome. Ficou conhecida até os dias de hoje. No passado, recebeu o nome de Praça 1º de maio, que acabou não caindo no gosto popular.
  • Beco da Escola - Começa na rua Xavier de Mendonça, passando por trás do Colégio Cônego Azevedo, saindo por um estreito beco novamente na Xavier de Mendonça. Este beco teve ainda outros nomes como: Tapa-Guela, beco do Rego da Maria Pia e beco Pai-da-Vida.
  • Beco da Indústria - Começa na rua Wilkens de Mattos, terminando na rua Xavier de Mendonça. Antes de ter esse nome, era conhecido como beco Chora-Vintém. O nome está associado às pequenas e artesanais fabriquetas ali instaladas, como: Curtição de couro, fábrica de cachaça e outras. O seu nome atual é J. G. de Araújo Jorge, porém a tradição o tem mantido como beco da Indústria.[10]
  • Rua Xavier de Mendonça - Inicia na escadaria do igarapé de São Vicente e termina na rua Alexandre Amorim. Antes, recebera o nome de rua das Cajazeiras, em decorrência da grande quantidade destas árvores na área, e depois rua dos Tocos. Francisco Xavier de Mendonça Furtado nasceu em 1700 em Portugal. Era irmão do Marquês de Pombal. Veio ao Amazonas participar da fundação da Capitania de São José do Rio Negro, aqui permanecendo por algum tempo, retornando depois à terra natal.
  • Rua Wilkens de Mattos - Começa no igarapé de São Vicente onde está localizado o antigo estaleiro e termina na serraria Matias. João Wilkens de Mattos nasceu em Belém do Pará em 1822 e faleceu no Rio de Janeiro em 1884. Foi nomeado presidente da Província do Amazonas em outubro de 1868. Foi vereador, diretor-geral dos índios e tenente-coronel. No final do seu mandato, foi nomeado cônsul em Loretto.
  • Rua Gustavo Sampaio - Inicia na rua Xavier de Mendonça e acaba na rua Bandeira Branca. Esta rua serve de escoamento para a entrada nas outras ruas da Aparecida, sendo uma das tradicionais artérias do bairro.
  • Rua das Flores - Tem seu começo na Bandeira Branca e termina no igarapé de São Vicente. provavelmente o nome surgiu, segundo relatos de antigos moradores, com o cultivo de flores por um velho comunitário que ali residia, que abastecia o mercado do bairro. Após a sua morte, em homenagem deram o nome à rua.

Atualidade

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No bairro Aparecida, os moradores contam com uma boa variedade de instituições e serviços que contribuem para a qualidade de vida local. Entre eles estão a Escola Estadual Nossa Senhora Aparecida, a Escola Estadual Vicente Schettini e o Colégio Cônego Azevedo.

O bairro também dispõe da Quadra Poliesportiva Marcolino Lopes, do Hospital São Lucas – HAPVIDA, das Clínicas Pró-Saúde, de consultórios odontológicos e oftalmológicos, da Unidade de Saúde da Família – USF S-07, além do Centro de Convivência do Idoso, do Fórum dos Juizados Especiais – Desembargador Mário Verçosa, do SINTTEL (Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações), do SINDSEP-AM (Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Amazonas), do SINTERC-AM (Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Refeições), do SEEACEAM (Sindicato dos Empregados em Empresa de Asseio e Conservação do Estado do Amazonas), do SINPOSPETRO-AM (Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado do Amazonas), de uma casa lotérica, da 3ª Unidade de Energia Elétrica da Amazonas Energia, da Academia Golfinho, da Garaginha da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (SEMULSP) e do Núcleo Operacional da Guarda Civil Metropolitana, vinculado à Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (SEMSEG).

O bairro também abriga a Associação Esportiva 3B da Amazônia, o Espaço de Convivência Marcos Aurélio do Nascimento, a Sede Estadual da Igreja Pentecostal Deus é Amor — denominação evangélica presente em 88 países —, a Igreja Assembleia de Deus – 33ª Casa de Oração (Área 198), a Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Loja Maçônica AREDMLS Unificação Maçônica nº 1125 e a sede do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Por estar localizado ao lado do Centro da cidade, Aparecida não é considerado um bairro periférico e apresenta bons índices sociais em comparação com outras áreas de Manaus. Seu principal problema, contudo, assim como o de grande parte da capital amazonense, é a poluição dos igarapés e lagoas da região.

A padroeira do bairro é Nossa Senhora Aparecida, e uma das expressões culturais mais conhecidas da comunidade é a Escola de Samba Mocidade Independente de Aparecida.

Dados do bairro

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Referências

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  1. Lei Municipal 1.401/2010 - Cria bairros e consolida a delimitação dos bairros de Manaus
  2. Secretaria Especial para Articulação de Políticas Públicas[ligação inativa]. Prefeitura de Manaus. Página visitada em 13/11/08.
  3. «Vista aérea da Ponte Senador Fábio Lucena». IDD - Instituto Durango Duarte. Consultado em 17 de outubro de 2024 
  4. «Vista parcial dos bairros de Aparecida e São Raimundo - IDD». IDD - Instituto Durango Duarte. Consultado em 17 de outubro de 2024 
  5. NEVES, J. L. (2014). Espaço e Memória nas vozes alheias: A (RE)construção da história do bairro de Aparecida em Manaus/AM. Manaus: Monografia (Universidade do Estado do Amazonas -Escola Normal Superior -Departamento de Geografia). p. 45 
  6. «Plano Inclinado no Bairro da Aparecida - Instituto Durango Duarte». IDD - Instituto Durango Duarte. Consultado em 17 de outubro de 2024 
  7. NEVES, J. L. (2014). Espaço e Memória nas vozes alheias: A (RE)construção da história do bairro de Aparecida em Manaus/AM. Manaus: Monografia (Universidade do Estado do Amazonas). pp. 45–69 
  8. «Santuário de Nossa Senhora Aparecida». IDD - Instituto Durango Duarte. Consultado em 17 de outubro de 2024 
  9. «Escola Estadual Cônego Azevedo». IDD - Instituto Durango Duarte. Consultado em 17 de outubro de 2024 
  10. «Imagem aérea de Serraria no Bairro da Aparecida - IDD». IDD - Instituto Durango Duarte. Consultado em 17 de outubro de 2024 

Ver também

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